domingo, 14 de dezembro de 2014

UM POUCO DE ANGELINA MACEDO




 

Angelina Macedo, poeta da minha terra – Assu/RN, era de família aristocrática, originária da cidade do Porto, Portugal, de temperamento sentimental, casou-se em 1896. "O lirismo de Angelina também está marcado pela melancolia, pela religiosidade e por acentuados elementos românticos e simbolistas", depõe o antologista Ezequiel Fonseca Filho.
 
"Não encontrando no matrimônio a realização de seus sonhos de adolescente", escreveu na sua desilusão, o soneto que, penso eu, parecido com o estilo de poetar da poetisa portuguesa Florbela Espanca, que diz assim:

Sonhei que era feliz e que era amada,
Que ao lado de meus pais tranquilamente,
Passava minha vida sorridente,
Sem nunca pela dor ser perturbada.
 ,
Nessa doce ilusão, sendo embalada,
Áureos castelos levantei na mente
E por linda visão aurifulgente,
Era ao céu de fantasia arrebatada.

Porém ao despertar do grato sonho,
Ao ver o meu presente tão tristonho,
Tão negro como fora o meu passado.

Quisera viver sempre adormecida,
Do mundo e de todos esquecida,
Ou ao menos, meu Deus, não ter sonhado!

Abandonada pelo marido, doente e solitária, acometida por uma doença incurável, sentindo a morte chegar, escreveu o soneto intitulado Resignação, que diz assim:

Bendita seja a mão, que o golpe envia
Sobre a minha cabeça tão cansada;
Que me adverte ao fim desta jornada,e um dia
Na floresta da vida, erma e sombria.

Àqueles que disseram: Volto ao Nada,
A que triste, viveu somente um dia,
Eu direi:  Enganai-vos! A alegria
Espera-me no Além, na Pátria amada.

Não criminem a morte, que me leva
Ao ver estrela que no azul cintila...
A luz, que vem do céu, não chamem treva!

Pouco a pouco, a matéria se aniquila,
Mas a alma imortal aos céus se eleva...
Que venha, pois, a morte - estou tranquila.

Fernando Caldas

RENATO CALDAS



Renato Caldas ainda moço passou por dificuldades financeiras que, por varias vezes, teve que regressou ao sudeste do Brasil para sobreviver. Pois bem, na época da construção da estrada carroçável que liga Açu a Mossoró, no começo dos anos trinta, Renato explorou uma bodega (barracão) no acampamento daquela obra, vendendo fiado para receber no dia do pagamento dos peões. Não deu certo,logo no primeiro mês, levou calote. Mesmo assim insistiu no negócio, colocando na porta do estabelecimento uma placa em posição de destaque, com a seguinte inscrição:

Para não haver transtorno
Aqui no Meu barracão
Só vendo fiado a corno,
Filho da puta e ladrão.

(A trovinha acima é de autoria do poeta Jaime dos Guimarães Wanderley, amigo de Renato).

Fernando Caldas

MUNICÍPIOS POTIGUARES:


História

Fernando Pedroza, antiga São Romão, foi fundada nos idos de 1920, pelo engenheiro Joca Briza, que veio acompanhado de alguns amigos como, Antonio Teixeira, Francisco Francilino e José Cassemiro, que vieram a esse lugar com o objetivo de construir a estrada de ferro ligando a cidade de Lajes a Angicos.
Essas terras (segundo depoimentos de antigos moradores), pertenciam ao Sr. Joaquim Trindade, que com o passar dos anos vendeu a família Pedroza.
Tendo como ponto de partida a mercearia instalada pelo o Sr. Antonio Teixeira e a feira livre, iniciaram nas terras de São Joaquim o processo de construção de moradias, dando origem ao povoado de São Romão. 
Com a construção da estrada de ferro, começaram a surgir pessoas em busca de trabalho, sendo necessário a construção de moradias para abrigar as famílias que aqui chegavam. Até então, todo o fornecimento alimentício da Vila era feito no barracão do Sr. Antonio Teixeira. Francisco Francilino, construiu uma pensão com o intuito de abrigar as pessoas aqui recém-chegadas, e José Cassemiro, fornecia carne suína e caprina aos moradores.
A vila foi crescendo, os moradores se organizaram e passaram a ocupar mais espaço surgindo assim novas ruas e entidades necessárias para o convívio dos mesmos.
A vila de São Romão era assim chamada devido a uma antiga moradora por nome de Crinaúria que doou a imagem de São Romão para a 1ª capela, que ficava ao lado da estação ferroviária, que hoje funciona como armazém.
A família Pedroza representada pela figura do Sr. Fernando Pedroza, contribuiu diretamente com o desenvolvimento da Vila, doando as terras para o povo que aqui chegasse e construíssem as suas casas. Em homenagem a esse gesto de grandeza os habitantes resolveram mudar o nome da vila de São Romão para Fernando Pedroza. Não se pode deixar de registrar a importante participação de Annibal Calmon Costa, Gerente da Usina São Joaquim, ativo participante do esforço para o desenvolvimento de Fernando Pedroza.
Em 26 de junho de 1992, através da Lei 6.301. o então denominado povoado de Fernando Pedroza desmembrou-se da Cidade de Angicos, elevando-se a categoria de município do Estado do Rio Grande do Norte.
Localizado na microrregião de Angicos Região Central do Estado, o município de Fernando Pedroza limita-se ao norte com o município de Angicos, ao sul com município de Santana do Matos e Cerro Corá, ao oeste com Angicos e ao leste com o município de Lajes. A cidade de Fernando Pedroza está a 165 quilômetros de distância da capital, com uma área de 327 quilômetros quadrados de extensão territorial, onde residem 2652 habitantes. A região tem como clima o semi-árido e como vegetação predominante a caatinga respaldando neste último figura do “cactos”. Abastecida pela Adutora Sertão Central Cabugi, e conta também com o Açude Orós das Melancias. 
O povo que aqui vive tem como maior fonte de renda as atividades agrícolas (agricultura de subsistência), pecuária, a criação de bovinos, caprinos e outras culturas e não deixando de ressaltar uma parte da população que tem renda proveniente do Comércio, União, Estado e Município.
A cidade ainda comemora tradicionalmente todos os anos no dia 26 de julho a grande Festa do Padroeiro São Joaquim, com a realização de novenas, procissão, missas e outras manifestações culturais.
O visitante que aqui chegar pode apreciar alguns pontos da cidade considerados especiais como: A Pedra da Santa, A Pedra do Sapo e a Casa Grande da Fazenda São Joaquim ou se deslumbrar com a formação do relevo existente na Região.

Texto elaborado pelo Professor Denes Medeiros
Postado por RQBEZERRA.
Pulso, entre dores e prazeres,
à história, à minha história.
Carrego no semblante o valor de tudo quanto ousei,
sem qualquer desconto do nada que retraí.
Vejo-me e percebo-me,
carrego-me sem culpas e sem pesos.
Sinto, não arrependimento, escolhas duras,
em verdadeiras amputações ao que sonhei,
ao que desejei.
Percebo derredores em imensas quedas,
compreendo, ainda que nunca entendida,
escutando confissões, sem me confessar.
Tudo é fugaz e momentâneo,
o silêncio preenche os vazios,
desenvencilho-me do meu pesadelo.
Não há como ignorar os sentimentos
que tomam de assalto o frágil coração,
em meio ás tempestades,
minutos infindáveis, temerosos.
Uma lágrima acompanha o meu sorriso,
por tempestuosas ou calmas enseadas,
onde o mar da vida estende suas claras águas.
Quando tive, do sonho, consciência,
sonhei estar livre das tempestades.



Cristina Costa

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

"Hoje Noel Rosa (1910-1037), comemoraria 104 anos de idade se estivesse vivo. Sua morte prematura (27 anos), com tuberculose, no auge do sucesso do compositor, letrista, violinista e cantor, que provocou a comoção popular. O poeta teve uma breve e vertiginosa tragetoria de sete anos de carreira artística e morreu.

Com mais de 300 canções enriqueceu como poucos a poesia, o lirismo, o humor, e grandes nomes gravaram por várias gerações.
NOEL ROSA+" (Carlos Lyra)

Da linha do tempo/face de Laélio Ferreira
 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ontem ocorreu a inauguração da Árvore de Natal, uma das mais bonitas do Brasil
Perdeu? Veja na matéria.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

"UM AÇUENSE EM SÃO PAULO" - CORDEL

 
 
  
 
 
 
 
 
 
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Francisco Amorim, o Poeta da Seriema

Na fotografia: Francisco Amorim ladeado a esquerda pelo seu filho Tarcísio Amorim e a direita pelos sobrinho Fernando Fonseca.

Francisco Augusto Caldas de Amorim (Chisquisto). Foi poeta, escritor, jornalista, memorialista, historiador, fundou com seus irmãos Otávio e  Palmério Filho, o jornal 'A Cidade', que circulou durante vinte e cinco anos consecutivos. Funcionário Público Federal da Controladoria de Rendas, atual Receita Federl.

Franklin Jorge depõe que "aos nove anos Chisquito escrevia o seu primeiro jornal, significativamente chamado "O Trabalho", pois aprendera a manejar o compunidor e dispunha os tipos sem atrapalhar-se e sem cometer gralhas na página impressa."

Amorim era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Potiguar de Trovas, entre outras instituições culturais do Estado Norte-rio-grandense e do Brasil. Foi prefeito do Assu (1953-58), presidiu durante muito tempo o Banco Rural do Assu, que depois veio a ser Cooperativa Agropecuária do Vale do Açu Ltda - Coapeval. Ele esprestava o seu nome a sede do poder executivo da terra assuense, uma homenagem de José Maria Macedo Medeiros quando prefeito daquele município. 707 728 124 89

"Chisquito" publicou diversos livros que engrandece as letras potiguares como, por exemplo, A Eucaristia e a Questão Social, 1944 (conferência), Discurso de Saudação aos Prefeitos, 1961, Eu Conheci Sesióm, 1961, Seriema e Outros Versos, 1965, Galeria do Lions, 1969, História do Teatro no Assu, 1972, Colégio Nossa Senhora das Vitórias, 1977, As Vantagens da Eletrificação Rural (cordel), 1978, Titulados do Assu, 1982, O Assu No Roteiro das Glosas, 1983, Nos Tempos de Cristo, além de Assu da Minha Meninice, 1982, Trovas à Toa, 1991, Forrobodó, 1984, História da Imprensa do Assu, 1965, Teu Livro (versos), 1965, O Homem e as Cooperativas, 1965, A Reforma Agrária e o Trabalhador Rural, 1988 e Essências, 1991.

Francisco Amorim ficou conhecido nos meios culturais do estado como "O Poeta da Seriema". Vejamos o seu célebre soneto:

Na doce evocação do seu ledo passado,
A seriema vê, como num sonho lindo,
O riacho correndo, o Mofumbo ensombrado,
O cipoal a crescer, para o alto subindo.

E belo o panasco, o amplo campo rasgado,
As expansões febris do juremal florindo,
A sombra da oiticica o tresmalho do gado,
A alva flor do cardeiro alvas rosas abrindo.

A lembrança lhe vem dos tempos seus ditosos,
Correrias na mata, os ermos pedregosos,
Verde vegetação desabrochando a terra,

E na concentração ascética de um monge,
A pernalta desperta, olhando e vendo longe,
O panorama azul, belíssimo da terra.

Do livro sob o título 'Assu de Minha Meninice', de Francisco Amorim transcrevo um artigo de sua autoria, conforme adiante:


Quando comecei a ter o uso da razão, isto é, a ser capaz de dar recado, levar bilhete, fazer mandados, a minha cidade, a nossa cidade tinha escassos limites que iam do bairro Macapá - com uma rua só de casas quase que todas elas da taipa cobertas com palha de carnaúba - até à rua São Paulo, com vários espaços vazios entre esses extremos de Norte e Sul.
 
As ruas chamadas principais eram localizadas na praça da Matriz - era o quadro da Rua, onde ficavam a Rua Casa Grande (norte), do Mercado (sul), São João (nascente) e coronel Souto (poente).

 
Era aí que moravam as pessoas importantes e famílias endinheiradas. Moravam o Juiz de Direito, o Promotor, o Vigário, o Médico e o Farmacêutico, o patriarca da família Casa Grande - jornalista Antônio Soares de Macedo - e o da família Piató - Zumba Marreiro.


Existiam, como ainda hoje existe, o sobrado da Baronesa de Serra Branca e o velho José Gomes de Amorim, este construído em 1845. A praça da Matriz vem de longa data. Já Koster, historiador inglês, que por aqui passou no dia 1. de Dezembro de 1810 fez referência a ela, destacando a Matriz e o historiador Manoel Ferreira Nobre, em seu livro "Breve Noticias Sobre a Província do Rio Grande do Norte", impresso na Tipografia Espiritosantense,  Sergipe, no ano de 1877, destacava a casa residência do dr. Luiz Carlos Lins Wanderley, localizada nesta mesma praça. Os sobrados de Minervino e o de Medeiros (Antônio Dantas Correia de Medeiros), desapareceram para darem lugar a outras edificações residenciais.

A antiga Cadeia Pública, a Interdependência e a inacabada igreja do Rosário, também desapareceram. Estão hoje em seus lugares a Prefeitura e a Praça do Rosário, cuja imagem de N. Senhora é doação do dr. Pedro Amorim, médico e político da terra.

No "Quadro da Rua" ficava o comércio - a Casa Dantas - Nova Aurora do Dantas - A Casa Medeiros, firma sucessora; João Vicente da Fonseca. os armazéns de compra e venda de algodão e peles de "Seu" Nondas - Epaminondas - depois do coronel José Soares Filgueira Sobrinho, Ezequiel Fonseca, Osvaldo Oliveira e João Caldas.

Na rua São Paulo destacavam-se o prédio do Grupo Escolar Ten, Cel. José Correia e os armazéns do exportador Minervino Wanderley e do comprador de couros e peles Luiz Cabral, cujo estabelecimento exibia o pomposo título de "O Rei do Algodão".

Nessa época essas firmas exportavam diretamente algodão para Liverpool.

A primeira rua a receber iluminação a querosene foi a rua Coronel Souto, na praça da Matriz. A sua inauguração ocorreu em 24 de Dezembro de 1908, na administração de Antônio Sabóia. Coincidiu que nessa noite, depois da Missa do Galo, tinha lugar os festejos da Lapinha na residência do coronel Sá Leitão, à rua de Hortas, atual Moisés Soares. Lembro-me bem. Nós, meninos que tínhamos ido assistir aquela diversão, inclusive eu que nela tomei parte, nos intervalos íamos até ao beco da Botica, depois Farmácia Amorim, verificar se os lampiões ainda estavam acesos.

A luz elétrica só chegou na cidade de Assu, em 13 de Dezembro de 1925.


Do blogdofernandocaldas.blogspot.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

UM ASSUENSE RENOMADO:

EM PAZ COM O ESPELHO
Acompanhamento de diversos profissionais é fundamental para o sucesso da cirurgia bariátrica - a "redução de estômago"
Um tratamento para obesidade, que não incluísse medicamentos e com uma porcentagem de sucesso elevada, era apenas um sonho, em um passado recente. A cirurgia bariátrica e metabólica - conhecida como "redução de estômago", vem mudando a realidade de milhões de pessoas obesas pelo mundo. O conceito metabólico foi incorporado há cerca de seis anos pela importância que a cirurgia adquiriu também no tratamento de doenças, como o diabetes e a hipertensão - as comorbidades. O Brasil é o segundo país no globo que mais realiza este tipo de procedimento.

Em Natal, o cirurgião Nelson Santos Neto é um dos mais experientes, acumula mais de 2.000 cirurgias em seu privilegiado currículo, ao longo de seus 14 anos de carreira, além de ser membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e da Federação Internacional de Cirurgia Bariátrica.

Natural de Assu o potiguar não somente faz seu trabalho no Rio Grande do Norte como também viaja o Brasil participando de várias equipes cirúrgicas e também ensinando técnicas de cirurgias bariátricas por videolaparoscopia para outros cirurgiões. Alagoas, paraíba, São paulo, Minas Gerais, além do Distrito Federal, são destinos constantes do médico, que recentemente retornou do Congresso Mundial de obesidade, no Canadá, e também participará da Obesity Week, a ser realizada em Boston, no início de novembro.

O bypass gástrico, técnica mais utilizada por Nelson, é uma cirurgia que grampeia e divide parte do estômago, o que evita grande ingestão de alimentos e também aumenta o nível de hormônios que dão sensação de saciedade e diminuem a fome da pessoa. "essa técnica é a mais realizada no Brasil e corresponde a 75% das cirurgias feitas no país", observa ele, que foi um dos mais jovens especialistas em Natal a realizar o procedimento por videolaparoscopia.

Ele explica que para se ter sucesso com a cirurgia é preciso um trabalho primoroso de preparo do paciente, além do acompanhamento depois do procedimento. Uma equipe multidisciplinar, composta por cirurgiões experientes, anestesista, nutricionista, fisioterapeuta respiratório, psicólogo, endocrinologista, pneumologista, cardiologista e enfermeiro, é fundamental nesse processo. "Os pacientes são avaliados individualmente, preparados para antes, durante e depois da cirurgia. Criamos um vínculo com ele, assim como com seus familiares, e isso favorece o sucesso da cirurgia. Opero somente quando a pessoa está preparada e vejo que esta conduta reduz drasticamente os riscos de complicações agudas", analisa. 

Segundo Nelson, cerca de cinco horas após o procedimento o paciente já pode andar, além de não utilizar dreno e não necessitar de Unidade de terapia Intensiva (UTI), ficando, normalmente, 48 horas internado.

Fonte: Reportagem publicada na Viver Bem - Em Revista - Ano 6 - Edição 23 - Out/Nov. 2014.
 
http://assunapontadalingua.blogspot.com.br/
 

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO