terça-feira, 31 de março de 2015

ÍNDIOS DO RIO AÇU

História do povo Otxucaiana, também chamado Tarairiú, que habitava a Ribeira do Açu, nas terras do Rio Grande do Norte.
Autor: Benedito de Sousa Melo

01. Caboclos da minha terra,
Peço vossa inspiração,
Para contar a história
Dos índios do meu Sertão,

Que tinham muita coragem,
Mas foram postos à margem
Pelas forças da opressão.

02. Na roda-viva do tempo,
Já foram donos de tudo:
Serra, várzea e tabuleiro,
Bicho pequeno e graúdo;
O que deixaram, de herança,
Pouco resta, na lembrança,
Quase tudo ficou mudo.

03. A Ribeira do Açu,
Há muitos tempos atrás,
Era habitada por índios,
Nossos bravos ancestrais,
Perambulando na terra,
Desde a várzea até a serra,
No meio dos catingais.

04. Chamavam-se Potiguara,
Os índios do litoral,
No tempo das conhecidas
Grandes piscinas de sal,
Naturalmente formadas
Nas planícies alagadas,
Onde seria Macau.

05. Tarairiú era o nome
Dos índios do interior,
Que, outra língua, falavam,
Sendo um povo lutador;
Usando tacape e dardo,
Depois de haver dançado,
Guerreavam sem temor.

06. Os Potiguara viviam
Na vizinhança do mar,
Onde hoje é Paraíba,
Rio Grande e Ceará;
Falavam língua tupi
E utilizavam tingui
Quando queriam pescar.

07. Os índios Tarairiú
Eram donos do Sertão;
Possuíam muitos chefes,
Cada um mais valentão;
Do Assú ao Seridó.
Lutaram, num corpo só,
Contra a colonização.

08. Chamava-se Janduí,
Um índio longevo e forte,
Que viveu mais de cem anos(1),
Até que lhe veio a morte;
Chefe de muitos guerreiros,
Corajosos e ligeiros,
Que duelaram com a sorte.

09. Esculpiam, no jucá,
Suas bordunas temíveis;
Quando partiam pra luta,
Eram sujeitos terríveis;
Além de bons corredores,
Não padeciam temores,
Estes guerreiros incríveis.

10. As mulheres eram fortes,
Além de muito jeitosas,
Traziam pernas robustas
E maneiras decorosas;
Plantavam batata e milho,
E conduziam seus filhos,
Nos afazeres das roças.

11. Kuniangeya era o nome
Do vale do rio Açu;
Otxucaiana era o povo,
Ou, também, Tarairiú,
Que dominou esta terra,
E sabia fazer guerra,
Que assustava urubu.

12. Então vieram colonos
Das bandas de Pernambuco,
Ocuparam todo o vale,
Com gado, para ter lucro,
E fornecer aos engenhos,
Minas e outros empenhos;
Nisso, o índio ficou puto.

13. Junto com esses colonos,
Os negros também chegaram;
Capturados no Congo,
Os traficantes ganhavam
Dinheiro, com suas vendas,
Para a lida nas fazendas,
Que os colonos fundavam.

14. Já faz quatrocentos anos
Que negros pisam este pó;
Trouxeram muitos saberes,
Que sobrevivem ao redor;
Também, nove baobás,
Para honrar os ancestrais,
Plantaram no Piató(2).

15. A Ribeira do Açu,
Mirada, foi, por franceses,
Que não fundaram colônia,
Mas vieram os portugueses,
Que traziam seus zagais,
Para cuidar dos currais,
Com touros, vacas e reses.

16. Era um tempo de disputa
Dos Estados europeus,
Que buscavam alianças
Para os interesses seus;
Aliciavam os nativos,
Para fazê-los cativos,
Usando o nome de Deus.

17. As tramas, que eram urdidas,
Os nativos percebiam;
A pretexto de amizade,
As suas terras, queriam,
Pois capitães portugueses,
Em guerra com os holandeses,
Escravos, índios, faziam.

18. Há mais de trezentos anos,
Os holandeses tomaram
O Nordeste brasileiro
E, aqui, perambularam
Astrônomos, naturalistas,
Pintores, também cronistas;
Muitas coisas, registraram.

19. Os índios Otxucaiana,
Há muito tempo sabiam
Que os brancos portugueses,
As suas terras, queriam,
Pra transformar em curral;
Na extremidade do mal,
Índios, escravos, seriam(3).

20. Foi por isso que ocorreu
A memorável união
De milhares de guerreiros,
Vindos de todo o Sertão;
Armas de fogo, usaram,
Em cavalos, batalharam,
Pra não ter escravidão.

21. Foi na década de oitenta
Dos anos mil e seiscentos,
Que houve a Guerra do Açu(4),
Morrendo índios aos centos,
Que os bandeirantes mataram,
E os massacres duraram
Após mil e setecentos.

22. Fizeram muitas promessas
Aos chamados maiorais
Da Ribeira do Açu,
Para não lutarem mais;
Bem longe, eram levados
E, lá, seriam poupados,
Se não voltassem jamais.

23. Foi isso que ocorreu
Ao grande Rei Canindé,
Senhor de todo o Sertão,
Homem, menino e mulher,
Pois o Rei de Portugal
Prometeu não fazer mal,
Se o índio mudasse a fé.

24. Canindé foi batizado,
Junto com outros guerreiros,
Que rumaram pra missão,
Onde não foram os primeiros,
Que, para mudar a sina,
Sujeitavam-se à rotina
Dos padres missioneiros.

25. Os portugueses, contudo,
Não cumpriram o acordado,
Pois, acima da palavra,
Imperava criar gado;
Para a colônia aumentar,
Mais terras iam tomar,
Como fora projetado.

26. Os capitães portugueses,
Casas-fortes, construíam,
Para lutar contra os índios,
Que no sertão resistiam,
Do Assú ao Seridó,
Desde Acauã(5) ao Cuó(6),
Os capitães se escondiam.

27. Foi o tempo em que chegou,
Nesta frondosa ribeira,
Coberta de carnaubais,
Um tal Bernardo Vieira,
Que deixou feito um presídio
Para engaiolar o índio
Que praticasse "besteira".

28. Os parceiros holandeses
Já se haviam debandado,
Como parte de um acordo,
Com Portugal, celebrado,
E o povo Tarairiú,
Da Ribeira da Açu,
Foi sendo dilacerado.

29. Mas ocorre que as famílas,
Em muitas localidades,
Possuem traços indígenas,
Que têm visibilidade,
E guardam recordações,
Vivendo, por gerações,
Na mesma propriedade.

30. Casar-se primo com prima
É um costume existente,
De modo que tem lugar
Onde todos são parentes,
E transmitem, como herança,
A persistente lembrança
De antepassados valentes.

31. Falam de uma bisavó,
Cabocla muito "danada",
Pega a casco de cavalo,
Para fazer-se casada
Com um vaqueiro valente,
Dando origem àquela gente,
De natureza mesclada.

32. Têm diversos apelidos,
As famílias do lugar:
De Caboré a Cabôco,
Pacamom e Carcará;
São memórias ancestrais,
E pode saber bem mais
Qualquer um que perguntar.

33. Alinhavei estes versos
Com minhas palpitações,
Pois a história contada
Anda cheia de omissões.
Sou filho dos Carcará,
E vim aqui expressar
Minhas nativas pulsões.
Alto do Rodrigues/RN, março de 2013.

_________________________

(1) O cronista holandês Roulox Baro ("Viagem ao País do Tapuias", 1647) afirma que o chefe Janduí teria ultrapassado 160 anos. Por causa do costume de identificar os índios com o chefe, os Tarairiú seriam chamados de "Jandoins".
(2) "Piató": Lagoa do Piató, no município de Assú/RN, onde, além dos nove baobás (herança africana), há uma comunidade indígena, conhecida como "Caboclos do Assú".

(3) Foi para resistir à tomada das terras indígenas por criadores de gado de origem portuguesa, que o chefe Janduí, dos índios Otxucaiana, estreitou, em 1638, amizade com os holandeses, os quais haviam arrebatado da Coroa portuguesa o domínio sobre a região Nordeste, produtora de açúcar, em nome da empresa denominada "Companhia das Índias Ocidentais".
(4) A Guerra do Açu, também chamada 'Guerra dos Bárbaros', de acordo com Pedro Puntoni, ocorreu "desde o último quartel do século XVII até a segunda década do século seguinte" ("A Guerra dos Bárbaros", 2002).
(5) "Acauã", nesta passagem, é a "Serra da Acauã", mais conhecida como "Serra de Santana", sendo uma referência à região do Seridó, onde existem construções dessa natureza.
(6) "Cuó", neste verso, alude à "Serra do Cuó", elevação topográfica do município de Ipanguaçu/RN, onde há uma casa-forte.


_________________________

POSFÁCIO
Salientamos que o texto ora concluído buscou a forma literária do folheto de poesia popular ("cordel") para contar uma história, sem pretender alcançar caráter historiográfico. Fica explicado, deste modo, o conteúdo sucinto, destinado apenas a passar algumas informações sobre o tema, sem a extensão e o rigor científico necessários para constituir uma História dos "Indios do Rio Açu". Ainda assim, esclarecemos algumas passagens nas poucas notas ao fim do texto.
Bento Carcará
Enviado por Bento Carcará em 20/05/2013
Reeditado em 19/06/2013
Código do texto: T4299854
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original(BENCARÁ. Texto disponível em: www.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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segunda-feira, 30 de março de 2015


‪#‎DicaDoSolto‬ - Genteeee...olha que tudo: dia 11 de abril tem roteiro Ceará-Mirim | Trilha do Paraíso Perdido, pelo Pé Na Estrada Trilhas . Um passeio entre as ruínas e casarões coloniais, que retratam o passado histórico, a cultura e tradição da cidade de Ceará- Mirim, conhecida como “Terra dos Verdes Canaviais”.
Informações, roteiro completo e reservas pelos telefones: 84 9945-5701/8804-6505 ou no site:
http://www.penaestradatrilhas.com/cearamirim.html

Paróquias de Assu abrem programação da Semana Santa

30.3.15    Comentários


As paróquias de São João Batista (Centro) e Beata Lindalva e São Cristovão (Cohab), em Assu, abriram neste domingo (29), oficialmente a Semana Santa com o “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”. A programação segue até o dia 05 de abril.

Paróquia de São João Batista

Dia 30/03 (segunda-feira)
06h - Ofício Divino; 07h - Confissões Individuais

Dia 31/03 (terça-feira)
06h - Ofício Divino; 08h15 - Confissões Individuais; 17h30 - Celebração Eucarística; e, 19h30 - Celebração Penitencial.

Dia 01/04 (quarta-feira)
06h - Ofício Divino; 08h15 - Confissões Individuais; e, 17h30 - Celebração Eucarística.

Dia 02/04 (quinta-feira)
06h - Ofício Divino; e, 19h30 - Celebração da Ceia do Senhor;

Dia 03/04 (sexta-feira da Paixão)
06h - Ofício Divino; 08h - Adoração ao Santíssimo Sacramento, na Sacristia; 16h - Ato Litúrgico da Paixão e Morte do Senhor Jesus Cristo; 19h - Via Sacra (homens saindo do Cemitério de São Vicente de Paula, no IPE; e, Mulheres saindo do bairro Vertentes e da capela de São Tarcísio).

Dia 04/04 (sábado de Aleluia)
06h - Ofício Divino; e, 19h30 - Vigília Pascal.

Dia 05/04 (domingo da Páscoa)
06h15 e 19h30 - Celebração Eucarística.

Paróquia da Bem-Aventurada Lindalva e São Cristóvão 

Dia 30/03 (segunda-feira)
08h30 - Visitas a idosos e enfermos (Cohab e Frutilândia), com os padres Belarmino e Luiz Alípio e ministros extraordinários da eucaristia; 19h30 - Celebração Penitencial na matriz da Beata Lindalva e São Cristovão (Pe. Belarmino, scj) e na capela de São José no bairro Frutilândia (Pe. Luiz Alipio, scj); 20h30 – Confissão particular na igreja matriz e na capela de São José.

Dia 31/03 (terça-feira)
08h30 - Visitas a idosos e enfermos (Cohab e Frutilândia), com os padres Belarmino e Luiz Alípio e ministros extraordinários da eucaristia; 15h às 17h - Confissão na igreja matriz (Cohab) e na capela de São José (Frutilândia); 19h30 – Confissão na capela de São José ((Frutilândia)e Missa na Igreja Matriz (Cohab), seguida de confissão.

DIA 01/04 (Quarta-feira)
08h30 - Visitas a idosos e enfermos (Cohab e Frutilândia), com os padres Belarmino e Luiz Alípio e ministros extraordinários da eucaristia; 15h às 17h - Confissão na igreja matriz e na capela de São José (Frutilândia); e 19h30 – Via Sacra, na igreja matriz e na Capela de São José (Frutilândia).

DIA 02/04 (Quinta-feira)
19h30 – Celebração da Ceia do Senhor, na Igreja Matriz (Pe. Belarmino, scj) e na Capela de São José (Pe. Luiz Alípio. scj). Na Matriz, após a celebração teremos Adoração ao Santíssimo, até às 22h.

DIA 03/04 (Sexta-feira)
08h30 às 11h - Confissão na Igreja Matriz (Pe. Belarminio e Pe. Luiz Alípio); 07h às 16h – Adoração ao Santíssimo (Matriz); 16h – Celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Igreja Matriz (Pe. Belarmino, scj) e na Capela de São José (Pe. Luiz Alípio, scj)

DIA 04/04 (Sábado)
19h30 – Vigília pascoal – Capela de São José (Pe. Luiz Alípio, scj); e, 20h – Igreja matriz (Pe. Belarmino, scj).

DIA 05/04 (Domingo da Ressurreição)
08h30 – Feliz Assu (Padre Belarmino,scj) e Parati 2000 (Padre Luiz Alípio, scj); 10h – Dom Eliseu (Padre Luiz Alípio, scj); 17h30 – Igreja matriz (Padre Belarmino, scj); e 19h30 – Capela São José (Padre Luiz Alípio, scj).

Por Alderi Dantas, 30/03/2015 às 00:39

Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães está com inscrições abertas



E notícias boas vindas da Fundação Zé Gugu não param de chegar. Só hoje já fizeram mais do que três meses. Além do anúncio da publicação da Lei Câmara Cascudo, também está aberto para inscrições a décima edição do Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães. As inscrições seguem abertas até o dia 30 de abril e podem ser realizadas de forma presencial ou pelos Correios. Cada pessoa pode concorrer com até cinco poemas.

O vencedor receberá R$ 3.800; o segundo colocado, R$ 2.800; e o terceiro, R$ 1.750, além de 50 exemplares de um livro editado pela Manimbu contendo seus textos. Ao todo, quinze trabalhos serão selecionados para a antologia. Os demais têm direito a 25 exemplares.

Quem está em Natal tem a opção de entregar os documentos na sede da FJA (Avenida Jundiaí, 641, Tirol), de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 12h. São necessários três envelopes. Um deve conter ficha de inscrição, cópia de RG, CPF e comprovante de residência, além de certidão negativa de débitos relativos aos tributos estaduais (obtido em www.set.gov.br).

O segundo envelope é sem identificação. Nele deve constar um CD com todos os poemas, mais uma pequena biografia do participante, com no máximo 500 caracteres (contando com espaços). O último envelope, também sem identificação, é para a cópia impressa dos poemas, sem o nome do autor. Tudo isso é para garantir a imparcialidade da comissão avaliadora na decisão. Os textos das obras deverão ser digitados em fonte “Arial”, tamanho 12, e impressos em papel sulfite, tamanho A4.

Pelos Correios a inscrição deve ser enviada na modalidade de carta registrada com aviso de recebimento, no endereço da Fundação José Augusto localizada na Avenida Jundiaí, 641, Tirol, CEP 50.020-120, Natal/RN, sendo considerada para os fins de recebimento a data da postagem nos Correios. Não serão aceitas postagens após o dia 30 de abril de 2015.

As obras devem ser obrigatoriamente inéditas e escritas em língua portuguesa. Isso não impede a utilização de termos em outros idiomas. Serão desclassificados os textos já publicados de forma impressa ou virtual, no todo ou em parte, ou divulgadas por qualquer meio de comunicação.

Podem participar do concurso candidatos nascidos no Rio Grande do Norte ou domiciliados no estado. São impedidos de participar servidores da Fundação José Augusto e membros da comissão organizadora, bem como seus cônjuges, companheiros ou parentes em linha reta ou colateral, consanguíneos ou afins até o segundo grau.

Baixe o edital.
Postado por Substantivo Plural.

domingo, 29 de março de 2015

Para refletir:

"Havia uma vez uma ilha, na qual viviam todos os sentimentos e valores do homem:
o Bom Humor, a Tristeza, o Saber...
Como também todos os outros, incluindo o Amor.

Um dia avisaram os sentimentos que a ilha estava prestes a afundar-se.
Então, todos prepararam os seus barcos e partiram. Unicamente o Amor ficou, esperando sozinho, até ao último momento.
Quando a ilha estava a ponto de desaparecer no mar, o Amor decidiu pedir ajuda.

A Riqueza passou perto do Amor num barco luxuosíssimo e o Amor disse-lhe:
“Riqueza, podes-me levar contigo?”

“Não posso porque tenho muito ouro e prata dentro do meu barco e não há lugar para ti.”

Então, o Amor decidiu pedir ao Orgulho que estava passando numa magnífica barca:
“Orgulho, rogo-te, podes-me levar contigo?”

“Não posso levar-te, Amor...” respondeu o Orgulho: “Aqui tudo é perfeito, poderias arruinar-me a barca”.

Então, o Amor disse à Tristeza que se estava aproximando:
“Tristeza, peço-te, deixa-me ir contigo.”

“Óh, Amor” respondeu a Tristeza, “estou tão triste que necessito estar só”.

Logo, o Bom Humor passou em frente ao Amor; mas dava gargalhadas tão altas, que não ouviu que o estavam a chamar.

De repente uma voz disse:
“Vem Amor, levo-te comigo...”
Era um velho o que havía chamado.
O Amor se sentiu tão contente e cheio de alegria que se esqueceu de perguntar o nome ao velho.
Quando chegou a terra firme, o velho desapareceu.

O Amor deu-se conta de quanto devia ao velho e, assim, perguntou ao Saber:
“Saber, podes dizer-me quem me ajudou?”
“Foi o Tempo”, respondeu o Saber.

“O Tempo?”, perguntou-se o Amor,
“Porque será que o Tempo me ajudou?”.
O Saber, cheio de sabedoria, respondeu:
“Porque só o Tempo é capaz de compreender quão importante é o Amor na Vida”.


UM SONETO DE JOÃO LINS CALDAS

Minha foto

O poeta João Lins Caldas (1888-1967) é considerado por alguns conhecedores de literatura no Brasil como um dos maiores poetas da língua portuguesa.

Na decifração do sociólogo potiguar Gilberto Freire de Melo, Caldas ao dizer (soneto transcrito abaixo intitulado de Alma a Dentro) "eu só temo no fim, é o fim daquela aurora que fez grande Camões  e que é meu o bem supremo", 

não se referia apenas à aurora que anuncia o dia, que espalha a luz. Referia-se especialmente ao temor de não compartilhar com a humanidade a sua produção intelectual. O resultado de uma vida inteira dedicada ao manuseio e amor as letras. Resultado esse que já temia não ver repassado ao mundo literário. 


E vai mais adiante aquele autor entusiasta de Caldas, dizendo que o poeta "não desejava ver a consumação daquela AURORA, o repasse ao universo intelectual daquela trabalho que era o seu BEM SUPREMO.


Vamos conferir o referenciado soneto:


Não creiam ser na vida a morte o que eu mais temo.
A dor não me intimida, o mal não me apavora.
Eu só temo no fim, é o fim daquela aurora
Que fez grande Camões e que é meu bem supremo.

Pela morte eu não tremo e pela vida eu tremo.
Mas, a vida, que é mãe e do pesar senhora.
O sonho que me deu pesadamente escora
Com o gosto de querer da glória o sonho extremo.

Esse sonho me doma, esse sonho me arrasta:
Por ele adoro a vida esse profundo inferno
Por ele odeio a morte, essa miséria casta.

Braços dados com a vida , eu de de seguir-lhe o norte.
Braços dados com a vida, eu de segui-la eterno
Com os olhos para a vida e os braços para a morte.

Pena que João Lins Caldas não conseguiu publicar-se trilíngue: português, inglês e francês conforme desejava, seus mais de dez livros que tinha manuscritos, pois se tivesse publicado todo aquele seu trabalho, teria certamente conseguido a consagração.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Ponte da Amizade completa 50 anos nesta sexta-feira (27)

Publicado: Quinta, 26 de Março de 2015, 13h36

  • Última atualização em Quinta, 26 de Março de 2015, 13h38
Tráfego será liberado no aniversário e obras serão concluídas em outubro
260320153Nesta sexta-feira (27) a Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai), sobre o Rio Paraná, completa 50 anos de sua inauguração. Na data do aniversário, a ponte terá seu tráfego normalizado. Desde o início de janeiro foi preciso alternar o tráfego em meia pista, um sentido por vez, com semáforos, para a substituição das placas danificadas de concreto do pavimento. Inicialmente a previsão era liberar as pistas somente entre abril e maio, mas o ritmo dos trabalhos permitiu antecipar a liberação das duas faixas. Agora, as obras de recuperação da Ponte continuam em outras frentes, na sua parte inferior e laterais.

Iniciadas em outubro de 2014, as obras de revitalização foram contratadas com prazo de 1 ano para sua execução e valor de R$ 10 milhões. Além da substituição das placas de concreto danificadas e dos dispositivos de vedação das juntas de dilatação da pista, serão fixadas novas grades nas laterais da ponte e realizados trabalhos de acabamento e pintura. As obras possibilitarão mais segurança e conforto aos usuários, além de dificultar o descaminho e o contrabando. A última reforma havia sido feita em 2002.

História
A ponte começou a ser construída em 1956 e a obra foi chefiada pelo engenheiro Almyr França. Na época, para que a navegação não fosse interrompida durante a realização dos trabalhos, elaborou-se uma estrutura sustentada sobre arco, um recorde mundial de vão em ponte de concreto armado e arco engastado. Nove anos depois do início das obras a ligação entre Brasil e Paraguai foi inaugurada.
Fonte: DNIT
Foto: Acervo DNIT

ASSU ANTIGO

Da direita: Prédio onde funcionou a casa bancária Banco do Brasil, depois Coletoria Estadual, e o prédio onde funcionou o armazém de Fernando Tavares (Fernando Tavares & Cia), que depois veio a funcionar a Sorveteria Ponto Chique de propriedade dos primos José Tarcísio Tavares (Purueca) e Tarcísio Tavares (anos sessenta), depois a lanchonete Kilanche do casal Lanúsia e Astério Tinôco. (anos setenta e oitenta). Na foto, podemos conferir os primeiros tratores a chegar no Vale do Açu (Governo JK), do Campo de Produção de Sementes (Fomento Agrícola, do Ministério da Agricultura), mais conhecida como Base Física de Ipanguaçu, para servir a sua Escola de Tratoristas. Crédito da foto: Edmilson Lins Caldas.

Fernando Caldas

Confira lista de países onde brasileiros não precisam de visto para entrar

Na última semana, a Geórgia também firmou acordo com o Brasil tornou-se mais um destino que libera os visitantes do país do documento

 
Tirar o visto antes de viajar para o exterior pode ser uma grande dor de cabeça. Além do gasto, a burocracia envolvida no trâmite desanima alguns turistas. Porém, para a sorte dos brasileiros, há dezenas de países que não pedem o documentoe, pelo jeito, a tendência é aumentar a lista.
 
Em acordo mútuo, o Brasil e a Geórgia finalizaram, na última quarta-feira (11/3), as negociações bilaterais para liberar turistas de ambos países da necessidade de terem visto para visitarem a outra nação. Agora, brasileiros podem ficar até 90 dias na Geórgia para fazer turismo ou negócios.

Com isso, o país se une a uma lista de outras 66 nações que permitem a entrada de brasileiros sem visto. Normalmente, o período de estadia é, também, de 90 dias para esses locais. 

Confira abaixo quais são as nações que não exigem vistos de brasileiros:

» África do Sul
» Alemanha
» Andorra
» Antilhas Francesas
» Argentina
» Áustria
» Bahamas
» Barbados
» Bélgica
» Bolívia
» Bósnia 
» Guiana 
» Bulgária
» Chile
» Colômbia
» Coréia do Sul
» Costa Rica
» Croácia
» Dinamarca
» Equador
» Eslováquia
» Eslovênia
» Espanha
» Filipinas
» Finlândia
» França
» Geórgia
» Grécia
» Guatemala
» Honduras
» Holanda
» Hong Kong
» Hungria
» Irlanda
» Islândia
» Israel
» Itália
» Liechtenstein
» Luxemburgo
» Malásia
» Marrocos
» México
» Mônaco
» Namíbia
» Noruega
» Nova Zelândia
» Panamá
» Paraguai
» Peru
» Polônia
» Portugal
» Reino Unido
» República Tcheca
» Romênia
» Rússia
» San Marino
» Sérvia
» Suécia
» Suíça
» Suriname
» Tailândia
» Trinidad e Tobago
» Tunísia
» Turquia
» Ucrânia
» Uruguai
» Vaticano
» Venezuela

Fonte: Itamaraty
 
Já o passaporte, é necessário em todos os países, com exceção dos membros do Mercosul, que aceitam a entrada apenas com a identidade. São eles: Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Equadror, Peru, Venezuela e Paraguai.

quarta-feira, 25 de março de 2015

FATO HISTÓRICO INUSITADO:

TÍTULOS DE CIDADANIAS ASSUENSES FORAM REJEITADOS
Conforme Ata da primeira sessão da Câmara Municipal do Assú do dia 07 de outubro de 1957 os vereadores Celso Dantas da Silveira, Francisco Soares de Macêdo (Chiquito Soares) e Manuel Corcino da Costa emitiram Projeto de Lei concedendo o título de Cidadão Assuense, ao vigário local Monsenhor Júlio Alves Bezerra, ao Senhor Arcelino Costa Leitão e ao escrivão e tabelião da Comarca, aposentado, Senhor João Germano Sobrinho.

Acontece que, no dia 22 de outubro, a Câmara Municipal recebeu oficio do Monsenhor Júlio Alves Bezerra, tratando do Projeto de Lei S/n. de autoria do vereador Celso Dantas da Silveira e outros, da concessão do título de Cidadão Assuense. “No qual Sua Reverendíssima declara não aceitar o título de Cidadão Assuense”. E na sessão do dia 23, foi a vez da Câmara receber outro ofício, desta feita do Sr. João Germano Sobrinho, também não aceitando o título expôs seus motivos: agradeceu aos signatários do Projeto a lembrança e declara, por feito moral e formação religiosa, ser obrigado a renunciar as honrarias do projeto. 

O vereador Pedro Borges fez longas considerações sobre os ofícios, dizendo estranhar e lamentar as atitudes daqueles cidadãos, visto à Câmara só querer através do projeto em questão honrar, os ditos cidadãos.

Na sessão do dia 29 de outubro também de 1957 o vereador Francisco Soares de Macêdo afirmou taxativamente: “Após várias considerações ao Projeto de Lei que concede título de cidadania aos Senhores João Germano Sobrinho e Monsenhor Júlio Alves Bezerra, mereciam melhor estudo aos seus pares”.

Fonte: Câmara do Assú - A História - Auricéia Antunes de Lima. Lançado no dia 16 de outubro de 2001.

 REVISTA SIUZA CRUZ, RIO DE JANEIRO