Tipo popularismo, Zé Carlota foi comerciante na cidade de Assu. Nas eleições de 1982 (antes da implantação da urna eletrônica, o eleitor votava numa cédula de papel, escrevia o número, o nome ou um X no quadrado onde constava o nome do candidato e depositava na urna de lona. Era um clima de guerra no ato da apuração dos votos que era feito pelos mesários e escrutinadores com a presença do Juiz, além dos fiscais de cada partido e até mesmo fiscalizado pelos... candidatos. Mesmo assim, corria o risco de fraude). Pois bem, terminado o pleito (a apuração começava no dia seguinte), Zé Carlota presente, atento, fiscalizando, observou que na secção que teria votado ele e sua mulher não obteve nenhum voto. Indignado esbravejou, para risos dos circundantes: - “Que minha mulher não votou comigo eu acredito. Mas eu, duvido!” - Carlota foi, certamente, mais uma vítima do mapismo eleitoral que então se praticava.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
SINTA-SE EM CASA
Deste livrinho, data de 1996, charge de Edmar Viana (foto abaixo, capa já envelhecida pelo tempo), feito de estórias pitorescas, conto que certo prefeito do interior potiguar inaugurava obras de sua administração. Uma delas, a Cadeia Pública. O então governador Dinarte Mariz se encontrava presente. Pois bem, na hora da sua fala, o prefeito saiu-se com essa: - "Governador, a cadeia está inaugurada. sinta-se em sua casa." - Sorte do velho Dinarte que o discurso era de improviso...
(Fernando Caldas - Vereador de Natal - 25125)
Deste livrinho, data de 1996, charge de Edmar Viana (foto abaixo, capa já envelhecida pelo tempo), feito de estórias pitorescas, conto que certo prefeito do interior potiguar inaugurava obras de sua administração. Uma delas, a Cadeia Pública. O então governador Dinarte Mariz se encontrava presente. Pois bem, na hora da sua fala, o prefeito saiu-se com essa: - "Governador, a cadeia está inaugurada. sinta-se em sua casa." - Sorte do velho Dinarte que o discurso era de improviso...
(Fernando Caldas - Vereador de Natal - 25125)
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
POETISA ALDINETE SALES FAZ HOMENEGEM RIMADA COMO DESPEDIDA DO PROFESSOR GILMAR RODRIGUES

A poetisa carnaubaense Aldinete Sales, produziu da fornalha da sua inteligência uma referência rimada para homenagear seu professor Gilmar Rodrigues, falecido hoje em Assú.

Hoje o céu se encheu de muitas cores.
Para abrir o portão celestial.
A caminho da rua de cristal.
Conhecendo de Deus seus esplendores.
Foi na terra o melhor dos professores.
Um poeta, advogado e locutor.
No esporte fez tudo com amor
Hoje Deus te escolheu para habitar
E no livro da vida tem Gilmar
Meu querido e eterno professor.
Para abrir o portão celestial.
A caminho da rua de cristal.
Conhecendo de Deus seus esplendores.
Foi na terra o melhor dos professores.
Um poeta, advogado e locutor.
No esporte fez tudo com amor
Hoje Deus te escolheu para habitar
E no livro da vida tem Gilmar
Meu querido e eterno professor.
Aldinete Sales
Postado por Aluizio Lacerda às 12:43
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
CORTEZ PEREIRA SOBRE A SECA NO NORDESTE BRASILEIRO
Título do blog.
José Cortez Pereira de Araújo, governador do Rio Grande do Norte (1970-1974)
José Cortez Pereira de Araújo, governador do Rio Grande do Norte (1970-1974)
-Nossa pobreza não decorre das secas, nem da escassez de terras férteis, muito menos do clima. Ela se origina nas múltiplas atividades econômicas que formam nossa agricultura, inadequada às condições e circunstâncias do Nordeste. Nossas atividades agrícolas são contrárias à natureza, são anti-ecológicas, as chuvas irregulares, a alta temperatura, o excesso de luz tudo aqui cultiva culturas arbóreas, perenes e nós fazemos, no Nordeste, exatamente o contrário.
-O Seridó é a maior demonstração do acerto contido na expressão que tenho repetido várias vezes: nós não temos fatores adversos e sim atividades adversárias dos fatores.
Não há, em todo o Nordeste, uma região mais árida do que o Seridó (vértice de aridez 3.3), nem mais quente (até 60°nos afloramentos da rocha), nem com maior luminosidade (quase 3.000 horas/sol/ano), cujos solos sejam tão rasos, secos e erodidos e, no entanto, o nível de vida povo é muito superior ao das populações do fértil e chuvoso Maranhão.
-Tudo começou, como começam sempre a história de todas as gentes, pelas atividades primárias, pelo que se faz o homem sobre a terra. Foi a atividade compatível com a natureza que ajudou o homem melhorar a sua vida.O Seridó começou com os currais, as fazendas de gado, as barragens submersas, as vazantes nos leitos dos rios, os açudes médios e pequenos. Guimarães Duque escreveu que era o seridoense quem sabia melhor aproveitar a pouca e irregular água que caía Nordeste. E foi assim que a pecuária se tornou suporte econômico e alimentar com carne, leite e queijo o homem do seridó.
-O clima tornou saudável a pecuária do Seridó e a imaginação do homem criou os meios para se conviver coma seca.
A outra grande atividade econômica da região não precisou, siquer, de ajuda, porque ela já era a própria natureza, no xerofilismo do algodão mocó. Cultura arbórea, perene, o nosso algodão casava com o clima seco para melhorara sua fibra longa. O solo semi-àrido era sua condição ótima para vegetar e produzir. Plantasse o algodão seridó nas terras férteis dos vales úmidos, que a rejeição o faria amarelar, amofinar, com saudade da terra seca, da quentura infernal do meio-dia e das noites sem orvalhos.
-Nos sertões do Nordeste, em nenhum outro lugar, elevou-se tanto o nível social dopovo, quando no Seridó. Um dos sintomas dessa realidade foi a liderança da Região em relação ao Estado, desde o primeiro Presidente da Província Tomás de Araújo Pereira. Para se sentir a força dessa influência, basta lembrar os nomes de Brito Guerra, José Bernardo, Juvenal Lamartine, Pe. João Maria, Dinarte Mariz e Monsenhor Walfredo Gurgel.
-O nível social alcançado explica a projeção dos seus homens e ambos os fenômenos são explicados pelo desenvolvimento econômico da Região. Esse desenvolvimento econômico só foi possível porque as duas históricas atividades primárias, harmonisavam-se com a natureza, apoiavam-se nela.
-Agora, outro aspecto interessante do assunto: o binômio algodão X boi se complementa, se integra e, assim, potencializam-se recíprocamente. Os campos de algodão, depois da colheita, viram cercados de solta e a praga remanescente é destruída pelo gado, que muito deixa nos roçados. Tem mais, a cultura do algodão produziu, também, a torta, ou simplesmente o caroço que era o rico alimento proteico dos meses secos e dos anos mais secos.
O Seridó era uma harmonia de trabalho produtivo!
Um outro fato econômico que ocorreu no velho Seridó, eu acho sensacional. Em nenhum outro lugar do Brasil, com a mesma intensidade, aconteceu coisa parecida. Foi como que um planejamento “espontâneo”, nascudo da intuição, que desenvolveu a atividade agrícola na complementação industrial, com a industria rudimentar situada na própria areada produção da matéria prima. Refiro-me aos descaroçadores de algodão, às tradicionais “bulandeiros” que se situavam nos sítios e nas fazendas, criando , naquele tempo, a agro-industria-rural, que os mais modernos planejadores do Terceiro Mundo apontam, hoje, como a grande solução de quase todos os nossos problemas.
-A agro-indústria –rural integra os dois grandes setores de produção e transformação econômicas, com a grande vantagem de, situando-se no campo, permitir o natural êxodo agrícola, evitando o êxodo rural. Só assim, supera-se o grande, o imenso problema do alto custo social das cidades “inchadas”. Pois bem, tudo isso já existiu no Seridó do passado. Certa vez, em encontro de políticos importantes e até Ministros, eu destaquei esta originalidade genial, quando um deputado federal do Seridó, sem entender o sentido da coisa, condenou o fenômeno sob a crítica de que o meu pai teria sido – como foi – um desses agro-industriais...
- Este pedaço do Brasil chamado Seridó, precisa um estudo sociológico profundo para se tentar conhecer as raízes da sua vida, do seu comportamento e reações. Contam que o primeiro, ou um dos primeiros açudes do Nordeste teria sido feito em Caicó. Um preto patriarca, responsável pelo grande feito, pedira ao missionário alemão que pregava missões na “Vila do Príncipe” para abençoar a novidade, o açude. Quando o frade viu que se tratava de contrariar a vontade de Deus que fizera os rios para devolver ao mar as águas que sobravam da terra, amaldiçoou o velho Terencio (que se suicidou) e sua família, até a 3ª geração. Agora, a grande lição: desde então Caicó não deixou mais de fazer açudes e nenhum outro município do Nordeste tem mais açudes do que lá.
-O Seridó tem projeção no Brasil, na época da guerra, pelo grande produção de tugstenio e outros minérios. Do sub-solo da Região tiram-se muitas matérias primas com as quais é feito o desenvolvimento dos países avançados: capacitores eletrônicos, turbinas de aviões a jato, naves espaciais, reatores nucleares, etc.
-Agora mesmo é o ouro e o ferro que reaparecem na nossa pauta de produção, mostrando a riqueza diversificada do Seridó.
- Uma vez, pelo menos, eu não fui bem entendido, quando responsabilizo o governo como o grande “vilão” na história sem lógica da pobresa do Nordeste. Digo que seca não é a nossa terra, mas a inteligência dos que nos governam. Isto desde a era colonial, quando os portugueses nos ensinaram a cultivar o que faziam na Europa e que não podia dar certo aqui, no Nordeste, que não tem nada parecido com Europa. E o pior, de lá para cá, os que nos governam não foram sensíveis a fazer uma reformulação de nossas atividades econômicas e, mais grave ainda, não souberam siquer conservar o que se fazia acertadamente, aqui. Exemplo: o algodão mocó. O “bicudo”, apenas deu o tiro de misericórdia. O velho algodão mocó começou a morrer quando o crédito oficial (o Governo) chegou por aqui, aplicando suas normas feitas para o algodão anual de S. Paulo e Paraná.
O financiamento teria de ser pago no mesmo ano e o seridoense, para escapar, plantava entre as fileiras do algodão arbóreo o outro algodão anual, o “rasga letra”, que daria condição de pagamento anual, mas que foi hibridando, misturando-se geneticamente, até fazer desaparecer o patrimônio fantástico do velho algodão mocó.
*José Cortez Pereira de Araújo foi político, professor e ex-governador do Rio Grande do Norte (1970-1974)
Para descontrair:
Conta-se que Júlio Caraolho como era mais conhecido, era um desses boêmios autênticos do Assu das antigas e fazedor de mandados, se não me falha a memória. Pois bem, teve o atrevimento de pegar nos peitos de uma mulher barraqueira da Andrade Gutierrez (construtora que construía a barragem Armando Ribeiro ou Barragem do Assu, em 1979), a mulher dava-lhe uma surra de mangueira mas ele, num misto de cinismo e otimismo, repelia a exaustão: Deixa de brincadeira, minha senhora!
Conta-se que Júlio Caraolho como era mais conhecido, era um desses boêmios autênticos do Assu das antigas e fazedor de mandados, se não me falha a memória. Pois bem, teve o atrevimento de pegar nos peitos de uma mulher barraqueira da Andrade Gutierrez (construtora que construía a barragem Armando Ribeiro ou Barragem do Assu, em 1979), a mulher dava-lhe uma surra de mangueira mas ele, num misto de cinismo e otimismo, repelia a exaustão: Deixa de brincadeira, minha senhora!
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Natal,
do forte dos reis magos
à força das marés
em Ponta Negra
...
do forte dos reis magos
à força das marés
em Ponta Negra
...
Natal,
capital potiguar
ponto geográfico
que mais nos aproxima
da África
Da grande duna
feito outeiro,
do morro do Careca
diviso o nascer do sol.
Forte, intenso,
sol equatorial
brilha cedo na matina
dorme antes dos passarinhos.
Após uma rodada
da mais pura macaxeira,
acompanhada de camarão e jirimum
ao som das fortes ondas na orla,
Em longa caminhada
fui sentindo nos olhares,
no chão, na palmeira gemendo ao vento,
nas telas de mestre Leão, as raízes
Espalhadas na terra de meus ancestrais
no gosto amargo e corte forte do cajá,
ao sabor agreste do sorvete de cajú,
coisas típicas potiguares.
Apreciando as aquarelas de acrílico
viajei ao tempo de Tarsila do Amaral,
revivida nas obras de mestre Leão,
artista plástico boliviano aqui radicado.
Nos grandes pés e mãos,
na boca honesta e generosa,
da flor de cactus ao menino vaqueiro
eita terra que não nega suas origens.
À noite, ante o agito das marés,
nada como um rodízio de camarão,
e dos mais puros frutos do mar
na barraca Rei do Caranguejo.
Surpresa maior, inusitada
tão deliciosa quanto os pratos típicos,
foi a música regional, alías diversos ritmos
cantados e dançados com arte e alma.
E os dançarinos do carimbó, forró, do coco
nada mais eram que os garçons e garçonetes
aliando ao trabalho de servir, a arte
de cantar, distrair e também se divertirem.
Fiquei deveras encantado
quando sr Manoel do coco, repentista
e cordelista de fama,
se pôs a circular de mesa em mesa,
Cada cidade ou país
de origem do turista
era em versos homenageada
com ironia fina, delicadeza e conhecimento.
Ao final, uma grande embolada
com as pessoas invadindo o salão
ao som da zabumba, do triângulo e da sanfona
na dança que tanto apaixona, o forró.
Vendo, ouvindo e percebendo
os diversos olhares das pessoas,
me senti como árvore fincada,
nos troncos que firmavam a barraca
Encontrando outras raízes,
de lugares tão distantes,
mas, irmanados na doce sensação
de ser um pouco parte desta sinfonia,
Deste jeito de viver
que celebra a vida,
que sorri ao servir,
que se emociona a um agradecimento.
Por isso, digo
se você não foi ao Nordeste,
então vá, Carmen Miranda
já dizia da Bahia, mas vale para Natal,
Para Recife, Fortaleza,
Maceio, Aracajú
São Luiz e Teresina,
João Pessoa e Caruaru...
Ah, que bom curtir
este sol tropical
esta gente bronzeada
que sempre mostra seu valor...
AjAraújo, o poeta humanista, uma noite em Natal, escrito em 16 de julho de 2010
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php… © Luso-Poemas
capital potiguar
ponto geográfico
que mais nos aproxima
da África
Da grande duna
feito outeiro,
do morro do Careca
diviso o nascer do sol.
Forte, intenso,
sol equatorial
brilha cedo na matina
dorme antes dos passarinhos.
Após uma rodada
da mais pura macaxeira,
acompanhada de camarão e jirimum
ao som das fortes ondas na orla,
Em longa caminhada
fui sentindo nos olhares,
no chão, na palmeira gemendo ao vento,
nas telas de mestre Leão, as raízes
Espalhadas na terra de meus ancestrais
no gosto amargo e corte forte do cajá,
ao sabor agreste do sorvete de cajú,
coisas típicas potiguares.
Apreciando as aquarelas de acrílico
viajei ao tempo de Tarsila do Amaral,
revivida nas obras de mestre Leão,
artista plástico boliviano aqui radicado.
Nos grandes pés e mãos,
na boca honesta e generosa,
da flor de cactus ao menino vaqueiro
eita terra que não nega suas origens.
À noite, ante o agito das marés,
nada como um rodízio de camarão,
e dos mais puros frutos do mar
na barraca Rei do Caranguejo.
Surpresa maior, inusitada
tão deliciosa quanto os pratos típicos,
foi a música regional, alías diversos ritmos
cantados e dançados com arte e alma.
E os dançarinos do carimbó, forró, do coco
nada mais eram que os garçons e garçonetes
aliando ao trabalho de servir, a arte
de cantar, distrair e também se divertirem.
Fiquei deveras encantado
quando sr Manoel do coco, repentista
e cordelista de fama,
se pôs a circular de mesa em mesa,
Cada cidade ou país
de origem do turista
era em versos homenageada
com ironia fina, delicadeza e conhecimento.
Ao final, uma grande embolada
com as pessoas invadindo o salão
ao som da zabumba, do triângulo e da sanfona
na dança que tanto apaixona, o forró.
Vendo, ouvindo e percebendo
os diversos olhares das pessoas,
me senti como árvore fincada,
nos troncos que firmavam a barraca
Encontrando outras raízes,
de lugares tão distantes,
mas, irmanados na doce sensação
de ser um pouco parte desta sinfonia,
Deste jeito de viver
que celebra a vida,
que sorri ao servir,
que se emociona a um agradecimento.
Por isso, digo
se você não foi ao Nordeste,
então vá, Carmen Miranda
já dizia da Bahia, mas vale para Natal,
Para Recife, Fortaleza,
Maceio, Aracajú
São Luiz e Teresina,
João Pessoa e Caruaru...
Ah, que bom curtir
este sol tropical
esta gente bronzeada
que sempre mostra seu valor...
AjAraújo, o poeta humanista, uma noite em Natal, escrito em 16 de julho de 2010
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php… © Luso-Poemas
VOZES DO PASSADO: A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA CIDADE DE NATAL ATRAVÉS DE SEUS FOTÓGRAFOS E CRONISTAS
Imagem do blog.
Rostand Medeiros Deixe um comentário

luciano.capistrano@natal.rn.gov.br
Fonte – http://jornalzonasulnatal.blogspot.com.br/2016/06/vozes-do-passado-construcao-historica.html?spref=fb
O historiador Câmara Cascudo em sua História da cidade do Natal, relata a saga de um alvissareiro, que do alto da torre da matriz, era testemunha ocular das transformações ocorridas na cidade. Nesta pesquisa apresentamos o “alvissareiro” da história, materializado em Manoel Dantas, Luís da Câmara Cascudo, Eloy de Souza, Jorge Wilheim, Henrique Castriciano, Alberto Maranhão, Januário Cicco (memorialistas, poestas, romancistas, entre outros artesãos da palavra) e Bruno Bougard, João Galvão, Manoel Dantas (fotógrafos). A imagem e a literatura, como fonte de pesquisa da história. A imagem sempre esteve presente como fonte importante para entender o passado. Ao longo dos séculos XIX e XX, a fotografia se consolidou como invento, essencial no registro de paisagens naturais e culturais. O documento histórico, não é mais restrito a documentos escritos, cada vez mais, a imagem ganha campo entre historiadores. A utilização desta nova fonte histórica faz parte da nova historiografia.
A literatura em todas as suas vertentes, compõem hoje, com a fotografia uma fonte repleta de possibilidades para a pesquisa histórica. O historiador, por seu oficio, dialoga permanentemente com o passado. Este fazer histórico o leva a andar entre arquivos públicos e privados, buscar construir os caminhos e descaminhos das gerações passadas é a tarefa primeira. Um labutar, por entre, poeiras, revirando velhos manuscritos, documentos, hoje, fontes que dizem mais do que uma carta de amor ou um balancete comercial. O objeto pesquisado não exerce a mesma função de outrora.

O educador Henrique Castriciano, Potiguar de Macaíba, amante dos velhos e empoeirados papéis, em uma de suas crônicas publicadas em A República, de 18 de março de 1908, afirmou: sinto um intenso prazer quando me cahe sob a vista, bordado pelos arabescos que as traças costumam por nas laudas antigas, um documento qualquer, onde ventou algum traço de vida dos nossos antepassados (CASTRICIANO in ALBUQUERQUE, 1994, p. 129). É muito prazeroso encontrar testemunhos de nossos antepassados, entre os caminhos das traças.
Os historiadores, até por força do seu oficio, em muitos momentos, já vivenciaram a mesma sensação relatada pelo idealizador da Escola Doméstica. Sobre o trabalho em arquivos, recorremos ao historiador Bacellar(2006,p24):
O trabalho com fontes manuscritas é, de fato, interessante, e todo historiador que entra por essa seara não se cansa de repetir como os momentos passados em arquivos são agradáveis. Grandes obras historiográficas tiveram sua origem nas salas de arquivo, onde muito suor e trabalho foram gastos, após semanas ou meses de paciente e dedicada fase de pesquisa.

Esta construção histórica, caminha de mãos dadas com a memória. A memória constitui-se no elemento essencial na construção da identidade. Deste modo, pode-se apreender que as identidades, coletiva ou individual, formam-se a partir dos elementos da memória. Vejamos o que diz a professora Ferreira(2004, p.98):
A iniciativa de diferentes setores da sociedade para recuperar e divulgar suas memórias, através de livros, exposições, inauguração de monumentos e criação de centros de memória, tem como objetivo reelaborar identidades, difundir uma determinada visão sobre o passado (é bom lembrar que a memória, como a história, é sempre produto de seleção feita no vasto campo do passado), e reforçar a imagem pública de grupos ou personagens. São projetos em geral concebidos para valorizar o registro de trajetórias institucionais ou pessoais, para confirmar, a importância de eventos considerados fundadores, bem como para instituir ou atualizar determinadas celebrações.

Diferente da memória individual, a memória social se constrói ao longo de muitas gerações de indivíduos mergulhados em relações determinadas por estruturas sociais. A construção da memória social implica na referência ao que não foi presenciado. Trata-se de uma memória que representa processos e estruturas sociais que já se transformam. A memória social é transgeracional e os suportes da memória contribuem para o transporte da memória social de uma geração a outra.
Construir uma “cidade memória” é fazer uma viagem no tempo através de livros, fotografias e periódicos. Fontes encontradas em arquivos particulares e públicos. E como Henrique Castriciano, poder sentir imensa alegria ao encontrar, por exemplo, em um número de “A República”, notícia referente aos espetáculos ocorridos no saudoso Polytheama, brindar nossos olhos com as imagens de Natal, captadas pelo fotografo suíço Bruno Bougard e nos deliciarmos com prazerosas leituras de poetas, ficcionistas, memorialistas e pesquisadores da história urbana de Natal.
Ao olhar o passado através do cronista da palavra ou da imagem, o historiador esta utilizando uma fonte documental importante na construção de um tempo determinado, é o caso de Natal dos primeiros anos de 1910. Exemplo são as crônicas de Henrique Castriciano, publicadas na A República, e as fotos de Bougard, tiradas no alto da torre da igreja matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Vejamos:

“Sempre surgem idéias neste sentido apparecem os inveterados pessimistas: ‘Natal não é terra para isto’; cream-se dentes quando tal reconhecer; ora carrapato com tosse; taes são as phrases que somos obrigados a escutar, não raro com impectos de concentrada revolta.
No entanto vamos caminhando, vagarosamente embora, porque os nossos recursos são insufficientes.
De alguns annos a esta parte, construímos o theatro, o jardim, nivelamos e calçamos diversas ruas, entre as quaes a Avenida Rio Branco, cujo aformoseamento era um dos impossíveis desta terra, concertamos o Baldo e o Mercado, a cidade substituiu os seus velhos lampeões de gaz commum pelos de acetyleno”. (CASTRICIANO, 1994, p.15-17).
Este fragmento do texto de Castriciano é bem ilustrativo quando nos referimos a construção histórica, tendo como fonte crônicas, pois, demonstra a utilização de pressupostos históricos na pesquisa do passado urbano. Um viés presente nas abordagens da história das cidades, espaço privilegiado quando se pensa na produção de periódicos locais.
A imagem também tem na construção histórica do espaço da urbe uma importância fundamental, ver a evolução através de fotos captadas no inicio do século XX, é um instrumento metodológico de grande valia para o historiador da cidade. Neste sentido as fotos de Bruno Bougard, fotógrafo suíço que visitou Natal na primeira década do século passado, tem uma relevância muito grande para o oficio do historiador.
A Natal de 1908, encontrada pelo fotografo suíço, tinha pouco mais de 20.000 habitantes, era uma cidade ainda com características coloniais, com ruas estreitas, casas conjugadas e erguidas em um enorme areal. Sua situação geográfica dificultava a locomoção de pessoas, o “caminho” do rio e do mar, eram talvez as melhores opções para os viajantes que aqui aportavam.

Uma cidade em transformação, que conhece o Bond, a energia elétrica, as ruas planejadas de Cidade Nova, bairro criado pela elite republicana, havida em fazer esquecer o passado monárquico, com as vielas do período colonial, com suas habitações insalubres. Essa cidade, então, caminhando para a modernidade tem na escrita poética de Jorge Fernandes o registro do novo tempo construído no período, aqui um pouco tardio, da Belle Époque.
O BONDE NOVO
O bonde que inauguraram
É amarelo e muito claro…
Sua campa bate alegre e diferente das outras…
E seus olhos vermelhos indicam Petrópolis…
Anda sempre cheio por que é novo…
Chega na balaustrada espia o mar…
E os passageiros todos nem olham pro mar…
Só vêem o bonde novo…
Aquele bonde só devia sair aos domingos
Pois ele é a roupa domingueira
Da Repartição dos Serviços Urbanos…
(FERNANDES, 1970, p. 83).
A poesia de Jorge Fernandes, apresenta a cidade moderna, com seus novos meios de transporte, sua nova forma de sentir e ver a paisagem. Uma cidade se modernizando e deixando no baú da memória relatos como o de Eloy de Souza, sobre a dificuldade dos antigos moradores da urbe em acompanhar os cortejos fúnebres. Como sair da Ribeira, bairro baixo da cidade, ir segui até o alto, do hoje Alecrim, onde se encontra o primeiro cemitério da cidade.

Pobres mortos! Também é tão difícil ir à vossa morada! O caminho é tão áspero e a areia tão mortificante! […]
Natal, minhas senhoras e meus senhores, se transforma e sente-se que aos poucos irá deixando essa amarga tristeza que ainda lhe dá um aspecto soturno e mau.
Há jardins desgradados e felizmente livres da retouça dos herbívoros e da maldade destruidora de que nos vamos libertando. As árvores já podem crescer na santa paz do Senhor, e a Natureza completará certamente o esforço do homem.
A cidade desperta de seu sonho três vezes secular e eu sinto bem a alegria de ver que a estão vestindo de novo, para alegria de uma vida nova. […]
O mesmo esforço que tem rasgado avenidas empedra o areal, ameniza as ladeiras, saneia as terras alagadas. Começou a viação urbana e o bonde cimentará de vez a obra de pacificação entre os dois bairros”. (SOUZA, 1999, P.44-45)
Na história da cidade encontramos nos cronistas fonte ricas em informações referentes ao processo de urbanização, como essa supracitada de Eloy de Souza, em Costumes Locais. A cidade de Natal em seu processo de urbanização avança em direção as dunas, vencendo as diversidades de sua geografia, chega ao alto, desce o canal do Baldo e aporta no hoje Alecrim. Parte distante da urbe, constrói dois equipamentos urbanos, que os cidadãos de outrora queriam longe do perímetro urbano: O Cemitério e o Lazareto da Piedade, símbolos da intervenção do poder público na zona até então tida como rural. O medico Januário Cicco, descreve o Alecrim dos primeiros anos da década de 1920:

O bairro do Alecrim se desdobra em Bôa Vista, Baixa da Belleza e Refoles. Em plenas ruas do Alecrim, cercado pelas habitações, está o Cemitério de Natal, de edade secular e impróprio, pela saturação, de exercer a sua funcção bíblica de reverter em pó o envolucro da alma do peccador. A uns 200 metros da Cidade dos Mortos ficam fontes de abastecimento d’agua á população de toda a Natal. (CICCO, 1920, p.7-8)
Enfim, como propomos neste artigo, a construção histórica da cidade de Natal através de seus fotógrafos e cronistas, busca encontrar novos caminhos metodológicos da pesquisa histórica, tendo como referencial a produção de imagens e de escritos produzidos entre 1901 e 1920, na cidade de Natal. Ao concluir, lembro Câmara Cascudo e seu Alvissareiro, personagem que nesta pesquisa não encontra-se no alto da torre e sim na produção literária e fotográfica da capital Potiguar.
REFERÊNCIAS
CASTRICIANO, Henrique. A esmo. In: ALBUQUERQUE, José Geraldo de (Org.). Seleta: textos e poesias. Natal: RN Econômico, 1994, p. 15-17.
FERNANDES, Jorge. Livro de poemas. Natal: Fundação José Augusto, 1970.
FERREIRA, Marieta de Morais. Nossa história. Rio de Janeiro, v. I, n. 8, p. 98, jun. 2004.
MESENTIER, Leonardo Marques de. Patrimônio urbano, construção da memória social e da cidadania. Vivência. Natal, n. 8, p. 167-177, 2005.
SOUZA, Eloy Castriciano de. Costumes locais. Natal: Sebo Vermelho; Verbo, 1999.
Do blog: Tok de História
Postado por Fernando Caldas
É COM MUITA DOR QUE NOTICIO O FALECIMENTO DO AMIGO WELLINGTON
Wellington Pinheiro: O segundo acima da esquerda para a direita
Recebi com muita dor e emoção a noticia do falecimento do amigo de infância, Wellington Pinheiro que perdurou ao longo da nossa juventude e na maturidade dos nossos sessenta anos e ficará presente durante a minha existência aqui na terra.
São muitas as boas lembranças da convivência com o amigo “deputado”, desde as traquinagens de meninos, as loucuras e farras homéricas de adolescentes, os carnavais memoráveis em que participamos e o respeito e dedicação que sempre nutrimos um pelo outro.
Quero me solidarizar com os familiares do eterno amigo e dos também amigos que ora sentem a perda de Wellington.
Fique em paz amigo!
José Regis de Souza
REGIStrando
domingo, 4 de setembro de 2016
Assu Antigo
Francisco Assis da Cunha. Foi em Assu comerciante bem sucedido, agropecuarista. Nas eleições de 1962 foi o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçado por Walter de Sá Leitão, pela União Democrática Nacional - UDN, não obtendo sucesso, perdendo para Maria Olímpia Neves de Oliveira. Pacaré era pai do poeta Bonifácio Cunha que foi tabelião na Comarca do Assu e de Natal. Chico Pacaré era um homem observador, cheio de sabedoria ou melhor dizendo: de citações sábias. (Crédito das fotos: Sérvulo da Cunha).
Fernando Caldas
Fernando Caldas
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO








