terça-feira, 14 de abril de 2020

Minha terra natal, revendo o teu passado
De glórias, tradições e gestos imortais.
Sinto orgulho de ter do teu seio emanado
Ouvindo o farfalhar dos verdes carnaubais.

De Ulisses Caldas és berço idolatrado,
Ninho de aspirações, gleba dos ideais,
Teu solo se assemelha ao sonho do Eldorado
Onde brotam chovendo os lírios e algodoais.

Tudo é grande em ti. As várzeas, as lagoas,
O rio a se estender em messes aos lavradores,
Do poeta a melodia, os violões, as loas.

A noite, quando o luar no céu pede um poema
E a terra a adormecer desperta os sonhadores,
Grita na serra ao longe a triste Seriema.

Francisco Augusto Caldas de Amorim 

domingo, 23 de outubro de 2011


Casarões lembram o período colonial

Assú - Antes, eram centenas; hoje, não chega a 40 o número de casarões com condições de restauração na cidade de Assú, que é detentora da segundo maior herança arquitetônica do período colonial com uma pitada de barroco do Rio Grande do Norte, perdendo apenas para o bairro da Ribeira, em Natal. Com o mesmo estilo, existem residências em Angicos, Mossoró e Ipanguaçu. Através da Assessoria de Comunicação, a Prefeitura informa que existe um esforço para salvar o que ainda resta de casarões que, em seus traços, contam a história da colonização do Brasil.
Entre os casarões que marcaram época no século XVIII em Assú e que foram destruídos está a estrutura onde nasceu e vive o ex-prefeito Pedro Soares de Amorim, assim como o pertencente ao primeiro médico do Rio Grande do Norte e também ex-prefeito de Assú Ezequiel Wanderley. No local onde haviam essas arquiteturas, que para a preservação da história não têm preço, atualmente está sendo instalado um supermercado. Antes funcionou um parque de diversão.

A moradia do jornalista Palmério Filho, que nasceu em 1874, e depois do escritor e poeta Francisco Augusto de Amorim, "Chisquito", em 1899, ainda tem paredes e sobrado. Parte ameaça cair pela falta de conservação e pela ação do tempo. Chisquito também foi prefeito de Assú. Parte desse casarão está desabrigada e outra é ocupada por comerciantes na parte inferior, mas a parte de superior, o sótão, a cobertura já ameaça desabar. Porém, entre os prédios em ruínas uns resistem, apesar do elevado custo de recuperação com recursos públicos.

É o caso do sobrado da baronesa Eliziária Lins Wanderlei, que fica quase em frente à Igreja Matriz de São João Batista, que também tem arquitetura que remonta ao período colonial. O sobrado foi reconstruído pela Fundação José Augusto, do Governo do Estado, há oito anos, porém nunca foi utilizado. Aliás, foi deixado para ser esquecido. No dia 13 passado, foi que o coordenador do Centro Cultural de Artes e Assú (CENEC), da Prefeitura Municipal, Gilvan Lopes de Sousa, decidiu fazer uso da estrutura. Vai funcionar o Centro de Cultura Fulô do Mato, em homenagem ao poeta Renato Caldas, autor do livro Fulô do Mato.

 

Outro prédio que terá ordem de serviço assinada no dia 7 de novembro pela governadora Rosalba Ciarlini é o antigo Cinema e Teatro Pedro Amorim, que será recuperado com recursos da Lei Câmara Cascudo, na ordem de R$ 1.411.360,00. A estrutura interna está totalmente destruída; apenas as paredes externas resistem. Segundo Gilvan Lopes, os recursos destinados serão para reconstruir e comprar os equipamentos. 


Os proprietários do Sobrado Amorim já demonstraram interesse de doá-lo para o Município. Gilvan Lopes confirma essa proposta e disse que a ideia é transformar o casarão, caso se configure oficialmente a doação, numa grande biblioteca. Disse que esse prédio foi onde funcionou a primeira farmácia de Assú. A própria arquitetura dos casarões revela a exuberância da sociedade do século XVIII, seus costumes, suas origens... Além dessas residências com traços históricos na cidade, existem vários outros na zona rural, como o Banguê, Porto do Piató e Curralinho. 

TOMBAMENTO
 
Gilvan Lopes informou que recentemente a Prefeitura de Assú elaborou projeto e a Câmara Municipal aprovou, tombando 35 prédios, que ainda reúnem condições de recuperação. A lei regula o que os proprietários dos prédios podem fazer nas estruturas. "A ideia melhor será também fazer um tombamento estadual, mas isso é mais difícil', reconhece Gilvan Lopes.

Fonte: Jornal de Fato

domingo, 12 de abril de 2020

Não sou de seguir conselho
Mas sempre uso o bom censo
Se é pra pensar, eu penso
Pois estou vendo o espelho
Ao irmão eu aconselho
Obedeça a quem mandar
No seu lar se resguardar
Quem se adianta, não se atrasa
Já que é pra ficar em casa
Eu vou brincar de rimar


Não posso ir no barzinho
A bodega tá fechada
Depois que a ordem foi dada
Tô aqui no meu cantinho
Porém não estou sozinho
Eu tenho Deus no meu lar
Com os meus eu vou ficar
Enquanto o vírus não "vaza"
Já que é pra ficar em casa
Eu vou brincar de rimar

Tudo isso um dia passa
E a vida volta ao normal
Cessará todo esse mal
Vou poder sentar na praça
Beber, cantar, achar graça
Apertar mãos, abraçar
Por hoje, vou me aquietar
Amanhã, vou bater asa
Já que é pra ficar em casa
Eu vou brincar de rimar

sábado, 11 de abril de 2020

ADALBERTO soares de Araújo AMORIM (DR.)

Foi Juiz. Fundou o semanário "Jornal do Sertão", desaparecido na Revolução de 1930. Foi desembargador e presidiu o Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Eleitoral, nasceu no Assu em 21 de abril de 1883 e faleceu em Natal no dia 20 de agosto de 1968.

Fonte: Assu - Gente, Natureza e História, 1995, Celso da Silveira.
A imagem pode conter: texto, água, atividades ao ar livre e natureza

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Sou filho do Assú,
"Doutra"terra não quis ser,
Nunca esqueço de você,
Torrão bendito, berço do barro crú,
Não deixo de falar, sou filho do Assú.
Terra que me viu crescer,
Aos meus pais aprendi a obedecer,
Amigos aqui eu fiz,
Reencontra-los me deixa feliz,
Disto, o tempo não me fará esquecer.

Por George Henrique
A FLOR DO MARACUJÁ
Encontrando-me com um sertanejo,
perto de um pé de maracujá,
eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo...
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
a istória que ouvi contá...
A razão pru que nasci roxa,
a frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
eu posso inté lhe ajurá...
Mais branco qui caridadi,
mais branco do que o lua...
Quando a frô brotava nele,
lá pros cunfim do sertão,
maracujá inté parecia
um ninho de argodão
Mais um dia, há muito tempo,
num meis que inté num mi alembro,
si foi maio, si foi junho,
si foi janero ou dezembro...
Nosso sinhô Jesus Cristo,
foi condenado a morrê...
Numa cruis crucificado,
longe daqui como o quê...
Pregaro Cristo a martelo...
E ao vê tamanha crueza,
a natureza inteirinha,
Poisse a chorá di tristeza...
Chorava us campu,
as foia, as ribera...
Sabiá também chorava
Nus gaio da laranjera...
E havia junto da cruis,
um pé de maracujá...
Carregadinho di frô,
aos pé de nosso Sinhô...
I o sangui de Jesus Cristo,
sangui pisado di dô,
nus pé du maracujá,
tingia todas frô...
Eis aqui seu moço,
a istoria que eu vi contá,
a razão pruque nasce roxa...
A frô do maracujá.
Catulo da Paixão Cearense, poeta maranhense
Pilatos, é Cristo a quem se vai julgar.
Mas se a recomendação é vinda de Roma,
Tema, Roma...
É a tua situação que pode melhorar...

João Lins Caldas
Mote

Eu sou a borra da nata
No tacho do Sertanejo.

Glosas.

Sou matuto Potiguar
Criado com jerimum
Sou até meio incomum
Gosto muito de caçar
Mato nambu e "prear"
À noite dou meu bordejo
Eu sou grosso e sem traquejo
Não uso ouro, nem prata
Eu sou a borra da nata
No tacho do Sertanejo.
2.
Eu sou couro de virola
Atiro pedra na lua
Corro com medo de rua
Mas, ninguém me enrola
Com raiva ninguém controla
Ando como um caranguejo
Mesmo assim sinto desejo
De pegar uma mulata
Eu sou a borra da nata
No tacho do Sertanejo.
3.
Sou cavalo de corrida
Atrás de um boi zebu
Mato sapo cururu
Se mijar minha ferida
Tenho a pele endurecida
De lutas que não almejo
Mesmo assim nem pestanejo
Quando entro numa mata,
Eu sou a borra da nata
No tacho do Sertanejo.

Natal (RN), 10 de abril de 2020.

*Dedé de Dedeca.*🤔🤔🤔

Mote de Heliodoro Moraes, estrofes minhas.
Vivamos de Deus as coisas
eternas.
Vivamos
- do homem o silêncio para
as vozes de Deus.

João Lins Caldas
MENINOS DA BR-304, 2007. Foto de Roberto Meira.

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