quarta-feira, 22 de abril de 2020

Gelza Tavares (Caldas, por casamento com Edmilson Lins Caldas) é a mãe do organizador deste blog. Se encontra hoje, num leito hospitalar, aos 94 anos de idade, lutando contra a morte. Na vida, ela passou por momentos felizes e muitas vezes dramáticos: Aos 20 anos de idade perdera na morte seus pais num desastre aviatório ocorrido no rio do Sal, em Aracaju-SE, em 1951; um filho atropelado em 1968; um irmão assassinado, em 1999; nove irmãos, alguns deles, ajudados por ela, com carinho e zelo como se fosse a mãe de todos eles que se foram de morte natural, sem falar dos amigos e amigas que foram tantos, além do seu querido marido que partiu há pouco mais de dois anos para vida celeste. Afinal, ela está na mão de Deus, o Rei das preces e do mundo. Não quero, portanto, o seu sofrimento! Se ela já cumpriu a sua missão na terra, que se vá para que não sofra tanto!

(A fotografia abaixo, ou fora tirada na Escola Doméstica de Nata, onde ela estudou, quando aquela escola funcionava no bairro Ribeira, quase vizinho ao Teatro então Carlos Gomes, hoje Teatro Alberto Maranhão, ou fora tirada na Praça Pedro Velho, ou mesmo na Praça André de Albuquerque, centro da capital potiguar). Data da fotografia: 19 de maio de 1949.

Fernando Caldas
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Arte de Lúcia Caldas

terça-feira, 21 de abril de 2020

Esta tarde meus olhos estão cansados de te esperar
E de te desejar na tranquila paisagem do porto,
Onde os barcos balançam mansamente sob o crepúsculo.
Esta tarde eu te ouço no murmúrio das águas, no voo
Da gaivota, quando desfalece em mim a visão da retirada ilha.
Esta tarde meu coração adormece docemente em tuas mãos
E penso no silêncio das estrelas e dos teus olhos.


Walflan de Queiroz, poeta potiguar

quinta-feira, 16 de abril de 2020

UM POUCO DA LÍRICA ANGELINA MACEDO

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Angelina Macedo, poetisa do Assu, ainda é pouco lembrada na terra em que nascera. De tradicional família originária da cidade do Porto, Portugal. De temperamento sentimental, casou-se em 1896 e, pouco tempo depois, fora abandonada pelo marido.

O antologista Ezequiel Fonseca Filho depõe que o lirismo de Angelina também está marcado pela melancolia, pela religiosidade e por acentuados elementos românticos e simbolistas. Angelina, não encontrando a realização dos seus sonhos de adolescente como afirma Ezequiel, escreveu na sua desilusão o soneto que, penso eu, parece com a forma de poetizar de Florbela Spanca (uma das maiores vozes da poesia lusitana do século XX). Senão vejamos:

Sonhei que era feliz e que era amada,
Que ao lado de meus pais tranquilamente,
Passava minha vida sorridente,
Sem nunca pela dor ser perturbada.

Nessa doce ilusão, sendo embalada,
Áureos castelos levantei na mente
E por linda visão aurifulgente,
Era ao céu de fantasia arrebatada.

Porém ao despertar do grato sonho,
Ao ver o meu presente tão tristonho,
Tão negro como fora o meu passado.
Quisera viver sempre adormecida,

Do mundo e de todos esquecida,

Ou ao menos, meu Deus, não ter sonhado!
Solitária, Angelina fora acometida por uma doença incurável, sentindo a morte chegar, escreveu o soneto intitulado 'Resignação', que vejamos adiante:

Bendita seja a mão, que o golpe envia

Sobre a minha cabeça tão cansada;
Que me adverte ao fim desta jornada, e um dia
Na floresta da vida, erma e sombria.

Àqueles que disseram: Volto ao Nada,
A que triste, viveu somente um dia,
Eu direi: Enganai-vos! A alegria
Espera-me no Além, na Pátria amada.

Não criminem a morte, que me leva
Ao ver estrela que no azul cintila...
A luz, que vem do céu, não chamem treva!

Pouco a pouco, a matéria se aniquila,
Mas a alma imortal aos céus se eleva...
Que venha, pois, a morte - estou tranquila.

(Fonte: Poetas e Boêmios do Assu, 1984, de Ezequiel Fonseca Filho)

Postado por Fernando Caldas

És uma flor sertaneja
De aparência delicada
Teu sorriso tem beleza
Pelo jardim é invejada
Um capricho da natureza
Puro, feito o orvalho
Que perfuma o sereno
Colorindo-me, em retalho.


Do poeta Assuensse George Henrique Rodrigues

quarta-feira, 15 de abril de 2020

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Arte de: Lúcia Caldas

Nossa língua tem versatilidade
Pode ser a melhor ou pior parte
Fazer alguém te amar ou odiar-te
Pode fazer o bem ou a maldade
Contar uma mentira ou verdade
Ser um tanto sincera ou negar
A palavra pode acariciar
Ou ferir qual punhal dentro do peito
O efeito da fala tem efeito
No que pode agredir ou agradar.


Mote: Heliodoro Morais (adaptado)
Glosa: Fabio Gomes

terça-feira, 14 de abril de 2020


Teve um sorriso, teve um soluço...
Eu, para ela,
Tive um sorriso, tive um soluço...
Cousa mais triste, cousa mais bela?

Caldaas
A CRIANÇA É A ESPERANÇA NO FUTURO
A inocência do olhar de uma criança
Se desfaz com a ganância de um adulto,
Pra criança existe o bastante, nunca pouco ou muito
O que seria do mundo sem crianças?
A pureza do abraço de uma criança
Se desfaz com a individualidade de um adulto,
Transformando a vida num completo absurdo,
Vivemos num mundo que perdemos a confiança.
A sinceridade de uma criança
Se desfaz com o mau-caratismo de um adulto,
Devastando o amor no mundo.
Que os adultos sejam como as crianças
E nunca percam as esperanças
De que possamos ser adultos com a pureza de uma criança.

(Pablo Henrique)

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