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Faleceu terça-feira passada, dia 21, Marlindo Pompeu. Ex-vereador,
político em disponibilidade, agitador social, era o meu intérprete,
ungido e jungido das causas populares. Conheci-o em Macaíba, lá pelos
idos de 1950, quando estudava no bravo Colégio Agrícola de Jundiaí.
Pompília já se revelava inquieto, mobilizador e encantador de serpentes.
Era amigo do sábio e matemático Damião Pita, também estudante e
professor das escolas de primeiro e segundo graus da rede municipal. Na
campanha popular para governador em 1960, o velho Pompa ocupou a linha
de frente do exército de Dejinha (Djalma Marinho) e transformou-se no
próprio tumulto tanto para os adversários como para as suas próprias
hostes.
Encontrava-o aqui e acolá sempre com pressa, passando com
ruído, soltando frases soltas e estribilos guerreiros sobre lutas e
batalhas iminentes. Jamais foi achado em silêncio. Ninguém era melhor
que ele para bastante procurador de causas possíveis e impossíveis. Daí,
nomeava-o, com toda pompa e circunstância, o meu, o nosso advogado. Sem
mandato popular, sabia melhor que os outros, os caminhos das pedras,
das residências oficiais, porque era sombra e luz, voz e ouvido do
clamor das ruas.
A sua marca registrada sempre foi a fidelidade
irrepreensível ao líder e ao ideal. Sobre esse ângulo poderia registrar
dezenas de atitudes do seu quilate. Continuou sendo o homem de um
partido só, sem esmorecer, sem tergiversar, sem recuar. Em Natal, viveu
sua fase de líder popular nas comunidades, defendendo-a na Câmara
Municipal e fora dela. Para ele não importava ter o mandato para
socorrer o povo e requerer a solução dos problemas. Ele sempre o fez
porque se tornou conhecido e festejado por todos como um homem simples,
pobre, honesto e prestativo.
Conviveu com governadores,
senadores, deputados, mas nunca amealhou vantagens pessoais, pois
somente lhe interessa servir. Carregava uma pasta cheia de papeis. Nela
nada tinha de si e sobre si. Apenas, papeladas de pedidos dos outros,
reivindicações comunitárias, receitas, recibos inadimplentes de IPTU,
água e luz. Foi o carteiro do povo; o jornaleiro do líder que defende; o
pastorador de auroras das ruas e avenidas de Natal só para anunciar as
alvíssaras, as boas novas do partido e do próximo.
Sempre foi o
estafeta legítimo de pleitos, porta-voz dos esquecidos e condutor dos
novos rumos e prumos de Natal. Daí sempre confiei nele para pugnar,
reivindicar, exigir, porque possuía o senso comum das coisas simples e
honestas.
Mas, o velho Pompeu estava cansado. E chegou a hora
dele. O momento de todos assumirem o mandato que ele exerceu por nós: o
exercício da solidariedade humana por Natal e pelos seus habitantes. Ao
prestar-lhe este tributo, eu o faço com emoção pelo muito que ele fez e
pelo tão pouco que recebeu. Soou a hora de reparar esse esquecimento.
(*) Escritor.