
quinta-feira, 9 de julho de 2020
terça-feira, 7 de julho de 2020
RESGATE DO LENDÁRIO VALDETÁRIO CARNEIRO NO IMAGINÁRIO POPULAR
Entre as muitas façanhas e bravuras no campo da violência e criminalidade legada ao vasto histórico de Valdetário Carneiro, encontramos um causo que achamos por bem transcrever como um resgate do tempo em que seu nome imperava como terror no município de Caraúbas, RN e estados circunvizinhos.
Veja a belíssima narrativa do
episódio intitulado - O Finado Manoel:
O lendário
Valdetário Carneiro também teve seu dia mais descontraído quando acabou
contribuindo para os Causos de Caraúbas.
Valdetário
prontamente atendeu o pedido, abriu a porta e facilitou a entrada do
passageiro. Já aboletado e no conforto do ar condicionado o senhor começou a
puxar conversa:
“O senhor vai pro
Apodi?” “Vou sim”, respondeu Valdetário. “Vou tratar de negócios no Banco”.
Aí o carona por
gratidão resolveu dar uma de conselheiro: “ O senhor tenha cuidado. Se vai
tirar dinheiro no Banco e andando nesse carrão, aqui por essas bandas, há muita
gente perigosa por aí.
Tem um tal de
Valdetário Carneiro de muita fama na região que pode ser um grande risco,
principalmente pra quem é de fora.”
Valdetário riu da situação e até agradeceu:
“Obrigado, eu vou ficar atento”.
Em seguida
devolveu a pergunta: “E o senhor não tem medo de estar sozinho nessa beira de
estrada?
E se de repente
lhe aparece o tal do Valdetário Carneiro?” .
“Ele que venha”
completou o carona com aquela valentia de quem se sente em confortável
distância do perigo.
E ainda
acrescentou “ Um homem nasceu pra outro”.
Chegados ao
destino, o carona já ia descendo quando resolveu fazer mais uma pergunta em
meio aos agradecimentos: “Obrigado por tudo senhor. Vá com Deus. Mas como é
mesmo o seu nome?” Com toda naturalidade Valdetário respondeu: “Eu sou
Valdetário Carneiro.
E o senhor, como
se chama?”
Branco como um capucho de algodão,
suando por todos os poros, com as pernas trêmulas e a voz embargada, o carona
mal conseguiu balbuciar: “Eu sou o finado Manoel”.
Postado por Aluizio Lacerda às 12:52
SONETO
Pobre, morri sem me ver... Disseram
Os que da parte dela me chamavam...
E havia lágrimas no falar... Vieram
Porque seus tristes olhos me buscavam.
Noite... Segui... Os homens soluçavam.
E, nos meus olhos só tristeza leram,
Os que subiram e, a tremer desceram
Na noite escura em que me acompanhavam.
Cheguei tremendo...e, quando aberta a porta,
Era tarde demais: - estava morta,
- Pertencia-lhe a glória do renome...
Vi-a e notei: nas lágrimas do rosto
Soluçava meu nome com desgostos,
Repartindo nas sílabas do nome.
João Lins Caldas
Pobre, morri sem me ver... Disseram
Os que da parte dela me chamavam...
E havia lágrimas no falar... Vieram
Porque seus tristes olhos me buscavam.
Noite... Segui... Os homens soluçavam.
E, nos meus olhos só tristeza leram,
Os que subiram e, a tremer desceram
Na noite escura em que me acompanhavam.
Cheguei tremendo...e, quando aberta a porta,
Era tarde demais: - estava morta,
- Pertencia-lhe a glória do renome...
Vi-a e notei: nas lágrimas do rosto
Soluçava meu nome com desgostos,
Repartindo nas sílabas do nome.
João Lins Caldas
MEU TORRÃO DE ANTIGAMENTE
A panela era de barro;
O fogão era a lenha;
O café era torrado em casa, batido no pilão;
O sabão era em pedra, de oiticica;
O banho era de cuia e de balde;
O vaso de sanitário era de cimento e latrina;
A lâmpada era o candeeiro, a piraca e a lamparina;
A geladeira era o pote e a moringa;
O bebedouro era a 'quartinha';
A piscina era o açude;
O carro de lixo era a carroça;
O sapato era a sandália de couro;
A televisão era o rádio de marca ABC;
A fechadura era a tramela;
O supermercado era a bodega;
O baile era o assustado;
O mosquiteiro era o esterco de boi;
O refrigerante era o ponche de limão;
O carro era a carroça e o jumento.
E por aí, vai...
O fogão era a lenha;
O café era torrado em casa, batido no pilão;
O sabão era em pedra, de oiticica;
O banho era de cuia e de balde;
O vaso de sanitário era de cimento e latrina;
A lâmpada era o candeeiro, a piraca e a lamparina;
A geladeira era o pote e a moringa;
O bebedouro era a 'quartinha';
A piscina era o açude;
O carro de lixo era a carroça;
O sapato era a sandália de couro;
A televisão era o rádio de marca ABC;
A fechadura era a tramela;
O supermercado era a bodega;
O baile era o assustado;
O mosquiteiro era o esterco de boi;
O refrigerante era o ponche de limão;
O carro era a carroça e o jumento.
E por aí, vai...
segunda-feira, 6 de julho de 2020
sábado, 4 de julho de 2020
Procuro-te
Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO



