quinta-feira, 5 de outubro de 2023

1º Hambúrguer do Brasil pode ter sido feito em Natal nos anos 1940; entenda

 



Posted on 04.10.2023

No último Dia Mundial do Hambúrguer, em 28 de maio, comemorou-se os 70 anos da chegada do típico prato norte-americano ao Brasil, uma marca histórica que começa a ser contada a partir do surgimento da rede Bob’s no país, instalada no Rio de Janeiro.

Apesar disso, há quem jure que soldados norte-americanos já consumiam hambúrguer em Natal, no Rio Grande do Norte, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1942, os Estados Unidos construíram na capital potiguar a Base Aérea de Natal, a maior base militar norte-americana fora do país, conhecida como “Parnamirim Field”.

A Base Aérea de Natal é celebrada como o “trampolim da vitória” dos Aliados, por ter sido justamente um ponto de passagem para as aeronaves norte-americanas que decolavam diariamente para combater na Europa e na África.

Paulo Gallindo, natural de Natal, e dono da hamburgueria BurgerCue, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, resolveu dedicar-se a solucionar esse impasse com relação à chegada do hambúrguer no país. Para ele, essa também era uma maneira de ganhar autoridade sobre o assunto ao chegar à capital paulista.

“Fiz várias pesquisas na internet e vi grandes redes anunciando, em 2022, o que seria a história dos 70 anos do hambúrguer no Brasil. Fui para Nova York, passei uma semana lá, fui à biblioteca e procurei por jornais antigos. Encontrei uma matéria de 1943, que relatava soldados norte-americanos conquistando as brasileiras com jitterbugging [estilo de dança popular nos anos 1940] e hambúrgueres”, contou o empresário à CNN.

O texto, publicado na edição de 20 de abril de 1943 no jornal The New York Times, conta como os soldados faziam para conquistar os corações das mulheres potiguares.

O governador do Rio Grande do Norte na ocasião, Raphael Fernandes, que visitava os EUA, afirmou à reportagem que “barracas de hambúrguer se espalharam como cogumelos entre os soldados norte-americanos estacionados no Brasil”.

Fernandes foi mais longe e confidenciou ao jornal que se havia passado a tomar café como os norte-americanos, com creme e açúcar a qualquer hora do dia.

Paulo Gallindo emoldurou o texto do The New York Times na parede do BurgerCue em Pinheiros, na capital paulista/ Reprodução/Paulo Gallindo

A presença de milhares de militares em solo brasileiro não moldou apenas a culinária local (e, possivelmente, nacional), mas também introduziu algumas gírias no vocabulário potiguar, como o “boy” – verbete informal para se referir a outra pessoa, muito similar ao “mano” utilizado em São Paulo.

*Com informações da Agência Brasil


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Antiga propaganda do Banco Nacional de Minas Gerais. Revista Cruzeiro. 1969. Era o guarda chuva, o símbolo daquela casa bancária. Propaganda esta da agencia JMM Publicidade (Rio de Janeiro) do potiguar assuense João Moacir de Medeiros.



 
Moreninha quando vejo
Essa roupa na janela
Acorda em mim o desejo
Lembrando você sem ela.

Renato Caldas

 

domingo, 24 de setembro de 2023

 CHICO E CHICA


Por Renato Caldas
 
Sinha môça, eu conto um fato
De chico ôio de gato
E chica Passarinheira:
Ele, vendia missanga,
Pó de arroz e burundanga;
Era mascate de feira.
Chiquinha, uma roceira
Disposta e trabaiadeira...
Pegava os pásso e vendia.
Porém, tinha um priquito
Muito mansinho e bonito
Qui ela, vendê num queria.

Chico, toda menhanzinha,
Ia a casa de Chiquinha
Já cum mardósa intenção...
Na cunversa qui travaram,
Os óios, se encontraram:...
Tibungo, no coração.

Chico môço da cidade
Cunversa de verdade,
Dotô em tufularia,
Foi devagá se chegando,
Passando a mão alisando
E o priquitinho cedía
O bicho se arrupiava...
Ela, calada deixava,
Gostava daquele trato.
Nisso o amô pôz a canga!
Pôi-se a brincar cum a missanga
De Chico Oio de Gato.
Um brincando, outro alizando
E a missanga amariando
Nisso, um gritinho se ôviu.
Num é qui o priquito-rico,
Teve fome e abriu o bico...
Bufo - a missanga engoliu.

Chico mudô de caminho!
O verde priquitinho
Bateu asas e avuô...
E Chica Passarinheira,
Tá sôrta na buraqueira...
Inté o nome mudô.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

 


 Lenda dos beijos


Dizem que os beijos na mão
Falam de amor e respeito
Nos olhos dizem paixão
Se dados com certo jeito
Nos cabelos incerteza
Ciúmes queixa e dor
Na testa dizem pureza
Se dados com certo ardor
Nos braços é liberdade
E no queixo é fingimento
Em vez se dados de má vontade
Em vez de gozo é tormento
Na boca volúpia imensa
São beijos cheios de dor
São beijos de muita crença
São beijos de muito amor.

NL



Ars Poetica

"...queixava-se de sentir 'uma dor vaga no cérebro', uma dor física, dizia ele, sempre que se encontrava entre pessoas que conversavam apenas sobre banalidades."

(PIOTR KROPOTKIN - In: "Em Torno de Uma Vida)

Arte / Vincent van Gogh

Pode ser uma ilustração
Todas as reaçõe

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

A CARNAUBEIRA


Neste sertão de hércules habitantes,

Nesta nesga de terra hospitaleira,

Ergue as tremulas palmas verdejantes

A rica e majestosa carnaubeira.


Mesmo os ricos do sol mais causticantes

Ela, virente, mostra-se altaneira,

Secular como sempre e como dantes,

Dando a aparência esbelta de palmeira.


Seus frutos dão um pó igual ao de ouro:

Seus frutos são de um gosto adocicado,

E tudo é bom do vegetal tesouro.


O homem conserve essa árvore tão nobre,

Que, morta, vive ainda no sobrado

E na choupana rústica do pobre. 


(Nota do blog: Temos dúvida se o soneto acima é de autoria de João Nathanael de Macedo ou de Francisco Amorim).







domingo, 17 de setembro de 2023

O Grito

Se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos

se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse

se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre tem o direito de não sofrer

se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer doer doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas

se ao menos esta dor sangrasse

Renata Pallottini (1931, São Paulo, 2021)Dramaturga/Ensaísta/Poeta e tradutora brasileira, in 'A Faca e a Pedra'Renata 

                               Imagem da Web




quinta-feira, 14 de setembro de 2023

SÚPLICA


Por Francisco Amorim


Vai alta noite já. Entro em meu quarto

à procura de um bem que não existe.

Passo as horas cismando, cheio, farto,

Desta saudade que em meu ser persiste.


Tenho opressão como se fosse enfarto,

Se processando na minha alma triste.

E se ânsias cruéis., sozinho parto,

Volto a te desejar. ninguém resiste.


É a falta de ti que me aborrece.

E a insipidez a ausência me parece,

O longo isolamento de degredo.


Vem, já não suporto este martírio.

Aos meus olhos eu vejo a luz do círio,

Fica perto de mim. Não tenhas medo.



 Mundo Incrível

Jean Agélou foi um fotógrafo francês das décadas de 1910 e 1920, mais conhecido por suas fotografias eróticas e nus feitos no início do século XX.
Agélou nasceu em Alexandria, Egito, em outubro de 1878. Ele morreu em 2 de agosto de 1921 em Gien, França.




 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.