sábado, 22 de novembro de 2014

Morre 'Seu Lunga', o personagem cearense de tolerância zero com a burrice

 

Imagem da Web.

O sucateiro que se tornou um personagem da cultura popular nordestina, Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", morreu hoje pela manhã, por volta de 9h30, aos 87 anos, em decorrência de um câncer no esôfago. Ele estava internado no hospital São Vicente, em Barbalha. Seu Lunga morava com a esposa Carmelita Rodrigues Camilo e foi desse matrimônio que nasceram 13 filhos.

Biografia

Joaquim dos Santos Rodrigues nasceu em 18 de agosto de 1927, no Sítio Gravatá no município de Caririaçu, e viveu a infância com os pais e sete irmãos no município de Assaré. Recebeu um apelido por uma senhora, que era vizinha, e passou a chamá-lo de Calunga, que mais adiante se reduziu para Lunga. Com 16 anos de idade foi morar no município de Juazeiro do Norte. Casou em 1951 e tornou-se pai de treze filhos. Lunga era dono de uma sucata em Juazeiro do Norte que vendia de tudo, desde aparelhos de televisão a frutas.

Processo

Em 2011, Seu Lunga venceu um processo contra o cordelista Abrahão Batista, que utilizava o apelido do sucateiro em suas publicações. "Eu não desejo nenhuma indenização. Quero somente que ele deixe de escrever mentiras em meu nome", disse, à época, ao Diário do Nordeste. Abrahão publicou o cordel com o título "As histórias de Seu Lunga, o homem mais zangado do mundo", que narra frases e respostas atribuídas ao comerciante.

A revista CONTEXTO, do grupo defato.com, fez reportagem especial com Seu Lunga em 2012. Leia clicando aqui.

 http://www.defato.com

QUANDO A POLÍTICA VALE A PENA

Desta plaquete (1996), feita de estórias pitorescas, bem como de alguns episódios da política potiguar, transcrevo:

A cor verde no Rio Grande do Norte representava o bloco político-partidário do ex-governador Aluízio Alves (PSD) e a cor vermelha o bloco do senador Dinarte Mariz (UDN). Isso no tempo em que a política potiguar vivia momentos de radicalismo tenso e intenso, entre Aluízio e Dinarte. Pois bem, Antônio Benevides foi em Santa Luzia, atual e próspero município de Carnaubais, grande agropecuarista. Naquele lugar, Benevides fazia política e, numa certa eleição para governador tivera insucesso nas urnas, o candidato que ele apoiou para prefeito perdera a eleição. Não gostando do resultado negativo, desabafou: - "Eu não entendo os meus eleitores. Quando eu vou pro verde, eles vão pro vermelho. Quando eu vou pro vermelho, eles vão pro verde!

O ex-deputado Edgard Montenegro, foi líder inconteste do vale do Açu durante décadas. Rdgard é veterano da política potiguar,com muitos quilômetros rodados na política do Rio Grande do Norte. Ainda vive com seus bons 94 anos, ainda lúcido. Herdou de Pedro Amorim, que foi prefeito do Assu, deputado estadual presidente da Assembleia Constituinte de 1945, o seu espólio político. Bom orador, a sua voz tem o timbre que a circunstância exige, os gestos das mãos e das pernas sempre em sintonia com as palavras. A sua voz em defesa do Vale do Açu ainda ecoam pela várzea adentro. Não existe uma importante obra naquela região que não tenha a sua participação. A Eletrificação Rural, o Canal do Pataxó, são exemplos. Financeiramente é equilibrado, 'seguro', um pão duro no dizer popular, nunca gostou de comprar o voto a ninguém. Certa vez chega um eleitor em sua casa da cidade de Assu, perguntando em voz alta: - "Edgard está? - (é de gastar?) - Conta-se  que sua mulher Maria Auxiliadora com aquele seu jeito aristocrático e pausado de falar, respondeu - "Nenhum tostão!" - Para decepção do eleitor que saiu de fininho.

José Luiz Silva na década de setenta candidatou-se a deputado federal pelo MDB, atual PMDB. No município de Pendências/RN onde foi pároco, decidiu ir buscar o voto. Lá, em Pendências, encontrou-se no Mercado Público com um velho amigo chamado Cícero que ao tomar conhecimento da sua candidatura, prometeu conseguir para ele, Zé Luiz, 10 votos. Cícero tinha um compadre chama Zé que necessitava de uma prótese dentária, o que de pronto Zé Luiz arranjou. Final da apuração Zé Luiz não obteve nenhum voto nas urnas da localidade onde votavam Seu Zé e família. Revoltado, Cícero ao encontrar seu compadre pela feira livre daquela cidade, não pensou duas vezes: - "Compadre Zé, abra a boca que eu quero ver se a dentadura ficou boa!" Zé, ao abrir a boca, Cícero retirou a dentadura e, indignado, soltou essa: - "Espere agora, filho da puta, quatro anos para sorrir outra vez!"

Em tempo: Cícero é irmão de doutor Uóston que recebeu um tiro no pescoço quando do último comício de Jessé Freire candidato ao senado, na época da "Paz Pública" em que Tarcísio Maia e Aluízio Alves se entenderam politicamente. Segundo comentários, aquele episódio não passara de mera simulação, para criar um fato novo, sensibilizar o eleitor rio-grandense e consequentemente assegurar a vitória de Jessé contra Radir Pereira. É que em política o feio é perder!

Fernando Caldas

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

    Negra

    O teu avô Costa d’África, filhinha,
    Bárbaro, de uma negra irremediabilidade,
    O teu avô, de tanga, acostumado ao Brasil.
    Noites que despertou sob o chão do chicote!
    O chão... tudo era um chão de látegos rangendo,
    E ao longe o cafezal, a mata enorme se desbravando...

    Hoje tem sangue turco em cada veia,
    Um sangue português, a gemer gargalhada.
    Um índio chegou, de solto, as tuas velas que se brilharam...

    És muitos continentes, na verdade,
    Quase negra, nos olhos,
    Deixa ver-te os cabelos, enroscados,
    Vamos, meu timbre louro,
    Tu morrestes nas raças, diluída,
    E nas raças do teu corpo eu que adoro a verdade.

    Nota: Se Guilherme de Almeida escreveu “Raça”, em 1925, uma obra “que tem como tema a gênese da nação e da formação múltipla da raça brasileira”, João Lins Caldas (nascido no Rio Grande do Norte em 1888, ano da abolição da escravatura no Brasil), já teria produzido no seu tempo de Rio de Janeiro, 1921, o poema patriótico e de exaltação ao Brasil intitulado “Negra”, que para Augusto Frederico Shimidt (1906-1965), "o negra de Caldas vale por toda uma "Raça" de Guilherme de Almeida."


terça-feira, 18 de novembro de 2014

João Batista Machado lança livro com as memórias da época que atuava como repórter político

16/11/2014 - 14:35
Argemiro Lima/NJ
Machadinho, o nome afetivo do jornalista que durante trinta anos exerceu a função de repórter político e assessor de imprensa, conta que cansou do trabalho que é publicar uma obra
O jornalista João Batista Machado, 71, arquivo rico de informações e conhecedor profundo dos bastidores políticos do Rio Grande do Norte nas últimas sete décadas, vai parar de escrever livros.  “Bastidores do Poder – Memórias de um repórter” é a derradeira de um conjunto de onze obras.

“Bastidores do Poder”,  livro memorialista, será lançado na próxima terça-feira (18), às 18h, na Academia Norte-riograndense de Letras, onde João Batista Machado ocupa uma das cadeiras de imortais. Mostra a vivência do autor como repórter político com personalidades locais, regionais, nacionais e internacionais como foram os encontros com o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, e com o Papa João Paulo II, em Natal.  

Machadinho, o nome afetivo do jornalista que durante trinta anos exerceu a função de repórter político e assessor de imprensa, conta que cansou do trabalho que é publicar uma obra. “Livro agora só se for  na próxima encarnação, se Deus permitir que eu volte”, diz. 

“É muito estressante”, desabafa Machadinho sobre  processo de fazer um livro até seu lançamento. “O que eu já tinha de contar, eu já contei”, complementa ele, que nas suas memórias faz um sumário de  41 acontecimentos que marcaram sua vida profissional e pessoal. 

No primeiro capítulo de Bastidores do Poder, Machadinho conta com minúcias os acordos entre o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, e o deputado federal Ulisses Guimarães, para a candidatura do primeiro à presidência da República em 1985.Revela detalhes das conversas de Tancredo Neves com os governadores do Nordeste do PDS, partido de sustentação do governo militar.

Os governadores da região eram  maioria no Colégio Eleitoral e  foram decisivos para a eleição do presidente da República, que marcaria dali em diante o fim do regime militar no país.O autor fala que depois dos entendimentos do mineiro Tancredo com jovens governadores como José Agripino (RN) e Hugo Napoleão (PI), o PDS dividiu-se em dois. A ala liberal do partido apoiava Tancredo e a conservadora, Paulo Maluf,  candidato a presidente também. 

A Nova República, que estabeleceu o fim da ditadura, nasceu do rompimento do PDS. Dos noves governadores do Nordeste, somente o paraibano Wilson Braga ficou com Maluf e os demais romperam com o presidente general João Batista de Figueiredo e criaram a Frente Liberal, a dissidência do PDS.Maluf, reporta Machadinho, veio várias vezes ao RN em busca de apoio. Ele era amigo de Lavoisier Maia. 

Aqui, conta o jornalista, o paulista ameaçou José Agripino dizendo que quem era do PDS tinha que votar no PDS. Se assim não fosse, ele iria invocar a  lealdade  partidária, o que não valia para o Colégio Eleitoral, uma brecha  que o regime autoritário deixou passar. Machado, na condição de assessor de imprensa de José Agripino, comparecia às reuniões da Sudene semanalmente e via Maluf tentar se aproximar dos governadores do Nordeste. 

Teotônio Vilela, senador por Alagoas, conhecido como menestrel por sua posição em favor da redemocratização do país, também veio a Natal visitar uma sobrinha. Era o rebelde da Arena, Vilela. Com Machadinho, ele deixou os assuntos políticos de lado e falou sobre boemia e contou um fato que aconteceu em Brasília. Com um grupo de amigos, acabou em dez dias o grande estoque de bebidas que tinha em seu apartamento, encerrando o capítulo da bebida em sua vida. 

Mas o primeiro contato que Machadinho teve com Petrônio Portela, foi em Brasília, acompanhado do senador da Arena, Dinarte Mariz, que fez grande pressão para os repórteres entrarem no gabinete dele, que estava mau humorado.  Mesmo assim, ressalta Machadinho, Portela era um homem habilidoso com as palavras.
http://www.novojornal.jor.br/

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu."
__Helen Keller

Da linha do tempo/face de SP

O Gordo e o Magro - O Grande Negócio (1929) - Filme Completo Dublado

Estudante de Ipanguaçu RN é finalista da Olimpíada de Língua Portuguesa


O estudante Carlos Camilo Batista Vieira, aluno do 9º ano da Escola Municipal Francisco Florêncio Lopes, em Ipanguaçu, é um dos finalistas de todo o Brasil no gênero Crônica da Olímpiada de Língua Portuguesa (OLP) – Escrevendo o Futuro.

O jovem estudante concorreu a meio produções textuais de mais de cinco mil municípios de todo o país, segundo a informação vinda da assessoria de imprensa do Executivo ipanguaçuense.

O anuncio foi feito nesta última quarta-feira (12) em Porto Alegre (RS), onde estavam reunidos os 125 semifinalistas de todo o Brasil dentro do gênero.

Os semifinalistas já tinham sido vencedores das etapas escolares, municipais e estaduais dos respectivos estados, e concorriam à vaga para a grande final.
Carlos Camilo, morador da comunidade de Pataxó, é autor da crônica Só entra quem pode.

Ele é um dos 38 finalistas que agora participarão da final em Brasília, previsto para dezembro desse ano.

O cronista concorre agora como melhor produção textual dentro do gênero de todo o Brasil.

Camilo foi orientado pela professora de língua portuguesa, Diana Lopes Bezerra, que o acompanhou nas oficinas regionais no Estado do RS.

Foto: Assecom P. M. Ipanguaçu
Postado por Pauta Aberta.

Por Cristina Costa, poetisa portuguesa
Livre de amarras e cobranças
formato-me emoções sem sofrimentos.
São meras expressões da minha estranheza.
Nesta explosão de sentimentos tão insana
se desfazem todos os meus medos.
Não há como desvendar meus mistérios ou segredos.
Eufemismos de quem se perdeu quando se encontrou.
Amo convicta por acreditar,que em mim existe e não morreu, o verbo amar.

sábado, 15 de novembro de 2014

LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA, A SANTA DO AÇU

Título do blog

"O livro conta a história da mártir Lindalva Justo de Oliveira, seu perfil biográfico e itinerário espiritual, com base em testemunhos das pessoas que a conheceram ou que com ela conviveram e em documentação original organizada sob a forma de biografia romanceada por Gaetano Passarelli - consultor histórico da Congregação da Causa dos Santos e escritor experiente e talentoso. Nordestina, nascida de uma família humilde na cidade de Açu, interior do Rio Grande do Norte, Lindalva foi uma criança muito sensível e ponderada, dedicada desde cedo aos cuidados de seus irmãos e à caridade aos mais necessitados. Os bons exemplos recebidos de seus pais, pessoas simples, mas corretas, afetuosas e de profunda espiritualidade, plantaram em seu coração a semente da vocação religiosa e o desejo de seguir os passos de Jesus, que ela só teve oportunidade de realizar aos 33 anos, quando entrou para a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo."

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO