domingo, 25 de outubro de 2020

Comando do Batalhão de Segurança em Natal, 13 de maio de 1902. Ordem do Dia n° 165. Faço público para conhecimento do Batalhão e devidos fins o seguinte: Camaradas! Nossa bandeira acha-se a meia haste, as nossas armas em funeral, os nossos clarins emudecidos e em todos os semblantes vemos estampados o mais profundo pesar, é que neste momento o Rio Grande do Norte, o Brasil e não erro em afirmar que o mundo inteiro chora o desaparecimento de um gênio, é que Augusto Severo aquele talento incomensurável que atraia para o Brasil admiração do mundo, aquele gênio desmedido que convencido de sua grandiosa ideia assegurava à humanidade a paz universal com o seu maravilhoso invento no momento em que ia embalar-se nos braços da fama, caiu gloriosamente no regaço da morte. Ele o nosso querido patrício e eminente representante no Congresso Federal desapareceu da face da terra mas resta-nos a consolação de que é-nos dolorosa está realidade, o seu nome brilhará para sempre no mundo inteiro como um astro de glória de maior grandeza do céu do Brasil. Em homenagem ao grande morto que nunca assaz pranteamos determino que o Batalhão tome luto por 8 dias, conservando a bandeira a meia haste e as armas em funeral. Assinado: Manoel Lins Caldas, Major Comandante.

 

ALMANACH DO ASSÚ - Publicado em 1903. Editado por Palmério Filho e Moysés Soares. Um pelo passeio poético, literário e social aceca da cidade conhecida pelos seus vates. Este exemplar, me fora dado pelo amigo João Batista Pinto, já encantado. O maior conhecedor da vida de José da Penha, o último amigo que me enviava cartas. Fez várias doações valiosas para o meu acervo. Aqui em minha linha do tempo, já fiz duas postagens acerca do meu tio bisavô (marteno). [Wandyr Villar].

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sábado, 24 de outubro de 2020

ALMANACH DO ASSU

 

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Wandyr Villar

ALMANACH DO ASSU - Em breve mais uma edição da AZYMUTH, em fase de editoração. Publicado originalmente em 1904. Tiragem especial para colecionadores. 50 exemplares. Traz introdução de Wandyr Villar com fortuna biográfica dos autores Palmerio Filho e Moysés Soares [Wandyr Villar].

ANNA SENHORINHA SOARES DE ARAÚJO - (minha trisavó): Mulher de destaque no abolicionismo do RN. Com seu pai (veja postagem anterior) ajudou a libertar e educar escravos e negros alforriados. Grande nome da caridade, em Serra Negra do Norte (onde nasceu) e no Assu. Lá ajudou o Padre Ibiapina a manter a "Casa de Caridade do Assu". Em Natal (a partir de 1886) destacou-se em suas ações sociais. Sendo Sócia Benemérita de várias instituições, algumas criadas por ela. Promoveu o escotismo feminino, o ensino de música para mulheres e foi tesoureira da Diocese a pedido de D. Joaquim de Almeida - primeiro Bispo de Natal. Casou-se com Cel. Pedro Soares, no Assu em 1876. Em Natal ajudou o seu grande amigo Padre João Maria em momentos dramáticos de nossa história. Foi entusiasta da "Liga de Ensino" (Escola Doméstica). Uma das primeiras mulheres do estado e entender de economia. Teve dez filhos. Oito deles chegaram à fase adulta e são personagens históricos do RN. Me ocuparei deles nas próximas postagens [Wandyr Villar]



terça-feira, 20 de outubro de 2020

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Jose Di Rosa Maria

Eu sou pai de cinco filhos
Que a natureza me deu;
De manhã compro seis pães,
Cada um agarra o seu,
A mulher come o que sobra,
Quem passa fome sou eu.

Autor: Manoel Xudu

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

 Como te amo? Elizabeth Barrett Browning

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Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.

Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo
e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.

Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam
pela Justiça;

Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.

Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.

(tradução alternativa e mais comum):
Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do Sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.

TRADUÇÃO DE LUÍS EUZÉBIO:

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domingo, 18 de outubro de 2020

QUANDO A CASA DOS AVÓS SE FECHA

 QUANDO A CASA DOS AVÓS SE FECHA




Acho que um dos momentos mais tristes da nossa vida é quando a porta da casa dos avós se fecha para sempre, ou seja, quando essa porta se fecha, encerramos os encontros com todos os membros da família, que em ocasiões especiais quando se reúnem, exaltam os sobrenomes, como se fosse uma família real, e, sempre carregados pelo amor dos avós, como uma bandeira, eles (os avós) são culpados e cúmplices de tudo.

Quando fechamos a casa dos avós, também terminamos as tardes felizes com tios, primos, netos, sobrinhos, pais, irmãos e até recém-casados que se apaixonam pelo ambiente que ali se respira.

Não precisa nem sair de casa, estar na casa dos avós é o que toda família precisa para ser feliz.

As reuniões de Natal, regadas com o cheiro a tinta fresca, que cada ano que chegam, pensamos “...e se essa for a última vez”? É difícil aceitar que isso tenha um prazo, que um dia tudo ficará coberto de poeira e o riso será uma lembrança longínqua de tempos talvez melhores.

O ano passa enquanto você espera por esses momentos, e sem perceber, passamos de crianças abrindo presentes, a sentarmos ao lado dos adultos na mesma mesa, brincando do almoço, e do aperitivo para o jantar, porque o tempo da família não passa e o aperitivo é sagrado.

A casa dos avós está sempre cheia de cadeiras, nunca se sabe se um primo vai trazer namorada, porque aqui todos são bem-vindos.

Sempre haverá uma garrafa térmica com café, ou alguém disposto a fazê-lo.
Você cumprimenta as pessoas que passam pela porta, mesmo que sejam estranhas, porque as pessoas na rua dos seus avós são o seu povo, eles são a sua cidade.

Fechar a casa dos avós é dizer adeus às canções com a avó e aos conselhos do avô, ao dinheiro que te dão secretamente dos teus pais como se fosse uma ilegalidade, chorar de rir por qualquer bobagem, ou chorar a dor daqueles que partiram cedo demais. É dizer adeus à emoção de chegar à cozinha e descobrir as panelas, e saborear a “comida da nona”.

Portanto, se você tiver a oportunidade de bater na porta dessa casa e alguém abrir para você por dentro, aproveite sempre que puder, porque ver seus avós ou seus velhos, ficar sentado esperando para lhe dar um beijo é a maior sensação, maravilhosa, que você pode sentir na vida.

Descobrimos que agora nós temos que ser os avós, e nossos pais se foram, nunca vamos perder a oportunidade de abrir as portas para nossos filhos e netos e celebrar com eles o dom da família, porque só na família é onde os filhos e os netos encontrarão o espaço oportuno para viver o mistério do amor por quem está mais próximo e por quem está ao seu redor.

Aproveite e aproveite a casa dos avós, pois chegará um tempo em que na solidão de suas paredes e recantos, se fechar os olhos e se concentrar, poderá ouvir talvez o eco de um sorriso ou de um grito, preso no tempo. De resto, posso dizer que ao abri-los, a saudade vai pegar você, e você vai se perguntar: por que tudo foi tão rápido? E vai ser doloroso descobrir que ele não foi embora ... nós o deixamos ir ...

Mas nunca se fechará em minha memória.
Anônimo

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Aqui, eu tenho vivido
Desde quando menino
Aqui, Deus traçou o meu destino
Oh, meu Assu querido.
A tí, sou agradecido
Por mim, tu és cultuada
Terra reverenciada
Na cultura e na poesia
Jardim das minhas fantasias
Terra por mim amada.

(Chagas Matias)

ASSU 175 ANOS DE CIDADE

Assu de antigas glórias aniversaria hoje, 16/10. Banhada pelo rio Piranhas/Açu, rodeada de carnaubeiras. A cidade é bela, a sua história é vasta.

Assu, Freguesia de São João Batista, em 1726, segunda Comarca, em 1835, primeira cidade do interior do Rio Grande do Norte, em 1845. Naquela cidade fora instalado uma das primeiras Câmaras de Vereadores do Brasil (primeira organização de governo local que tinha o puder deliberativo e executivo, em 1788, 175 anos que ganhou foros de Cidade do Assu, então Vila Nova da Princesa ou Vila do Assu, em 1788 elevou-se a município. Foram, portanto, 57 anos de vila.

Assu de tantos filhos virtuosos teve participação na Guerra do Paraguai (o maior conflito armado na América do Sul que o Brasil se envolveu), mandando um grupo de Voluntários da Pátria para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870), entre tantos, o jovem Ulisses Olegário Lins Caldas ou simplesmente Ulisses Caldas (que é nome de rua na cidade de Natal e Assu) . Sobre Ulisses, Câmara Cascudo em O Livro das Velhas Figuras, vol. IV, escreve que certo “veterano da Guerra do Paraguai, contou-lhe que, num combate, carregando a baioneta, rebentou no meio da tropa, uma mina. Areia, fogo, estilhaços, voaram semeando a morte, escurecendo o ambiente que se tornou trágico, na irreprimível onda de pavor. De espada em punho, negro de pólvora, desvairado, Ulisses Caldas passou, como um relâmpago, para a vanguarda do seu pelotão gritando: - Avante, camaradas! Ainda é vivo Ulisses! E todo batalhão em acelerado, faiscando de entusiasmo seguiu o jovem alferes de vinte anos, vivando o Brasil.”

Ulisses Caldas tombou morto na tomada do forte de Curuzu que ficava à margem esquerda do rio Paraguai depois que tomara dois canhões, colocando ali o pavilhão nacional. Foi o primeiro soldado a penetrar as trincheiras inimigas. Por seus atos de heroísmo e patriotismo foi promovido ao posto de tenente e condecorado com a Imperial Ordem do Cruzeiro, a mando de Dom Pedro.

Assu teve ainda participação marcante aderindo a Revolução Pernambucana, em 1817, na Guerra dos Mascate, em 1710, na Abolição, em 1885 (três anos antes da Lei Aurea que pôs fim a escravatura no Brasil), além de ter reagido ao movimento conhecido como Revolta de Pinto Madeira que ameaçava invadir o Assu, em 1832.

Seus filhos ainda são importantes na política, no jornalismo, nas letras, nas artes com destaque na poesia com Renato Caldas e João Lins Caldas, esse último considerado o pai da poesia moderna brasileira. Foi importante com Brito Guerra, primeiro senador Rio Grande do Norte, durante o período Imperial, bem como com Luiz Carlos Lins Wanderlei que foi deputado federal constituinte ainda no tempo do Brasil Império presidente ainda no tempo do Império da Província do Rio Grande do Norte, em 1886. Dentre outros. 

Vale a pena lembrar os poetas ‘novos, seus pintores, artistas plásticos que vem fazendo um trabalho contribuindo para que o Assu continue se destacando como a Terra dos Poetas ou melhor dizendo como a Terra das Artes.

Por fim, seu povo, outrora afeito quase que exclusivamente as coisas do espírito e ao labor intelectual que elevou o nome da cidade, caracteriza-se hoje como uma população heterogênea adepta dos mais renhidos embates político-partidários. O que, aliás, também contribuiu e ainda contribui para destacar a significação do seu topônimo, provando que sob qualquer aspecto, Assu sempre será Grande.

Fernando Caldas



segunda-feira, 12 de outubro de 2020

 A poesia moderna no Rio Grande do Norte

Eu era ainda muito criança quando testemunhei um evento na Av. Rio Branco, próximo ao “Grande Ponto” de Natal. Era uma amostra quase anárquica de um grupo de jovens poetas que resolviam exibir sua produção literária.
Nascido na “Terra dos Poetas”, desde a mais tenra infância eu convivia com poetas e poemas na cidade natal (Açu) e aquela espécie de arte não constituía surpresa ou novidade. Pelo contrário, era muito natural e corriqueira. Lá, eu encontrava diariamente Renato e João Lins Caldas (não tinham qualquer parentesco entre si), dois estilos completamente diferentes, porém nem por isso menos geniais. E muitos outros poetas, notadamente glosadores e sonetistas, grande parte de gerações passadas e já falecidos.
Talvez tivesse havido alguma preparação ou divulgação, mas para mim foi uma descoberta ao acaso me deparar com um salão cheio de poetas e deles eu conhecia bem poucos. Passei a admirá-los e acompanhá-los, embora eu não tivesse mais que uns sete anos de idade. Um deles era meu tio Celso da Silveira, que se lançava com seu primeiro livro, “26 poemas de um menino grande”. Outros já haviam estado em encontros “socioetílicos” lá em casa, a maioria deles mais para beber e comer. Creio que poucos eram os que já haviam publicado seus versos em livro.
Augusto Severo Neto, Berilo Wanderley, Celso da Silveira, Dorian Gray Caldas, Luís Carlos Guimarães, Myriam Coeli de Araújo, Ney Leandro de Castro, Newton Navarro e Zila Mamede são aqueles de quem mais me lembro. Myriam se tornou minha tia pelo casamento com Celso.

(Escreveu João Celso Neto, poeta do Assu)

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO