terça-feira, 24 de março de 2026

O PRIMEIRO HISTORIADOR DA TERRA POTIGUAR – NOTÍCIA SOBRE MANOEL FERREIRA NOBRE

 

domingo, 22 de março de 2026

 DOIS POEMAS DE JOÃO LINS CALDAS

Pelo dia Nacional da Poesia, vale a pena lembrar João Lins Caldas (1888/1967). Poeta de versificação complexa de diversos estilos e temas. Autodidata (ele tinha a sua própria forma de construção gramatical), autor compulsivo e leitor voraz. No Rio de janeiro, para onde um dia de 1912 partiu com o objetivo de se aperfeiçoar literariamente e publicar-se, compôs milhares de páginas de poesias, colaborando em vários importantes periódicos daquela época de quase todo o Brasil. Portanto, se Caldas tivesse publicado todos os seus treze livros de poesias e pensamentos filosóficos que tinha organizado em manuscritos, teria se consagrado um dos maiores ícones da poesia universal. Foi Caldas, um dos maiores poetas da língua portuguesa: do parnaso simbolismo e da poesia moderna brasileira. Por fim. Sonhava Caldas ganhar um Nobel de Literatura e ver todo seu trabalho literário chegar ao conhecimento da humanidade. E escreveu na grandeza do seu poetar:
DENTRO D'ALMA

Não creiam ser na vida a morte o que eu mais temo.
A dor não me intimida, o mal não me apavora.
Eu só temo no fim, é o fim daquela aurora
Que fez grande Camões e que é meu bem supremo.

Pela morte eu não tremo e pela vida eu tremo.
Mas, a vida, que é mãe e do pesar senhora.
O sonho que me deu pesadamente escora
Com o gosto de querer da glória o sonho extremo.

Esse sonho me doma, esse sonho me arrasta:
Por ele adoro a vida esse profundo inferno
Por ele odeio a morte, essa miséria casta.

Braços dados com a vida, eu de de seguir-lhe o norte.
Braços dados com a vida, eu de segui-la eterno
Com os olhos para a vida e os braços para a morte.
__________

 OS ACONTECIMENTOS DO MUNDO SÃO SENSÍVEIS AOS MEUS PENSAMENTOS.
O meu pensamento, para os acontecimentTODOSos do mundo,
Em tudo que dos meus sentidos, os meus sentidos para virem um a um, de todas as raízes do mundo.
Eu sou o meu sentido
A expressão de todos os meus sentidos
A expressão de todo o meu sentido todo o meu mundo.
Da treva impenetrável â luz perfuradora de todas as trevas,
Dos campos devastados ao mundo de cadáveres apodrecidos,
O alasca pestilento, as feridas de todas as terras,
Os vermes, como pequenos monstros sonolentos,
E os grandes monstros, as garras afiadas, agitadas mandíbulas,
Tudo há que se alastra para o mundo que a arder de que particular ao meu pensamento
As casas demolidas,
Os corpos mutilados
As árvores, para o céu, os galhos ressequidos.
A multidão a relutar de todos os apedrejados,
O mundo todo de todos os gemidos,
A cósmica amargura de todos os condenados,
A dor profunda de todo os perseguidos,
Ah! que assim são as chagas profundas de todos os meus sentidos....
Penso dos meus pensamentos estrangulados,
Dos meus sentidos devastados,
Das sombras, para o chão, tudo meu cérebro para enterrado...
As misérias do chão,
Tudo que dos infernos na sua miséria,
- Eu preciso morder, e rasgar, e triturar tudo D’aquele maldito coração...
A sombra incolor da minha vida,
Tudo em que fui transformado...
O mundo do meu céu como um morto perdido...
- E ri dos seus dentes, e ri dos seus olhos o riso maldito do condenado...
Senhor, cegai-o; varrei-o, ventos, atirai-o para longe das fronteiras da terra.
E de tudo que for céu, e tudo que for graça, e de tudo que for amor e que for sentimento.
Deus, amaldiçoai-o; negai-o, todos vós energias da terra
E todos para enterrá-lo, todos para sepultá-lo em todos e em tudo todas as forças do raio...
(Poema inédito)
Caldas e o romancista Geraldo Vieira
Postado por Fernando Caldas
Assu Antigo

 

Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar.

sábado, 7 de março de 2026

Se cada um cultivar afeto, beleza e lealdade em seu ambiente, por pequeno que seja, isso há de espalhar claridade no mundo

Lya Luft





quarta-feira, 4 de março de 2026

SOB A TREVA

Ontem de madrugada encontrara-se as duas,
A minha e a tu'alma.
Deserta rua entre as desertas ruas,
Era a hora mais calma.
Sem ver a min mãos trementes,
ha que sozinha errava
A tua ia de frente.
Súbito a minha súbito parava...
Ali passava gente.
Parado o olhar nas orbitas dormentes,
A minha reparou
Tinhas na tua as alvas mão trementes...
Meu Deus! hoje o que eu sou.
A verdade tão longe do meu sonho,
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Para mim que sorria.
E agora és longe, e longe eternamente,
Para mim és perdida.
Baldado o sonho deste amor fremente...
Baldada a minha vida.
Não me valeu por toda a natureza
Por tudo prourar,
Provado o fogo da imortal beleza
Quiz o fogo de amar.
E do mundo tão belo, tão perfeito,
- A terra prometida,
Vi o céu da minha vida.
E por tudo do tudo divisado
Que se foi, que cresceu,
Alguma cousa houve  com meu brado...
Minha fé que morreu.

João Lins Caldas

  A BELA E INTERESSANTE “DEUSA DO ASSÚ” Imagem 24/04/2026 TOK DE HISTÓRIA Rostand Medeiros – https://pt.wikipedia.org/wiki/Rostand_Medeiros...