quarta-feira, 28 de abril de 2010

FAZENDA ABRIGA SÉCULOS DE HISTÓRIA


Do Blog Panorama do Vale, de Nelson Dantas


Fazenda Limoeiro, localizada na comunidade do mesmo nome, abriga séculos de histórias. A casa sede da fazenda, construída no meado do século 17, nos idos de mil oitocentos e tal, teve com objetivo primeiro abrigar os operários e mestres de obras que construíram o primeiro Açude da fazenda, denominado de Limoeiro e que fica a frente da casa.


Sua construção é do tipo “taipa”, estuque ou algo semelhante, sustentada por amarras de madeira bruta, presas com embira, com acabamento em massa dosada de argila com cal, curtida durante quinze dias para tingir o grau de qualidade utilizado naquela época.


Medindo cerca de 12.000 hectares, a fazenda que se limitava, ao norte, com a Lagoa do Poassá, ao sul com a fazenda Cruzeiro, ao leste com diversas pequenas fazendas e com o rio Paraú, e por fim, ao oeste com as estradas de Upanema e Paraú, com o objetivo de facilitar a administração foi dividida em duas sedes; Limoeiro e Camelo.

Encontro de Escritores começa hoje no TAM

Começa hoje o I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa – EELP — a partir das 15h30, no Teatro Alberto Maranhão. A programação fechada, com nomes dos debatedores e do mediador que estarão ao lado do conferencista, só ficou conhecida da imprensa na manhã de ontem, um dia após lançamento oficial. A coordenadora do EELP Cida Campelo explica que a demora na definição dos nomes que compõem a mesa aconteceu porque só esta semana o coordenador de atividades culturais da UCCLA pode se reunir com a Funcarte. “A formação das mesas não era nossa. O importante é que o debate seja conduzido”, disse Cida.

A primeira mesa será aberta hoje às 15h30, com o tema “Literatura Lusófona: elo entre continentes e culturas”, dentro como conferencista o escritor Carlos Reis (Portugal) e os debatedores  Luis Cardoso Takas (Timor Leste), o advogado, escritor e presidente da Academia de Letras Diógenes da Cunha Lima (RN) e a escritora Ana Maria Cascudo (RN). Como moderador estará Márcio de Lima Dantas (UFRN). A segunda mesa, programada para esta quinta-feira, às 15h, será com o tema Cosmopolitismo, expressões populares e globalização, tendo como conferencista o escritor brsileiro João Ubaldo Ribeiro, em sua primeira participação em evento literário em Natal. No debate,  Inocência Mata (São Tomé e Príncipe), o escritor potiguar  Tarcísio Gurgel e o poeta Lívio Oliveira (RN). O moderador será o professor Laurence Bittencourt (UnP).

A terceira mesa será sexta-feira, a partir das 15h, com o tema Os desafios das novas tecnologias na literatura, tendo como conferencista: José Eduardo Agualusa (Angola) e debatedores o escritor paulista Paulo Markun (SP), mais Jorge Salomão (BA), o escritor potiguar Pablo Capistrano (RN) e  Ndalu Almeida Ondjaki (Angola). O moderador será o jornalista Tácito Costa (RN).

 Segundo a produtora cultural Cida Campelo, Coordenadora do EELP, mais convidados do encontro participarão da Conferência, porém  na plateia com o resto do público. Ainda de acordo com a coordenadora esta foi uma decisão tomada pela UCCLA, que estabeleceu com a Prefeitura de Natal parceria financeira e gestora do evento. A decisão de ter na platéia alguns nomes importantes da literatura tem como objetivo tornar o evento mais interativo. Além disso, a coordenadora explica que eles serão bastante atuantes durante os debates instigando a plateia a se manifestar: “Estamos promovendo um jogo de pingue-pongue, onde ninguém seja ferido e o vai e vem de idéias favoreça toda a comunidade”, disse Cida.  

(Transcrito da Tribuna do Norte, 28.10.2010).

sábado, 24 de abril de 2010

UM CANGACEIRO POTIGUAR



A EDITORA SEBO VERMELHO REEDITA LIVRO ESCRITO PELO HISTORIADOR RAIMUNDO NONATO SOBRE JESUÍNO BRILHANTE QUE ESTAVA ESGOTADO HÁ 40 ANOS


Em 1970 o romancista e historiador Raimundo Nonato da Silva publicou Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro Romântico (1844-1879), a vida de Jesuíno Alves Calado, o mais famoso e valente cangaceiro norte-rio-grandense, Antecessor de Antônio Silvino e Virgulino Ferreira, o Lampião. Livro este que há 40 anos estava esgotado e somente agora a editora Sebo Vermelho decidiu reeditar.
Segundo o sebista e editor Abimael Silva, "em 2007 ano do centenário do grande escritor e historiador Raimundo Nonato não foi celebrado nem pela Academia Norte-rio-grandense de Letras e nem pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, mesmo ele ter sido membro das instituições, devido a essa ausência decidi naquela época publicar uma ou duas obras todo ano de Nonato". 
O livro "Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro Romântico" mostra que "no tempo de Jesuíno, Antônio Silvino era menino e Lampião nem tinha nascido", destaca Abimael. Jesuíno reinou de 1871 a 1879, entre a Paraíba e o oeste do RN, quando foi o herói do sertão, o Hobin Hood das terras de Patu. Temido pelas autoridades e querido pelo povo, tinha o seguinte código de honra: "quem entra para este grupo, não toca no alheio e aprende a respeitar a casa das famílias honestas".
Jesuíno Brilhante nasceu no sítio Tuiuiú, Patu/RN, em 1844, e morreu de emboscada, em Brejo do Cruz/|PB, em 1879, com apenas 35 anos de idade.
Até 1870 Jesuíno era vaqueiro e agricultor, chefe de família, filho de fazendeiro sem inimizades. Tudo começou com uma arenga entre a família de Jesuíno e os Limões, mas a gota d'água foi o desaparecimento de uma cabra dos Brilhantes, depois encontrada na panela dos Limões.
Raimundo Nonato reuniu todos os documentos jurídicos, históricos e literários sobre Jesuíno Brilhante, de grandes nomes da literatura: Luiz da Câmara Cascudo, Gustavo Barroso, Juvenal Lamartine de Faria, dentre outros; e complementou com importantes anotações e comentários da história do cangaço no Nordeste.
Outro destaque desta reedição é o escritor Raimundo Nonato da Silva que nasceu em Martins?RN, no dia 18 de agosto de 1907. Formado em Direito pela faculdade de Alagoas, ingressou no Ministério Público, sendo nomeado Juiz de Direito da Comarca de Apodi, em cuja função se aposentou. Foi professor, magistrado, jornalista, historiador, escritor e poeta. Faleceu no Rio de Janeiro em 22 de agosto de 1993, deixando uma obra da maior importância para a história do Rio Grande do Norte. 
Jurista e literato, publicou mais de 60 livros sobre o RN, em especial a região oeste. Clássicos como Quarteirão da Fome (1949), A Revolução de Trinta em Serra Negra (1955), Lampião em Mossoró (1956), Estórias de Lobisomem (1959), Bacharés de Olinda e recife (1960), Os Revoltosos em São Miguel (1966) e este Jesuíno Brilhante, em 1970.
Quando questionado de como tinha se tornado escritor, respondeu: " - Desde o tempo de estudante que eu freqüentava umas pequenas tipografias. Eu vivia lá por dentro e rascunhava umas cronicazinhas e depois uns jornalzinhos de festas, levando pancada e bengalada, porque a gente bolia com os namoros, depois dentro do próprio O Mossoroense com outro jornalzinho, depois dentro do Correio do Povo, com jornal mais sério, o "Correio Festivo", com o Américo de Oliveira Costa, onde nós fomos ameaçado de umas pauladas, por termos bolido com o namoro de alguém e o Américo foi procurar o juiz para garantir. De forma que vem desse tempo o começo. O livro, cronicazinha, livro mesmo sério, eu publiquei o meu. Sério é a forma de dizer quando publiquei o "Quarteirão da Fome".
Raimundo Nonato era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Federação das Academias de Letras do Brasil, Instituto Genealógico Brasileiro de São Paulo, Associação Brasileira de Escritores, Sindicato dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro. Associação dos Professores do Rio Grande do Norte, Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas Liberais da Guanabara, Sociedade Brasileira de Folclore de Natal e Instituto Cultural do Oeste Potiguar de Mossoró. Deixou mais de oitenta livros publicados de fundo literário. histórico e biográfico.

(Artigo transcrito do Jornal de Hoje, 17 e 18 de abril de 2010 - por danipacheco@hotmail.com - Caderno: Diversão & Arte).

O livro Jesuíno Brilhante, O Cangaceiro Romântico você encontra no Sebo Vermelho, avenida Rio Branco, Centro, Natal-RN.

terça-feira, 20 de abril de 2010

CANDIDATOS DEMONSTRA CONFIANÇA NO APOIO DO PP

O governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), candidato à reeleição; e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN), candidato a vice-governador na chapa oposicionista, disseram ontem acreditar no apoio do Partido Progressista, cada um no seu quadrado. Iberê afirmou que “democracia corresponde a maioria” e como tem 11 dos 16 prefeitos da legenda apoiadores declarados de seu projeto, tem a convicção de tê-los, os pepistas, em seu palanque. Já Robinson Faria demonstrou descontentamento com o diretório nacional do PP. “Eles vieram a mim e pediram para o PP crescer. Eu fiz isso, com o partido hoje três vezes maior, e eles agora querem tomar? Qual a razão e o embasamento jurídico?”, questionou o parlamentar.

Sobre o manifesto de 11 prefeitos em prol da candidatura do governador, o presidente da AL afirmou que obteve uma adesão ainda maior, à unanimidade, quando os 16 membros da comissão provisória, opinaram em favor de se projeto político. “Se eu quiser posso fazer novamente e certamente será superior a isso que estão falando”, assinalou.
Robinson afirmou que espera prevalecer a condição de parceria com o PP, firmada após a morte do deputado federal Nélio Dias. Ele disse também que o vice-prefeito de Natal, Paulinho Freire (PP), foi convidado a ser candidato a deputado federal, mas que foi informado pelo próprio pepista, de que somente aceitará se o partido permanecer sob o comando do grupo ligado ao PMN.
O governador Iberê Ferreira disse estar confiante. “Democracia vale sempre a maioria. Na hora que temos um maior número de prefeitos nos apoiando, acredito nessa aliança”, finalizou.

(Artigo transcrito do jornal Tribuna do Norte, 19.4.2010)

O PASSADO CULTURAL DO ASSU

O Cine-Teatro Pedro Amorim foi para Assu e municípios vizinhos o que hoje o Teatro Alberto Maranhão é para o Estado: o destino das grandes produções culturais. Desativado na década de 1980, o prédio histórico será totalmente recuperado e a cidade, berço de grandes nomes da poesia como o poeta João Lins Caldas, um dos pioneiros do movimento modernista brasileiro, terá um espaço público e de qualidade para receber e exportar talentos.

Divulgação

Projeto de restauração será patrocinado pela petrobras, através da lei câmara cascudo, e manterá traços da arquitetura originalO projeto de restauração é assinado pelo engenheiro Germano Martins e nele constam as seguintes obras: ampliação para 200 assentos destinados ao público; criação de camarins e banheiros; instalação de climatização, sonorização e iluminação. Segundo Gilvan Lopes, diretor-geral do Centro Escolar de Arte e Cultura (Cenec), responsável pela elaboração e execução da obra o prédio é belíssimo, mas atualmente conta apenas com um grande salão na parte externa e um verdadeiro galpão interno para os eventos. As características arquitetônicas do prédio serão mantidas.
O objetivo do Cine-Teatro permanece como nos idos de sua fundação. No espaço reconstruído acontecerão projeções de filmes, apresentações culturais, palestras, seminários, cursos e oficinas. Ações que já acontecem no município, mas que até então ficam em local inadequado como em escolas e na Câmara de Vereadores. Segundo o diretor do Cenec este seria de fato, o primeiro espaço cultural público da cidade (antes o Cine-Teatro era propriedade de seu fundador).
Mas os benefícios posteriores à recuperação do Cine-Teatro não virão apenas para os moradores de Assu. Como nas décadas anteriores, outras 12 cidades serão beneficiadas. Macau, Carnaubás, Pendências, Angicos, Mossoró, Lages e Santana do Matos são algumas dessas cidades.
As obras de reconstrução e ampliação estão orçadas em um milhão e meio de reais — valor patrocinado pela Petrobras, através da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, que garante o abatimento de 80% do valor da obra nos impostos da empresa. A estatal também ficará responsável pelos 20% restantes, mas para isso a prefeitura de Assu terá que cumprir algumas exigências, como contrapartida: garantir a participação da marca da Petrobras em todos os eventos do Cine-Teatro, afixar placa de inauguração na entrada do prédio também com a marca da empresa (a placa ficará no local enquanto o Cine-Teatro estiver em atividade), exibir durante 25 anos um filme institucional, enfatizando a importância da ação de patrocínio da empresa.
Além disso, a prefeitura de Assu terá que investir 36 mil reais para divulgar, durante uma semana, a inauguração do prédio.
Todas essas exigências serão cumpridas sem problemas, como garante, Gilvan Lopes. Segundo ele, a luta para recuperar o prédio é antiga. Gilvan conta que o prédio foi adquirido pela prefeitura em 2001.
O Cine-Teatro pertencia à sobrinha e única herdeira de Francisco Fernandes, antigo proprietário e administrador do prédio. “Por muito pouco o Cine-Teatro não foi derrubado para dar lugar a um prédio comercial”, diz Gilvan.
Em 2002, a prefeitura de Assu, através do Cenec, elaborou um projeto de recuperação e ampliação do prédio, na época orçado em 714 mil reais. A direção do Centro Escolar submeteu o projeto ao edital da Lei Câmara Cascudo e, naquele mesmo ano, conseguiu sua aprovação. O tempo para captação de recursos através de patrocínio — estipulado pela Lei em dois anos — foi ultrapassado e o projeto de recuperação voltou à estaca zero. Gilvan Lopes conta ainda que foi feita uma tentativa de inserí-lo nos editais do Ministério da Cultura e do Banco do Brasil, mas a expectativa dos proponentes foi frustrada mais uma vez.
Deste período em diante foram feitas várias tentativas e apenas em 2009 o projeto foi novamente aprovado pela Lei Câmara Cascudo. Desta vez, a captação de recursos aconteceu no período previsto. A Petrobras concordou em patrocinar o projeto, mas a assinatura confirmando a ação está marcada para o final desta semana.
“Nós estamos atendendo ao pedido da Petrobras de adequar os formulários do projeto, já que eles têm um padrão a ser seguido. Mas isso não é nenhum empecilho para a recuperação do Cine-Teatro, já que está tudo confirmado”, diz Gilvan.
Assim que a Petrobras assinar o documento garantindo o patrocínio cultural, a prefeitura assuense abrirá edital de contratação das empresas que ficarão responsáveis pela obra de recuperação e ampliação do prédio. A previsão é de que a obra seja iniciada ainda este semestre, e terá duração de 12 meses, como aponta o projeto.
Prédio foi inagurado em 1935 para receber artistas da região
O Cine-Teatro Pedro Amorim foi erguido em 1930 por Francisco Fernandes Martins, um industrial visionário da cidade de Assu. Francisco atuava no ramo do algodão e, como seu negócio era próspero, foi responsável pela construção de vários prédios que hoje constituem o centro histórico assuense.
Mas a inauguração do Cine-Teatro aconteceu apenas em 1935 com a proposta de ser um ambiente voltado para abrigar expressões artísticas locais e nacionais. A falta de eventos fez com que o Cine-Teatro ficasse fechado por 10 anos. Durante o período, Francisco Fernandes pesquisou sobre possíveis programações e formas de funcionamento. O teatro abriu as portas ao público em 1945. A partir daquele ano o Cine-Teatro passou a exibir filmes com frequência e a trazer atrações nacionais para a cidade.
Assu tornou-se um centro polarizador das manifestações artísticas da região. E a arte sempre foi um ponto forte na cidade. Já na década de 20, figuravam em Assu, alguns nomes da poesia, que alcançaram abrangência nacional. O já citado João Lins Caldas; Sinhazinha Wanderley, poeta e compositora – autora do hino oficial de Assu – foram alguns ilustres a compor o patrimônio cultural da cidade.

(Artigo transcrito do Jornal Tribuna do Norte, 19.4.2010)


segunda-feira, 19 de abril de 2010

MAIS UM POEMA DE WALFLAN DE QUEIROZ


Eu venho de uma montanha, Tânea.
De uma montanha de fogo e de sombras,
De fogo como o sol e de sombras como a noite.

Venho de um vale, Tânea.
Um vale com mil flores brilhantes.
E todas estas flores eram tuas.

Venho de uma floresta, Tânea.
Uma floresta com apenas um pássaro.
Um pássaro azul como as águas do rio.

Venho de um lago também azul, Tânea.
Um lago tranquilo e sem rumores,
Com cisnes brancos, cisnes selvagens,
Selvagens como o meu amor.

Eu venho do mar, Tânea.
Um mar sem praias e sem gaivotas,
Com uma ilha de carne,
E com o sangue de uma estrela.

Venho do deserto quente, Tânea.
Um deserto com ventos de areia,
E com monumentos que são sepulcros,
Onde enterro a minha solidão.

Walflan de Queiroz, poeta potiguar de São Miguel
(Do livro intitulado Livro de Tânea, 1963).

Postado por Fernando Caldas Fanfa

 Paulo Varela, o Poeta Abandonado Pelas ruas da cidade caminhava devagar, levando nos ombros versos que ninguém quis escutar. Era Paulo Vare...