Pular para o conteúdo principal

Postagens

BOINH0, O POETA DA RUA

Francisco Inácio Ferreira é o nome de registro de "Boinho" como é conhecido carinhosamente na cidade de Assu. Ele é funcionário público aposentado da prefeitura daquele município. Poeta popular de versificação fácil. Ele é preciso ser mais lembrado. Afinal de contas, poeta é poeta. Vive pelas ruas da  sua terra natal com a sua inseparável caneta, e papel no bolso, escrevendo versos amorosos, aproveitando os temas que a cidade inspira. Apesar de ser avançado nos anos, está entre os "novos" poetas do Assu. Tem vários livros publicados: "Estrada da Minha Vida", 2003, que a prefeitura dp Assu, publicou. E o poeta, na estrada da sua vida no seu próprio dizer, um dia melancólico, escreveu: Hoje vivo torturado Perdi tudo em minha vida Perdi a jovem querida Para falar do passado Quando moço fui beijado Vivo hoje nos escolhos Sou tampa sem arrolhos Velho gemendo com dor Por causa de um grande amor Molho com lágrimas meus olhos. Postado por Fernando Ca...

LEMBRANDO JOÃO FONSECA

"Pacó" (não sei o seu nome de registro) era uma figura boêmia da cidade de Assu onde exerceu a profissão de garçon nos clubes sociais da terra assuense. Trabalhando como servente num convênio que a prefeitura daquele município tinha com a Fundação SESP, ajudando fazer privadas pré-moldadas de cimento para serem doadas as pessoas carentes do Assu. Pois bem, João Fonseca, poeta e boêmio, era o Secretário de Administração daquela prefeitura, salvo engano, no governo de Walter de Sá Leitão (1972-75). Aí Pacó ao sair do trabalho, sujo em razão do materia que usava no trabalho, foi direto a prefeitura e, ao chegar na sala daquele secretário para que ele, Fonseca, autorizasse a tesouraria fazer o pagamento dos seus serviços prestados, que seria pago pela verba do FPM - Fundo de Participação dos Municípios, João Fonseca versejou de improvisou essa quadrinha: Eu não lhe posso pagar Pois você está imundo Vá primeiro se banhar Pra receber pelo 'fundo.'

WALTER DE SÁ LEITÃO, DE NOVO

Walter de Sá Leitão era meu tio-afim por ser casado com Evangelina Tavares de Sá Leitão, irmã de minha mãe Gelza. Por sinal, Walter e Evangelina eram também meus padrinhos de batismo. Pois bem, certa vez, Walter ao chegar em sua casa, deparou-se com um amigo e compadre chamado José Joaquim de Oliveira, figura muito querida e conhecida na cidade de Assu,  sem camisa na sala de estar de sua morada. Ai Walter que além de espirituoso era também presepeiro (no bom sentido), foi logo tirando o sapato, a camisa, a calça, ficou só de cueca samba canção, insinuando tirá-la, para espanto daquele de Zé Pretinho que disse assim: "Mas, compadre Walter, o que está acontecendo?" - Walter de pronto, respondeu: "Seu negro filho da puta. É para você saber que o dono da casa sou eu?" Walter era proprietário de uma fábrica de pré-moldados (hoje de propriedade de seu filho Carlos Alberto, conhecido na intimidade como Juca). Um certo peão daquela empresa, certo dia se dirigiu a Walter...

PENSAMENTOS

- Saio de mim e às vezes me procurando. Perdão se me acho e assim as vezes fora de mim. - Cantai lindo pássaro. Cantai amorosamente a vossa alegria. Assim que se é pássaro. - A vida incide aflitivamente. É a concessão irrefreável. - Errar é comigo. Nunca acerto convosco. - Oh vida! Os teus milagres nem sempre são doçuras, mas não me dês tanto! Não me dês tanto, tanto! Não me dês tanto, tanta amargura. - Com esses olhos grossos de chuva eu quero chorar. Escreveu João Lins Caldas 

TERÇA FEIRA

"Quem seria aquele homem, bornal a tiracolo, pés metidos em botas inevitáveis, chapéu e gravata, espingarda, físico miúdo, parecido um bandeirante a procura de esmeraldas? Quem seria aquele homem, amigo e contemporâneo de Olavo Bilac, Da Costa e Silva, Alberto de Oliveira, Tasso da Silveira, Mário Pederneiras da Silva, Alberto de Oliveira, Hermes Moreira, Murilo Araújo, Hermes Fontes, Osvaldo Aranha, Lima Campos e José Geraldo Vieira? Quem seria aquele homem que amava os animais, convivia com eles, conversava com eles, como se fôsse o povorelo de Assis? Quem seria aquele homem, quase réplica de São João Batista (padroeiro do seu povo) comendo gafanhoto e mel silvestre, também como ele, um caniço agitado ao vento? Quem seria aquele homem que acreditava na encarnação e dizia e repetia que as palavras não se perderiam nunca, que um dia todas elas voltariam gravadas eletronicamente pelo absoluto? Quem seria aquele homem, abandonado ao sonho, sonhando frutos e legumes na mesa de todos,...

O ESPETÁCULO DAS ÁGUAS!

No instante em que presenciamos o espetáculo das águas do Rio Piranhas (de barreira a barreira, no dizer popular), Barragem do Assu, Açude do Mendubim e do Pataxó sangrando, deparamos também com as imagens dramáticas dos retirantes e desabrigados daquela região ribeirinha da várzea do Assu, agora castigado pela enxurrada que também destroi vilas, plantações e cidades. Um ano, dois, três, dez de seca, vem um ano de enxurrada. É assim o Nordeste brasileiro. E me faz lembrar o poeta matuto Renato Caldas que um dia, na sua aflição, escreveu o longo poema intitulado "Inxurrada Mardita", dizendo assim: Seu moço, inda me alembro... Me alembro cuma ninguém: - O tempo véio num léva Aquilo qui se quiz bem, Nem hai dinheiro qui págue Um amô qui a gente tem. Faz muito tempo, seu môço, Nós morava no sertão... E a sêca véia danasca Veio qui nem um ladrão: Furtando os verde das fôia, Rôbando ás águas do chão. E, a sêca, qui levô tudo, Qui quage acaba o sertão! Trôve alegria, seu môço Pru me...

INDIO JANDUI

Sou Janduí, sou da taba, Meu patrimônio, ele só, Riqueza que não se acaba, Tem a várzea e o piató Peixe, banho de lagoa Riqueza que se conta a mais, Bem vastos carnaubais. Filho da terra dileta O bravo de Curuzu Nosso, um destino poeta, Grandeza que é mesmo Açu. João Lins Caldas 17 de abril de 1967 (um dos seus últimos versos).