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SOB A TREVA Ontem de madrugada encontraram-se as duas, A minha e a tu'alma. Deserta rua entre as desertas ruas, Era a hora mais calma. Sem ver a minha que sozinha crava mãos trementes, A tua ia de frente. Súbito a minha súbito parava... Ali passava gente. Parado o olhar nas orbitas dormentes, A minha reparou Tinhas na tua as alvas mão trementes... Meu Deus! hoje o que eu sou. A verdade tão longe do meu sonho, Eu sonhava e te via O teu olhar, tão doce, tão risonho, Eu sonhava e te via O teu olhar, tão doce, tão risonho, Para mim que sorria. E agora és longe, e longe eternamente, Para mim és perdida. Baldado o sonho deste amor fremente... Baldada a minha vida. Não me valeu por toda a natureza Por tudo prourar, Provado o fogo da imortal beleza Quiz o fogo de amar. E do mundo tão belo, tão perfeito, - A terra prometida, Vi o céu da minha vida. E por tudo do tudo divisado Que se foi, que cresceu, Alguma cousa houve  com meu brado... Minha fé que morreu. (João Lins Caldas)
 DUROS GOLPES  Teria eu tempo te massacrado? Longe de mim toda primazia  Brilho só do sol que irradia  Atemporal vivo execrado  Quisera ser papel laminado  Útil, frágil, mas brilho teria  O sendo, um pouco iluminaria  Para depois ser fora lançado  Nesse mundo de um faz de conta  Conta o tempo e desconta  Tudo aquilo que se plantara A demência vem e esquecemos  Bem ou mal, o que colhemos  É tempo passando em nossa cara  Edivan Bezerra
Poema de MAURICE MAETERLINCK, com tradução de GUILHERME DE ALMEIDA:   BUSQUEI TRINTA ANOS, IRMÃS... Busquei trinta anos, irmãs, Ele, onde estará? Andei trinta anos, irmãs, Sem nem o avistar. Andei trinta anos, irmãs, E meus pés feri; Ele estava em tudo, irmãs, Sem nunca existir... A hora está tão triste, irmãs, Tirai-me as sandálias; Até a tarde morre, irmãs, E esta alma está mal... Tendes quinze anos, irmãs, Parti para além; Tomai meu bordão, irmãs, E buscai também...  (Tradução de Guilherme de Almeida) No original:   J’AI CHERCHÉ TRENTE ANS  J'ai cherché trente ans, mes sœurs: Où s'est-il caché? J'ai marché trente ans, mes sœurs, Sans m'en rapprocher... J'ai marché trente ans, mes sœurs, Et mes pieds sont las; Il était partout, mes sœurs, Et n'existe pas... L'heure est triste enfin, mes sœurs, Otez mes sandales; Le soir meurt aussi, mes sœurs, Et mon âme a mal... Vous avez seize ans, mes sœurs, Allez loin d'ici; Prenez mon bourdon, mes sœurs, Et cherch...
 CAMINHOS Em busca a ascender ao céu  Encontrei- me em muitos infernos. O meu céu cada vez mais distante  Infernos que não busquei Cada vez mais cativante. Quase me perdi... Mas quase não é perder  Aínda bem, Não estagnei  Busquei, busquei, busquei. Se não achei Levei a vida procurando. Procurando procurei Quantas vezes me perdi A vida toda procurei. Procurei, procurei  De procurar não parei Quantos infernos outros Em minha busca conquistaram-me  Porém o céu ainda busco E buscarei Mesmo que equidistante, Não o encontrei. Porém,   A minha VIDA crucis  Não desistirei - seguirei. Buscando. Buscarei, buscarei, buscarei. F. A. Medeiros
 FALAS NEGRAS  Negro no canto  Não na senzala  Voz de encanto Negra não é fala  Tua voz enebria  No espaço voa  Negro é poesia  No mundo ecoa  Negritude no tom  Com toda altivez  Barreira do som  És voz, és vez  Negro falando  Preconceito caindo  Negra gritando  Mundo aplaudindo  És navio gigante  Nas águas do mar  Amor flutuante  Se dando pra amar  Se a voz não tem cor  Só o preto se instala  Diz o pigmentador  Não cala negro, fala! Edivan Bezerra
AS VOZES DO SENHOR As vozes do senhor nos tocam. Nós é que, nem sempre, tocamos as vozes do senhor... As vozes do Senhor são nossas por toda a eternidade. Nós é que, nem sempre, por toda a eternidade, Queremos atender às vozes do Senhor. (João Lins Caldas, poeta potiguar do Assu/RN)