SOB A TREVA Ontem de madrugada encontraram-se as duas, A minha e a tu'alma. Deserta rua entre as desertas ruas, Era a hora mais calma. Sem ver a minha que sozinha crava mãos trementes, A tua ia de frente. Súbito a minha súbito parava... Ali passava gente. Parado o olhar nas orbitas dormentes, A minha reparou Tinhas na tua as alvas mão trementes... Meu Deus! hoje o que eu sou. A verdade tão longe do meu sonho, Eu sonhava e te via O teu olhar, tão doce, tão risonho, Eu sonhava e te via O teu olhar, tão doce, tão risonho, Para mim que sorria. E agora és longe, e longe eternamente, Para mim és perdida. Baldado o sonho deste amor fremente... Baldada a minha vida. Não me valeu por toda a natureza Por tudo prourar, Provado o fogo da imortal beleza Quiz o fogo de amar. E do mundo tão belo, tão perfeito, - A terra prometida, Vi o céu da minha vida. E por tudo do tudo divisado Que se foi, que cresceu, Alguma cousa houve com meu brado... Minha fé que morreu. (João Lins Caldas)