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LEMBRANDO ZEZINHO ANDRÉ

José André de Souza ou Zezinho André, como era mais conhecido, era uma figura admirável. Eu morei próximo a sua casa (da rua Senador João Câmara), que eu passei a frequentar ainda menino, lá pelos idos dos anos sessenta e começo de setenta, como amigo de toda sua família, principalmente dos seus filhos Reges e Rogério. Lembro-me dele, Zezinho, participando ativamente da memorável campanha política de 1962, quando Walter Leitão - Golinha (meu tio-afim), que tinha como seu vice-prefeito Francisco Assis da Cunha - Chico Pacaré, sogro de Zezinho, disputando a prefeitura do Assu, contra Maria Olímpia Neves de Oliveira - Maroquinhas, numa campanha da mais tensa e intensa que o Assu já viveu. Naquela eleição, Zezinho era candidato a vereador pela UDN - União Democrática Nacional, cuja bandeira no Assu, era empunhada pelo seu amigo e compadre, deputado e líder incontester Edgard Borges Montenegro. Na iniciativa privada, Zé André, como era também conhecido, teve vários sucessos. Foi grande come...

TIPOGRAFIA, JORNAL E TEATRO NO ASSU

João Carlos Wanderley foi quem em 1865, instalou a primeira tipografia no Assu. Olavo de Medeiros Filho (num artigo publicado no Jornal da Colônia Assuense, nº 3), depõe que "causava admiração o fato de a cidade contar com três tipografias, onde já havia sido impresso diversos jornais em épocas passadas, e nas quais eram publicados, em 1881, "O Brado", "Conservador", "O Jornal do Assu" e "A Cidade". - Este último circulou durante 25 anos, sobre a direção dos irmãos Palmério Filho, Otávio Amorim e Francisco Amorim, respectivamente diretor, redator e gerente. O primeiro teatro era denominado São José, inaugurado a 19 de março de 1884, instalado num casarão da rua das Flores (onde mora a viúva de Sandoval Martins), esquina com a atual prefeito Manoel Montenegro e a travessa Pedro Amorim. Depois veio o Tetro São João, inaugurado a 24 de fevereiro de 1892, funcionando até 1897, bem como o teatro Alhambra que fazia suas exibições cênicas num antig...

ELEVAÇÃO DO AÇU

De Freguesia de São João Batista, da Ribeira do Açu, começou o desenvolvimento daquela região. O povo criava gado, cultivava a lavoura e instalava as Oficinas de Carne de Seca (se não foi a primeira, pelo menos, foi uma das primeiras charqueadas do Brasil). No desenvolvimento da pecuária foi pioneiro Manuel Filgueiras que chegou na região com um pequeno rebanho, tornando um fator comercial de muita importância. "O movimento de carnes e coiramas atraia as Oficinas três a quatro barcos, todos os anos, trazendo mercadorias." (A República, nº 160, de 9 de abril de 1892). Depõe Nestor Lima que "em fins 1775 para 1776, a Freguesia de São João Batista "tinha quarenta léguas de comprimento por vinte de largura e o seu padroeiro já era o glorioso São João Batista." Elevou-se a município com a denomição de Vila Nova da Princesa, conforme Ordem Régia de 22 de julho de 1776. Foram, portanto, 57 anos de vila que tinha o seu próprio patrimônio, como terrenos e fazendas. Cels...

DE TABA-AÇU A CIDADE DE ASSU

Por volta de 1650 habitavam a região do Assu, os indígenas. Ficaram notabilizados de Janduís. Aquele lugar era denominado Taba-Açu, que quer dizer Aldeia Grande na linguagem Tupy-Guarany. Eram guerreiros, ferozes, supersticiosos e extremamente selvagens. Viviam quase nus, vestiam apenas uma pequena saia feita de palha de carnaubeira ou carnaúba (árvore nativa então abundante naquela região). Para sobreviver, os Janduís alimentavam-se de frutas, mel e raízes. Caçavam os veados (matavam e comiam somente as suas tripas cruas) e pescavam preferencialmente as traíras (peixe de água doce muito comum nos rios e lagoas). Até a década de 1686/1696 os indígenas punham em pânico as hostes portuguesas, atacando-as até as proximidades da Capitania do Rio Grande. Na chegado dos brancos, foram eles dominados e eliminados quase por completo. Foi uma guerra sangrenta que a história denominou de Guerra dos Bárbaros ou Guerra dos índios também registrado na história de Guerra do Açu. Agosti...

CONTO

SANTA TEREZA *Por Ivan Pinheiro Apressa menina, senão vamos chegar atrasados! - Gritou Dona Francisca para sua filha Tereza. A garota estava ansiosa e nervosa. Este dia era esperado há muito tempo. De família extremamente religiosa, ela tinha um sonho: se confessar com Frei Damião - o santo milagreiro do povo nordestino. A década de sessenta tinha sido difícil para os nordestinos: estradas precárias, falta de energia em quase todos os lugares, meios de transporte escassos, falta d'agua nos sertões secos... Este quadro foi diversas vezes bem retratado nas poesias de Renato Caldas, José Coriolano, Francisco Amorim, Chico Traíra e tantas outras feras da li-teratura poética que habitavam a região do Vale do Açu. A pequena comunidade de Juazeiro, onde residia à família de Dona Francisca ficou praticamente desabitada. Até o velho Lourenço que estava acometido de um forte reumatismo, viajou para a cidade do Assú numa carroça para participar da missão de Frei Damião e Frei Fernando, dois f...

POESIA

GARIMPEIRO DA ILUSÃO Tal qual, os garimpeiros, aventureiros, mergulhado, nas águas turvas dos ribeiros, a procura do ouro!... Eu, em vão procuro no caudal das minhas máguas um oculto tesouro. Trabalho noite e dia, a cata de ilusões... necessito apenas de alegria, pra amenizar minhas decepções! E, quanto mais procuro, mais escuro parece ficar o corrente das minhas fantasias. Na ansiedade de encontrar me aprofundo nás águas... Ao retornar, trago nas mãos lavadas e vazias... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . E a razão me diz: - Garimpeiro infeliz da ilusão, Por que?... e para que tanto labor?! Jamais terás a palma de encontrares no fundo da tu'alma, outra coisa a não ser, a SAUDADE e a DOR. Renato Caldas

O CABAÇO DE DASDORES ABRIU-SE EM BANDAS

*Por Gilberto Freire de Melo Quem não viveu, mas se aventurou pela várzea do Açu, certamente participou do crucial e ao mesmo tempo divertido processo de extração da cera de carnaúba. Ou, no mínimo, conviveu com a população afeita às tarefas dessa atividade. Na indústria rudimentar de extração da cera de carnaúba, havia, dentre outros, o processo de batimento para decolar o pó existente nas palhas que, depois de secas, eram transpotadas, em trincheiras, pelos homens e batidas, a cacetes, pelas mulheres, num processo trabalho manual feito à noite para evitar que os ventos prejudicassem a fixação do pó, que mais tarde seria transformado em cera, no piso que era igualmente forrado por lona para que não se misturasse com areia. Cada rachador tinha a sua ou as suas batedeiras, pois os mais habilidosos rachavam palhas para mais de uma mulher. Não havia trabalho mais árduo, porém, ao mesmo tempo, mais divertido. As pilhérias, as chacotas, os ditos, as brincadeiras amenizavam as asperezas e d...

POESIA

O VALÔ DO ANÉ Seu dotô, pode me crê: Se tenho aprendido a lê, Eu era dotô também. Pruque hoje na cidade, Nós só temo validade Pela péda qui o ané tem? Meu pai, era home pobre, Porém morreu como nóbre, Honesto e trabaiadô! Morreu no mez de Dezembro Ainda hoje eu me alembro... Cuma a cidade chorô. Era amigo da pobresa, Inimigo da avaresa, Cuma todo home de bem! Num media sacrifíço Para fazê benefíço... Num despresava ninguem. Veja a força do destino: Morreu... Eu fiquei menino Sem dinheiro pra estudá! Fui cantadô e poéta; Do mundo peguei a réta, Num queria trabaiá. Mas, graças a Providença, Tenho o ané da inteligença, Maió riqueza qui hai... Num precisô de inventaro. Sô rico, milionaro, Do que herdei de meu pai. Dotô, num é caçoada. O ané num vale nada, Sô mióra a posição! Parece uma coisa incrive, Quarqué um, compra no ourive, Por cem cruzeiro, um anelão. Olegaro Mariano Poéta pernambucano, Home de muito valô!... Entrô para a cademia, Amostrando a poesia, Não, o ané de dotô! ... Adeus d...

A PONTE FELIPE GUERRA E FRANCISCO GAAG

A ponte sobre o Rio Piranhas/Assu, denominada Felipe Guerra (ele foi bacharel em direito, desembargador, deputado constituinte, secretário de educação e ainda é nome de um município potiguar, na Chapada do Apodi). Aquela ponte começou a ser construída em 1948 e a sua conclusão se deu em 1952. Naquela época era o prefeito do município do Assu, Edgard Borges Montenegro. A sua extenção é de 555 metros. Ainda hoje é a maior ponte de concreto armado do Nordeste. Foi construída pelo técnico em carpintaria Francisco Gaag, de nacionalidade austríaca, naturalizado brasileiro. Gaag, a quem reverencio com saudades, foi o mesmo técnico que reconstruiu a parede do Açude Pataxó, em Ipanguaçu, quando esteve para ser arrombada, salvo engano, em 1966. Por sinal, naquela época, Seu Gaag, hospedava-se na casa de meu pai (em Assu) Edmilson Caldas que também trabalhou na construção daquela ponte. Ele, Seu Gaag, comentava que teria também participado da construção do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro). Fi...

CONTO

ACIDENTE UTÓPICO *Por Ivan Pinheiro Traga cerveja aí como quem trás oró pra burro!... Estão olhando o quê? Eu tenho dinheiro! - Gritou Aléxis para as mulheres presentes na sala central do "Mina de Couro". "Mina de Couro" era o mais caro e requintado cabaré de Coruripe, no Estado de Alagoas. Aléxis era um comerciante. Vendia mangalhos e telhas industrializadas no pólo cerâmico do Assú. Naquele dia ele tinha ido entregar trinta mil telhas encomendadas pela cooperativa de Pindorama. A carga foi transportada em um caminhão Mercedes trucado. Tão logo recebeu o pagamento. Aléxis quitou o frete do veículo e liberou-o. Retornaria à cidade do Assú, no Rio Grande do Norte, onde morava, de ônibus. Logicamente depois de umas boas farras. Todo entusiasmado, Aléxis jogou sobre a mesa um maço de notas de cinquenta reais atadas com ligas. Quando a putada viu o dinheiro, a animação tomou conta do recinto. Ele rapidamente recolocou o pacote de cédulas em sua boça capanga. - Meu filho...

SONETO DO POETA CALDAS

PRAGA Persigam-te meus beijos e carinhos. A bênção do amor e o coração da vida, Sejam de flores teus lindos caminhos... Estação da luz e estação florida. Que te comova o fazer dos ninhos E, em cada rosa de ilusão sentida, Longe da mágoa e livre dos espinhos, Palpite a tua imagem reflorida... Que cante em as noites luminosas, Dentro em teu seio, o teu sonho, vindo D'alma das flores do íntimo das rosas... E que teu nome só de luz imerso, Um dia seja no meu verso, lindo, A rica chave do meu triste verso. Publicado em Almanaque de Pernambuco, para 1909

POESIA

Aquela casa branca, edificada Sobre um alto, no meio do sertão, Parece uma igrejinha iluminada para a festa do amor e da ilusão. Aquela casa, em noite constelada Ou mesmo em dias quentes de verão Tem para mim sorrisos de alvorada E carícias de um terno coração. Vejo-a sempre cercada de verdura De borboletas e singelas rosas Como o reino dourado da ventura. Vivem nela, a sorrir, sempre vibrando Duas almasa felizes e ditosas Como um casal de pássaros cantando. Júlio Soares (Poeta do Assu) blogdofernandocaldas.blogspot.com

POESIA

Qual o remédio jocundo Que ao mal nos serve de escudo? "Fechai os olhos a tudo Sorrir de tudo no mundo." Foi esta a receita clara Que me deu certa vez interrogado Um homem que tinha achado coisa rara A ventura neste mundo. João Lins Caldas

O GRACIOSO CHICO DIAS

Francisco de Medeiros Dias, alcunhado de "Chico Dias", é uma figura querida e das mais espirituosas da cidade de Assu. Ele é cearense de nascimento e assuense por opção e escolha. Naquela terra do interior norte-riograndense ele chegou ainda menino de calças curtas. Lá, foi comerciário trabalhando na camisaria de seu primo também espirituoso chamado Oscarzinho Fernandes. Chico em Assu foi presidente do Grêmio Estudantil do Ginásio Pedro Amorim (da CNEG), fundou o Clube de Diretores Logistas (CDL), foi candidato a vereador por várias vezes, cabo eleitoral, comerciante e, atualmente é corretor de imóveis. Figura andarilha quando jovem. O Brasil ele conhece de ponta a ponta. "Era um romântico caminheiro". Pois bem, na década de noventa ou começo dos anos dois mil, salvo engano, foi instalado na cidade de Assu um novo hospital e um cemitério público ). Numa das campanhas políticas de Ronaldo Soares e Zeca Abreu candidatos a prefeito e vice-prefeito respectivamente, Chic...

VALE DE LÁGRIMAS

O escritor veríssimo de Melo no seu livro intitulado sob o título "Várzea do Açu", primeira edição, diz que a região do Assu "se por um lado possui todos os dons que a Natureza é pródiga em conferir-lhe, não deixa, vez por outra, de sofrer os revezes caprichosos do clima e do meio, levando ao desespero o grosso da sua população. pode ser, acertadamente, classificada como a "região dos contrastes". Quando não é inverno copioso, com as cheias torturantes, é a seca dizimadora dos rebanhos, provocadora da fome, arrebatando as famílias ao seio bom e sossegado dos lares, arruinadora do comércio e da vida em geral". Afinal, qual é a solução para resolver o problema das enchentes? Será que somente com a Barragem de Oiticica, no leito do Piranhas/Assu (o terceiro maior rio do Nordeste), pode evitar as enchentes no Vale do Assu? A Barragem Ribeiro Gonçalves foi projetada também com o objetivo de evitar as enchentes naquela região! Mas, como "não sou médico par...

LAGOA DO PIATÓ

Mas que beleza de fotografia que o renomado poeta fotógrafo assuense Jean Lopes produziu ao alvorecer naquele lago. Por sinal, postei aquela (uma obra de arte) foto no meu Orkut e, como não podia ser diferente, foram vários os comentários elogiosos. Aquela lagoa faz parte da minha juventude boêmia, prazenteira e feliz. Pois bem, comentando um pouco sobre aquela importante lagoa, segundo uma história muito antiga que a educadora e poeta Sinhazinha Wanderley conta (está publicado no livro de Walter Wanderley intitulado "Família Wanderley, 1965) que a "Lagoa do Piató contém muito ferro, razão pela qual a chuva, ainda mesmo pequena, ocasiona ali muito trovão. São 16 os riachos que correm para a lagoa, sendo os principais Pocinhos e Maniçabuais. No Piató, além da serra antiga, existe a chamada serra da Vaca Morta. Diziam os antigos que esta denominação fora dada por ter sido nesta serra onde morrera a primeira vaca no Assu. Havia mais dois serrotes denominados Serrote Pelado, que ...

SÓ TRISTEZA NA REGIÃO DO ASSU

O Rio Piranhas ou Assu, no Rio Grande do Norte, está "de barreira a barreira" como bem mostra a fotografia acima (extraída do "Blog de Juscelino"). Na foto podemos ver a ponte sobre aquele rio. Pena que a região do Vale do Assu se encontra em estado de calamidade. No começo do inverno, muita festa para os agricultores daquela promissora região de nome até internacional. Depois, só tristeza. No leito daquele rio está assentado uma grande barragem (segundo maior reservatório dágua do Nordeste), que foi construída com o objetivo de irrigar aquele vale, explorar a psicultura, além de evitar enchentes na zona rural daquela região, bem como nas cidades ribeirinhas do Piranhas. Afinal, desde 1983, data da sua inauguração pelo presidente Figuerêdo e pelo ministro Mário Andreazza, a Barragem Armando Ribeiro, não disse ainda para que veio! Para o turismo? Também não! blogdofernandocaldas.blogspot.com

ENCHENTE NO VALE DO ASSU

O poema de autoria do poeta matuto Renato Caldas intitulado "Desmantêlo", é uma realidade nos dias de hoje na região do Vale do Assu. Vamos conferir os versos do poeta adiante transcritos: Foi no princípe de Março: Inverno nem se falava! Só omentava o mormaço, Prumóde qui o Só baixava, Pra matá tudo queimado. O céo só se parecia, - Deus me perdôe a hirisia - Um prato azú imborcado. Me restava inda uma crença: Pois, pouco tempo fazia... Demenhã quando eu andava Nas verêda, nos caminho, Pra todo canto incontrava; Os ninho de passarinho. Adepois, já se falava, De inverno no Pioí, E, muita gente jurava, Qui a noite relampiava, No rumo dos Carirí. Um dia demadrugada, A barra vinha quebrando; Ouví o "Pae da cuiáda", Pulas quebrada roncando. Era justamente o dia, Qui nós todo, tinha fé. A nossa crença dizia: Na véspa de S. José, O inverno, terá pegádo. ... Num tive qui duvidá. Incuivarei meu roçado, Tava tudo apreparado... Só me fartava prantá. Daí, o tempo trancô-se. Chuv...

LUIZ CARLOS LINS WANDERLEY

Nota Luís Carlos Lins Wanderley (1831-1890), primeiro potiguar a se diplomar em medicina, pela faculdade da Bahia. Como político, Luís Carlos foi deputado provincial "e presidindo a administração da sua Província". Luis Carlos foi poeta, educador, jornalista, teatrólogo. Foi também o primeiro romancista norte-riograndense e o primeiro poeta do Assu, bem como presidiu o Senado da Câmara (de Assu) em 1869, quando a câmara (no regime monárquico) tinha o poder de administrar aquele município.  Fernando Caldas