quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

DE ASSU A MACAU

Conta-se os observadores que na cidade de Assu, no Rio Grande do Norte acontece de tudo, o que é uma verdade. Pois bem, no começo dos anos noventa, chegou naquela terra assuense, um exigente e ultrapassado Juiz de Direito. Aquela autoridade começou logo a dizer que não casava moça que vestisse calça comprida e com rapaz cabeludo, entre outras exigências. Foi o bastante para o poeta João Fonseca escreveu essa décima:

Nasceu no tempo da valsa
Cueca samba canção;
Eu não sei por qual razão
Não casa moça com calça
Vestido tem que ter alça
E terá que cobrir tudo.
Do contrário fica mudo
Em tudo bota defeito
Não quer ver bico de peito
E nem rapaz cabeludo.

Certa vez chegou na cidade litorânea de Macau (RN), certo representante comercial (cacheiro viajante). Na hora de fazer o pedido numa certa drogaria da cidade, escreveu Macau com a letra "L", no final. O dono do estabelecimento reclamou: "Moço, Macau se escreve com "U"., no final da palavra. O vendedor não se fez de rogado: "Mas, essa é muito boa! Natal que é Natal se escreve com "L", no final. Agora vem Macau querer ser diferente".

Fernando Caldas

PURUECA, UM BOÊMIO AUTÊNTICO

José Tarcísio Tavares e sua irmã Evangelina Tavares de Sá Leitão.



José Tarcísio Tavares ou simplesmente Purueca como era mais conhecido na sua cidade de Assu, era tipo magro, baixa estatura, bom de copo, boêmio inveterado. Teve a infelicidade de ter perdido na morte, seus pais Fernando Tavares e Maria Celeste Tavares num desastre aviatório do Rio do Sal, em 12 de julho de 1951, fato este que deixou a sua família atordoada. Estudou no Colégio Diocesano de Caicó e no 7 de Setembro, de Natal na década de cinquenta. No Assu frequentou todos os bares e botequins daquela cidade de tantos boêmios como ele próprio.

Purueca foi proprietário em parceria com Tarcísio Tavares da famosa Sorveteria denominada Ponto Chic, estabelecida na esquina com o antigo Banco do Brasil, em frente a praça Getúlio Vargas. Era o ponto de encontro da juventude assuense nos anos sessenta. 

Dele, em razão do seu temperamento explosivo, ignorante, qualquer coisa que lhe desagradasse dizia um nome de baixo calão, conta-se que certo amigo lhe fizera uma proposta numa mesa de bar, madrugada a dentro: "Purueca, eu pago a despesa se você passar cinco minutos sem dizer um nome imoral!" Tá fechado, pode marcar no seu relógio!" - Quando foram já se aproximando do cinco minutos, não suportando mais esperar", explodiu: "Os ponteiro da porra deste relógio não roda, não?" - E Purueca foi obrigado a pagar toda a despesa.

Em tempo: Ele, Purueca, era meu tio pelo lado materno.

Fernando Caldas



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

POESIA PIRASSUENSE:

FACES SEM SORRISO

Menino qual o teu nome,
Que tens uma angústia louca?
Foi o cabresto da fome
Que amordaçou minha boca,
Pois no meu nome senhor
Só há desespero e dor,
Tristeza e desolação,
O meu nome nada importa
Fico a soleira da porta
Pedindo a esmola de um pão.

E aquele rapaz, quem é
Que está ao pé do serrote?
É o meu irmão José
Que foi dar água ao garrote;
Chega José paciente,
Senta-se ao mesmo batente,
Vago olhar amortecido,
Na palidez do seu rosto
Tinha a força do desgosto
De um jovem desiludido.

O André chega também,
Antônio, Ambrózia e Tereza
Cada rosto uma tristeza,
Só alegria não vem
A pobre mãe numa rede
Embala o pé na parede
O filho mais pequenino,
Dois ou três meses de idade
Mais é na realidade
Vítima do mesmo destino.

Esse pequeno inocente
Sem brilho nos olhos seus
Sofre por culpa de Deus?
Não. Culpa dos homens somente,
Os homens sim, são culpados
Que aos filhos dos desgraçados
Lançam os grilhões da miséria
De Deus, não, a culpa é deles
Como se não fossem eles
Filhos da mesma matéria.

Autor: Francisco Agripino de Alcaniz - Chico Traíra.
Fonte: Espinhos e Flores da Minha Terra/1986.
Ilustração: Pintura de Bartolomé Esteban MURILLO - conhecida como "o jovem pedinte" (c. 1650).

UM POUCO SOBRE O GINÁSIO PEDRO AMORIM

Antiga Carteira de estudante pertencente ao editor deste blog.


O Ginásio Pedro Amorim, de Assu/RN, pertencia a CNEG - Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, atual CNEC. Na cidade de Assu fora instalado ainda no início de sessenta. Padre Hélio foi seu primeiro diretor. Aquele educancário funcionou no Instituto Padre Ibiapina, no Colégio Jk e, por último, onde hoje está assentado o Campus Avançado do Assu, da UERN. A carteira de estudante acima é uma relíquia (peça de museu), data de 1971. Era seu diretor naquele tempo (1971), dr. Noé Rogério da Costa e o presidente do Grêmio era o Sr. Francisco de Medeiros Dias (Chico Dias). Além de padre Hélio e Noé Rogério foram seus diretores, João Marcolino de Vasconcelos, Adonias Bezerra de Araújo, dentre outros. Há informações que em 1961 foi professor de Latim naquele educandário, Padre Alfredo Simonette. Fica, portanto, mais um registro da memória do Assu.

Fernando Caldas

JOÃO MOACYR DE MEDEIROS, O POETA


João Moacyr de Medeiros era natural de Assu, interior norte-rio-grandense, e carioca por adoção e escolha. Poeta, intelectual. Passou quase toda a sua vida no Rio de Janeiro, convivendo com grandes nomes das letras brasileira. Na capital fluminense, conviveu com grandes figuras dos meios empresarias e das letras brasileiras, como o potiguar Antônio Bento, um dos maiores conhecedores e críticos de arte moderna no Brasil. A sua vida fora recheada de privilégios que Deus lhe deu por merecimento.

Moacyr estudou o primário no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, da sua terra natal. Filho de José Lúcio de Medeiros e Maria Francisca Caldas de Medeiros. Seu pai fora chefe dos Correios do lugar então denominado Sacramento, que depois veio a ser município de Ipanguaçu/RN,

Na década de trinta, Moacyr passou a morar na cidade de Natal,, estudando no velho Atehenei, da rua Junqueira Ayres, da capital natalense. Foi contemporâneo do brilhante advogado Raimundo Nonato Fernandes.

Em fins de 1930 Moacyr regressou ao Recife com o objetivo de estudar o curso pré jurídico que somente veio a concluir já estando no Rio de Janeiro, no Colégio Universitário (Universidade do Brasil), em 1946.

O seu coração era dividido (ele conheceu o mundo quase todo) entre o Rio de Janeiro, Natal, Assu e Ipanguaçu, onde tinha uma empresa agrícola de porte, na propriedade agrícola que ele herdara de seus pais denominada Veneza", 1965 com o longo poema produzido em data de 1937, quando ele tinha apenas 16 anos de idade e que deu o título de "Aspiração" como podemos conferir adiante:

Que ância de ser montanha!
que desejo febril dentro em meu peito vibra,
e o faz estremecer, palpitar, fibra a fibra
e louca agitação da alma, impetuosa estranha!
Existe junto ao mar, nunca, ó minha alma, ouvindo
a fragorosa música das águas!
... rugidos vãos de dor, lamentações de máguas,
do oceano, em convulsões, seus pesares carpindo!...
que delícia a de ter a alma petrificada
num bloco de granito, ou cordilheira imensa,
que não ama, e não sente, e não sofre, e não pensa.
Ter um' alma de pedra e um coração de pedra!
e inerte, unir-me à rocha, onde, como um lençol
de veludo esverdeado,
as carícias do Sol
abrasador do estio, o tenro musgo medra!...
Ser montanha!
e passar pela vida indiferente à vida,
indiferente ao mundo, a tudo indiferente,
numa infinita calma...
sem uma agitação do coração, ou da alma,
insensível à dor que a humanidade agita,
- numa inércia sem fim... numa calma infinita...
Não senti a tristeza atroz de um Sol no poente!...
- o funeral de um rei, no derradeiro aceno
ao dia que fugiu...
- É que a pedra não vê, é que a pedra não sente
a mágoa que maltrata o coração da gente!...
- a dor cruciante da Saudade, esse veneno
delicioso que emana a hora crepuscular,
ou vem nos raios lânguidos do luar
quando surge da bruma,
e faz vibrar dentro de nós, uma por uma,
como em deserta fonte o soluço das águas,
as sinfonias lúgubres das mágoas!...
Ser montanha! e possuir, por templo - a Natureza,
e por manto - o infinito azul do firmamento,
de um diadema de estrelas aljofrado,
na sideral beleza
das noites em que o luar, nostálgicos e prateado,
vem surgindo, a flutuar nos espaços... e o vento
geme tristes canções nas folhas dos coqueiros
erguidos para o céu, como reis, sobranceiros!
- Não ser Homem! ser pedra! a extraordinária algema
da existência quebrar, estrangulando a Vida,
- o caminho da Dor, da própria Dor nascida!
.
A propósito daquele poema, o renomado professor norte-rio-grandense Henrique Castriciano, num artigo publicado em A República, de Natal, de 2 de agosto de 1941, diz nas suas palavras iniciais, o seguinte: "Menino, você será um dos maiores poetas do Rio Grande do Norte (...).

Fernando Caldas

SAIBA COMO ABRIR UMA GARRAFA DE VINHO SEM SACARROLHAS

SERVIDORES FEDERAIS USARÃO NOVO TETO PARA PRESSIONAR GOVERNO

Vera Batista

Correio Braziliense     -     28/12/2014

Com apoio do alto escalão, categorias iniciarão 2015 reforçando a pauta de isonomia salarial entre os Poderes

O alto escalão de servidores dos poderes Legislativo e Judiciário, que já provou ser capaz de atrapalhar planos de cortes de gastos na máquina pública, lançou uma bomba no colo da nova equipe econômica. As categorias desobedeceram a orientação de aplicar reajustes com base no orçamento disponível, ou seja, em não mais do que 15,8%, conforme decidido após a greve de 2012. No apagar das luzes de 2014, porém, os salários foram aumentados levando em conta a inflação dos últimos quatro anos. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do Ministério Público da União (MPU), além de deputados e senadores, passarão a ganhar R$ 33.763 mensais.

O mau exemplo de cima se espalhou pela Esplanada e, em 2015, servirá de barganha por lideranças sindicais nas estratégias das campanhas salariais. Não será a primeira vez que os passos das “excelências” serão seguidos. A chamada “isonomia de ganhos e direitos” talvez seja a principal bandeira defendida no Executivo, com o reconhecimento da data-base e a revisão geral dos salários para servidores federais, estaduais e municipais.

Às vésperas do recesso de fim de ano, representantes de várias categorias levaram a indignação pela desigualdade no peso dos reajustes ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski. No encontro, alegaram a importância de recompor o poder de compra dos servidores diante da carestia — argumento compartilhado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Os sindicalistas querem o apoio de Lewandowski no julgamento do Recurso Extraordinário (RE), nº 565089 — emperrado desde 2007 —, que contempla o direito ao reajuste anual.

Estiveram representados na conversa entidades como a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), os sindicatos nacional dos Servidores das Agências Reguladoras (Sinagências), dos Servidores Federais da Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe) e dos Peritos Médicos Previdenciários (Perícia Sindical). Advogados e técnicos contaram com o auxílio de economistas da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Brasília.

A súplica dos servidores teria surtido efeito. Segundo a Condsef divulgou em nota, Lewandowski comprometeu-se a colocar o assunto na pauta tão logo a Suprema Corte retome os trabalhos, em fevereiro. O presidente recomendou, ainda de acordo com a confederação, que o ministro José Antonio Dias Toffoli também fosse procurado, uma vez que foi ele quem pediu vista do processo, adiando o julgamento. Por enquanto, três ministros se declararam favoráveis e quatro foram contrários à data-base para todo o funcionalismo. Seguem em aberto os votos dos ministros Toffoli, Lewandowski e Celso de Mello. “A falta de revisões remuneratórias permanentes a empregados públicos cria  divergências com o setor privado e tratamento injusto”, sustenta a Condsef.

Os esforços dos servidores concentram-se na retomada do diálogo com o governo, a partir do momento em que a nova equipe econômica tomar posse. Após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), representantes procuraram a equipe de transição. “A expectativa é que Nelson Barbosa (novo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão) tome a iniciativa e convoque audiência para dialogar pendências e ouvir as reivindicações mais urgentes. Os servidores também esperam que a presidente Dilma honre o debate sobre a agenda propositiva aprovada durante a campanha”, informou a Condsef.

Balanço

Os sindicalistas prometem intensificar as pressões por reajuste e se animam com interpretação de que a grande paralisação de 2012 rendeu resultados positivos. Um balanço de greves, elaborado pelo Dieese, reforça que os movimentos nascem, quase sempre, justamente pela ausência de revisões remuneratórias periódicas.

Desde 1978, indica o levantamento, já ocorreram 873 greves. “O resultado confirma a tendência de aumento a partir de 2008. As informações da série histórica também revelam que o total de greves cadastrado em 2012 é o maior desde 1997 e que o total anual de horas não trabalhadas é o maior desde 1991”, detalhou o Dieese.

O balanço aponta ainda que, no período analisado, somaram-se 409 greves na esfera pública (47% do total) e 461 na privada (53%). O total de horas paradas no funcionalismo (65,4 mil), no entanto, superou o registrado no setor privado (21,2 mil). “É preciso mencionar o fato de que as negociações na esfera pública são bastante complexas, envolvendo vários órgãos e instâncias, além do Judiciário”, ponderou o estudo.

O Dieese listou as principais reivindicações. Quando se trata de funcionalismo público federal, em 86% dos casos as greves envolvem pedidos de reajuste salarial. Em seguida no ranking, aparecem as exigências de cumprimento de acordos ou criação e de planos de cargos e salários (46%), seguidas de pedidos de melhorias das condições de trabalho e concurso público (13%) e fixação, manutenção ou alteração da data-base da categoria (11%).

Postado por 
http://servidorpblicofederal.blogspot.com.br/

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ROGACIANO LEITE X CEGO ADERALDO

Rogaciano Leite


Cego Aderaldo 

O poeta-violeiro, jornalista Rogaciano Leite (Itapetim, Pernambuco, 1920 – Rio de Janeiro, 1969), poeta-violeiro, jornalista. Era filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade, quando desafiou, na cidade de Patos, Paraíba, o cantador Amaro Bernadino.

Rogaciano Leite não foi apenas um poeta popular, não. Escrevia versos eruditos, sonetista da maior grandeza. Conta-se que até mesmo o soneto, ele improvisava. Foi amigo do poeta recifense Manuel Bandeira, morou no Rio Grande do Norte, Ceará e Rio de Janeiro.

O músico Silvo Caldas, em História da Música Popular Brasileira, 1884, conta que certa feita, Rogaciano cantava com o conhecido e afamado poeta-violeiro chamado Cego Aderaldo [Aderaldo Ferreira de Araújo (Crato, 1878 — Fortaleza, 1967) numa feira livre da cidade do Recife. Rogaciano, ao ver aquele cantor seresteiro com quem ele, Rogaciano tinha o prazer de gozar da sua amizade,  se aproximar,  abriu o verbo, a título de debochar com Aderaldo, dizendo assim: - "Estou cantando com este velho, este velho que não serve pra mais nada, que já devia está numa rede todo enferrujado...”. - Aderaldo não se fez de rogado, improvisou a seguinte sextilha, conforme adiante:

Andei procurando um besta 

Um besta que fosse capaz
E de tanto procurar um besta
Encontrei esse rapaz
Que nem serve pra ser besta 
Porque é besta demais.

JOÃO LINS CALDAS NA NOROESTE DO BRASIL

                                                         Imagem: flickr.com - Antigo vagão da E. F. Noroeste do Brasil.

João Lins Caldas [poeta potiguar do Assu] era funcionário público do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro. Entre 1927-30, esteve em Bauru, interior de São Paulo trabalhando na administração da  Estrada de Ferro Noroeste do Brasil - NOB, na função de escriturário, também conhecida popularmente como o "Trem do Pantanal". Aquela ferrovia que no começo era de iniciativa privada, passou a partir de 1917 a ser controlada pela união. O trem partia de Bauru, seguindo em direção noroeste a Mato Grosso [hoje Mato Grosso do Sul]. Pois bem, Caldas logo que chegou na terra baruense, assumiu o emprego e logo também começou a investigar irregularidades praticadas por pequenos funcionários e diretores daquela companhia. Não aceitando desmando no serviço público federal começou a denunciar através de ofícios e telegramas ao Ministro da Viação e Obras públicas José Américo de Almeida e ao presidente Getúlio Vargas cujas denuncias. Foi o motivo maior para a sua aposentadoria precoce, por decreto de Getúlio Vargas que queria a qualquer custo, vê-lo distante da capital federal, do sudeste do Brasil, fazendo com isso, o seu retorno ao Rio Grande do Norte, o que veio a ocorrer em 19333.

O bravo Caldas [nada o intimidava] usava até mesmo da sua arte de poetar para registrar os apadrinhamentos, os abusos praticados naquela ferrovia que o deixava indignado, conforme podemos conferir no longo poema [muito atual] intitulado Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, escrito em em terras baruense, 1927, que transcrevo adiante:  


Bauru. Nobreza da Noroeste.
A Cabeça tem corpo e Bauru tem cidade...
Capadácios, com milhares de contos.
Cafezais que vão longe, rumo de Mato Grosso...
 - E quando, enfim, tudo já desbravado...
As madeiras que se perdem, podres nas plataformas
Aqui e ali um assassinato.
Outro, um chefe político...
E mais o tom doutoral de um professo ser termos...
Ah!  Eu conheço isto,
Eu também que tolero tantas cousas.                                           
Vi a barranca do Paraná.
A ponte como torre.
E vi o orgulho da diretoria
Engenheiros sem construções, fardados nos seus empregos.
Eu, pobre de mim, funcionário da engenharia...
Outros professam melhores empregos.
Há a hora da política, com liberdade e compra de votos.
Circulares de armas afeito que ninguém vê nas repartições.
Um voto? Votar não se pode, quando a idéia é um pouco de encontro ao governo.
E o mais que se vê é a musica de pancadaria.
Mas é, um pouco, para armar por fora.
Eu sei, não logro uma promoção.
Não sei, não ouso pedir, tem o filho do senhor diretor.
Guia, quase, um automóvel.
Um pirralho, meu Deus, e eu que não vejo olhos tão inteligentes!
Musica sim, para quase tantas verbas!
Um criado é que sabe ser um ser inteligente.
Aquele, ali, promovido?...
Tem, com certeza, o seu valor...
O valor com certeza é ir a casa de quem se agrada...
Que casa linda, aqui, a do senhor diretor!
Os casamentos se fazem como em nobreza...
Esta terra, que jeito de nobreza ela guarda nos gestos!
Os capitães assassinos de inteligências intensificadas...
E ah! Como bem aqui se paga imposto!/ As ruas estão arruadas...
Um pouco, com as árvores que se cortam das ruas...
Calçamentos, do bom, do dinheiro do povo...
Orçamentos que não se vêem a passar de mil contos...
Anda bem, o povo mesmo é que não sabe nada...
Paga, paga outra vez...
Gritar? Isto é para mais uma vez o calçamento...
Histórias da Noroeste do Brasil
O que se ronca, palavreado por fora.
Regulamentos, leis, para o registro de folhas...
Este que tem a sua casa, ali, num pacote de velas...
Ali, também, aquela casa de comércio.
Essa outra com o seu associado.
Negócios para a estrada e negócios da estrada...
Escritos que me recordam a segunda seção...
Ah, mas no fim que dá certo.
Ó belas cousas da Noroeste!
Propinas da seção de embarque...
Os basbaques lá vão, eu sou bastante que ainda trabalho...
Eu sou basbaque, cumpro um dever.
Eu basbaque, tenho um dever.
Malha, martelo, malha este malho.
Noroeste do Brasil, minha paixão! 
Propinas da seção de embarque
- Os basbaques lá vão, que eu sou basbaque e sem que trabalhem...
Que dirá o diretor do tráfego,
Negócios por esta Noroeste,
Um sobrinho em negócios - Eu sei um pouco da fiscalização -
Mas vamos, sou poeta, e me falta um dever
Tenho um dever, e sem adulação.
Malha, martelo, bata no chão.

Postado por Fernando Caldas


Em tempo: O referenciado poema é parte integrante da Tese de Doutorado da professora Cássia Matos da UERN. 

CONTO:

A OUTRA

Maria das Virgens era mais doida do que pedra de funda. Vivia proclamando aos quatro ventos que jamais se casaria. preferia ser "A Outra" e espalhar lágrimas ao redor.

Seu último caso de amor foi com o marido de Das Dores, aquela que colecionava vidrinhos de lágrimas.

Após longos meses de união extra conjugal, João disse à amante:

- Maria das Virgens, tenho algo a lhe dizer.

- O que? Que fala de mistério!

- É isto. Quero lhe comunicar que o nosso caso de amor chegou ao fim...

- O que?! Vai me abandonar?

- Cansei, querida, mas "enquanto durou foi bom". Não desejo contrariar mais Das Dores. Ela já derramou lágrimas demais por mim. Não quero mais magoá-la.

- E eu?

- Se vire. Não lhe faltarão amantes com essa fogueira de seu corpo. Aprendi demais com você e cheguei a conclusão de que a meiguice e a doçura valem mais numa mulher, do que a volúpia vertiginosa do sexo...

- Está certo, mas eu já me vinguei por Das Dores. Diga a ela, que quando lhe acariciar, que passe as mãos em sua testa, e veja quantos chifres lhe botei... Tá?
*-*
Autora: Maria Eugênia Maceira Montenegro 
(*07/12/1915 - +29/04/2006 - aos 90 anos de idade). Natural de Lavras/MG. 
Cidadã assuense e Ipanguaçuense. Imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras. 

PADARIA SANTA CRUZ







Imagens do blog Página R.

A Padaria Santa Cruz era de propriedade de Etelvino Caldas, na década de vinte e trinta, depois dos irmãos Solon e Afonso Wanderley. Nos anos quarenta, cinquenta sessenta e até o começo de setenta, produzia o melhor pão e bolacha da cidade de Assu. Hoje aquela panificadora é de propriedade de João Gregório Junior? A bolacha e biscoito denominado Flor do Açu (em formato de UMA flor), é uma delícia, ainda hoje produzida por outra padaria de propriedade de Toinho Albano. Naquelas décadas era o ponto de encontro amistoso para uma  uma boa prosa, dos barões da cera de carnaúba,  influentes políticos da região, intelectuais, poetas da cidade. Eram seus assíduos frequentadores  frequentadores as figuras como Zequinha Pinheiro, João Turco, Minervino Wanderley, Major Montenegro, Fernando Tavares (Vem-Vem), Luizinho Caldas, além dos irmãos Edgard e Nelson Montenegro, Walter Leitão, Edmílson Caldas, Renato Caldas, Francisco Amorim, dentre outros. Antes  dos irmãos Solon e Afonso, aquela padaria pertencia ao Senhor Enéas Dantas, pai do poeta Renato Caldas.

Aquela panificadora fora palco de muitas estórias pitorescas, muitas delas construídas em formas de versos, de rimas. (Esta estória não tem o intuito de denegrir a imagem de politico, apenas tem o sentido humorístico). Pois bem. Certa vez (era época de eleições para governador), Renato Caldas que não perdia a oportunidade para glosar, ao chegar naquele estabelecimento comercial deparou-se com uma fotografia de Frei Damião ladeado por dois candidatos ao cargo de governador e vice governado, Não deixou para depois, escrevendo:

A culpa não compromete
Ao cidadão inocente,
Mas, quando diariamente,
Essa história se repete
Deus é bom e não promete,
Também não tem distinção,
Ele que tem mil razões
Sobradas de se vingar,
Consente Solon botar
Um justo entre dois ladrões.

Fernando Caldas

MAL ENTENDIDO NA FARMÁCIA

A Farmácia Potengi é uma das mais antigas da cidade de Assu/RN. Aquele estabelecimento é mais conhecido como Farmácia de João Branco, seu então proprietário. Pois bem, certa vez chega naque estabelecimento certo senhor todo abusado, com uma crise de hemorroida. "Pirulito" era o apelido do competente balconista que, pela experiência que tinha, indicava o remédio certo para qualquer enfermidade. O fregues solicitou a João Branco: "Seu João, me indique um remédio pra hemorroida. João Branco respondeu ao cliente: "Só com Prirulito!"  - O cliente esbravejou na horinha: - "Soque você, seu filho da mãe!"

O INTELIGENTE E O SABIDO

Há duas categorias de pessoas, que sobretudo no Rio Grande do Norte, merecem um debruçamento maior, uma atenção mais atenta, um enfoque mais aproximado: o inteligente e o sabido.
O inteligente é como grão. Se não morrer, será infecundado. A fecundidade do sabido é feita de cotidianidade dos seus sonhos.
O inteligente é aritmético. Consegue sobreviver. O sabido  é geométrico. Quase sempre vive sobre.
O inteligente é polivalente na ordem do conhecimento. O Sabido, na ordem do aproveitamento.
O inteligente é grosseiro às vezes, mais humano, profundamente humano. O sabido se irrita mas é sempre fino. Fino e aderente. Sobretudo ao poder. E quando eu falo em Poder, não me refiro pura e simplesmente ao sistema. Me refiro ao poder podendo. Feito de números. Sobretudo de números.
O inteligente pode ser desligado. O sabido nunca.
O inteligente gosta de se encontrar com velhos amigos. O sabido prefere localizar novos. Se vão lhe render dividendos.
P inteligente é simples. O sabido é complexo. Chegar a ele, às vezes não é fácil.
O mundo é dos sabidos. A vida, dos inteligentes é complexo. Chegar a ele, às vezes não é fácil.
O mundo é dos sabidos. À vida, dos inteligentes. Na sua intensidade.
A ambição do inteligente é limitada. Porque limitada, nem consegue ser ambição.
O sabido é sobretudo ambicioso, explicação maior do seu sucesso.
O inteligente poderá ser sábio. O sabido, nunca.
A fé do inteligente é escatológica. Do sabido, circunstancial.
O inteligente não consegue ser audaz. A ousadia porém, é o oxigênio do sabido.

___________Em Apesar de Tudo, 1987, José Luiz Silva.

Mário Quintana - Ah! O Amor... - Texto Maravilhoso!

Precisamos sempre mudar, renovarmo-nos, rejuvenescer; caso contrário, endurecemos.....
Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.

Goethe


CREIO

Creio na beleza do teu porte,
Na doce floração do teu receio.
Creio, feliz, no teu melhor anseio
E creio-me feliz por ver-te forte.
Creio em teus olhos divisar meu norte
Nos teus olhares julgo ler mais forte.
Creio na fé de ter nos teus afetos
Nos teus sorrisos doces, prediletos,
Na luz que vem seus divisar escolhos...
Na serena visão dos teus castelos...
Na pureza infantil dos teus desvelos
Creio na prece muda dos teus olhos.
 

João Lins Caldas
Natal, 1909




AirAsia havia se gabado em abril de que seus aviões 'nunca desapareceriam

Do UOL, em São Paulo

Artista Sudarshan Pattnaik finaliza escultura de areia na praia de Golden Sea, na Índia, em homenagem aos voos QZ8501, da AirAsia, e MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceram na Ásia
  • Artista Sudarshan Pattnaik finaliza escultura de areia na praia de Golden Sea, na Índia, em homenagem aos voos QZ8501, da AirAsia, e MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceram na Ásia
Um texto publicado na revista de bordo da companhia aérea AirAsia em abril deste ano afirmava que suas aeronaves "nunca desapareceriam" -- numa referência irônica ao sumiço do voo MH370 da sua concorrente asiática Malaysia Airlines.
"O treinamento dos pilotos da AirAsia é contínuo e minucioso", dizia o artigo. "Esteja seguro de que nosso capitão está bem preparado para garantir  que seu avião nunca desapareça. Tenha um bom voo!".
Na ocasião, a companhia teve de pedir desculpas publicamente devido à controvérsia gerada pelo texto, meses antes do desaparecimento de seu QZ8501 no último sábado.
Datuk Kamarudin Meranun, diretor executivo da AirAsia e editor da revista "Travel 3Sixty" expressou seu "profundo pesar" pela polêmica, mas alegou que a revista havia sido levada à impressão antes do desaparecimento do MH370, em 8 de março. 
Aeronaves e navios de quatro países participam das buscas pelo Airbus da companhia, que ia de Surubaia, na Indonésia, para Cingapura quando desapareceu dos radares próximo a Bornéu, 40 minutos após a decolagem. Entre tripulantes e passageiros, 162 pessoas estavam a bordo. 
O diretor da agência indonésia de busca e resgate, Bambang Soelistyo, levantou a possibilidade de que ele esteja no fundo do mar.
"As últimas coordenadas foram no mar, portanto é possível que se encontre no fundo dele", declarou Soelistyo em entrevista coletiva no aeroporto de Jacarta.
"É inacreditável", afirmou durante uma entrevista coletiva ao lado de outros executivos da empresa. "Nós esperamos que a aeronave seja encontrada rápido e que possamos descobrir a causa do que aconteceu."
O MH370 desapareceu quando ia de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China. Mais de nove meses depois, nenhum destroço foi localizado. As principais buscas ocorrem numa área próxima à costa oeste da Austrália. (Com agências internacionais)
Ampliar

Avião da AirAsia desaparece em voo entre Indonésia e Cingapura32 fotos

25 / 32
29.dez.2014 - Mulher reza por familiares que estavam a bordo do voo QZ 8501 da AirAsia, nesta segunda-feira (29), no aeroporto internacional de Juanda, na Indonésia. O avião com 162 pessoas a bordo perdeu contato com a torre de comando em Jacarta, na Indonésia, cerca de 40 minutos após a decolagem. Este é o terceiro grande incidente envolvendo uma companhia malaia neste ano Leia mais Manan Vatsyayan/AFP
Leia mais em: http://zip.net/bbqxtV

Sei dos teus novos amores  Tudo timtim por timtim;  Dizes, que tal... e que não;  Eu sei, que tal... e que sim.  Sei que déste aos teus...