quinta-feira, 11 de março de 2010

LOURENÇO, O SERTANEJO

O título acima é do livro da escritora assuense Maria Eugênia Montenegro. Um romance cujo personagem principal é o abastardo fazendeiro dos sertões do Assu Epifânio Barbosa falecido, salvo engano, no começo da década de setenta, encarnado em Lourenço. Vamos conferir para o nosso deleite, o primeiro capítulo do referenciado livro, transcrito adiante:

"Na aridez das caatingas, Lourenço viu-se jogado no mundo. De estatura mediana, saudável, inteligente, rosto largo e moreno, era figura popular no Vale do Açu, a rica região onde as carnaubeiras, com seus leques entreabertos, emolduram de verde os longínquos horizontes, ao abano constante dos ventos.
Herdara os ancestrais a tenacidade na luta pela vida. Corpo rijo, espírito forte, aceitava com alegria ou sem armagor, tudo o que a vida lhe oferecia em suas variadas contingências.
Ali nascera e se fizera homem. Integrado à terra natal, como os verdes juazeiros, que heroicamente resistem a todos os ventos, Lourenço, ali, possuía raízes como as agigantadas ávores que não poderiam ser transplantadas. Não se aclimataria jamais em qualquer lugar.
Na fazenda do Coronel Moisés, empregara-se no verdor dos anos. De caráter definido, impulsera-se às simpatias do patrão.
Certo dia, o Coronel, homem violento e desconfiado, mandara-o chamar. Na latada de palha de Casa Grande, ao balanço da rede de varandas brancas e de limpeza duvidosa, ordenara-lhe:
- Lourenço, quero que vá pastorear o Compadre João. Ando desconfiado com aquele cabra... está roubando cera no armazém.
- Coronel, o João é incapaz de uma safadeza dessas. Não merece a sua confiança. Que o Patrão me desculpe, mas não posso lhe atender. João é meu amigo. Conheço-o muito bem. Perdoe-me a franqueza.
- Mas, Lourenço, é uma ordem que lhe dou.
- Sim, Patrão, mas antes de obedecer suas ordens, eu obedeço a minha consciência. E ela me diz que eu não vá.
- Moleque atrevido! Ou me obedece ou vai embora. Dou-lhe duas horas para resolver.
- Certo, Patrão; Eu saio. Antes, porém, quero-lhe dizer: está vendo este sol que nasce atrás daquela serra, este sol que nos dá luz e dá calor? Pois ele nasceu pra todos, Coronel. Está vendo, também, este céu azul e bonito, todo pintado de branco? Pois pode servir também de latada para um pobre sertanejo... Esse mundo dá muita volta, Coronel. Um dia podemos nos encontrar. Adeus! Não tenho raiva do senhor. Dê lembranças à Patroa, ao Seu Patrício, ao André...
Altivo, Lourenço saiu batendo o rebenque na calça de couro cru, retinindo esporas. Desamarrou o cabresto do alazão preso à cancela e seguiu esquipando rumo à casa paterna."

SERTÃO

Por Renato Caldas, poeta matuto de Fulô do Mato

Conheço com os olhos, o paladar e pé, o meu sertão. Os meus ouvidos já escutaram os gritos abafados pela fome de uma população flagelada e os arpejos sonoros de uma viola pontilhada; os meus olhos já viram os rios transbordando e já viram também, nos bebedouros esturricados, o gado morrendo de sede! Vi e senti o sertão: povo, solo, clima e paladar do seu trabalho.


Fernando Caldas (Fanfa) - 84.99913671

quarta-feira, 10 de março de 2010

TURISMO POÉTICO DE RENATO CALDAS PELA TERRA POTIGUAR II

IPANGUAÇU, que desfraldas
No tronco velho dos Caldas
A bandeira do civismo,
Luiz Gonzaga morreu,
Porém lutou e venceu
A sanha do comunismo:

CARNAUBAIS, na verdade
Enfrenta a dificuldade
Da seca e da alagação:
Com a mesma indiferença,
Porque o seu povo só pensa
Em lutar pela nação:

Ó minha AUGUSTO SEVERO,
Quanto te adoro e te quero:
Presente que Deus me deu,
Tenho profunda afeição
Por essa nesga de chão,
Onde minha mãe nasceu:

ANGICOS - boa cidade,
Que teve a felicidade
De Zé da penha nascer,
Segundo diz a História,
Morreu coberto de glória
Ao cumprir o seu dever:

Renato Caldas

Postado por Fernando "Fanfa" Caldas

MILHO VERDE

Por Ivan Lopes.

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Fernando "Fanfa" Caldas

CINE TEATRO PEDRO AMORIM, DE ASSU

Que pena! Fundos do prédio onde funcionou duante décadas o Cine Teatro Pedro Amorim.

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Fenando "Fanfa" Caldas

terça-feira, 9 de março de 2010

POLÍTICOS DO VALE DO ASSU, GERAÇÃO DE 1982

Direita para esquerda: Vereador Fernando Caldas (Fanfa), tabelião aposentado Edmilson da Silva (?), Abelardo Rodrigues (que foi prefeito do progressitas município  do Alto do Rodrigues  por quatro vezes e o veterano vereador Chicola (também por aquele município) faleciddo há pouco mais de um ano. A fotografia é data de 1984.

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segunda-feira, 8 de março de 2010

MUIÉ

Muié qui larga o marido,
Vale por duas muié...
Quem acha besta sem dono,
Viaja a pé se quizé.

A muié quando é ridicra,
Se esquece qui é casada:
Fica quinem póte dágua
Num dia de vaquejada.

Quando eu vejo uma muié,
Prozista e namoradeira,
Só me lembro de farinha,
Qui a gente compra na feira.

Muié, É quiném cachorro,
Qui péga a gente de furto.
É cavalo comedô, -
Precisa cabresto curto.

Muié que anda sosinha,
Pra tudo quanto é função...
Fica quinem pé de Santo,
In dia de prussição.

Muié, é quinem cachaça,
Qu a gente bebe sabendo,
Mas, adespois de tá bêbo,
Num sabe o que tá fazendo.

- Mas, mesmo assim desse geito,
(Me assensure quem quizé)
Eu num encontro defeito,
Qui desmereça a muié.

Renato Caldas

NATAL

Imagem da Tribuna do Norte.

Natal, Cidade do Sol, amanheceu hoje mais quente do que nunca. Quem está sem fazer nada a auternativa é ir a praia tomar uma "geladinha" que ninguém é de ferro.

PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

As estrelas e as mulheres/ Simbolizam, com ternura,/  O que de belo fulgura/ Nas alegrias dos seres.

João Lins Caldas
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PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

MODESTA


Ela ia ao baile. E o seu colar mais fino
Sobre a neve sutil de seus vestidos
Fazia ressoar a seus ouvidos
Este grito gentil: " - Corpo divino! - "


E o cinto leve, lirial, fransino,
Mordendo-lhe os contornos tão queridos,
Dizia no seu todo ver perdidos
Mundos de aroma, sonhar azulino...


Tudo a cercando era orgulhoso dela.
Pois, vendo a sombra de seu vulto nobre,
Um espelho lhe disse: " - És a mais bela! - "


E no entanto, meu Deus, foi tão modesta
Que apesar de ser rica e ver-me pobre
Fui a  criatura a quem sorriu na festa.

João Lins Caldas

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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO