sábado, 7 de janeiro de 2012


‎"A Mulher foi feita da costela do homem,
não dos pés para ser pisada,
nem da cabeça para ser superior,
mas sim do lado para ser igual,
debaixo do braço para ser protegida
e do lado do coração para ser amada."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

DE GUIMARÃES ROSA

‎"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..."

FRANCISCO AMORIM


Por Ezequiel Fonseca Filho
(Do livro Poetas e Boêmios do Açu, 1984)

Enquanto o impaludismo chegava a Várzea do Açu, trazido da África pelo Gâmbia, o mais terrível vetor dessa doença, Francisco Amorim escrevia um livro de versos intitulado "Seriema". Nessa época resolvi transferir minha família para Natal, deixando-me ficar como médico no foco da doença sobre a ação de atebrina.

Enquanto a copeira arranjava a mesa para o almoço, Francisco Amorim lia, para mim, alguns sonetos do seu livro. Vejamos este:

Vagando pelas ruas da cidade
A seriema cisma. , assim parece
Esquecer um vislumbre de saudade
Que cada dia no seu peito cresce.

A sua alma, talvez, creio, padece
a humana gente a pérfida maldade.
E, indiferente, cada vez mais tece
A mágoa que traz felicidade.

Alheia ao mundo filosofa a esmo.
Pára, absorta, na atitude mesmo
De quem até de si fica esquecida.

Horas a fio vendo-a meditando,
Eu também igual à Seriema eu sou na vida.

Levantando os óculos até a testa, pergunta-me: você acha que Seriema é uma ave cismarenta?  continua:

 A Seriema triste, recolhida
Aos recantos felizes da cidade,
Vive agora, de todos escondida,
Na sua ingênua infelicidade.

E quer assim viver, creio, esquecida
Dessa enganosa e vil humanidade,
Dentro do seu sonho, embevecida,
Gozar um pouco de tranquilidade.

No seu isolamento, cisma, pensa...
A visão do passado, viva, intensa,
Lhe traz o coração em desatino.

Pobre pernalta, à mágoa assim tamanha,
É igual, talvez, à mágoa que acompanha
As asperezas deste meu destino.

Chisquito, como o chamamos na intimidade, escreveu outro livro de versos a que deu o nome de "Teu Livro". Vamos ler outro soneto seu:

TEU LIVRO

Nem mesmo um só instante, flor que estimo,
Deixei de ver-te no meu pensamento.
O teu olhar, teu gesto, o teu arrimo,
Não fugiam de mim, um só momento.

Um detalhe sequer, que vale um mimo,
Se harmonizava com meu sentimento,
E se versos fazer ainda me animo,
É que tu és o meu deslumbramento.

Este livro, mulher, escrevi quando
Exilado de ti, olhar chorando,
Busquei no verso suportar a dor.

É teu. Não me pertence. Foi escrito,
Com o pranto que verti, quando proscrito,
Chorava a perda do primeiro amor.

Vamos ler mais um soneto

SÚPLICA

Vai alta noite já. Entro em meu quarto
À procura de um bem que não existe.
Passo as horas cismando, cheio, farto,
Desta saudade que em meu ser persiste.

Tenho opressão como se fosse enfarto,
Se processando na minha alma triste.
E se ânsias cruéis, sozinho parto,
Volto a te desejar. Ninguém resiste.

É a falta de ti que me aborrece.
E a insipidez da ausência me parece,
O longo isolamento do degredo.

Vem, já não suporto este martírio,
Aos meus olhos eu vejo a luz do círio,
Fica perto de mim. Não tenhas medo.

Chisquito não é só poeta. Tem livro também em prosa. "EU CONHECI SESYON" é um dos seus livros já em quarta edição. Além deste, tem outros: A "História da Imprensa do Açu"; A "História do Teatro", "Açu de Minha Meninice", e muitos outros. Chisquito é um dos mais salientes escritores de sua terra.

Em uma das eleições municipais para prefeito, Chisquito obteve maioria de votos. Eleito, exerceu a função de Prefeito, deixando um raio de luminosidade na sua Administração Municipal.

Postado por Fernando Caldas





quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A PRECE















Senhor, Tu  me mostrastes todas as estrelas e me acenaste para mim todos os brilhos do Teu mundo celeste.
A teoria dos astros em revoada
Arcanjos de longas asas como brilhantes acesos numa noite de eternidade.


(...)

João Lins Caldas, poeta potiguar assuense

A CARNAUBEIRA É NOSSA

                                                                      Ilistração do blog.


Por Vicente Serejo
(Artigo publicado em 22.11.05, Jornal Hoje)

Tem razão o poeta Diógenes da unha Lima no seu desassossego diante da investida dos cearenses dispostos a adotar a carnaubeira como símbolo, quando é quase centenária sua presença no nosso Brasão de Armas. E  é bom saber que a sua permanência nos é garantida por decreto de julho de 1909, portanto, há quase cem anos, quando Alberto Maranhão governava o Rio Grande do Norte, e tinha como vice0governador o ilustre poeta Henrique Castriciano, apenas vinte e um anos depois da então novíssima República nesta terra de Poti

É esta e discrição: O Brasão de Armas do Estado do Rio Grande do Norte é um escudo de campo aberto, dividido  dois terços de altura, tendo no plano inferior o mar, onde navega uma jangada de pescadores, que representa a indústria do sal e da pesca. No terço superior, em campo de prata, duas flores aos lados e dois capulhos de algodoeiro. Ladeiam o escudo, em toda a sua altura, um coqueiro à direita e uma carnaubeira à esquerda, tendo os troncos ligados por duas canas de açúcar presas com o laço com as cores naturais.

Acrescenta, ainda, o decreto: "Tanto os móveis do escudo, como os emblemas, em cores naturais, representam a flora principal do Estado. Cobre o escudo uma estrela branca, simbolizando o Rio Grande do Norte na União Brasileira".  finaliza com uma informação preciosa, fechando o decreto de apenas dois artigos: "O desenho original deste brasão de armas, executado pelo sr. Corbiniano Villaça, será arquivado na Secretaria do Governo e dele se tirará uma cópia autêntica para o arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Estado".

Tem razão, portanto, o poeta Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia  Norte-Rio-Grandense de Letras, quando defende a carnaubeira eleita há quase cem anos como um dos nossos símbolos. , como se não bastasse, a carnaubeira foi tema de um ensaio de quase sessenta páginas do maior Historiados do estado, Câmara CaScudo, pouco conhecido, mas publicado no número 2, ano, 26, edição de abril/junho de 1964 da Revista Brasileira de Geografia, só relançada em 1991 pela Coleção Mossoroense  numa edição fac-similada.

Neste ensaio, Cascudo considera improvável que Humboldt tenha pelo menos visto uma carnaubeira para descrevê-la como a Árvore da Vida. A carnaubeira foi descrita pela primeira vez por Jorge Marcgrav, informa Cascudo. O que Humboldt deve ter visto foi a palmeira carandá, muito semelhante, até na riqueza da cera natural, e não a nossa carnaubeira.  por isso desautoriza a afirmação antiga. Humboldt nunca viu a carnaubeira e sim a palmeira carandá, descrita por Klare S. Markley, um estudioso paraguaio, apesar do nome.

Interessante é o detalhe que Cascudo registra ao estudar o Brasão Holandês do Rio Grande do Norte. Para ele, não se justifica, como símbolo de presença abundante, a ema que passeia no campo do brasão: A não ser como homenagem ao chefe Janduí.  explica: é palavra de origem tupi, corruptela de Nhandu-I e quer dizer ema-pequena. É dedução lógica que Cascudo vai lastrear com o lema 'Velociter', "corredor, o que corre muito".  afirma, definitivo, fechando a discussão: "Janduí é a ema do brasão holandês do Rio Grande do Norte".

Postado por Fernando Caldas

domingo, 1 de janeiro de 2012

RETROSPECTIVA


FANFA SEMPRE FANFA


Por Aluizio Lacerda, BlogdeAluízioLacerda

Não poderia ser diferente ter no sangue tão profunda vertente, sua genealogia transcende vultos memoráveis da mais pura linhagem do saber, cultura poética das mais aguçadas da ribeirnha fertilizadora do ubérrimo vale do Açu, tradições que se evidenciam no presente, através do belissimo trabalho, feito abnegadamente por Fernando Caldas (Fanfa), cotidianamente um apaixonado dos causos e causas dos costumes regionalistas.

Fanfa tem sido um perfeito tradutor das grandes sabedorias que a eternidade consumiu com o passar do tempo, mas todos continuam revigorados no presente, graças ao timoneiro contemporâneo, usando o máximo da sua inteligência para fazer fluir as memórias das gerações passadas, no universo intelectual das gerações do presente.

Fanfa é na verdade um canal aberto, uma via direta para os caminhos do futuro dos que desejam cultuar momentos de prazeirosas leitura, amantes da arte e seguidores dos talentosos vates antepassados.

Faço uma santa devoção, diuturnamente dou uma acessada no blog do companheiro Fanfa, cada dia, cada noite, sinto o feliz prazer de rever fatos e fotos, informações e relatos de um tempo que se foi, que se não tiver outros Fanfas, preocupados com a sua propagação, certamente deixarão de aparecer, nunca de existir.

Parabéns, amigo Fanfa, continue sua prodigiosa labuta, resgate historicamente o legado deixado pelos grandes menestréis do nosso amado rincão.

"Fanfa sempre Fanfa" esse é o Fernando Caldas que bem conheço, guardião das estrofes bem produzidas, sempre alerta as rimas, repentes, toadas ou loas da exuberante poesia, cantada em vento e prosa nas alpendradas rústicas, choupana do pobre ou sobrado do rico, ilustradas pelo farfalhar das abundantes carnaubeiras do nosso torrão.

Escrito por aluiziolacerda às 17h03






RTROSPECTIVA


FANFA SEMPRE FANFA


Por Aluizio Lacerda, BlogdeAluízioLacerda

Não poderia ser diferente ter no sangue tão profunda vertente, sua genealogia transcende vultos memoráveis da mais pura linhagem do saber, cultura poética das mais aguçadas da ribeirnha fertilizadora do ubérrimo vale do Açu, tradições que se evidenciam no presente, através do belissimo trabalho, feito abnegadamente por Fernando Caldas (Fanfa), cotidianamente um apaixonado dos causos e causas dos costumes regionalistas.

Fanfa tem sido um perfeito tradutor das grandes sabedorias que a eternidade consumiu com o passar do tempo, mas todos continuam revigorados no presente, graças ao timoneiro contemporâneo, usando o máximo da sua inteligência para fazer fluir as memórias das gerações passadas, no universo intelectual das gerações do presente.

Fanfa é na verdade um canal aberto, uma via direta para os caminhos do futuro dos que desejam cultuar momentos de prazeirosas leitura, amantes da arte e seguidores dos talentosos vates antepassados.

Faço uma santa devoção, diuturnamente dou uma acessada no blog do companheiro Fanfa, cada dia, cada noite, sinto o feliz prazer de rever fatos e fotos, informações e relatos de um tempo que se foi, que se não tiver outros Fanfas, preocupados com a sua propagação, certamente deixarão de aparecer, nunca de existir.

Parabéns, amigo Fanfa, continue sua prodigiosa labuta, resgate historicamente o legado deixado pelos grandes menestréis do nosso amado rincão.

"Fanfa sempre Fanfa" esse é o Fernando Caldas que bem conheço, guardião das estrofes bem produzidas, sempre alerta as rimas, repentes, toadas ou loas da exuberante poesia, cantada em vento e prosa nas alpendradas rústicas, choupana do pobre ou sobrado do rico, ilustradas pelo farfalhar das abundantes carnaubeiras do nosso torrão.

Escrito por aluiziolacerda às 17h03








segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CRÔNICA DE JOÃO CELSO NETO

(Título do blog)


Projetos para 2012

Há o renovado desafio do papel em branco (da tela em branco, melhor dizendo) sabendo que não se tem muito de novo, genial ou extraordinário para dizer nesta época de final de ano.
Renovar os votos de sempre é o que cumpre fazer. Desejar que o balanço de 2011 haja sido positivo e que 2012 seja ainda melhor, trazendo muitas alegrias, momentos inesquecíveis, inúmeras razões para celebrar.
De minha parte, não tenho do que me queixar, sobretudo porque este finalzinho de dezembro trouxe instantes de satisfação e a realização de alguns projetos que estavam empacados. Estou entrando o Ano Novo com os dois pés direitos.
A saúde está indo, com os achaques da velhice sob controle, o 67 não deve pesar mais do que pesou o 66. Se bem que submetido à medicação continuada, que diabetes e colasterol não dão folga. Parou, sobem as taxas.
Aprendi, às custas de um infarto, que devo me preocupar apenas com as coisas que estejam a meu alcance resolver. O Brasil e seus males não é problema para cuja solução eu possa ajudar (nem minha ajuda seria aceita ou requisitada).  O Judiciário é outra questão que foge da minha alçada (ah como muita gente não estaria onde está ou esteve nem certas decisões teriam sido tomadas, se dependesse de mim). O Legislativo, por fim, a meu sentir, não tem mais remédio.
Se penso assim em relação ao Brasil, que dirá do resto do mundo. Cada qual com seus dramas e a responsabilidade de encontrar suas soluções. Sobra pra mim visitar o que quero conhecer antes, que acabe. Tomara que a Grécia se conserte a tempo. Sinto saudades da Europa, que não é revisitada por mim desde 2001. Talvez eu vá assistir a uma apresentação de Andre Rieu (lá, pela metade do preço, ou menos até, que estão cobrando para as de São Paulo. Aqui, custará 600 reais uma cadeira parterre que na França sairá por € 80,00).
Vida que segue, sempre confiando que o Pai vai nos propiciar, a tempo e a hora, tudo aquilo que fizemos por merecer e desafios proporcionais às nossas humanas forças.
E, nos da terra, que meus parceiros escrevam suas memórias para reuni-las e contar nossas experiências embratelinas,  legado a mais do que já fizemos enquanto fomos empregados. Eu estou fazendo a minha parte, embora num rascunho já revisado quase que diariamente. Espero ter fechado em mais uns 6 meses.
Escrito por J.Celso

Nota do blog: João Celso é poeta assuense, funcionário aposentado da Embratel, advogado em Brasília, neto de João Celso Filho, sobrinho do poeta Celso da Silveira, de Maria Olímpia Neves de Oliveira (minha querida Maroquinhas). Afinal, João Celso é gente do Assu inteligente.

Fernando Caldas

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO