domingo, 11 de agosto de 2013
Palavras de amor - CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 08/08
A declaração de amor não serve para seduzir o objeto de amor, mas para apaixonar-se cada vez mais
Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e
recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias
generalizadas (quem sabe fatais). Salvo um exercício difícil de
autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida: a
gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre que se coçar
não é um alívio, mas um prazer autônomo em si.
Por isso mesmo,
em geral, não confio nos sentimentos --nem nos meus, nem nos dos outros.
Não é que eu supunha que os humanos mintam quando amam, odeiam ou se
desesperam no luto. Nada disso.
Apenas verifico que os
sentimentos, em geral, são condições autoinduzidas: transtornos ou
desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que, se não procuram
sarnas para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as
sarnas que eles têm. Detalhe: coçando, aumenta o prurido, assim como
aumentam a vontade e o prazer de se coçar.
Tomemos o exemplo do
amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe alguém que preenche
algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre
quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou
escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com
as descrições da beleza inigualável de minha amada e com as declarações
hiperbólicas de meu sentimento.
Claro, minha prosa ou poesia
poderão, quem sabe, conquistar meu objeto de amor, mas esse é um efeito
colateral. O efeito mais importante (e esperado) de minhas palavras de
amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me
apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente
proporcional à insistência e virulência de minhas declarações.
Em linguística, chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem
proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um
chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra" --essa frase é a própria
declaração de guerra.
Dizer que sou apaixonado, que odeio ou
que me desespero no luto talvez não sejam propriamente performativos.
Mas se trata, no mínimo, de semiperformativos, ou seja, talvez os
sentimentos existam antes de serem declarados, mas eles só crescem e
tomam conta da gente na hora de serem ditos, descritos e contados --na
hora de sua declaração, pública ou privada.
Há três razões
pelas quais o amor é absolutamente indissociável da literatura amorosa. A
primeira é que a gente aprende a amar e a declarar o amor pela
literatura. A segunda é que o amor se tornou relevante em nossa vida à
força de ser descrito e idealizado pela literatura. A terceira é que o
amor, como sentimento, é um efeito das palavras que o expressam: a
literatura nos instiga a amar tanto quanto nossas próprias declarações
amorosas.
Acabo de terminar a prazerosa leitura de "Como os
Franceses Inventaram o Amor" (editora Prumo). Nele, Marilyn Yalom
percorre a literatura francesa e revela que ela é um repertório completo
do amor.
A coisa começa com o triângulo amoroso, que não é um
acidente ou um imprevisto do amor; ao contrário, o amor começa, mil anos
atrás, com o triângulo amoroso. Tristão escolta Isolda, a futura esposa
de seu tio, e se apaixona por ela. Lancelote venera seu rei Artur, mas
se apaixona pela rainha. E, em geral, os poetas do amor cortês amam
damas casadas (e frequentemente fiéis a seus senhores, aliás).
A
França é, para Yalom, a pátria do amor. Não só pela riqueza de sua
literatura, mas justamente porque, na cultura francesa, do amor cortês
do século 12 até as conversas das preciosas nos salões parisienses do
século 17 (que Molière ridicularizava, mas também admirava), amar é,
antes de mais nada, uma arte de dizer, de ser efeito das próprias
palavras que usamos ao declarar e descrever nosso sentimento.
Alguns acham que falta amor em sua vida. Como Emma Bovary ou Anna
Kariênina (extraordinária a tradução de Rubens Figueiredo, pela Cosac
Naify), temem que, sem amor, sua vida nunca chegue a ter a dignidade de
um romance. A eles, recomendo paciência: os tempos mudam, e talvez se
afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de
dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.
Outros se
queixam dos estragos que o excesso de amor faz em sua vida. Aqui a cura é
simples: eles não vão acreditar, mas basta se calar um pouco, assim
como é suficiente não se coçar para que as picadas de mosquito parem de
incomodar.
sábado, 10 de agosto de 2013
VONTADES E SONHOS
Sento-me nos degraus dos minutos,
Agarro-me às escadas das horas,
Descanso no abraço do luar,
E deixo-me levar em sonhos quiméricos
De vontades esquecidas,
Pela corrosão dos anos!
Revivo no desejo do meu querer,
As emoções contidas em momentos,
De felicidade, que esmoreceram no tempo!
Reacendem-se paixões das ilusões inventadas
E o fogo da memória explode,
O vulcão na ânsia do sentir obstinado,
Do meu desejar ter-te em mim;
Voar-te no beijo alucinado,
Das nossas bocas escaldantes,
Acariciadas pela suavidade dos nossos lábios!
Vontades e sonhos…
Que o vento espalha pelos desertos,
De sentimentos perdidos;
Paixões e ilusões desfalecidas
Pelo retorno adiado.
José Carlos Moutinho.
In "Cantos da eternidade"
VONTADES E SONHOS
Sento-me nos degraus dos minutos,
Agarro-me às escadas das horas,
Descanso no abraço do luar,
E deixo-me levar em sonhos quiméricos
De vontades esquecidas,
Pela corrosão dos anos!
Revivo no desejo do meu querer,
As emoções contidas em momentos,
De felicidade, que esmoreceram no tempo!
Reacendem-se paixões das ilusões inventadas
E o fogo da memória explode,
O vulcão na ânsia do sentir obstinado,
Do meu desejar ter-te em mim;
Voar-te no beijo alucinado,
Das nossas bocas escaldantes,
Acariciadas pela suavidade dos nossos lábios!
Vontades e sonhos…
Que o vento espalha pelos desertos,
De sentimentos perdidos;
Paixões e ilusões desfalecidas
Pelo retorno adiado.
José Carlos Moutinho.
In "Cantos da eternidade"
Sento-me nos degraus dos minutos,
Agarro-me às escadas das horas,
Descanso no abraço do luar,
E deixo-me levar em sonhos quiméricos
De vontades esquecidas,
Pela corrosão dos anos!
Revivo no desejo do meu querer,
As emoções contidas em momentos,
De felicidade, que esmoreceram no tempo!
Reacendem-se paixões das ilusões inventadas
E o fogo da memória explode,
O vulcão na ânsia do sentir obstinado,
Do meu desejar ter-te em mim;
Voar-te no beijo alucinado,
Das nossas bocas escaldantes,
Acariciadas pela suavidade dos nossos lábios!
Vontades e sonhos…
Que o vento espalha pelos desertos,
De sentimentos perdidos;
Paixões e ilusões desfalecidas
Pelo retorno adiado.
José Carlos Moutinho.
In "Cantos da eternidade"
Casa de Caridade, uma Instituição do Assu
Casa de caridade, fundada pelo padre José Antônio de
Maria Ibiapina. Aquele missionário era formado pela Faculdade de Direito de Pernambuco, foi
Juiz de direito, deputado geral pelo Ceará. “Decepcionado abandonou a vida
civil para seguir o catolicismo. Aos 47 anos iniciou uma obra missionária
visitando várias regiões do nordeste.”
Gilberto Freire de Melo depõe que Ibiapina era a maior
figura na igreja católica no Brasil.” A Casa de Caridade, se não foi a primeira, pelo menos foi uma
das primeiras instituições da terra assuense que para Câmara cascudo aquela
casa fazia inveja a Natal porque não tinha uma igual. Foii instalada onde hoje
funciona o Instituto que leva o nome daquele
missionário.
Conta-se que "Ibiapina foi chamado para pregar na cidade de
Assu onde fez grande colheita com proveitos
maravilhosos (...) Achando o lugar próprio e conveniente, instituiu uma
casa de caridade, que deixou em boa posição e bem dirigida.
Sinhazinha
Wanderley em depoimento a Walter Wandereley depõe (está transcrito no livro intitulado “Família Wanderley, 1965, que “no local do instituto existiu uma casa já
muito antiga e que foi mandada edificar pelo padre Ibiapina. Contava-se deste
padre que estivera a morrer num naufrágio e ao passar por Macau fizera voto de
fundar uma Casa de Caridade no primeiro lugar a que chegasse. E foi o Assu
Justamente esse lugar. Dita Casa de Caridade tinha como superiora Irmã Tereza e
as Irmãs Leonarda, Dionízia, Felipa, etc. A casa recebia mocinhas pobres,
órfãs, que ali ficavam até a idade do casamento. Ao atingirem a essa idade, o
Procurador da Casa escolhia um rapaz honesto , bom cristão e trabalhador. Eram
os dois levados à sala nas presenças do Procurador e da Superiora e, se os dois
se agradavam, o casamento era feito às expensas da Casa... A Casa recebia
doentes, cadáveres, que amortalhavam, deixando-os à noite na Capela, velados
por duas recolhidas que o faziam com muito medo. A casa dava ensinamentos de
flores, labirintos e bordados...”
(Ibiapina morreu no dia 19 de fevereiro de 1884 na cidade de
Araras, Paraíba, onde está enterrado).
Fernando Caldas
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Assu - De Freguesia a Vila Nova da Princesa
No século
XVII criavam-se no Rio Grande dez Freguesias. A de São João
Batista da Ribeira do Assu, no ano de 1726. Era vigário Manuel de Mesquita e Silva.
O povo criava gado, cultivava a lavoura e instalavam as Oficinas de
Carne de Charque que, por sinal, foi ali, na Ribeira do Assu, produzida as
primeiras charqueadas no Brasil.
No
desenvolvimento da pecuária, foi pioneiro Manuel Filgueiras, nomeado capitão da
Ribeira do Assu, chegando à região com um pequeno rebanho, tornando um fator
comercial de muita importância.
Aquela freguesia “possuía em 1775, 90 fazendas de gado, 3 capelas, 571 fogos e 2.864 pessoas de desobriga”.
Em fins de
1775 para 1776, a freguesia segundo Nestor Lima: “Por esse tempo a freguesia
tinha quarenta léguas de comprimento por vinte de largura e o seu padroeiro já
era o glorioso São João Batista.”
“O movimento de carnes e couramas atraia as Oficinas três a quatro barcos, todos os anos, trazendo mercadorias”. (A República, n. 160, de 9 de abril de 1892).
João Inácio
Pereira Neto depõe que “a região do Assu era extensa, abrangendo um terço do
território da Capitania do então chamado Rio Grande, desde as terras de Santana
para o norte, até Macau, e para o sul, às confinanças com o Seridó, para o
poente, ao encontro com as terras do então chamado Ceará Grande, da Capitania
do Ceará, e para o nascente, além do chamado Rio Grande do Assu, até onde o
próprio índio houvera atingido.”
De freguesia
elevou-se a município com a denominação de Vila Nova da Princesa, conforme
Ordem Régia de 22 de julho de 1776, deu-se instalado a vila precisamente a 3 de
julho de 1788. Foram, portanto, 57 anos de vila que tinha o seu próprio
patrimônio: terrenos e fazendas, doados segundo Celso da Silveira em depoimento
a Ferreira Nobre, no seu livro intitulado Breve Notícia Sobre a Província do
Rio Grande do Norte que “o patrimônio de São João Batista foi feito de três vezes:
A primeira em 1712, por Sebastião de Souza Jorge, que deu o terreno
estritamente necessário a construção da Matriz e da Paróquia; a segunda, em 12
de outubro de 1774, por dona Clara de Macêdo, que doou 75 braças menos dois
palmos. A terceira, finalmente, pela mesma dona Clara de Macêdo, que doou a
maior parte dos terrenos ao patrimônio no dia 6 de outubro de 1777.”
Por fim,
aquela região teve também as denominações de Julgado de São João Batista, Povoação
de São João Batista da Ribeira do Assu e Vila Nova do Príncipe em homenagem a
D. João VI, primeiro e último Rei do Brasil.
Criou-se
então em 1786, a Câmara Municipal, primeira organização de um governo local instalada a 11 de agosto de 1788, cuja data
denomina-se uma das ruas do Centro da cidade de Assu, sob a presidência do Juiz
Ouvidor e Corregedor da Paraíba, Antônio Phillipe de Andrade Brederodes. Foram
membros daquela cama da recém criada Vila Nova da Princesa, os senhores
Francisco Da Silva Bastos, Francisco Dantas Barcelar, João Mendes Monteiro e
Antônio Correia de Araújo Furtado.
Fernando
Caldas
Ao companheiro Fernando "Fanfa" Caldas
Por Aluízio Lacerda, professor, jornalista, blogueiro
Amanheci
sentindo saudades das coisas do Assu, infância boa, bem vivida, ladeado
de uma turma inesquecível alguns vivinhos da silva pra acompanhar
essas saudáveis recordações, outros já dormem na cidade de pés juntos,
cumprindo a sina da vida, levado pela morte.
Pra começar devo lembrar ao amigo Fanfa algumas esquisitices da sua amada urbe: O homem mais pesado de Assu era chamado de "Maneiro" (saudosa memória), no finalzinho da cidade, periferia, havia uma padaria com o nome de Central, isso sem se falar em algumas preciosidades poéticas feita pelo consagrado bardo, Renato Caldas.
Certa vez um feirante com sua mercadoria encalhada, o bamburro de batatas era grande pediu ao poeta uma luz, um comercial rimado, afim de chamar atenção da freguesia: O poeta deu de garra de uma enorme batata e tascou essa de improviso: Batata, batata doce, batata que o povo gosta, um quilo dessa batata, dá mais de 10 quilos de bosta!
Seu
Amaro Sena, em 1945, com o incêndio havido na usina fornecedora de
energia da cidade (Intendência), ficando o Assu às escuras por um certo
tempo, comprou ao poeta uma "Lâmpada Cóleman" para pagamento posterior,
tinha uma bodega nas 4 bocas, passado algum tempo, esquecido de saldar o
débito, pediu ao poeta uma rima em tom de cobrança para o fiado
bastante acumulado em suas cadernetas - Renato não se fez de rogado, fez
o seguinte verso: Amigo Amaro Sena. vejo e tenho pena, da sua situação,
você é amigo raro, fiz você ficar no claro e fiquei na escuridão. Moral
da história a cobrança foi eminente, Amaro meteu a mão no bolso e
liquidou a conta com o poeta...
Certa vez, campanha eleitoral, bastante acirrada em Assu, disputavam a prefeitura Edgard Montenegro e Costa Leitão, estando o poeta de cara cheia, como gostava de viver seu cotidiano, ouviu num comício, Costa Leitão pronunciar uma palavra de cunho erudito de forma literalmente errada, bateu palmas ao orador, nisso o palanque inteiro viu que as palmas tinha sido do poeta, convidaram pra subir ao púlpito de seu Costa, deram-lhe o microfone e acharam que o poeta iria anunciar sua adesão, veja no que deu: Somente sendo o maldito que mandou você falar, aqui na praça bradar, São João Batista o inclíto, um erro desse admito , no orador Abraão, mais você "Costa Leitão" orador de nomeada, dá semelhante cagada, na praça da redenção!
Sendo Renato um Edgarzista apaixonado, acabou a noitada de seu rival... Depois conto mais...
Segue essa singela contribuição para o seu imenso repertório de causos varzeanos... Um abraço e até mais vê!!!
Certa vez, campanha eleitoral, bastante acirrada em Assu, disputavam a prefeitura Edgard Montenegro e Costa Leitão, estando o poeta de cara cheia, como gostava de viver seu cotidiano, ouviu num comício, Costa Leitão pronunciar uma palavra de cunho erudito de forma literalmente errada, bateu palmas ao orador, nisso o palanque inteiro viu que as palmas tinha sido do poeta, convidaram pra subir ao púlpito de seu Costa, deram-lhe o microfone e acharam que o poeta iria anunciar sua adesão, veja no que deu: Somente sendo o maldito que mandou você falar, aqui na praça bradar, São João Batista o inclíto, um erro desse admito , no orador Abraão, mais você "Costa Leitão" orador de nomeada, dá semelhante cagada, na praça da redenção!
Sendo Renato um Edgarzista apaixonado, acabou a noitada de seu rival... Depois conto mais...
Segue essa singela contribuição para o seu imenso repertório de causos varzeanos... Um abraço e até mais vê!!!
Assu
"Herois, poetas, escritores,
Boêmios e trovadores
Ilustrarão tradições
Que não serão sepultadas
Para serem proclamadas
Pelas novas gerações."
"Herois, poetas, escritores,
Boêmios e trovadores
Ilustrarão tradições
Que não serão sepultadas
Para serem proclamadas
Pelas novas gerações."
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO





