domingo, 15 de dezembro de 2013

TRISTEZA DO MEU TORRÃO

Meu sertão já foi próspero

De uma grande riqueza

Mas o danado do homem

Derrubou a sua mata,

Deixou o solo cheio de erosão

Nem mesmo na invernada

Se vê mais plantação.



O gato do mato

E o tejo-açu

Não tem mais punaré na loca

Nem o canto da nambu,

Foi embora o canarinho

Desapareceu o mocó

Acabou-se o resto do passarinho.



Cadê o bigode e o golinha?

Até o bem-te-vi já se mudou daqui

Não tem mais pica-pau

Escafedeu a juriti,

Agora está empestado de pardal

Tristeza do meu torrão

Em plena noite de natal.


Marcos Calaça, jornalista (UFRN)
ALGUNS PONTOS NOSTÁLGICOS

Vivo o passado, uma forma de resgatar as coisas boas da época da minha infância e adolescência. O cronista e o poeta vivem o pretérito porque o personagem principal é o tempo.

Imagino quando criança, vestindo a melhor roupa para passear na praça do Country Club. Depois de brincadeiras e guloseimas, retorno para casa, à noitinha. No outro dia, lá vem o trem. Corro para a estação e observo o movimento das pessoas, a chegada de algum parente e o encontro dos trabalhadores rurais vindos de Ceará-Mirim com os fazendeiros para a colheita do algodão.

Eita! hoje tem aula de História no Ginásio Paulo VI, pois o professor Xavier chegou no trem. No dia seguinte, chega o trem de carga e faço carreira para contar o número de vagões. Curiosidade de criança.

Se junta a meninada. Vamos brincar de quê? tica, tila, nota de cigarro, garrafão, capitão de tropa, bandeirinha, laçou-levou, peixe, patinete, 'queimano aí', dama, onça. Vamos jogar cascudinho. A bola canarinho furou. Não tem problema, temos a bola de meia. Vou pra casa pois está quase na hora de ir para o Ginásio. Hoje tem teste de História. O professor Xavier mandou estudar Os Iluministas e Os Déspotas Esclarecidos. Lembrando que Os Iluministas caracterizavam-se pela razão. Um movimento cultural, político e filosófico.

Certo dia estou na parede do Açude do Governo, como foi batizado. Aquela linda lua cheia nascendo e refletindo a água e brilhando os algodoais..

Em cada bairro, em cada rua onde caminho no meu torrão, penso sobre o passado para escrever alguma crônica de algum fato local. O que dói não é a modernização, pois isso reflete o presente e o futuro.

As mágoas estão no atraso das mentalidades que não preservam o passado e a cultura, como se fosse uma escuridão, um buraco negro. Temos que clarear.

Marcos Calaça é jornalista - UFRN, natural de Pedro Avelino

sábado, 14 de dezembro de 2013

A humildade bloquei toda ação do inimigo na nossa vida, pois ele não suporta o humilde, por ser soberbo, orgulhoso. A humilde Virgem de Nazaré, aterroriza-o por sua santa humildade, por isso o demônio odeia Nossa Senhora. Deus se humilhou, fazendo-se homem, humilhando-se, o Deus salva, Jesus, foi obediente até a morte de Cruz! Nasceu numa estrebaria, foi deitado numa manjedoura, não num palácio, num berço esplêndido; viveu numa região humilde, amou incondicionalmente a todos, e foi crucificado em Jerusalém. Sinal, modelo de humildade, caminho que todos os chamados a ser vencedores precisam trilhar. A humildade nos faz vencer satanás, o egoísmo e o individualismo, e nos leva a contemplar o valor e a grandiosidade de cada pessoa, tendo a certeza de que não somos melhores que ninguém! Bom sábado!



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

FILIE-SE AO PSC

Que tal aproveitar o fim de semana para se filiar ao PSC? Basta preencher a sua solicitação no site e levar até o Diretório Regional mais próximo. Consulte nosso site para mais informações sobre os diretórios:http://bit.ly/11bWzaY


UMA TIRADA DE RENATO CALDAS



Certa feita, na década de quarenta, o poeta boêmio Renato Caldas, saiu embriagado do bar Cova da Onça, no bairro da Ribeira, em Natal, de propriedade do poeta Jorge Fernandes de quem aquele bardo assuense era amigo e confrade por fazerem parte da Diocésia, um tipo de academia de letras que funcionava nas dependências daquele recinto. Pois bem, Renato pegou o Bonde (naquela época meio de transporte coletivo da capital potiguar ) com destino a praça Pedro Velho, no bairro Petrópolis. Ao chegar no ponto desejado saltou daquele transporte e caiu, para risos de gozações dos circunstantes. Um deles se dirigiu para ajudará a levantar Renato que saiu com esse repente que se tornou célebre por toda Natal então provinciana, dizendo? - "Cada um salta como sabe".

Fernando Caldas

ESTUDANTE LANÇA LIVRO COM RESGATE DA HISTÓRIA DO JORNALISTA JAIME HIPÓLITO

Livro está sendo publicado pela editora Queima-Bucha

Livro está sendo publicado pela editora Queima-Bucha


No Dia de Santa Luzia, padroeira de Mossoró, um dos mais ilustres jornalistas da cidade tem sua história resgatada através do livro "Jaime Hipólito Dantas: um mossoroense de fora", que será lançado hoje, às 19h, na Livraria Saraiva do Midway Mall, em Natal. A obra, publicada pela editora Queima-Bucha, foi desenvolvida pela historiadora e estudante de jornalismo Thaísa Mendonça.
O título é resultado do seu trabalho de conclusão do curso de bacharelado em História, apresentado em 2009 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ao longo de 96 páginas, a autora narra a trajetória de Jaime Hipólito na busca por concretizar o seu grande desafio de consolidar-se no mercado editorial local entre as décadas de 1940 e 1950.
"Jaime Hipólito foi um dos principais escritores potiguares, nasceu em Caicó, mas escolheu Mossoró para se projetar no mercado literário da cidade. O que mais me chamou a atenção em minhas pesquisas foi justamente o fato de ele ser caicoense, mas fazer de Mossoró a sua terra, ser o seu embaixador", descreve Thaísa Mendonça.
Segundo a autora, o interesse pela obra de Jaime Hipólito Dantas surgiu durante o período em que era estagiária do Ministério Público, em Natal, entre 2007 e 2008, e se deparou com algumas obras escritas pelo jornalista. "Foi tudo por acaso. Enquanto catalogava alguns títulos dos promotores para o projeto Memorial, me deparei com livros de Jaime e acabei ficando interessada por aquele material", relembra.
A partir daí, Thaísa Mendonça decidiu resgatar a trajetória intelectual de Jaime Hipólito em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), defendido na UFRN entre o final de 2008 e início de 2009. "O livro, na verdade, é a minha monografia, claro que com algumas adaptações. O leitor vai encontrar parte da história de Mossoró, através da obra do jornalista", enfatiza.

Disponível inicialmente na Livraria Saraiva, em Natal, e na editora Queima-Bucha, em Mossoró, o título pode ser adquirido pelo valor de R$ 34. Nessa primeira edição, foram impressos 300 exemplares da obra, que deverá ser lançada em Mossoró brevemente. "É uma grande satisfação colocar essa pesquisa à disposição de todos, ir além dos muros da Universidade. Estou muito feliz com o resultado", conclui Thaísa Mendonça.

Sobre Jaime Hipólito

Jaime Hipólito foi jornalista e promotor de justiça, destacando-se como um dos principais comunicadores de Mossoró entre as décadas de 1950 e 1980. Iniciou carreira no jornalismo aos 19 anos, escrevendo em "A voz do estudante", periódico do Centro Estudantil Mossoroense.
Nos anos 1950, atuou no radiojornalismo da cidade com o programa "O Prato do Dia", na extinta Rádio Tapuyo. Ingressou no jornal O Mossoroense a convite de Lauro da Escóssia e, em 1985, mudou-se para Natal.
Na capital, escreveu na Tribuna do Norte, na coluna semanal Conversa de domingo. Suas principais obras foram "O Aprendiz de Camelô" (1962), "Estórias Gerais" (1986) e "De Autores e de Livros" (1992). Faleceu em 1993 vítima de infarto.

Do blog Assu na Ponta da Língua, de Ivan Pinheiro 
AMIGO

1.
Amigo, toma para ti o que quiseres,
passeia o teu olhar pelos meus recantos, 
e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
com suas brancas avenidas e canções.

2.
Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este inútil e velho desejo de vencer.

Bebe do meu cântaro se tens sede.

Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este desejo de que todas as roseiras
me pertençam.

Amigo,
se tens fome come do meu pão.

3.
Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhares verás na minha casa vazia:
tudo isto que sobe pelo muros direitos
- como o meu coração - sempre buscando altura.

Sorris-te - amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar nas mãos o que se esconde dentro,
mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança...

... Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio...


PABLO NERUDA



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

MINISTRA DO TSE SUSPENDE AFASTAMENTO DA GOVERNADORA DO RN

12/12/2013 21h43 - Atualizado em 12/12/2013 22h22

TRE havia determinado afastamento da governadora Rosalba Ciarlini.
Para ministra, ela não pode ser afastada até julgamento final no TSE.

Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
82 comentários
Rosalba Ciarlini, governadora do RN (Foto: Ricardo Araújo/G1)A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba
Ciarlini (Foto: Ricardo Araújo/G1)
A ministra Laurita Vaz, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu na noite desta quinta-feira (12) o afastamento do cargo da governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM).
Laurita Vaz concedeu liminar (decisão provisória) para que a governadora continue no cargo até o julgamento final do caso.
A governadora entrou com um mandado de segurança no TSE para pedir que fosse suspenso o acórdão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio Grande do Norte que determinou o afastamento.
O TRE condenou Rosalba por abuso de poder político e econômico em razão de suposto benefício a uma candidata a prefeita de Mossoró (RN), em 2012. O tribunal também tornou Rosalba inelegível e determinou o afastamento imediato. O acórdão da decisão do TRE foi publicado nesta quinta e a Ao analisar o recurso, Laurita Vaz afirmou que o afastamento não pode ser feito até que haja uma decisão definitiva no TSE.
"Tudo recomenda, em juízo superficial da impetração, a necessidade de suspensão do acórdão do Tribunal [...] na parte que determina o afastamento da impetrante do cargo de governador e a posse do vice-governador no cargo de governador, como meio de resguardar o direito líquido e certo ora alegado, a fim de evitar a perda, ainda que temporária, do exercício do mandato eletivo, o que encontra respaldo na jurisprudência deste Tribunal Superior, segundo a qual as sucessivas alternâncias na chefia do Poder Executivo devem ser evitadas, porquanto geram insegurança jurídica e descontinuidade administrativa", afirma a decisão.
A cassação
Rosalba foi condenada por abuso de poder político e econômico por supostamente usar a máquina pública irregularmente durante a campanha eleitoral do ano passado em favor da campanha da prefeita Cláudia Regina, de Mossoró, também do DEM.

Um relatório divulgado pela Inter TV Cabugi nesta quarta-feira (11) revelou que as duas aeronaves do governo do Rio Grande do Norte fizeram 87 viagens a Mossoró durante a campanha eleitoral de 2012.
A emissora teve acesso a um relatório  anexado ao processo analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado. O número de viagens, segundo o relatório, foi registrado pelo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 3), que faz o monitoramento do espaço aéreo brasileiro.















Cuerpo de mujer… Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos, te pareces al mundo en tu actitud de entrega. Mi cuerpo de labriego salvaje te socava y hace saltar el hijo del fondo de la tierra. Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros y en mí la noche entraba su invasión poderosa. Para sobrevivirme te forjé como un arma, como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda. Pero cae la hora de la venganza, y te amo. Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme. ¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia! ¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste! Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia. Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso! Oscuros cauces donde la sed eterna sigue, y la fatiga sigue, y el dolor infinito. 

Pablo Neruda

RELEMBRANDO A POLÍTICA DO ASSU


Da direita: Lourinaldo Soares? João Marcolino de Vasconcelos, vereador Walter Gouveia, Humberto Tavares, vereador Fernando Caldas/Fanfa, vereador Domício Soares/Domicito, deputado federal Antônio Florêncio, Vereador pedro Solto, vereador João Lourenço, Sande Martins, Edgard Montenegro, Sebastião Alves, José Maria Medeiros, Júnior Lenidas, Engilberto, Gustavo Montenegro Soares (criança), entre outros. Foto tirada numa noite de entendimentos políticos, na cidade de Ipanguaçu, em 1984.
POESIA EM TEMPO DE GUERRA...

Caminhos de sangue (20)
(OTHONIEL MENEZES)

O pé das caboclas descuidadas
pisa agora a estrada da guerra
onde eu sou milionário.
Vão ao rio, descem ao vale ainda úmido,
cheirando, sob a diáfana bafagem da névoa,
a cajueiros em flor...
Breve, talvez, esse bucólico itinerário
onde há tinidos esparsos, sucupiras
de mantos lilases, ubaias douradas e
mel.
Soldados, pequenos soldados pardos,
ingênuos, cabeças de papel.
Furiosos sob a metralha, atravessando a
ponte, caindo como gafanhotos
verdes na cachoeira.
E somente restará, tímida, trêmula, sob
a bananeira da margem silenciosa,
a última da tribo dos mestiços da
Ponte Velha,
estúpida, olhando os heróis despedaçados
na água do rio inocente refletindo
pobres flores azuis e pau-d’arqueiros
com grandes túnicas de quaresma.
Todas as estradas por onde ainda
vagam sombras de sacrificados,
são iguais a essa da Ponte Velha.
Onde as caboclas felizes vão pela
manhã a cachoeira.
No vale onde estão ainda em paz
e em flor os cajueiros...

("Obra Reunida)

(20) O poema, certamente escrito durante a Segunda Guerra, não foi incluído
por OM no livro A canção da montanha (1955), tendo sido publicado em
1949, num dos jornais locais. O poeta fala em “estrada da guerra”, “Ponte
Velha”, “caboclas descuidadas”, “cachoeira”, pintando um quadro – sem
dúvida, crê o autor destas Notas – do que, diariamente via, ao se deslocar
de Natal para Parnamirim, onde trabalhava, à época do conflito mundial.
As caboclas eram a lavadeiras, a cachoeira a do rio Pitimbu e a ponte,
chamada de “Velha”, modernizada pela engenharia dos americanos, obra
d’arte da “Parnamirim Road”. O local, hoje em dia (2009), poluído e
devastado por obra e graça de especuladores e de autoridades desonestas,
não vale mais sequer um poema performático de algum maluco aqui da
Jerimulândia...(Nota de LAÉLIO FERREIRA DE MELO)


UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO