quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Comissão aprova veterinário gratuito para animais de pessoas carentes


Para o autor do projeto, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), o Brasil não investe em políticas públicas para tratar dos direitos dos animais domésticos. O Ministério da Saúde, em parceria com as prefeituras e os estados brasileiros, pode ser obrigado a disponibilizar atendimento veterinário gratuito aos animais de pessoas carentes, com renda familiar inferior a três salários mínimos. A Comissão de Seguridade Social aprovou o projeto de lei (PL 3765/12) que diz que caberá ao poder público municipal providenciar não só as consultas veterinárias, mas também a realização de cirurgias em geral. Projeto ainda deve passar por três comissões da Câmara.
 

 
Projeto ainda deve passar por três comissões da Câmara

A empresária e protetora de animais Leda Frota acredita que abandonos acontecem porque muitas pessoas não conseguem custear o atendimento veterinário e a aprovação desse projeto poderia mudar esse quadro.
 
"O mais caro para a pessoa que tem um animal de estimação e para quem também ajuda animais de rua é o veterinário, porque às vezes o caso nem é grave. Aí você leva, o veterinário diz: ‘é só essa medicação e o resto de remédio você dá em casa’. A gente pode comprar o remédio, pode comprar a ração, mas a consulta, o atendimento, eles cobram muito caro.
 
Então, facilitaria muito e isso, sim, não geraria o abandono."O deputado autor do projeto, Ricardo Izar, do PSD paulista, critica o fato de, segundo ele, o Brasil não investir em políticas públicas para tratar dos direitos dos animais domésticos. Ele também explica como o projeto vai ser viabilizado."Na verdade, quem faz o grande papel que o Estado deveria fazer são as ONGs de proteção animal, são as protetoras, os ativistas que trabalham na causa animal e que fazem um papel que deveria ser de responsabilidade do Estado.
 
O projeto contempla que podem ser firmados convênios com ONGs, universidades, com clínicas veterinárias particulares. Isso vai ficar a critério dos municípios, dos estados e da federação. Quem vai regulamentar isso vai ser o Ministério da Saúde."Paula Galera é professora em um hospital veterinário de Brasília e, para ela, mais do que oferecer atendimento, o governo deve fazer campanhas de conscientização com a população no que se refere à prevenção de doenças que coloquem em risco a saúde humana e o controle de natalidade dos animais.
 
"Dependendo da maneira como esse programa for feito e administrado, eu acredito sim que isso venha trazer um grande beneficio à população carente. E que seja dado foco, primordial, na educação dessa população, principalmente no que se refere à prevenção das doenças transmitidas entre os animais e dos animais para o ser humano, que são as zoonoses, e também no controle de natalidade desses animais."O projeto de lei ainda deve ser analisado pelas comissões de Meio Ambiente, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça.
 

CHACINA PROVOCADA POR UM DESVIRGINAMENTO

Por Gilberto Freire de Melo

Na periferia de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte, duas famílias se envolveram tragicamente num episódio amoroso de um casal que, olvidando o controle de seus instintos sexuais, fez valer o império dos seus desejos, sem qualquer preocupação com as consequências.
 
Eram cinco os filhos varões de Joaquim Teixeira, um representante da classe média alta da localidade. Frequentaram e frequentavam as melhores escolas, e os mais desenvolvidos ambientes sociais e de trabalho, numa acurada preocupação profissionalizante de seu pai. Enfim, todos com promissor desempenho na vida futura. Além de destacados representantes da sociedade local, eram dotados de relativa apresentação pessoal, tendo compleição física para além das exigências mínimas das moças casamenteiras da região, considerados se não ótimos, mas bons partidos para os olhos de familiares que queriam, para suas filhas, algo mais que os dotes da beleza pessoal.
 
Sem saber como, um dos filhos de Joaquim, chamado Lourival, inventou de namorar com Maria das Graças, de virtudes e conduta ilibadas, pertencente a uma família que igualmente se mantinha sob o respeito e a consideração da localidade e de onde pudesse chegar o conhecimento da postura de seus componentes, nada deixando a desejar com relação à nobreza de Lourival.
 
Não decorreu grande espaço de tempo e Maria das Graças, que, é bom salientar, era uma graça de mulher, embora a precocidade de sua formação, representando aquilo que se chama uma criança com gosto de mulher, queixou-se aos pais, através de uma senhora da vizinhança, que, não resistindo às investidas do namorado, tinha passado o pé adiante da mão e se encontrava desvirginada. Pedia que levasse ao conhecimento da família, pois sentia que Lourival estava espaçando as suas visitas, como se quisesse fugir da responsabilidade e afastar-se do distrito da culpa.
 
Dito e feito.A vizinha, a que Maria das Graças confidenciara o seu erro, não esperou por nada. Foi à casa de Antônio Borja, pai da ofendida, e passou todo o ocorrido para a esposa deste que, no mesmo dia, antes mesmo de passar a filha em confissão, contou ao marido que selou o cavalo e se mandou para a fazenda de Joaquim, a exigir reparação.
 
A conversa com o pai de Lourival deixou Seu Antônio preocupado pelo fato de não se configurar o propósito, como ele queria, de remiedar imediata e amistosamente a situação. Joaquim lhe prometera conversar com o filho para saber as suas intenções e daria ciência a ele, o pai da ofendida.
Não havendo a resposta prometida dentro do prazo estabelecido, Seu Antônio voltou a visitar a casa de Joaquim, ocasião em que os ânimos se alteraram e a conversa passou a ser menos amistosa. Lourival, que estava presente a tudo, alegou que não era dele a autoria, pois a própria Maria das Graças lhe confessara um erro anterior, não vendo qualquer pecado de sua parte na questão.
 
Humilhado, porém inconformado, Seu Antônio voltou para casa, sozinho, pensando no que seria de seus brios quando a população tomasse conhecimento. Nesses casos, a solidão se torna uma péssima conselheira. E durante todo o trajeto, parecia-lhe ouvir algumas vozes que, de tanto repetir a expressão acabou sendo utilizada por ele mesmo, falando sozinho, imitando a suposta voz que insistia. E se ouviu dizendo bem alto:
- Ou casa com ela ou comigo!
 
Chegou à casa, chamou a mulher e os quatro filhos homens e Maria das Graças que, dada a gravidade do momento, deixara de ser a Gracinha de seus quindins, Comunicou a todos que estava ciente do que ocorrera, que não tinha outro remédio além do casamento, e que estava disposta a enfrentar quem se atravessasse a contrariar os seus propósitos. Após sentir a aprovação de todos, repetiu o que lhe induzira aquela voz, durante a viagem:
- Ou casa com ela ou casa comigo.
 
Outras diligências se efetivaram sem, contudo, se manifestar qualquer disposição de Lourival para reparar a ofensa praticada que não seria digerida ou perdoada naquelas circunstâncias e naquelas paragens. Já se sabe que ofensa maior não existia, pois não estava em jogo apenas a virgindade da jovem, mas degradada, desmoralizada estava e ficaria toda a família e o nome que, a muito custo, se fazia respeitar desde priscas eras.
 
Assim, passaram-se os dias e num amanhecer qualquer, Seu Joaquim, o pai de Lourival, foi assassinado em sua residência por um desconhecido - quem sabe? - um pistoleiro de aluguel cuja frequência não era tão rara nos arredores.
 
A loucura tomou conta de todos os habitantes e conhecidos da família de Seu Joaquim que lamentavam o fato, porém, não tinham como o reprovar pois o apoio dado por ele à conduta de Lourival não podia conduzir a outro destino.
 
Até aí estava apagado o estopim, apesar de azeitado. Sepultado Seu Joaquim, os ânimos se acirraram e não houve mais sossego. Desapareceram, ou foram encontrados mortos, todos quantos se relacionaram com a aventura de Maria das Graças que provocara o assassino do pai de Lourival. Pai, irmãos, parentes de Maria das Graças pistoleiros envolvidos ou supostos de envolvimento não foram poupados. O próprio Lourival que fora o principal causador da morte de seu pai não foi perdoado e foi executado sem choro nem vela.
 
Assim, dando essas lições que se apagam facilmente da memória dos habitantes, resistiu bravamente esta honrada área geográfica, chamada Nordeste Brasileiro, sem contribuir, enquanto pôde, com a extinção desse legado de culturas medievais, transmitido por exigentes tradições e condutas religiosas praticadas ainda hoje por onde quer que se façam prevalecer o judaísmo, islamismo ou seus remanescentes.

Gilberto Freire de Melo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ah, como a vida é fugaz,
tão veloz e passageira.
A gente sofre de mais
por cada tolice,
por cada besteira.
Tudo um dia se desfaz
que a gente queira ou não queira.
O importante é viver em paz
pois quando olhamos pra traz
lá se foi a vida inteira.


Cristina Costa

Quem ama,
vive na eternidade.
Vai além do tempo,
da distância, da saudade
até da própria razão.
Porém longe da vista
não é longe do coração.


Cristina Costa
 

Implante espinhal pode fazer paralíticos voltarem a andar

E-Dura: implante estimula nervos responsáveis pelo movimento das pernas
e-dura
Ratos com diversos danos na espinha dorsal conseguiram voltar a andar por meio de um implante, indicando um novo tratamento para pessoas com paralisia.
Um grupo de cientistas franceses criou uma fita prostética, equipada com eletrodos e esticada ao longo da medula espinhal.
A prótese é maleável e consegue se adequar aos tecidos que revestem a espinha dorsal, evitando desconforto ao paciente.
Ratos com paralisia que receberam o implante foram capazes de andar sozinhos após algumas semanas de treinamento.
Os pesquisadores da Ecole Polytechinque Fédérale de Lausanne, na França, acreditam que o aparelho pode durar 10 anos em humanos, antes de precisar ser trocado.
O implante, chamado de "e-Dura", é eficiente pois imita o tecido mole que fica ao redor da espinha (o dura-máter), de forma que o organismo não rejeita sua presença.
"Nosso implante e-Dura pode permanecer por um longo período de tempo na medula espinhal ou cortex", afirma o professor Stéphanie Lacour, que participa do projeto.
"Isso abre novas possibilidades terapêuticas para pacientes que sofrem de traumas ou distúrbios neurológicos, especialmente indivíduos que ficaram paralisados após sofrerem danos na espinha", diz Lacour.
Maleabilidade - Experimentos anteriores mostraram que eletrodos e substâncias químicas implantadas na espinha podem assumir o lugar do cérebro e estimular nervos, fazendo com que as pernas se movam involuntariamente quando acionadas.
Esse é o primeiro estudo a mostrar que um simples dispositivo pode ajudar ratos a andar novamente e ser tolerado pelo organismo.
Os cientistas tiveram problemas para encontrar um aparelho que pudesse ser inserido próximo à espinha ou cérebro.
Isso porque ambos os órgãos são revestidos por um tecido que inflamar ou ser ferido pela superfície dura de implantes.
O novo dispositivo, porém, é flexível o suficiente para ser inserido diretamente na medula espinhal. Ele imita as propriedades mecânicas do tecido vivo e pode fornecer impulsos elétricos e drogas que ativam as células.
O implante é feito de silício e coberto com fios de ouro capazes de conduzir eletricidade.
Os eletrodos são de platina e também podem ser entortados em qualquer direção, sem quebrar.
O dispositivo foi testado principalmente em casos de danos na medula espinhal em ratos paralisados, mas os pesquisadores acreditam que ele poderá ser usado em pacientes com epilepsia, mal de Parkinson e com dores crônicas.
Os cientistas esperam começar os testes clínicos em humanos nos próximos anos.
Fonte:exame.abril.com.br
De: http://www.ceduf.com.br/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Rui Falcão assume defesa de Lula: 'Nunca um ex-presidente foi tão caluniado'

 
A partir da iniciativa do presidente nacional do PT, Rui Falcão, o partido deve iniciar uma série de ações no sentido de fazer a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
No sábado (07), em nota publicada no site do PT, Falcão afirma que nunca no Brasil um ex-presidente foi 'tão caluniado, difamado, injuriado e atacado como o companheiro Lula'. Para ele, há uma uma tentativa de linchamento moral e político de Lula, baseada em 'denúncias sem provas', 'como virou moda' nos últimos meses.
 
As críticas, segundo Falcão, são feitas por inconformados com a aprovação inédita que Lula tinha ao deixar o governo e partem de um 'consórcio entre a oposição reacionária, a mídia monopolizada e setores do aparelho de Estado capturados pela direita', que quer converter Lula em vilão.
 
'O legado de realizações a favor dos mais pobres, a elevação do Brasil no cenário mundial, os sucessos na educação, na saúde, nos programas sociais, na área da infraestrutura, em seus oito anos na Presidência, precisa ser destruído para que Lula não possa retornar em 2018. Ainda que ele nunca tenha dito que pretende voltar', diz o presidente do PT.
 
Na nota, afirma ainda que por mais que as explicações 'desmintam a farsa', a 'mídia conservadora prossegue com o massacre de mentiras': 'O dever da prova não é mais de quem acusa, mas de quem é acusado, delatado, caluniado. Como diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, 'primeiro aponta-se o criminoso, depois vasculha-se o crime'. Falcão convocou a militância do PT e 'quem tem compromissos com a democracia' a combater o que chama de 'cerco criminoso' ao ex-presidente Lula.
 
Um fato que deve ser observado é que a defesa aguerrida que Rui Falcão faz em relação a Lula e os argumentos que ele utiliza, não valem para todos, inclusive para outros petistas. Caso do senador Delcídio do Amaral, que Falcão, mesmo sem conhecer as acusações, sumariamente o condenou.
 
Da Redação
 
 http://www.jornaldacidadeonline.com.br

CARNAVAL ASSU

último dia de carnaval o bloco camaleão animará o carnaval em assú

BLOCO DO POVÃO
O bloco Camaleão sairá pelo quinto ano seguido nesta terça-feira de carnaval, animando as ruas do Assú. Os organizadores, através do empresário João Walace, confirmaram a concentração do bloco na terça-feira (09), no Posto Constantino, a partir das 17h, percorrendo as ruas Dr Luiz Carlos, Luiz Correia de Sá Leitão, Avenida João Celso Filho (parte), Rua João Pessoa, Rua Augusto Severo e finalizando na Av. Senador João Câmara, no Centro da cidade.
A folia de rua vai ficar por conta do mini trio puxado pelo ritmo de Almir Elétrico e banda! A festa é aberta ao público, o requisito é trazer muita alegria para pular no Bloco Camaleão no Carnaval do Assú. Simbora para o bloco do povão!!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Política: O que é ser esquerda, direita, liberal e conservador?

Andréia Martins
a Novelo Comunicação
 
Nas eleições presidenciais e estaduais de 2014, o Brasil assistiu a uma onda de discursos agressivos, especialmente nas redes sociais, que se dividiam em dois lados: os de esquerda e os de direita, associadas pela maioria aos partidos PT e PSDB, respectivamente.

Definir um posicionamento político apenas pelo viés partidário pode ser uma armadilha repleta de estereótipos, já que essa divisão binária não reflete a complexidade e contradições da sociedade. O fato é que não existe um consenso quanto a uma definição comum e única de esquerda e direita. Existem “várias esquerdas e direitas”. Isso porque esses conceitos são associados a uma ampla gama de pensamentos políticos.

Origem dos termos

As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799).
Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite.

Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual.

Com o tempo, as duas expressões passaram a ser usadas em outros contextos. Hoje, por exemplo, os
partidários que se colocam contra as ações do regime vigente (oposição) seriam entendidos como “de esquerda” e os defensores do governo em vigência (situação) seriam a ala “de direita”.

Para o filósofo político Noberto Bobbio , embora os dois lados realizem reformas, uma diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social enquanto a direita trabalha pela liberdade individual.

Após a queda do Muro de Berlim (1989), que pôs fim à polarização EUA x URSS, um novo cenário político se abriu. Por isso, hoje, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ parecem não dar conta da diversidade política do século 21. Isso não quer dizer que a divisão não faça sentido, apenas que ‘esquerda’ e ‘direita’ não são palavras que designam conteúdos fixados de uma vez para sempre. Podem designar diversos conteúdos conforme os tempos e situações.

"Esquerda e direita indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence habitualmente à ação política, contrastes não só de ideias, mas também de interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade, contrastes que existem em toda a sociedade e que não vejo como possam simplesmente desaparecer. Pode-se naturalmente replicar que os contrastes existem, mas não são mais do tempo em que nasceu a distinção", escreve Bobbio no livro "Direita e Esquerda - Razões e Significados de uma Distinção Política".

No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda.
Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias. Hoje, os partidos de direita abrangem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e ainda o nazismo e fascismo na chamada extrema direita.

Na esquerda, temos os social-democratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema-esquerda temos movimentos simultaneamente igualitários e autoritários.

Há ainda posição de "centro". Esse pensamento consegue defender o capitalismo sem deixar de se preocupar com o lado social. Em teoria, a política de centro prega mais tolerância e equilíbrio na sociedade. No entanto, ela pode estar mais alinhada com a política de esquerda ou de direita. A origem desse termo vem da Roma Antiga, que o descreve na frase: "In mediun itos" (a virtude está no meio).

A política de centro também pode ser chamada de "terceira via", que idealmente se apresenta não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.

Essas classificações estariam divididas no que podemos chamar de uma “régua” ideológica:
EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA

Para os brasileiros a diferença entre as ideologias não parece tão clara. Em 2014, durante as eleições, a agência Hello Research fez um levantamento em 70 cidades das cinco regiões do Brasil perguntando como os brasileiros se identificavam ideologicamente. Dos 1000 entrevistados, 41% não souberam dizer se eram ideologicamente de direita, esquerda ou centro.

A porcentagem dos que se declaram de direita e esquerda foi a mesma: 9%. Em seguida vem centro-direita (4%), centro-esquerda e extrema-esquerda, ambas com 3%, e extrema-direita (2%). Quando a pergunta foi sobre a tendência ideológica de sete partidos (DEM, PT, PSDB, PSB, PMDB, PV, PDT, Psol, PSTU), mais de 50% não souberam responder.

Em determinados momentos da história, ambas as ideologias assumiram posturas radicais e, nessa posição, tiveram efeitos e atitudes muito parecidas, como a interferência direta do Estado na vida da população, uso de violência e censura para contra opositores e a manutenção de um mesmo governo ou liderança no poder.

Ao longo do século 20, parte do pensamento de esquerda foi associada a bases ideológicas como marxismo, socialismo, anarquismo, desenvolvimentismo e nacionalismo anti-imperialista (que se opõe ao imperialismo).

O mesmo período viu florescer Estados de ideologias totalitárias como o nazismo (1933-1945), fascismo (1922-1943), franquismo (1939-1975) e salazarismo (1926-1974), que muitas vezes se apropriaram de discursos da esquerda e da direita.

Outro tema fundamental para as duas correntes é a visão sobre a economia. Os de esquerda pregam uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda. Os de direita seriam associados ao liberalismo, doutrina que na economia pode indicar os que procuram manter a livre iniciativa de mercado e os direitos à propriedade particular. Algumas interpretações defendem a total não intervenção do governo na economia, a redução de impostos sobre empresas, a extinção da regulamentação governamental, entre outros.

Mas isso não significa que um governo de direita não possa ter uma influência forte no Estado, como aconteceu na Ditadura. Em regimes não-democráticos, a direita é associada a um controle total do Estado.
O termo neoliberalismo surgiu a partir dos anos 1980, associados aos governos de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, que devido à crise econômica do petróleo, privatizaram muitas empresas públicas e cortaram gastos sociais para atingir um equilíbrio fiscal. Era o fim do chamado Estado de Bem-Estar Social e o começo do Estado Mínimo, com gastos enxutos.

Para a esquerda, o neoliberalismo é associado à direita e teria como consequências a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado, o que poderia gerar mais desigualdades sociais.

O liberalismo não significa necessariamente conservadorismo moral. Na raiz, o adjetivo liberal é associado à pessoa que tem ideias e uma atitude aberta ou tolerante, que pode incluir a defensa de liberdades civis e direitos humanos. Já o conservador seria aquele com um pensamento tradicional. Na política, o conservadorismo busca manter o sistema político existente, que seria oposto ao progressismo.
Direita e esquerda também têm a ver com questões morais. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, com a direita assumindo a defesa da família tradicional. Nos Estados Unidos, muitos eleitores se identificam com a chamada direita cristã, que defendem a interferência da religião no Estado.

No entanto, vale destacar que hoje muitos membros de partidos tidos como centro-direita defendem tais bandeiras da esquerda, exceto nos partidos de extrema-direita (como podemos observar na Europa), que são associados ao patriotismo, com discurso forte contra a imigração (xenofobia).
Andréia Martins

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO