sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Cachaça, mel de abelha e limão, o remédio certo para combater o CORONAVIRUS. Essa combinação ainda é considerada na medicina popular nordestina como um dos melhores remédios para combater a gripe. Acrescido ainda de alho fresco, um excelente antibiótico natural. Mas, cuidado. Se for dirigir, não beba!

Fernando Caldas
 

Açude Mendubim está com mais de 73% da sua capacidade máxima

De: https://assutododia.blogspot.com

O mais recente Relatório de Situação Volumétrica dos Reservatórios do Rio Grande do Norte atualizado nesta quinta-feira, 27 de fevereiro aponta que após as recentes chuvas alguns mananciais receberam acréscimo no seu aporte de água. O mais expressivo foi observado na cidade de Encanto, o açude de mesmo nome no Alto oeste potiguar que, passou de 73,60% da sua capacidade para 95,59%, faltando 20 centímetros para verter. Outros açudes que receberam bons volumes de água foram: Tourão, localizado em Patu, que passou de 18% da sua capacidade para 22,15%; Mendubim, localizado em Assú, passou dos 71,93% para 73,49%; e Morcego, localizado em Campo Grande, que passou dos 29,21% de sua capacidade para 31,06%. Já o maior reservatório do Estado, com capacidade para 2,37 bilhões de metros cúbicos, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, atualmente acumula 534 milhões 605 mil 124 metros cúbicos, correspondentes a 22,53% do seu volume total. Em relação ao último relatório divulgado no dia 18 de fevereiro, o manancial também apresentou um acréscimo de volume de 13 milhões 516 mil 359 metros cúbicos, passando dos 21,96% de sua capacidade para os atuais 22,53%.

Fundeb, Piso, Carreira do Magistério: o alerta acendeu






 
O Fundeb, que é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação atende da creche ao ensino médio. Trata-se de um importante compromisso do Brasil com a educação, na medida em que assegura recursos que só podem ser investidos na Educação Básica.

Diferentemente do que se dissemina no senso comum, o Fundeb não se trata de um recurso enviado pelo Governo Federal para manter a educação de estados e municípios. O portal do Ministério da Educação informa que, “em cada estado, o Fundeb é composto por percentuais das seguintes receitas: Fundo de Participação dos Estados (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional às exportações (IPIexp), Desoneração das Exportações (LC nº 87/96), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCMD), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), cota parte de 50% do Imposto Territorial Rural (ITR) devida aos municípios. Também compõem o fundo as receitas da dívida ativa e de juros e multas incidentes sobre as fontes acima relacionadas.” 

Desde que foi criado, a União complementa o Fundeb naqueles estados que somados os recursos da cesta de impostos e divididos pelo número de alunos matriculados, o valor é inferior ao custo aluno definido para todo país em portaria do MEC. No caso do RN não há essa complementação. Ela só seria necessária se o estado arrecadasse menos do que arrecada  ou se tivesse uma matrícula maior do que a que tem. Em tese, o Fundeb do RN é suficiente para o número de alunos que atende. 

Mas por que, na prática, o Fundeb não tem sido suficiente para prover a educação do RN? primeiro porque não basta contar somente com o Fundeb. Sozinho esse importante Fundo não faz frente a todas as necessidades, tanto é que a constituição estabelece que estados e municípios apliquem, na Educação, o mínimo de 25% de sua receita resultante de impostos e transferências. Além do Fundeb e dos 25%, ainda há os recursos do Salário-Educação e dos convênios federais. 

Segundo, no RN o Fundeb torna-se insuficiente porque há uma flagrante desarrumação da rede de escolas, tema que já abordei em outras postagens. Há escolas, professores, gestores, terceirizados… demais para estudantes de menos. Com estudantes de menos o Fundeb não é demais, não sobra, não suporta pagar a conta e, sendo assim, faltam recursos para garantir a valorização dos profissionais na dimensão merecida e que é desejada por todos. O estado precisa garantir os recursos não somente para o reajuste anual do piso salarial do magistério, que envolve os aposentados e pensionistas, mas também para as progressões na carreira daqueles que estão em atividades. 

É preciso que se faça a gestão da rede de forma responsável, ética e profissional, de preferência sem a oposição corporativista  na  maioria das vezes corriqueira. Por outro lado, não se conseguirá sanear a folha de pessoal, por exemplo, retirando professores de sala de aula e gerando a necessidade de sucessivas convocações de temporários ou mesmo de efetivos. Atentemos: sem medidas urgentes e racionais, nem com o novo Fundeb, que se espera o aumento do aporte de recursos, a conta fechará. 

Não nos enganemos, porque sempre é possível piorar: o alerta acendeu, também, para os servidores da educação que estão na ativa.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020


"POUCAS E BOAS"


 



Do livro "Poucas e Boas", de Valério Mesquita, 2008 (imagem acima). O texto abaixo também fora publicado no Jornal Tribuna do Norte, de Natal.

1 - Fernando Caldas, assuense de ótima qualidade, poeta e pesquisador, enviou-me alguns "causos" folclóricos de sua região. Agradecendo a remessa, vamos juntos nos deliciar com as suas histórias. Chico Dias trabalhou para o deputado Arnóbio Abreu, nas eleições de 1998. Logo após o pleito, foi à casa de Zeca Abreu, irmão de Arnóbio, para um entendimento político. Ao chegar, foi atendido pelo motorista de Zeca que lhe respondeu ao ser indagado pelo paradeiro de seu patrão. "Chico, Zeca encontra-se no banheiro com uma forte dor de barriga". Chico mandou chumbo grosso: "Meu amigo, eu não vim aqui comer o cedenho dele, não!!"


2 -Fernando Caldas contou que Bonzinho, lá do Açu, estava bebendo em um bar da cidade quando foi surpreendido por Joca Marreiro, seu pai, que lhe convidou a ir para casa pois já era noite alta. Aceitou o convite paterno, mas foi taxativo e solene: "Papai, vá na frente que o mundo tá cheio de gente ruim".


3 - Comício de Ronaldo Soares em Açu. O povo doidão na praça. O locutor vibrante anuncia a palavra de Chico Galego, candidato a vereador, líder da Lagoa do Piató. Ao receber o microfone sem fio, assustou-se com o equipamento e tratou de reclamar: "Cadê a correia dele Lourinaldo, cadê a correia, esse bicho não vai falar de jeito nenhum!!!. Aí a galera vibrou.


4 - Açu é um filão de estórias que não tem fim. Ronaldo Soares, captador permanente dessa atmosfera densa e intensa, passou-me mais uma. Seu conterrâneo Zé Gago andava ás turras com a esposa Isabel. Em suma havia arranjado uma rival. Revoltada, a família se reuniu para lavrar aquele protesto e chamar o esposo e pai à responsabilidade. Em sua defesa, Zé Gago veio com um argumento genial: "Meus filhos, arranjei uma mulher, é verdade, mas foi pra poupar sua mãe". Inconformada, dona Isabel saiu do seu silêncio: "Se foi por esse motivo, pode me rasgar toda!!.


5 - Tico, motorista do ex-deputado Arnóbio Abreu, não foge à regra de muitos profissionais bons, mas broncos e teimosos demais. Certa noite, num comício em Açu apareceu por lá o servidor da secretaria de Saúde Alan Rio. Ao vê-lo, Tico comentou que já vira antes esse rapaz. Um interlocutor presente o ajuda afirmando que o nome dele é Alan. Tico repreende: "Não, Alan é apelido!!. Chamando a intervir, Arnóbio confirmou que o nome do visitante é Alan. Tico, na sua teimosia homérica, retruca: "Não, doutor Arnóbio, Alan é de ovelha por isso, é apelido mesmo"!!.


6 - Jobeni Machado, fazendeiro do Açu, lá pelos anos setenta não teve dificuldades para aprender, ao pé da letra, as lições dos filósofos da economia da época. Endividadíssimo e instado a pagar pelos bancos oficiais os seus empréstimos agrícolas vencidos e esquecidos, Jobeni utilizou a máxima do faraó Delfim Neto, ministro da fazenda: "Dívida pública não se paga, se rola". Não foi à toa que o governador de Minas Itamar Franco se inspirou no exemplo. No caso de Açu, até hoje tá rolando.



7 - Fernando Caldas manda-me algumas poucas e boas da rica safra açuense. Manoel Montenegro Neto (Manuca) disputou sem sucesso a prefeitura de Açu, em 1976, contra Sebastião Alves. Manuca foi deputado estadual por duas legislaturas e deputado federal durante alguns meses. Pertencendo ao então MDB, fazia discursos inflamados cumprindo o seu papel de oposição, combatendo a inflação e outros bichos. "Meus amigos, senhores deputados, quem é que pode comer uma galinha por três cruzeiros?" (moeda da época), indaga Manuca pateticamente da tribuna da assembleia. Um correligionário que ouvia atentamente o seu pronunciamento respondeu da galeria: "O galo, Manuca!".


8 - Junot Araújo dos Santos foi vice-prefeito na chapa de Lourinaldo Soares nas eleições municipais de 1992 em Açu. Junot prometeu na campanha a uma senhora, uma cirurgia de períneo. A operação seria feita pelo seu pai dr. Nelson, logo após as eleições. Certo dia, a eleitora procurou o vice-prefeito com outra conversa: "Junot, no lugar da cirurgia me arranje cinco sacos de cimento". Fátima, sua mulher, escutando a exploração daquela eleitora, saiu-se com essa: "Essa égua quer agora tapar o buraco com cimento!”.

9 - Ronaldo Ferreira Dias era importante funcionário do Senado da República. Norte-riograndense de Lages e com muita ligação no Açu. Nas eleições de 1982 concorreu a deputado federal mesmo sem ter vivência política no Estado do Rio Grande do Norte. Ronaldo seria o segundo suplente com qualquer votação. Foi a Açu e procurou seu primo Chico Dias que era candidato a vereador para fazer a sua campanha no município assuense. Certo dia telefonou de Brasília para o primo: "Chico, como vai a aceitação do meu nome por aí?" Chico respondeu pausadamente: "Ronaldo, saí de casa com mil fotografias (santnhos) suas e voltei com duas mil".
Não sei como te aquecer. És de outro e não me esqueço
Mal grado o coração me pedir que te odeie,
Não sei te aborrecer e te odiar, não sei:
- Amor do meu amor para mim não mereço.
Alguém que o amor vingar no coração, o preço
da saudade lhe dê: - o preço que lhe dei.
Porque o preço do amor quando traído, eu sei,
E´o preço da tortura e o gozo quando avesso.

João Lins Caldas

AS TIRADAS DE "GOLINHA"

Walter de Sá Leitão ou "Golinha" (seu apelido carinhoso) fora procurado certo dia, por Adauto Tinôco, então escrivão da Polícia Militar na cidade de Assu que pedir a Walter uma sugestão para dá o nome de um bar que ele pretendia instalar na cidade de Assu. Adauto ao seu encontrar com Walter fora direto ao assunto: "Compadre Walter, me dê uma sugestão de um nome para eu colocar no meu bar que estou instalando. Agora, eu quero um nome pequeno, porém que chame muita atenção! - Walter sem nem pestanejar sugeriu: "CU, tá bom Comádre Adauto?" - Para risos dos circunstantes.

(Mas não é que em Natal tem um bar no bairro de Lagoa Nova muito frequentado denominado "Bar do KU". Walter tinha razão).

Walter ainda moço, sessenta e poucos anos de idade, entregou-se, prostrou-se numa rede esperando a pancada do gongo chegar como diz Renato Caldas. Certa vez, fora visitado por uma amiga que, ao chegar na sua residência perguntou-lhe pelo seu estado de sua saúde. Walter respondeu: 'Minha amiga, estou feito panela de barro. Me acabando pelo fundo!"
 

Certo compadre de Walter (ele tinha, penso eu, centenas de afilhados) já casado há mais de cinco anos vivia preocupado porque sua mulher ainda não teria engravidado. Fato este que comentou com ele, Walter. Tempos depois sua mulher apareceu grávida e, feliz da vida, aquele compadre foi ao encontrar de Walter para lhe dá a seguinte notícia: "Compadre Walter. Minha mulher está gravida". - Walter não pensou duas vezes, dizendo de tal modo: "E você desconfia de quem?"
PARAFRASE

De um tema popular

Deus lhe dê muito dinheiro!
Deus lhe sarve meu patrão;
Que ouro, prata e briante,
Faça cama em sua mão
Mas, a ganança num manche
A sua reputação!
Que um dia, seje gunverno
Sem precisá inleição
E sarve o nosso Brasí
Da triste situação.
... E, se um dia mecê pendê
Pras bandas do meu sertão:
Lá em casa, a casa é sua,
Com carne gorda e pirão,
Com raspadura do Bréjo,
Mangunzá e requeijão...
Tem um criado pra lavá
E selá seu alazão,
Tem uma tipóia remendada,
Uma esteirinha no chão,
Uma vióla afinada
Pra gemê nas suas mão,
Um oratóro cheio de santo
Pra ouvi sua oração,
Uma muié pra lhe serví,
Numas coisa... noutras não.


Renato Caldas

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

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FRANCISCO AMORIM, O POETA DA SERIEMA

Francisco Augusto Caldas de Amorim (Chisquito) como era chamado carinhosamente, foi servidor público federal, poeta, escritor, jornalista, fundador de jornais como "A Cidade", o jornal mais antigo do interior do Estado, que circulou durante 25 anos, sob a organização dele, Francisco Amorim e de seus irmãos Otávio e Palmério Filho. Ele era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Potiguar de Trovas, entre outras instituições culturais do Estado Norte-rio-grandense e do Brasil. Foi prefeito do Assu (1953-58, sucedendo Edgar Borges Montenegro), presidiu durante muito tempo, o Banco Rural do Assu, que depois veio a ser Cooperativa Agropecuária do Vale do Açu Ltda.

Chisquito publicou diversos livros, e o seu trabalho engrandece as letras potiguares como A Eucaristia e a Questão Social, 1944 (conferência), Discurso de Saudação aos Prefeitos, 1961, Eu Conheci Sesióm, 1961, Seriema e Outros Versos, 1965, Galeria do Lions, 1969, História do Teatro no Assu, 1972, Colégio Nossa Senhora das Vitórias, 1977, As Vantagens da Eletrificação Rural (cordel), 1978, Titulados do Assu, 1982, O Assu No Roteiro das Glosas, 1983, Nos Tempos de Cristo, Assu da Minha Meninice, 1982, Trovas à Toa, 1991, Forrobodó, 1984, História da Imprensa do Assu, 1965, Teu Livro (versos), 1965, O Homem e as Cooperativas, 1965, A Reforma Agrária e o Trabalhador Rural, 1988 e Essências, 1991.

Chisquito faleceu no dia 23 de abril de 1994, aos 94 anos de idade e está enterrado no Cemitério São João Batista, de Assu. Foi ele, penso eu, o escritor assuense que mais escreveu sobre a sua terra e sua gente. Ficou conhecido no meio literário como "O Poeta da Seriema". Vejamos seu célebre soneto:

Na doce evocação do seu ledo passado,
A seriema vê, como num sonho lindo,
O riacho correndo, o Mofumbo ensombrado,
O cipoal a crescer, para o alto subindo.

E belo o panasco, o amplo campo rasgado,
As expansões febris do juremal florindo,
A sombra da oiticica o tresmalho do gado,
A alva flor do cardeiro alvas rosas abrindo.

A lembrança lhe vem dos tempos seus ditosos,
Correrias na mata, os ermos pedregosos,
Verde vegetação desabrochando a terra,

E na concentração ascética de um monge,
A pernalta desperta, olhando e vendo longe,
O panorama azul, belíssimo da terra.

LEMBRANDO EPIFÂNIO BARBOSA


Era eu, menino ainda quando tive o privilégio de ter conhecido Epifânio Barbosa. Tipo baixo, de cor morena, garboso, jeitão sertanejo, sabido no bom sentido. Fazendeiro, negociante de gado, proprietário da fazenda Cruzeiro, localizado no caminho do Riacho, distrito de Assu. Amigo leal de meu avô materno Fernando Tavares (Vemvem) que foi também fazendeiro naquela região e amigo de Epifânio. Lembro-me dele, Epifâneo, frequentando assiduamente as reuniões sociais na calçada do rico e antigo casarão do casal Maria Eugênia e Nelson Montenegro. Ele era proprietário da famosa Fazenda Cruzeiro, localizada no caminho do Riacho (distrito do Assu).

Epifânio tinha um mundo de amigos e era admirado por todos daquela região.. Homem de poucas letras, porém sabido nos negócios de gado, sábio na maneira de viver e ver a vida, espirituoso como ninguém. O governador Dix-sept Rosado de quem ele era amigo íntimo, que o conheceu por intermédio de Vemvem, deliciava-se com suas tiradas de espírito, as suas estórias pitorescas, os seus repentes. Nas festas políticas, não perdia a oportunidade para discursar. A sua oração com aquele seu linguajar matuto, estapafúrdio, que tinha um sentido filosófico e lhe fazia gracioso, encantava e agradava a leigos e eruditos.

Epifânio não tinha inibição, era despachado, desenrolado, grosseirão nas palavras que dizia e nos seus gestos. Certa vez, a deputada federal Ivete Vargas, visitava a cidade de Mossoró. Epifânio, Getulista que era, resolveu ir até aquela cidade conhecer aquela parlamentar petebista, neta de Getúlio Vargas. Ao chegar ao aeroporto daquela terra do oeste potiguar, uma multidão incalculável se encontrava presente naquele local, prestigiando a filha do presidente Vargas. Epifânio usando da habilidade que lhe era peculiar, "como um relâmpago inesperado", meteu-se no meio daquela multidão e, ao se aproximar de Ivete, bateu com a mão no 'bunbum' daquela deputada, Ivete assustou-se, virou-se e ficou de frente, olho no olho com Epifânio que se apresentou, dizendo naquela sua forma graciosa de dizer as coisas: "Muito prazer, deputada. Sou Epifânio Barbosa do Assu. Nunca bati na bunda de uma mulher, pra ela não olhar para trás!"

Epifânio imortalizou-se na "pena fulgurante e adestrada", da escritora assuense de Lavras, Maria Eugênia, no romance intitulado "O Sertanejo", do qual é o seu protagonista, encarnado no personagem Lourenço. Aquela mulher de letras começa a narrativa do seu belo e original romance dizendo que "na aridez das caatingas, Lourenço viu-se jogado no mundo. De estatura mediana, saudável, inteligente, rosto largo e moreno, era figura popular no Vale do Açu, a rica região onde as carnaubeiras, com seus leques entreabertos, emolduravam de verde os longínquos horizontes, ao abano constante dos ventos.

Herdara dos ancestrais a tenacidade na luta pela vida. Corpo rajado, espírito forte, aceitava com a alegria ou sem amargor, tudo o que a vida lhe oferecia em suas variadas contingências.

Ali nascera e se fizera homem. Integrado à terra, como os verdes juazeiros, que heroicamente resistem a todos os ventos. Lourenço, ali possuía raízes como as agigantadas árvores que não poderiam ser transplantadas. Não se aclimataria jamais em qualquer lugar."

Afinal, fica este artigo que tem sobretudo o sentido de resgatar, relembrar, apresentar aos mais jovens, Epifânio Barbosa, o que ele representou para o folclore regional, a pecuária das várzeas e dos sertões do Assu e, finalmente, nas palavras do poeta popular, homenageio e reverencio a  memória de Epifânio Barbosa.

"Muito gado na fazenda,
Vacas, bezerros, garrotes.
Diversos reprodutores,
Novilhas e novilhotes,
Muitas cabras e cabritos,
Pulando pelos serrotes"

Fernando Caldas


 REVISTA SIUZA CRUZ, RIO DE JANEIRO