quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

UM POETA BOÊMIO E IRREVERENTE


Ascenso Ferreira nasceu na cidade de Palmares, interior do Estado do Pernambuco, em data de 1895 e faleceu no Recife em 1965. Poeta boêmio, irreverente. Ascenso era amigo de Juscelino Kubistchek e chegou a participar ativamente da sua campanha a presidência da república, em 1955. Estreiou nas letras brasileiras publicando, salvo engano, o volume sob o título "Catimbó". Um dos seus versos mais notórios, diz assim:

Hora de comer - comer!
Hora de dormir - dormir!
Hora de vadiar - vadiar!
Hora de trabalhar?
- Perna pro ar que ninguém é de ferro!

... Sonhos possuem anos...
Asas do desejo...
Asas da esperança...
Asas do amor...
Asas da fé...
Desejo que seu novo ano seja de PAZ.
Que a esperança nunca o abandone.
Que a FÉ seja sua companheira constante.
Que o AMOR faça parte do dia-a-dia.
Nunca abandone seus SONHOS...
Nunca perca suas ASAS...
"Amanhã será um nono dia..."
Um novo nascer do sol,
Um novo começo, uma nova chance,
Basta sonhar e acreditar...

Um grande abraço de, Jadson.


domingo, 28 de dezembro de 2008

SONETO DE AMOR

DESPEITO

Digo o que noutro tempo não diria:
Foi tudo um grande sonho enganador...
Nego o passado, e juro que este amor
Só existiu na tua fantasia...

Sinto a volúpia da mentira! A dor
Não transparece. Nego... Que alegria!
Fiz crer ao mundo inteiro, por magia!
Que és de todos os homens o pior...

Nunca me entristeceu esse sorriso...
E vê-la tu, se tanto for preciso,
Nego também as cartas que escrevi!

Quero humilhar-te, enfim... Mas não entendo
Porque me exalto e choro e ti defendo,
Se alguém, a não ser eu, diz mal de ti...

Virgínia Victorino

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

MEUS OLHOS

(...) Meus olhos são uns olhos para não se ver
Ninguém para ver meus olhos
Meus olhos são uma tarde, meus olhos são uma tarde para sempre entardecer.

João Lins Caldas

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

POESIA

ORGULHO

És orgulhoso e altivo, também eu...
Nem sei bem qual de nós o será mais...
As nossas forças são rivais:
Se é grande o teu poder, maior é o meu...

Tão alto anda esse orgulho!... Toca o céu.
Nem eu quebro, nem tu. Somos iguais.
Cremo-nos inimigos... Como tais,
Nenhum de nós ainda se rendeu...

Ontem, quando nos vimos, frente a frente,
Fingiste bem esse ar indiferente,
E eu, desdenhosa, ri sem descorar...

Mas, que lágrimas devo àquele riso,
E quanto, quanto esforço foi preciso,
Para, na tua frente, não chorar...

Virgínia Victorina
(Poetisa portuguesa)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

PAPAI NOEL


MONÓLOGO DO NATAL

Por Aldemar Paiva*

Não gosto de você Papai Noel.
Também não gosto desse seu papel
De vender ilusões a burguesia.
Se os garotos humildes da cidade,
Soubessem do seu ódio à humanidade.
Jogavam pedras nessa fantasia!

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa e me tornei rapaz,
Sem esquecer no entanto o que passou.
Fiz-lhe um bilhete pedindo um presente,
A noite inteira eu esperei contente,
Chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai cansado
Trousse um trenzinho velho, empoeirado,
Que me entregou com certa hesitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
"É pra você... Papai Noel mandou..."
E se esquivou contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
Pensei que meu bilhete com atraso
Chegara às suas mãos no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu,
Deu muitas voltas, meu pai sorriu
E me abraçou pela última vez.

O resto só eu pude compreender
Quando cresci e comecei a ver
Todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a medo:
"Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade".

Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar,
E como quem não quer abandonar
Um mimo que lhe deu quem lhe quer bem,
Disse medroso: "Eu só quero ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele
E por favor, não vá trocar meu trem".

Meu pai calou-se e pelo rosto veio
Descendo um pranto que eu ainda creio,
Tão puro e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído,
Mamãe gritou, ele não deu ouvidos,
Saiu correndo e nunca mais voltou.

Você Papai Noel, me transformou
Num homem que a infância arruinou,
Sem pai e sem brinquedos. Afinal,
Dos seus presentes, não há um que sobre
Para a riqueza do menino pobre
Que sonha o ano inteiro com o Natal!

Meu pobre pai doente, mal vestido,
Para não me ver assim desiludido,
Comprou por qualquer preço uma ilusão:
Num gesto nobre, humano e decisivo,
Foi longe pra trazer um lenitivo,
Roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara. No entanto
Depois de grande, minha mãe, em pranto,
Contou-me que fora preso. E como réu,
Ninguém a absolvê-lo se atrevia,
Foi definhando, até que Deus um dia
Entrou na cela e libertou pro céu!

*Aldemar Paiva é jornalista, poeta, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras, animador cultural, radialista, apresentador do programa "Pernambuco Você é Meu", da Rádio Clube de Pernambuco. Paiva gozava da amizade com o poeta assuense Renato Caldas, a quem sempre visitava quando de passagem para. Paiva, sempre declama os poemas do velho poeta assuense, falecido em 1991, através daquela rádio da terra pernambucana.




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VIRGÍNIA VICTORINO

Virgínia Victorino, poeta sonetista e dramaturga portuguesa de Alcabaça. Nasceu no dia 13 de agosto de 1898 e faleceu em 1967. Por sinal, o amargurado e amoroso poeta potiguar, também sonetista, chamado João Lins Caldas, era um dos seus admiradores de Virginia. No dia em que veio a falecer em 1967, conta-se que estava a ler o livro sobre o título "Apaixonadamente", daquela poeta lusitana autora do livro "Namorados, já em quatorze edições. A primeira é de 1918. De Virgínia conta-se que ela "foi amada e odiada ao extremo". Seus versos são recheados de melancolia. e paixão. Transcrevo adiante o soneto  sob o título "Renúncia", que diz assim:

Fui nova, mais fui triste... Só eu sei
Como passou por mim a mocidade...
Cantar era o dever da minha idade!
Devia ter amado e não cantei...

Fui bela... Fui amada e desprezei
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado e não amei...

Si de mim!... Nem saudade, nem desejos...
Nem cinzas mortas... Nem calor de beijos...
Eu nada soube, eu nada quis perder...

E o que me resta?! Uma amargura infinda...
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda...
E que é tão tarde já, para viver!...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

POESIA

Só faltam usar maçarico
Instrumento de arrombar
E o povo fica a clamar
É pena o Brasil tão rico!
Com essa gente eu não fico,
Quero servir de espião,
Mas, todo esforço é em vão,
Roubam mesmo sem respeito,
Para o Brasil não há jeito
Com tanto filho ladrão.

Luizinho Caldas

AMÉRICO SOARES DE MACEDO

O bardo assuense Américo Soares de Macedo era membro de uma família vocacionada para a poesia. Publicou em 1939, dois livros sob o título "Sombras" (sonetos) e "Motes e Glosas". Daquele último volume, está transcrito a décima (glosa), que diz asim:

Ante o prazer me detive,
Gosei a vida um momento,
Depois veio o desalento,
Assim vive, quem não vive.
De sofrer, não me contive,
Procurei então saber,
Se a gente deve morrer,
Por não achar neste mundo,
Um amor firme e profundo
Com quem deseja viver.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"DIO COME TI AMO"


O filme intitulado Dio come ti amo, na minha observação, foi o filme que mais rodou na telinha do Cine Theatro Pedro Amorim, de Assu (1966,67,68, 69,70). É o meu filme favorito. Relembra a minha adolescência prazenteira e feliz, na minha cidade então provinciana chamada Assu. O filme é dirigido por Miguel Iglesias e a canção Dio come ti amo, é de Domenico Modugno. Gigliola interpreta além daquela canção, No ho lé´tà, dentre outras.. Gigliola (Gigliola di Francesco), a protagonista, é uma jovem inocente e bela, de família pobre que se apaixona por um jovem rico chamado Luis (Mark Damon), noivo de sua melhor amiga. Vejam o vidio do filme que levou multidões às salas dos cinemas.

"O ASSÚ É +"

Da esquerda para a direita: Mara Betúlia de Sá Leitão Boettcher (brasileira, potiguar de Assu), acompanhando a senadora (natural de Chicago) do Estado de Nova Iorque, Hillary Clinton. Hillary já foi primeira-dama dos Estados Unidos na qualidade de esposa do ex-presidente Bill Clinton. É pré-candidata a presidente por aquele país, pelo Partido Democrata. Fica o registro desta ilustre assuense, que atualmente mora em East Lansing, Michigan (EUA). Ela, Mara, é filha do ex-prefeito do Assu/RN, Walter de Sá Leitão que hoje empresta o seu nome a universidade daquela terra assuense. É por isso que eu concordo com o jornalista Alderi Dantas, com a sua campanha que tem como lema: "O Assu é +".

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO