sexta-feira, 14 de maio de 2010

ASSU EM VERSOS IV

ASSU

Por Geraldo Dantas

Assu, gleba feliz de rútilos poetas
Que a musa, enternecida, inspira, ardentemente!
Predestinado povo, em tua rima quente
Tua própria grandeza em versos intepretas!

Longe, as carnaubeiras tremulam, mansamente!
O leque em riste aos céus, garbosamente eretas,
Sempre a cantar hosanas à deusa dos estetas
Tal como um eterno hino ao Deus onipotente.

Oh! terra de grandeza... excelsa maravilha!...
Como é bela e risonha a majestosa trilha
Que palmilhas, cantando, em fulvos estribilhos.

Teu rio é um magistral poema alexandrino
Cinzelado ao calor de um sol alabastrino
Pela fada do amor, na pena dos teus filhos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu pergunto ao mundo das estrela
O que fora das estrelas se poderiam um dia se conceber.
- Fora das estrelas, todas as estrelas...
o Mundo  das estrelas não podia mesmo outra coisa conceber.

João Lins Caldas, poeta potiguar do Açu.

VELHOS CARNAVAIS DO ASSU

quarta-feira, 12 de maio de 2010



"Viajando o Sertão (IV)"

[Percurso – Santa Cruz – Cabeço Branco – Serro Corá – São Romão – Angicos – Assú - Paraú]

"Rodamos para Paraú, povoação que bati inteira com os pés infantis, há vinte anos. Corríamos em campos suaves, ladeados de vegetação fina e verde. Conversa-se em plantas têxteis, aproveitamento de fibras. Eu penso em Assú. Assú era a cidade literária da Província como Natal era a capital política. (...) Van Gennep demonstrou isto. Assú era, literariamente, o mais vivo centro da Província até os anos da República. Depois as andorinhas políticas cortaram os ares (...) para outros quadrantes. Assú ficou deserto e cheio de recordações (...). Lembro-me do velho Lucas Vanderlei, orgulhoso do Assú, recordando-lhe o passado. Tempo velho. (...) o caminho não permite um ‘memorial day’ assuense."
"O auto corre, galga os primeiros metros, num impulso rouco, pára trepidando (...). Um a um os autos se detém. Eu aproveito para pular a cerca e ir ver um milharal, imenso, (...), cheirando a São João, prometendo o cardápio sem par do nordeste. No lamaçal luta-se cortando mato para evitar o piso falso. Empurra-se. Conversa-se. Finalmente, num bramido de motores enfurecidos, os autos arrancam, atirando lama e folhas pelo ar. Passam. Eu ando a pé e vou retomar meu lugar adiante. A um dos caboclos que ajudaram a desvencilhar os carros, pergunto o nome do local. Tenho uma resposta que é uma ironia: – Isto aqui é ‘corredor da Fortuna’!..."
"A festa de Paraú é para mim um sopro que vem de longe (...). Vários homens eram meninos do meu tempo de irresponsabilidade jurídica. Dona Maroca Véras, Silvestre, Luiz Gondim, meu primo, a fama do meu nascimento em terras de Campo Grande e daí a aclamação para que eu falasse em nome da saudade que o ambiente revigora, tudo reapareceu, súbito numa vida poderosa."
"Depois do jantar fico dentro do automóvel parado com Alcides Franco falando sobre Integralismo, liberalismo e república democrática. Para mim é um encanto narrar como Plínio Salgado começou com nove rapazes e tem duzentos mil em dois anos, com o silêncio dos jornais e todas as baterias do ridículo assentadas contra ele."

Assina desta forma:

L. da C. C.

ASSU EM VERSOS III



ASSU

Por Antonio Soares de Araújo

Do Cabugi além, na sertaneja plaga
Que a estiagem flagela e a chuva enche de vida,
Onde a terra o Nordeste acaricia, afaga,
Do verde carnaubal a copa ao alto erguida,

Está, florente e bela, a cidade querida
Que é o meu berço natal. Por mais singela e vaga
A memória conserva, em saudade envolvida,
A impressão infantil que o tempo não apaga.

Recordo a várzea, o rio... aspectos que vi,
A lagoa Piató, na enchente e na vazante,
O parque e o laranjal da casa em que nasci.

Recordo a voz do sino em vibração feliz
E o cordeirinho branco, esguio e vigilante,
Solitário, girar, na torre da matriz.

A ESPERADA

Por João Lins Caldas, poeta açuense

A esperada não veio a esperada na vida
É o belo sonho para me inflamar.
Que ela não chegue, a bela comovida...
Que teria eu depois para ainda inflamar?...

terça-feira, 11 de maio de 2010

NÉ DANTAS UM HOMEM DE QUATRO MULHERES


"A bigamia é crime no Brasil. Isso quer dizer que um homem só pode se casar legalmente com uma única mulher, em contrapartida pode ter quantas amantes quiser ou for possível conciliar, na relação familiar ou financeira. Na região do Vale do Açu, a história do agricultor Manoel Salustiano Correia de Medeiros, conhecido popularmente como "Né Dantas", é uma das mais conhecidas, embora ele não esteja mais entre nós.

O fato que ainda é contado nas rodas de conversa entre amigos e parentes se passou no início do século XX, em meados de 1900, quando Seu Né tomou posse de uma propriedade de aproximadamente mil hectares, herdada dos pais, Antônio Dantas Correia de Medeiros e Maria Leocádia de Araujo Dantas de Medeiros. Nesse tempo, a fazenda se chamava "Volta", mas hoje todos só a conhecem por "Volta de Né Dantas".
Antes de se casar com Cristina Eliza de Medeiros, seu Né havia sido pai de um menino, fruto de uma das muitas aventuras que viveu durante toda a sua vida adulta. Tradicionalmente, as grandes famílias, para manter o equilíbrio dos valores sociais e econômicos, casavam os filhos com parentes, sendo o caso do casal Né Dantas e Cristina Eliza, que eram primos legítimos. 
Mas, para que os pais da noiva aceitassem de bom grado o casamento, já que o rapaz possuía um filho, houve o compromisso por parte dos noivos de criarem o menino como se fosse filho do casal, desde que o noivo esquecesse o romance com a mãe da mencionada criança.
Porém, meses após o casamento, além do filho bastardo, seu Né Dantas levou para a "casa grande" da fazenda, a ex-namorada, mãe do garoto, obrigando a esposa a conviver, em harmonia, com a tal situação, mesmo esse fato tendo causado grande constrangimento às famílias.
Considerado um homem rígido em suas ações, seu Né Dantas passou à condição de bígamo, se relacionando maritalmente e constituindo família com as duas mulheres. Dessa forma, teve 22 filhos legitimados, sendo 11 homens e 11 mulheres, impondo a eles e suas mães uma vida de conturbações e abstinências. Tratava a todos como serviçais. Homens e mulheres indistintamente trabalhavam nas tarefas da casa e das roças. As crianças não tiveram acesso à escola. A pouca instrução que alguns receberam foi aplicada por Né Dantas, homem de muito conhecimento prático.
Nem a religião foi forte o suficiente para impedir que o agricultor vivesse com a poligamia. Devoto ao catolicismo, seu Né era possuidor de belos oratórios, do tipo barroco, onde, aos pés dos santos, ensinou aos filhos orações e gestos religiosos que foram passados para os netos. 
Não dispensava o jejum da Semana Santa, nem as ofertas aos pedintes que costumeiramente distribuía-as pessoalmente. Filas eram formadas em frente à casa grande da fazenda e, posteriormente, defronte as casas de sua propriedade na Rua 24 de junho, antigo centro da cidade de Assu/RN.

DADOS


Mesmo com todas as responsabilidades conjugais, que requeria muita disposição, as duas mulheres morreram antes dele. Viúvo, ainda se casou novamente promovendo nova polêmica, quando colocou, na mesma casa, mais duas mulheres, que por sinal eram irmãs, que tiveram os nomes preservados a pedido da família. Segundo o seu neto, Nelson Dantas, fora os 22 filhos que criou, era comum para seu Né aparecer com uma criança dizendo ser dele, de outras "escapadas", para criar. "Nós nunca soubemos quantos outros filhos ele teve", adiantou Nelson, afirmando ainda que a última vez que contou, o avô tinha pra mais de 120 netos.
Seu Né Dantas morreu em 1965, aos 25 de dezembro, na casa dos 80 anos, não confirmados pela família que perdeu seus documentos."

 Paulo Varela, o Poeta Abandonado Pelas ruas da cidade caminhava devagar, levando nos ombros versos que ninguém quis escutar. Era Paulo Vare...