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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Assu Antigo


https://www.facebook.com/pages/Assu-Antigo/341841339254607

Da esquerda para direita: Casa onde viveu durante décadas, a poeta, escritora imortal Maria Eugênia Montenegro; casa do poeta, escritor Francisco Augusto Caldas de Amorim. Duas figuras que dignifica e engrandece com seus trabalhos literários deixados em livros, a Terra dos Poetas - Assu/RN.

Fernando Caldas

Foto: Endson Esron Andrade




segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Assu, uma terra mais

Por Alderi Dantas - Jornalista e Pós-graduando em Assessoria de Comunicação

O Assu sempre me fascinou, e não é apenas porque foi aqui que nasci. Influente na Colônia e no Império, a cidade ainda guarda resquícios dessa época de prestígio social e econômico, representado por seu antigo casario. Município oriundo do chamado “ciclo do gado”, durante muitos anos foi o centro de um vasto e florescente comércio de carne bovina exportada, na época, para o resto do território brasileiro. Antes de ser batizado de Assu pela Lei 124, de 16 de outubro de 1845, foi o Arraial Nossa Senhora dos Prazeres e a Vila Nova da Princesa.

Muitos, no entanto, preferem “Atenas norte-riograndense” expressão nascida a partir de um bem sucedido marketing feito pelo seu filho Ezequiel Wanderley, retratando uma era de cultivo das boas maneiras, da elegância e das boas letras, tendo sido a primeira cidade potiguar a abrir e manter uma biblioteca, ainda no século XIX, e também a fundar um jornal, “O ASSUENSE”, em 1867. Outros preferem simplesmente “Terra dos Poetas” e, realmente, não são poucos os assuenses poetas. Ezequiel Fonseca que não me deixa mentir, com o livro “Poetas e Boêmios do Assu”.

E mais, é também terra de filhos notáveis, como Luís Carlos Lins Wanderley, primeiro médico norte-riograndense e autor do primeiro romance potiguar “Mistérios de um Homem Rico”, Elias Souto, fundador da imprensa diária no Estado e Irmã Lindalva Justo de Oliveira, beatificada pela Igreja Católica. Porém, o número de assuenses que chegaram ao alto posto da magistratura, ou se destacaram nas armas, no comércio e nas letras são incontáveis. Eis alguns porquês do meu fascínio pelo Assu.
 
Assu foi no início, terra da tribo indígena Janduís e palco de encenação da “Guerra dos Bárbaros”, onde foram caçados todos os índios. No tocante a natureza, o município é rico. Água em abundância, petróleo, sol o ano inteiro e uma das melhores terras do planeta, reconhecida nos laboratórios, nacionais e internacionais como matéria que serve de adubo. Aqui se produz com facilidade frutas e, quem, ainda não ouviu falar da manga, da banana e do melão do Assu. Temos peixes, legumes, carne, leite e um imenso e belo carnaubal – que emoldura a paisagem do município – e de onde se extrai a cera utilizada na indústria de revestimento, calçados, cosméticos, limpeza doméstica e, mais recentemente, na produção de papel e esteiras de palha para enrolar os dutos de petróleo espalhados por toda a região. Já a produção cerâmica do Assu é reconhecida nas regiões Norte e Nordeste e o seu artesanato em todo o Brasil.

Para completar esse cenário. Assu é banhado pelo rio Piranhas/Assu. Tem o açude Mendubim e a Flona – área de floresta nacional, com raridades da flora e da fauna nordestina.

Chegando ao Assu é impossível passar pelo Quadro da Matriz, Centro da cidade, e não observar a beleza arquitetônica dos casarões seculares. Entre outros, cito o Sobrado da Baronesa, hoje Casa da Cultura Popular do Assu. Local em que, no dia 24 e junho de 1885, três anos antes da Lei Áurea, Belisária Lins Wanderley, que veio a tornar-se Baronesa de Serra Branca, serviu um banquete aos seus escravos e proclamou-os livres.

O visitante pode dar uma volta para ir à barragem do Assu, ver os seus dois jatos de água. Se estiver sangrando, o espetáculo é mais bonito, lindo mesmo. Entre as comunidades do Porto Piató e Bela Vista, você vai encontrar a lagoa do Piató, maior reservatório natural de águas do Estado. São 18 quilômetros de extensão, 2,5 de largura, capacidade para armazenar 96 milhões de metros cúbicos de água. Uma das jóias da natureza. Nesse cenário, é onde temos o prazer de encontrar Chico Lucas, que nos conta muitas histórias da lagoa durante um passeio de barco de suspender a respiração.

O peixe é o prato local. Excelente frito ou cozido com pirão. Vale a pena um cafezinho acompanhado do célebre biscoito Flor do Assu, feito com manteiga do sertão e essência de cravo e erva doce.

Entre essas jóias, o Assu tem principalmente gente boa e acolhedora. Mas, fique certo, isso é só um pouquinho do que é o Assu. O Assu é Mais.

Postado em 16/10/2013 às 11:31

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

A Atenas Potiguar
Por Redação Tribuna do Norte
30 de julho de 2017

Alex

Ramon Ribeiro
Repórter
Uma das cidades mais antigas do Rio Grande do Norte, Assu é conhecida como terra de muitos poetas. E de tantos poetas que nasceram no município ou passaram por lá deixando suas contribuições, um assuense baixinho, magricela, de olhar desconfiado, mas bastante esperto, soube como ninguém aprender as manhas da cantoria, do repente, da poesia, dos temas, dos cenários, dos costumes, enfim, de tudo que envolve a cultura popular nordestina. Aos 53, o poeta Paulo Varela leva o nome da cidade em para todos os cantos do Brasil em que é convidado a se apresentar. E gosta de falar com orgulho da sua cidade.
Paulo Varela traz em suas raízes do oeste potiguar a inspiração para expressar sua arte “Assu é uma terra muito bonito. Tenho paixão pela cidade. As pessoas a chamam de Atena norte-riograndense”, diz Varela, que além de poeta, é escultor, cenografista, xilogravurista, canta côco, dentre muitas outras atividades que ele se dedicou de cabeça após encher o saco de seu antigo trabalho no ramo das telecomunicações. “Viajei todo o país como técnico, construindo redes telefônicas. Passei por todos os setores das telecomunicações, tive minha empresa, ganhei dinheiro, mas há 22 anos, parei. Vi que o dinheiro não era tudo e entrei de cabeça na literatura”.
Caçula dos 22 filhos de Joana Varela e Domingos Canuto, Paulo Varela viveu até os 11 anos em Assu, depois teve que ir para Natal estudar e acompanhar os irmãos mais velhos. Mas todo ano retornava para a cidade no Oeste Potiguar, afinal, toda sua família é de lá. Na década de 90, casado, retorna para morar no município. É quando encontra a região arrasada culturalmente e decide implementar suas ideias culturais. É descoberto como autêntico poeta popular e desde então vive da poesia, disseminando seus versos e de norte a sul do país. “Sou um dos raros poetas aqui do Estado que tem um espetáculo, o ‘Sertão in verso’”, comenta o artista, que dos cinco filhos, dois são nascidos em Assu e com o termo assuense no nome.
Muito reconhecido também pelos causo matutos que narra como poucos, esse assuense tem atualmente levantado casas de taipa em feiras pelo interior. Na Festa do Boi, há anos é ele e sua esposa que comandam a casa na fazendinha do povo. Outra de suas ação populares é a Vila da Cultura, uma cidadezinha cenográfica que ele instala por todo o nordeste, abarcando em seu espaço, atividades socioeducativas, livraria, artesanato, arte popular, exposição folclórica, museu do cordel, além de atrações artísticas. “Vivo só de fazer cultura”, fala orgulhoso o poeta.
Atena potiguar
Na minha época de infância Assu era muito rica em cultura. A gente tinha bibliotecas, cinemas, teatros. Me lembro da passar em frente ao cinema e ver aqueles cartazes. Mas como eu era muito novo para ver alguns filmes e tinha que ajudar meus pais na roça, não cheguei a entrar no cinema. Na história do RN, também fomos a primeira cidade ter carnaval.
Terra de poetas
Lá tem duas famílias com tradição literária, a Caldas e a Wanderley. Mas nossos grandes nomes são João Lins, que foi um dos precursores do modernismo na literatura brasileira, Renato Caldas, Celso da Silveira. Assu é cheia de poetas. E a efervescência literária de antigamente passava para o cotidiano. Era comum ver as pessoas lendo livros nas pracinhas.
O fascínio pelas feiras de rua
Quando papai ia nas feiras comprar alimentos, eu ficava observando os cantadores de viola, os repentistas, o homem da cobra, os vendedores de raízes. Também cheguei a assistir Chico Daniel, nosso maior mamulengueiro. Essa era a atmosfera da feira e eu me encantava com aquilo. Os grandes cantadores passavam por Assu, como Patativa do Assaré, que tem registros na cidade. Mais velho, na década de 80, me encontrei com Patativa e ele disse que em poesia só respeitava Renato Caldas e Catulo da Paixão Cearense. Ele tinha apreciação por essas pessoas.
Rio Piranhas-Açu
Na década de 60, 70, nosso maior lazer era o rio Piranhas-Açu. Tudo era envolta dele, desde a agricultura até às brincadeiras.
Lembro das plantações dos meus pais na rasante do rio. Enquanto eles ficavam cultivando, a gente ficava brincando na água, dando cambalhotas, montando nas toras de madeira e descendo a correnteza. Também fazíamos cavalos de talo de carnaúba para brincar na rua. Brincávamos também de fazenda com os ossos de vaca, fazíamos também roladeira de lata de leite.
O retorno a Assu
Depois de viajar todo o país trabalhando no ramo das telecomunicações, eu decido parar e voltar para Assu. Era nos anos 1990. Encontro a cidade um caos, sem cinema, biblioteca, teatro, sem cinema. Me comprometi a movimentar as coisas por lá.
Casa da Poesia
Naquela época, aluguei um imóvel em Assu e chamei de Casa da Poesia. Começou as pessoas a aparecerem, os alunos da UERN iam lá. Nessa época surgiu a ideia de se abrir uma casa de cultura em Assu, o Solar da Baronesa. Eu fui o primeiro a entrar no espaço como representante da cultura popular. Eu abro um sebo no Solar da Baronesa e, a partir dele, sou descoberto pelo pessoal da comissão do folclore, que vê as coisas que eu tenho e ai eu começo me apresentar pelo Estado.
Em Natal
A partir das apresentações, venho para Natal e abro o primeiro espaço para o cordel no Rio Grande do Norte, o Encanto do Cordel.
Depois chamo Abaeté para participar comigo lá. E depois de uns sete anos ele abre a Casa do Cordel. E eu continuo até hoje com o Encanto do Cordel, só que itinerante, frequentando feiras culturais pelo Brasil.
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(Postado por Fernando Caldas)



sexta-feira, 6 de junho de 2025



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FESTEJOS JUNINOS NO ASSU
O calendário das festas católicas é marcado por diversas comemorações de dias de santos. Na tradição brasileira uma das mais festivas são as comemorações de São João. Esse ciclo passou a ser conhecido como Festas Juninas, englobando as reverências aos principais santos homenageados no mês de junho: dia 13 Santo Antonio, dia 24 São João e dia 29 São Pedro e São Paulo.
A origem destas festividades remonta um tempo muito antigo, anterior ao surgimento da era cristã e, portanto, do catolicismo.
De acordo com Sir James George Frazer, em seu livro O Ramo de Ouro, o mês de junho, tempo do solstício de verão na Europa, Oriente Médio e norte da África, ensejou inúmeras expressões rituais de invocação de fertilidade, para promover o crescimento da vegetação, fartura nas colheitas, trazer chuvas.
Quando os portugueses iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1.500, as festas de São João eram o centro das comemorações de junho. Alguns cronistas contam que os jesuítas acendiam as fogueiras e tochas em junho, provocando grande atração sobre os indígenas.
Pode-se observar, portanto, que ocorreu certa coincidência entre os propósitos católicos de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João.
Essa época coincide com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui cultivam as colheitas e preparação dos novos plantios. Os roçados velhos, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, inhame, batata doce, abóboras, abacaxis; a colheita de milho e feijões ainda encontra-se em período de consumo.
Uma série ritual, no período, inclui um conjunto variado de festas que congregam as comunidades em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer a abundância, reforçar os laços de parentesco, reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade.
Nestas festas, até bem pouco tempo, antes da febre dos grandes grupos musicais, era comum a integração de grupos familiares. Essa confraternização familiar era alicerçada pela prática do compadrio, momento em que eram ampliados os laços entre vizinhos, patrões e empregados. Havia duas maneiras através das quais as pessoas adultas ou jovens tornavam-se compadres e comadres, padrinhos e madrinhas: uma era, e ainda é através do batismo; a outra, através da fogueira nas festas de São João. Até o século dezenove, até mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos senhores de terra.
No nordeste brasileiro os festejos juninos ocorrem nas comunidades rurais, nas ruas, nos bairros, nas cidades, nas paróquias, transformando-se na festa mais importante do ano. Estas comemorações acabaram por atrair turistas prontos para participarem das efervescentes festas matutas.
Assu é a cidade do Nordeste pioneira do São João enquanto Padroeiro. Há 299 anos a Igreja realiza novenas e os paroquianos participam dos festejos sociais (cada época a seu modo) para comemorar o período junino.
Em 1720 com a chegada do Padre Manoel de Mesquita e Silva o Assu começou a realizar os primeiros trabalhos de evangelização, implantando o hábito religioso ligado à religião Católica Apostólica Romana. Os primeiros atos religiosos ocorreram sob as sombras de frondosas árvores.
Depois de seis anos foi criada uma Casa de Oração na Ribeira do Assu, tendo como Padroeiro São João Batista. A Freguesia foi a segunda da então Capitania do Rio Grande e a quinta do Brasil. O Precursor do Messias, João Batista, foi pela primeira vez no Brasil, escolhido oficialmente, como Padroeiro de uma comunidade.
No decorrer destes duzentos e oitenta e nove anos o povo assuense tem mantido esta tradição com muita religiosidade, cultuando neste período a fé, devoção e confraternização. O social acontece em reunião de vizinhos, amigos e familiares para agradecerem por mais um ano de graças e pedem proteção para o ano vindouro. A fogueira é o símbolo maior deste período, tendo sido sempre a maior simbologia destas manifestações.
Por esta razão, por Assu não comemorar somente os Festejos Juninos (estilo único no mundo) e sim vivenciar a festa do seu padroeiro, ininterruptamente há quase três séculos, podemos dizer que o nosso São João, no sentido restrito das manifestações religiosas interligadas as sociais é o Mais Antigo São João do Mundo.
(Ivan Pinheiro)
Imagem da Web

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Assu se destaca como a cidade-sede do melhor São João do RN no ano da Copa


O evento feito para comemorar o padroeiro do município São João Batista e as festas juninas compreenderá entre os dias 13 e 24 de junho, festival de sanfonas, comidas típicas, artesanato, quadrilhas juninas e grandes shows musicais que neste ano serão comandados – segundo informação da secretaria municipal de Juventude, Esportes, eventos e Turismo, dirigida por Dailson Machado , por Aviões do Forró, Dorgival Dantas, Amazan, Forró da Pegação, Giullian Monte e Deixe de Brincadeira, Forró dos 3, Giannini Alencar, Zé Sanfoneiro, André Luvi, Forró Resenha, Pode Balançar, Kristal, Lucas Santos, Guilherme Dantas, Farra de Palyboy, Pegada de Luxo e muito forró e arrasta-pé.

A cidade neste período se reveste completamente de alegria e muita devoção. As principais ruas e avenidas, repartições públicas e empreendimentos comerciais são decorados transformando o Assu em um imenso e colorido arrraial. Em 2014, ano da Copa, a decoração será especial tendo como temática “Assu, Cidade-Sede do melhor São João”.

A estrutura em que se apresentam as atrações nacional, regional e local será montada na Praça São João Batista, no espaço do anfiteatro Arcelino Costa Leitão – emoldurado pelo quadro da matriz e o Assu Antigo, com seus casarões seculares e a Arena do Forró – estrutura do tipo circo – espaço que servirá para transmissão dos jogos da Copa e atividades culturais que compreende o projeto do São do João do Assu 2014.

O evento é de forte potencial econômico, aquecendo a economia da cidade em vários setores: comércio, hotelaria, gastronomia e trabalhadores informais, que tem uma renda extra no período.

E para a festa ficar do jeito que todo mundo gosta, a prefeitura do Assu disponibilizará a população e visitantes acesso a todos os shows e apresentações culturais do São João do Assu com segurança e comodidade.

Por Alderi Dantas, 28/04/2014 às 08:56

http://www.alderidantas.com.br/

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Assu Antigo

REGISTRANDO

Dia de sessão solene na Câmara Municipal do Assu (Palácio Ulisses Caldas), 16 de Outubro de 1985, quando o Assu completava 160 anos de cidade, antes Vila do Açu, de 22 de Julho de 1766, ganhou foros de Cidade do Assú (desnecessariamente com assento no U), através da Lei provincial n. 124, de 16 de Outubro de 1845 (Assu nunca foi emancipado, pois a sua história precisa ser reparada, equívocos concertados, injustiças as suas figuras também reparadas).

Por sinal, o Assu foi a primeira cidade criada no interior do Rio Grande do Norte. Ora, o Projeto de Lei que o Assu ganha predicado de cidade é n. 124, de 16 de Outubro de 1845. Já a cidade de São José de Mipibu que muitos Norte-rio-grandenses, asseguram São José de Mipibu ser a primeira cidade criada no interior do Rio Grande do Norte. O que descordo, apesar de não ser historiador, apenas um colaborador das coisas do Assu! O projeto de Lei que elevou São José de MIpibu a cidade é n. 125, de 16 de outubro de 1845, portanto o Assu é a primeira cidade do interior potiguar!

Na fotografia, da esquerda para direita: Ex-deputado Edgard Montenegro, vereador e presidente da Câmara Municipal do Assu (biênio 1985-86), prefeito Ronaldo Soares.

 


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

 


Capa do livro Fulô do Mato, segunda edição, Tribuna da Imprensa, do Recife (1953). Enviado por Salomão Rovedo.
O título do livro é o mesmo título do poema em linguagem matuta que abre as páginas daquele volume: Senão vejamos:
Sá Dona, vossa mecê,
é a fulô mais cheirosa,
a fulô mais prefumosa
Qui o meu sertão já botô!
Podem fazê um cardume,
de tudo qui fô prefume,
de tudo qui fô fulô
qui nem um, nenhuma só
tem o cheiro do suó
qui o seu corpinho suô.
- Tem cheiro de madrugada,
fartum de reia muiáda
qui o uruváio inxombriô.
É um cheiro bom, déferente,
qui a gente sentindo, sente,
das outa coisa o fedô.
Renato Caldas, poeta do Assu que o Brasil consagrou. Discípulo do menestrel Catulo Da Paixão Cearense, autor da célebre canção 'Luar do Sertão!.
Pode ser uma imagem de texto
Assu Antigo
Comunidade

domingo, 27 de outubro de 2013

RELEMBRANDO COSTA LEITÃO


Arcelino Costa Leitão era natural de São Sebastião do Umbuzeiro, alto sertão da Paraíba. Ele chegou à cidade de Assu, nos anos trinta, procedente de Pernambuco, para gerenciar a Lojas Paulista, que depois passou a ser denominado de Casas Pernambucanas, do Grupo Ludgre. Anos depois, veio a ser gerente da firma algodoeira João Câmara & Irmãos, que antes era a SANBRA - Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, então estabelecida onde hoje está assentado alguns prédios comerciais do pecuarista Sebastião Diógenes, da Avenida Senador João Câmara. Era um gigantesco empreendimento de beneficiamento de algodão.

Há informações que Seu Costa, teria morado em Fortaleza, chegando a ser presidente do Fortaleza Esporte Clube, importante time de futebol daquela capital cearense, cuja agremiação futebolística teria na década de cinquenta, jogado no Assu contra o Centro Sportivo Assuense, time de futebol que ele fundou e também presidiu. Aquela partida teria sido realizada no Estádio Senador João Câmara, que ele, Costa, construiu, onde hoje está assentado a CONAB e outras casas residências e comercias da cidade de Assu.

Seu Costa era poderoso, garboso, robusto, vozeirão, elitista, bom de copo. Fumava compulsivamente e esnobava pela cidade inteira dirigindo um Mercory (antigo veículo conversível fabricado pela Ford), invejando os rapazes do seu tempo, da Terra dos Verdes Carnaubais.

No Assu, Costa Leitão era admirado por todos. Ingressou na política a convite de Edgard Montenegro, para ser o seu companheiro de chapa (vice-prefeito), nas eleições de 1957, pela União Democrática Nacional – UDN, tendo sido vetado pelo ex-deputado Pedro Amorim (que ainda tinha influência nas decisões políticas do Assu), em solidariedade a um amigo que tinha perdido sua mulher que fugiu com ele, Costa, para viver um caso de amor. Costa teve de se aliar ao grupo político liderado pelo então deputado estadual Olavo Montenegro que lhe apoiou como candidato a prefeito. Foi uma campanha política que teve até a participação de Luiz Gonzaga, com quem ele tinha estreita amizade.

Costa já prefeito, criou-se o Clube Municipal (funcionava nos altos da prefeitura), logo após a sua posse, desalojando a ARCA - Associação Recreativa e Cultural do Assu, fundada pelos bancários do Banco do Brasil, em 18 de dezembro de 1953, que veio a funcionar temporariamente num antigo Sobrado da Praça Pedro Velho, esquina com a Rua São João, vizinho a casa do poeta Renato Caldas, que depois veio a ser instalada na sua sede própria, da Rua Bernardo Vieira.  

No Municipal, Costa organizou e realizou grandiosas festas e bailes elitizados para uma sociedade que se dividia em dois clubes sociais: PSD de Olavo e UDN de Edgard. E por aqueles clubes sociais se apresentaram diversas orquestras nacionais e internacionais como, por exemplo, Eder Mandarino, Marina Mexican, Alma Latina, Cassino de Sevilha, além de Violinos Italianos e Los Romanos el Caribe. Há informações que nos anos sessenta, Costa teria uma festa no Municipal com a presença das misses Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

Nas eleições de 1962, Costa apoio sua mulher Maria Olímpia Neves de Oliveira (Maroquinha) como candidata a prefeita, que foi vitoriosa ao disputar a eleição com Walter de Sá Leitão (Golinha), obtendo 308 votos de maioria. Foi uma campanha das mais tensas e intensas da história política da terra assuense.

Tempos depois, Costa e Maroquinha romperam com Olavo e se aliaram a Edgard que teve de apoiá-lo como candidato a prefeito nas eleições de 1968, pelo partido da Aliança Renovadora Nacional (ARENA VERMELHA), contra João Batista Lacerda Montenegro (ARENA VERDE), como era denominado no Rio Grande do Norte o único partido existente no Brasil, perdendo para  Batista por apenas 26 votos de maioria, que  governou o Assu de 1969 a 1972, amargando uma intervenção durante três meses. Inocentado das acusações impostas pelos seus adversários, voltou ao puder para concluir o seu mandato. Foi nomeado interventor o Capitão Tavares da Policia Militar.

Durante a permanência de Costa na política local ficou apelidado pejorativamente de "Barrão", e seus admiradores lhe apelidaram carinhosamente de "Nêgo". E o Nêgo como cidadão comum e administrador público inovou, modernizou, coloriu as ruas, as avenidas e as praças. Afinal, ele revolucionou a Atenas Norte-Rio-Grandense e ficou na história daquele importante município como um dos seus melhores prefeitos.

Pena que ele veio a morrer no ostracismo imposto por uma sociedade que lhe jogava confete quando no auge do puder. Numa demonstração clara de que a história sempre se repete, só muda os personagens, mas o cenário é o mesmo.

Fernando Caldas

 

sexta-feira, 2 de março de 2012

ASSU ANTIGO

Antigo armazém de cera de carnaúba, da rua São João, 74, vizinho ao armazém de Sebastião Diógenes (Tião), Centro de Assu. Ali funcionou depois (década de cinquenta e começo de setenta, a Casa Gurgel no ramo de tecidos, calçados, etc, de propriedade de Agnaldo Gurgel de Freitas, que foi vice-prefeito do Assu (Sebastião Alves,1977-82). Funcionou também a Casa do Agricultor, implantada no governo Cortez Pereira, salvo engano, em 1974, quando Edgard Montenegro era o presidente da COFAN - Companhia de Fomento Agrícola Norte-rio-grandense, depois CIDA - Companha de Desenvolvimento Agrícola, tempos depois a sede da Cooperativa Agropecuária do Vale do Assu, Emater e, salvo engano, a Cooperativa de Artesanato do Vale do Assu Ltda. Ainda hoje, pertence uma parte reformada, a Coapeval e a outra (das portas mais escuras na fotografia), ao patrimônio do Governo do Estado.

Fernando Caldas

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Assu Antigo

Foto:
Sobrado da família Soares de Macedo. Hoje está assentado uma casa comercial. Vizinho a Prefeitura Municipal, Rua Frei Miguelinho.Ao lado esquerdo daquele casarão funcionou o Armazém de Astério Tinôco, o Armazém de Tonico. além de Café e Restaurante de Chico Germano e a tipografia de Antônio Silvério Cabral (Cabralzinho) e, por último um salão de cabeleireira. Veja mais sobre o passado do Assu, clicando: https://www.facebook.com/Assu-Antigo-341841339254607/ ) Curta a página).

domingo, 3 de junho de 2018


De: Assu Antigo

O CANTOR DA MINHA ADOLESCÊNCIA
MANÉ RAPOSA – A ESTRELA DO MUNICIPAL
Manoel Balbino dos Santos - "Manê Raposa" (foto) – 65 anos, casado com Raimunda Maria de Souza, pai de três filhos. Nasceu no sítio Timbaúba – Ipanguaçu. Veio para o Assu com quatro anos morar com os avós. Estudou até o científico no Ginásio Pedro Amorim, naquela cidade, concluindo em 1972.
EMPREGOS
O primeiro emprego foi como padeiro de Jaime de Antônio Carneiro, depois com Tarcísio da sorveteria, em seguida (1967) ingressou como vocalista na Banda do Sr. Cristóvão “Os Professores”. Aí vieram:Sambrasa (Caicó); Fórmula Cinco(Macau); The Love (Lajes); Alta Tensão(Sapé-PB); Perdidos & Achados(Mossoró); Brasa Samba Show (Assu);Banda Saltérios (Assu); Sistema Cinco (Afonso Bezerra);Roda de Samba (Assu) e Banda Terço (Assu). Sempre como vocalista.
Atualmente Manoel não exercita mais essa atividade, se limitando a ficar em casa com a esposa, que é aposentada, ele não, e a enviar “bilhetes” para amigos quando tem alguma dificuldade. Manoel e família moram na casa n 1738 da Rua 24 de Junho – vizinha a AABB.
ENTREVISTA CONCEDIDA A GILVAN LOPES EM MARÇO DE 2008:
G: Você desistiu de ser interprete. O que deu errado?
- Um arrependimento. Foi só uma oportunidade que eu tive de gravar com Roberto Múller, ele quis me levar, eu não fui. Isso contribuiu muito para não dar certo. Foi o meu primeiro erra na carreira, em 1972, aqui em Assu.
G: Mesmo com esse arrependimento continuou cantando?
- Continuei. Era minha vida, né? O conjunto era melhor do que o vestibular... Em conjunto nunca me decepcionei.
G: Mané Raposa. Como surgiu esse nome?
- A gente vinha de um jogo em Jucurutu num carro tipo Pau-de-arara fomos jogar lá aí, de lá pra cá, eu me levantei e gritei: - Lá vai uma raposa! – Todo mundo olhou ninguém viu. Daí pra cá, Chico Lamparina e outros me batizaram de “Mané Raposa”. Hoje se perguntarem quem é Manoel Balbino, ninguém sabe.
G: E quanto a “Mané Fox”?
- Foi uma turma do municipal: Ronaldo Soares, Lourinaldo, Jaques – irmão de Chico Lamparina, e outros... Abrahão que está no Canadá, Olegário, Seu Ademar do Correio – que era professor de inglês... Eu não sabia não, mas depois me disseram que ‘fox’ era raposa... Raposa em inglês, mas num pegou não. Até hoje, graças a Deus, a raposa é mais forte.
G: Quando foi o auge de Mané Raposa?
- De 70 a 85 quando acabou a Roda de Samba.
G: O que você ganhou nessa época? O que tirou de positivo?
- As amizades que eu tenho, eu ganhei com a música. Gilvan, eu vou dizer uma coisa a você: Tem um amigo meu em Macau, fui tocar uma vez lá, assim que tinha surgido “Mar de Rosas”. Eu cantei “Mar de Rosas” 25 vezes numa festa só pra esse senhor, ele era estivador... Eu cantava, ele fazia assim (faz gesto) com o dedo. Eu cantava de novo. Até hoje é o maior amigo que tenho em Macau. Seu Gino.
G: Como era cantar em inglês, sem saber inglês?
- Decorava a pronúncia e a melodia. Pronto. Cantava por intuição. Eu dizia uma coisa, as pessoas entendiam outra. Mas, eu acho que isso nunca existiu não.
G: Está a quanto tempo fora de banda?
- Desde 1985.
G: Segundo Barrinho (Valderson Inácio de Oliveira), companheiro de Roda de Samba e farra, você já se despediu da vida artística 16 vezes... Vai ter outra?
- Todo ano, né? Enquanto tiver voz...
G: Que história é essa dos bilhetes?
- É assim: as vezes eu não quero falar no seu ouvido na frente de alguém, aí escrevo um bilhete com aquilo que estou necessitando, você ler e me atende? Né certo?
G: Quem são as pessoas mais endereçadas, você pode dizer?
- Há!... A pessoa que recebeu mais bilhete foi Rivanildo do Cartório. Perdi a conta. Depois dele, Quinha de João branco, Batistinha do Jogo do Bicho e outros... Agora quero ver bandas, tá com amigos... Gosto muito de Djavan. É.
Fonte: Revista Rebuliço nº 17, Jan/Fev/Março de 2008.
Postado por Ivan Pinheiro Bezerra

quinta-feira, 22 de junho de 2017

SÃO JOÃO - ASSU

festas juninas - nordeste
Origem:

O calendário das festas católicas é marcado por diversas comemorações de dias de santos. Na tradição brasileira uma das mais festivas são as comemorações de São João. Esse ciclo passou a ser conhecido como Festas Juninas, englobando as reverencias aos principais santos homenageados no mês de junho: dia 13 Santo Antonio, dia 24 São João e dia 29 São Pedro e São Paulo. 

A origem destas festividades remonta um tempo muito antigo, anterior ao surgimento da era cristã e, portanto, do catolicismo.

De acordo com Sir James George Frazer, em seu livro O Ramo de Ouro, o mês de junho, tempo do solstício de verão na Europa, Oriente Médio e norte da África, ensejou inúmeras expressões rituais de invocação de fertilidade, para promover o crescimento da vegetação, fartura nas colheitas, trazer chuvas.

No Brasil:
 
Quando os portugueses iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1.500, as festas de São João eram o centro das comemorações de junho. Alguns cronistas contam que os jesuítas acendiam as fogueiras e tochas em junho, provocando grande atração sobre os indígenas.

Pode-se observar, portanto, que ocorreu certa coincidência entre os propósitos católicos de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João.

Essa época coincide com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui cultivam as colheitas e preparação dos novos plantios. Os roçados velhos, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, inhame, batata doce, abóboras, abacaxis; a colheita de milho e feijões ainda se encontra em período de consumo. 

Uma série ritual, no período, inclui um conjunto variado de festas que congregam as comunidades em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer a abundância, reforçar os laços de parentesco, reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade. 

Tradições:

Nestas festas, até bem pouco tempo, antes da febre dos grandes grupos musicais, era comum a integração de grupos familiares. Essa confraternização familiar era alicerçada pela prática do compadrio, momento em que eram ampliados os laços entre vizinhos, patrões e empregados. Havia duas maneiras através das quais as pessoas adultas ou jovens tornavam-se compadres e comadres, padrinhos e madrinhas: uma era, e ainda é através do batismo; a outra, através da fogueira nas festas de São João. Até o século dezenove, até mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos senhores de terra.

No nordeste brasileiro os festejos juninos ocorrem nas comunidades rurais, nas ruas, nos bairros, nas cidades, nas paróquias, transformando-se na festa mais importante do ano. Estas comemorações acabaram por atrair turistas prontos para participarem das efervescentes festas matutas. 

Assu:

Assu é o município do Nordeste pioneiro no São João enquanto Padroeiro. Há 291 anos a Igreja realiza novenas e os paroquianos participam dos festejos sociais (cada época a seu modo) para comemorar o período junino. 

Em 1720 com a chegada do Padre Manoel de Mesquita e Silva o Assu começou a realizar os primeiros trabalhos de evangelização, implantando o hábito religioso ligado à religião Católica Apostólica Romana. Os primeiros atos religiosos ocorreram sob as sombras de frondosas árvores.

Depois de seis anos foi construída uma Casa de Oração e criada, em 24 de junho de 1726, a Freguesia de São João Batista da Ribeira do Assu. A Freguesia foi a segunda da então Capitania do Rio Grande e a quinta do Brasil. O Precursor do Messias, João Batista, foi pela primeira vez, no Brasil, escolhido oficialmente como Padroeiro de uma freguesia (o equivalente a Paróquia, atualmente).

No decorrer destes 291 anos o povo assuense tem mantido esta tradição com muita religiosidade, cultuando neste período a fé, devoção e confraternização. O social acontece em reunião de vizinhos, amigos e familiares para agradecerem por mais um ano de graças e pedem proteção para o ano vindouro. A fogueira é o símbolo maior deste período, tendo sido sempre a maior simbologia dessas manifestações. 

Baseando-se nesses costumes, por Assu não vivenciar somente os Festejos Juninos, e sim, ininterruptamente, a festa do seu Padroeiro, alicerçado nas manifestações folclóricas do nordeste brasileiro (estilo único no mundo) durante quase três séculos, podemos afirmar que a festa de São João, em Assu, quando se unifica as comemorações religiosas com as sociais (profanas) é o mais antigo do mundo.
Foto: Bruno Andrade
Fonte: Marcas que se foram - Ivan Pinheiro (livro inédito)
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_João.

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