segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ASSU DE ANTIGAMENTE

O prédio a sua esquerda (lindo sobrado), era onde funcionava a Cadeia Pública. Foi demolido para ser construído um novo prédio para assentar a sede da prefeitura Municipal do Assu, na administração do prefeito Edgard Borges Montenegro. Deu-se início a sua construção no dia 10 de setembro de 1949 e concluido em 1956, pelo prefeito Francisco Augusto Caldas de Amorim (Chuisquiro). Hoje ele, Amorim, espresta o seu nome a sede dauqela prefeitura. O outro sobrado, a direita da referenciada edificação, atualmente está assentado o prédio pertencente a família de Zé da Bodega que foi proprietário de um super mercado naquele local, hoje pertencente aos seus familiares.
Fonte: blogdofernandocaldas.blogspot.com

sábado, 22 de novembro de 2008

POESIAS DE MARIA EUGÊNIA


AS ASAS DAS HORAS

São asas que marcam as horas
ou as flores nas sementes.
ou as crianças crescidas nos
cabelos brancos?
Quem marca caindo no canteiro?
Os ponteiros do relógio?
A lua que anda o tempo inteiro
ou a velhinha que cansou de andar e jaz sob o mármore
branco?
Quem marca as asas
horas?

INSÔNIA

O meu lençol está gelado.
Não tenho pouso para o meu corpo cansado.
Quem triuxe o gelo
para o meu quarto?
.
FANTASMA

Deito-me nas quatro paredes.
Meu corpo quadrado de
branco,
rola na varanda das redes.
Fantasmas brincam com o cal,
segredam-me rudes segredos.
De seus mundos arrenegados.
Sorriem do be, e do mal.

MINHAS MÂOS

Minhas mãos são
asas,
traças
preces:
Quando tenho sede de amor,
quando minha alma se transforma em dor.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

HOMENAGEM AO POETA CALDAS


Em 1958, ocorreu um fato literário importante. O poeta João Lins Caldas ao se encontrar naquele ano, na cidade de Natal, foi homenageado por intelectuais e pelo prefeito Djalma Maranhão, como podemos conferir na fotografia acima, o poeta entre as figuras de (da esquerda para direita) Veríssimo de Melo (escritor), Rômulo Wanderley (antologista) Esmeraldo Siqueira (poeta) amigo íntimo do homenageado, o poeta Caldas, Djalma Maranhão (prefeito de Natal) e Manoel Rodrigues de Melo (escritor). Aquela homenagem (um coquetel oferecido por aquele prefeito) ao poeta assuense, foi realizada nos jardins do Teatro Alberto Maranhão.

ASSU DE ANTIGAMENTE

7 de setembro de 1845. A praça já denominava-se de praça da proclamação, denominada por Ezequiel Fonseca quando intendente do Assu. Ao fundo vejamos o Mercado Público, já reformado em 19 de maio de 1943 pelo prefeito Manuel Pessoa Montenegro.
Comemoração do Centenário do Assu. Na prça então denominada de praça do Centenário. Vejamos ao fundo, o antigo Mercado Público, construido em 1876.

CRÔNICA


NOITES DE NATAL
(Por Bosco Lopes)
As muitas cidades que me perdoem, mas Natal é fundamental. Não fosse pelo seu pôr do sol do Potengi, seria pelas pessoas que o contemplam, embriagadas de poesia e que passeiam a beleza pelas suas ruas seculares.
Nascestes Natal, entre o rio e o mar, com os teus alicerces ancorados nos arrecifes da Praia do Forte, estrela maior que guia a nau catarineta tripulada de poetas, que saem por tuas noites em busca de bares nunca antes navegados. Caminhas ecologicamente banhada pelo rio e protegida pelas dunas. Fostes a bem-amada dos aventureiros gauleses, holandeses e lusitanos, para tempos d´pois servires de pilar de uma ponte de guerra que ia desta parte ao outro mundo.
Natal, admiro a ternura fotográfica dos seus becos que não cantei num dístico. Mas que canto cotidianamente com a minha presença, pois num deles aconteceu, num acaso feliz, meu batismo de cachaça e poesia, apadrinhado por Berilo Wanderley e Celso da Silveira. Para citar apenas um, fico com o Bar do beco de Nazi, que com suas alquimias prepara a melhor "meladinha" deste mundo.
Nas tuas noites, vejo teu nome inscrito em gás neon: Maria Boa, educadora de várias gerações. Noites que verei violentando teu silêncio com violões, modinhas, amigos e tragos de aguardente. Noites inolvidáveis do Brizza de Mare, do Cisne, do Granada Bar, do Acácia, tão distantes das tardes de minha infância, onde no patamar da Igreja do Galo meu velocípede azul pedalava esperanças. Mas é nas tuas manhãs ensolaradas que vejo tuas mulheres bonitas na passarela pública das praças, parques, praias a se perderem de vista.
Mas se é inverno, evito tuas praias e me agasalho no abrigo dos copos dos teus bares e no calor dos corpos de tuas mulheres. Tenho tudo para ate agradecer. Natal, pois tudo me deste: poetas como Itajubá, Jorge Fernandes e Jaime Wanderley, cujos versos guardo de memória. Eu, também etilírico poeta, de pé no chão aprendi o ofício da poesia para te dizer: muito obrigado, Natal, pelas dádivas que de ti recebo há 33 anos.
(Texto publicado na imprensa de Natal, em 1984).

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"POUCAS E BOAS"

Recebi com muita honra o convite de lançamento do livro intitulado "Poucas e Boas", do escritor imortal da Academia Potiguar de Letras, Valério Mesquita. Será no dia 26 de novembro, uma quarta feira, às 18h, na Livraria Siciliano do Shoping Midway. Farei presença com muito prazer, para prestigiar aquele escritor que engrandece as letras do Rio Grande do Norte. Valério foi prefeito de Macaíba, deputado estadual por várias legislaturas, presidente da Fundação José Augusto, membro do Conselho Estadual de Cultura e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grannde do Norte, além de membro efetivo da União Brasileira de Escritores. Atualmente é Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte. Permita-me o escritor Valério, para transcrever alguns causos que ele conta na primeira edição de "Poucas e Boas", relacionados a alguns políticos norte-riograndenses, que dizem assim:

1) No Palácio Potengi dos anos cinquenta, cinquenta e sete, cinquenta e oito, pontificava a figura de Antônio Soares Filho, Chefe do Gabinete Civil. Bom papo, o saudoso Toinho, mandou mobiliar uma sala que estava vazia, só para os papos de fim de expediente com as grandes figuras da paróquia, onde rolavam as novidades políticas. Até Dinarte quando encerrava os despachos, aparecia por lá. Numa das vezes, o Governador recomendou a Antônio Soares para encaminhar um rapaz ao Dr. José Nilson de Sá, Diretor do DER, recomendando-o para o emprego de desenhista. No DER, quando soube da chegada do rapaz, Zé Nilson, já desconfiado, resmungava: "Eu não sei porque Dinarte botou na cabeça sempre a vaga de desenhista! Olha, manda esse rapaz desenhar uma boeira, uma ponte, um tubulão". Após alguns instantes, a secretária retornou com o diagnóstico: "Dr. Zé Nilson o rapaz não desenha coisa nenhuma!". "Suspenda, que eu vou falar com o Governador", respondeu o Diretor. À noite, na casa de Aldo Medeiros, nem precisou Zé Nilson provocar o assunto, pois Dinarte foi logo indagando: "Zé Nilson, você recebeu hoje um rapaz, filho de um compadre meu?". "Recebi, governador. Mas o rapaz não sabe desenhar absolutamente nada?" . "Ô Zé Nilson, ensina; ensina que ele aprende!!"

2) O mestre Odilon Ribeiro Coutinho, usineiro, intelectual, homem de finessse, acabara de se eleger deputado federal em 1963, pelo RGN. Estava no Rio, hospedado no Copacabana Pálace. Lá fora fluía naturalmente uma linda manhã carioca. No hotel, mulheres exuberantes pintavam em cada metro quadrado. O nosso Odilon tal um finíssimo lorde inglês era atendido no saguão por uma bonita pedicure. Em meio àquele torvelinho de bom gosto e elegância, o deputado sorvia os primeiros goles matinais de Whisky on the rocks, balançando o copo "softamente". De chofre, é reconhecido por um potiguar, empregado do hotel: "Deputado o senhor por aqui? Eu sou do RGN e votei no senhor! Como vai o senhor?" Odilon, sem perder a postura nobre, mexendo suavemente o copo, após outro gole: "É luta, meu filho! A luta é grande!".

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ESTÓRIAS DE POETAS

Desta plaquete (capa acima) extraio algumas estórias engraçadas contadas em versos por dois poetas consagrados chamados Moisés Sesión e Chico Traira, que veremos para o nosso deleite adiante:

Moisés Lopes Sesión, poeta dos versos jocosos e fesceninos, conhecido como "O Bocage do Rio Grande do Norte", era um boêmio autêntico. Certo dia, encontrando-se embriagado pelas ruas da cidade, foi convidado por um certo cabo de polícia para dormir na cadeia. Naquela hora vinha chegando o delegado que era seu amigo e, por se tratar de um homem de bem, popular e muito bem relacionado na cidade, deu ordem ao policial para relaxar a prisão. Foi o bastante para Sesión produzir os seguintes versos:

Sargento as suas divisas
Deus terá de protegê-las.
Dos braços irão para os ombros
E aí serão estrelas.
E Deus há de me dar vida
para que eu possa vê-las.
O cabo que aí está
Nunca será um tenente.
O galão que ele terá
É um galão diferente:
É um pau com duas latas,
- Uma atrás, outra na frente.


Chico Traíra era poeta cordelista, cantador de viola dos melhores do Nordeste. Era tido como assuense, mas era natural de Ipanguaçu, nascido no Sítio Pau de Jucá, ainda quando Ipanguaçu era um pequeno povoado chamado Sacramento. Pois bem, viajando em cima da corroceria de um caminhão, de Natal com destino a cidade de Macau (RN), em companhia do seu colega Patativa também renomado poeta cordelista potiguar, este reclamava a viagem de muitos tropeços, dizendo: "Eu acho que nossa viagem não vai ser muito sublime"! "Chico pegou na deixa, versejando de tal modo:

Se o colega não está
Achando a viagem boa
Você é pássaro, eu sou peixe
Eu mergulho e você voa
Você volta para o ninho
Eu volto a minha lagoa.

sábado, 8 de novembro de 2008

DEDICATÓRIA

O sociólogo potiguar Gilberto Freire de Melo, de Pendências, no Vale do Assu, têm vários livros publicados. É gostoso ler o que Gilberto escreve. Breve irei transcrever com sua permissão, alguns artigos do seu livro intitulado "Virgindade Profanada". Dele, o escritor, recebí o livro sob o título "Absurdos Gramaticais". Pois bem, naquele volume está escrito a sua decatória que muito me emociona, que diz assim: "Fanfa, pela lucidez de Chisquito, pelas Fulores de Renato, pelas amarguras de Seu Caldas, pelas saudades de D. Gena, não devemos deixar apagar-se a chama da cultura que ainda resta no Açu".

Natal, 05.05.06

COMENTÁRIOS

Oi Fanfa! tenho lido sempre o seu blog. É muito gostoso voltar a minha terra através de você. Éramos parentes do poeta Caldas? Tio Moacir sempre me contava histórias deles... a que mais me lembro aconteceu na pensão aonde ele titio morava - o dono pediu gentilmente para ele deixar armar uma rede para alguém a quem ele não podia faltar. Era então o poeta Caldas! titio observava que ele escrevia muito e na sua ausência começava a ler seus escritos. Finalmente o poeta descobriu com alegria quem era titio Moacir e o parentesco que tinham. Que perda tivemos com a partida do meu mestre (titio). Felizmente tem pessoas como você que não deixam morrer nossa cultura assuense com tantos intelectuais, poetas e tanta inteligência...

(O comentário referenciado acima, datado de 7 de novembro, é de Cinara de Medeiros Marinho Andrade, que mora há mais de duas décadas no Canadá. Mas nunca esqueceu as suas origens de potiguar, com raízes em Natal, Assu, Ipanguaçu, Goianinha. Cinara é também da família Lins Caldas (do poeta João Lins Caldas). O Moacir que ela se refere, era natural do Assu, seu tio pelo lado materno, um dos maiores poetas do Rio Grande do Norte, bem como um dos maiores da propaganda moderna no Brasil. Foi ele (já contei aqui neste blog), o pioneiro do Marketing político no Brasil. Ele deixou de poetar ainda jovem, para se tornar empresário no Rio de Janeiro. Faleceu aos 87 anos de idade naquela capital carioca, no última dia 4 de outubro. Neste blog já fiz comentários sobre o cidãdo e o poeta João Moacir de Medeiros). Fica o registro e a saudade! Obrigado Cinara pelo elogio ao meu trabalho. Abraços a todos vocês.

POESIA

RECORDANDO...

Como a vida é transitória e boa!
Ontem, eu chorava,
Quando os barcos de papel
Que eu atirava,
Mergulhavam nas águas da lagoa.

Hoje, é o contrário:
Extingo os meus escolhos,
Mergulhando os meus olhos de poeta,
No lago verde
Dos teus lindos olhos.

Renato Caldas
(Transcrito do seu livro intitulado Fulô do Mato, segunda edição)

POESIA

AO SERENO IDEAL DOS MEUS SONHARES !

Por ti, velho ideal dos meus sonhares,
Muitos me maldizem e me despresam.
Chamam-me louco, e as coisas que que eles presam
São outras coisas que não são teus lares...

Que importa a mim o mal desses olhares.
A praga dessas boucas que não rezam?
Cruz ou consolo, os sonhos que me pesam
Serão meus companheiros seculares...

Mal grado as tempestades que conheço,
O meu prazer não revelado e pouco,
As injúrias que sofro nesta lida,

És tu o sonho por quem vivo e cresço...
Que eu seja eternamente eterno louco
E nunca deixe de sonhar na vida!

João Lins Caldas
Assú, 8.8.1909

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO