quinta-feira, 15 de abril de 2010

JÚLIO SOARES O ENTERRO DE SI MESMO

Por Celso da Silveira, escritor assuense já falecido - texto escrito em 1987.

Júlio Soares foi poeta num tempo em que os poetas ou estavam tuberculosos ou eram boêmios inveterados, que se viciavam em bebidas para manter a convivência com o outro vício - a poesia.
Mas suas vertentes foram bem nascidas, numa casa onde o piano era uma presença constante e comandava o epírito familiar, sendo ele próprio um musicista reconhecido.

Há, em sua poesia, deixada em cadernos ou em jornais e, em maior número na memória dos seus familiares, dispersamente, inúmeros sonetos em que se auto-retrata invariavelmente maldizendo a sorte, depois de ter sido filho de rico industrial, ou refletindo a situação de alcoólatra a que chegou, depois de ser estudante no Rio de Janeiro num tempo em que ir à capital da República era uma condição de privilégio dos abastados. Há um soneto bem marcante dessa fase aguda em que todo o drama do viciado se vê reproduzido:

"Cinco horas, já se expande a passarada
Com o semblante de bêbado desperto
Acho a porta, ningém pela calçada...
A rua é triste assim como um deserto.

Quero beber. Não sei qual seja a estrada
Que me conduz ao botequim mais perto,
Sozinho traço o rumo da jornada
E parto, enfim, com o espírito liberto.

Paro no fim de uma deserta praça
Ouço de longe o buzinar de um carro...
Cresce-me o anseio de beber cachaça.

Entro num bar, gracejo, bebo, escarro,
Julgando ver a minha vida incerta
Na fumaça sutil do meu cigarro".

Em 1926 - Júlio Soares nasceu em 1898 e faleceu em 1954 - o poeta morava na rua do Catete, no Rio de Janeiro, como estudante, fazendo o curso comercial para um dia dirigir os negócios do pai, coronel José Soares Filgueira sobrinho, alto comerciante em Assu, comprador de algodão, cera de carnaúba, peles e couros, proprietário de terra e gados, com largo prestígio em política de então. Nessa época já fazia literatura, como atesta o escritor Aderbal de França, seu companheiro de "república", com quem dividia o cômodo na capital federal.

Sempre lendo e escrevendo, e cada vez estudando menos as disciplinas do curso, Júlio Soares voltou ao Assu e dali foi viver numa cidade cearense, aparentemente comportado em seus hábitos boêmios. Sem muita força de vontade, deixou-se de dominar, e outra vez em temporada assuense, Júlio Soares sóconhece poucas pessoas e é muito pouco conhecido. Retoma suas habilidades poéticas e escreve o seu CANTO DO CISNE - um soneto cujo terceto final é o seguinte:

"Chorando ou rindo, vou passando a esmo
E no vício morrendo lentamente
Fazendo assim o enterro de mim mesmo."

Júlio Soares, ressuscitado o seu passado de bebidas, violões, e abandonado, volta ao ceará e morre em Fortaleza.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DESMANTÊLO

Foi no princípe de Março:
Inverno nem se falava!
Só omentava o mormaço,
Prumóde qui o Só baixava,
Pra matá tudo queimado.
O céo só se´parecia,
- Deus me perdôe a hirisia -
Um prato azú imborcado.
Me restava inda uma crença:
Pois, pouco tempo fazia;
Q'eu fiz as experiênça,
Véspera de Santa Luzia...
Demanhã quando eu andava
Nas verêda, nos caminho,
Pra todo canto incontrava;
Os nionho de passarinho.

Adespois, já se falava,
De inverno no Pioí,
E, muita gente jurava,
Qui a noite relampiava,
No rumo dos Carirí.

Um dia deadrugada,
A barra vinha quebrando;
Ouví o "pai da cuiáda",
Pulas quebrada roncando.
Era justamente o dia,
Qui nós todo, tinha fé.
A nossa crença dizia:
Na véspa de S. José,
O inverno, tará pegando.
... Numn tive qui duvidá.
Incuivarei meu roçado,
Tava tudo apreparado...
Sô me fartava prantá.

Daí, tempo trancô-se.
Chuveu dez dia amarrado!
O meu barreiro arrombô-se,
Morreu metade do gado,
As criação acabô-se
Tudo na váge atolado.

Sua as agua do rio,
Foi subindo, foi subindo...
Despencô-se nos baixio,
As váge toda cubrindo.

Ficamo em casa cercado,
Sem tê pra onde apelá.
Se atrépamo no teiádo
E comecemo a gritá.
Eu, a muié e uma fia,
Passemo a noite atrepado.
E já pro rompê do dia,
As agua tinha baixado.

Aí, nós fumo decendo.
Quando pizemo no chão,
Minha muié, foi dizendo:
- A menina tá tremendo,
Isso num será sezão?

- Prumóde incurtar a históra,
No anoitecer desse dia,
A minmha fia subía,
Para o Reino da Gulóra.

E dessa hora indiente,
Jurei nas´péda do artá,
Mardizê a toda inchente,
Qui Nosso Sinhô Mandá.

Renato Caldas, poeta matuto de Fulô do Mato.

terça-feira, 13 de abril de 2010

POESIA

OS HOMENS

Nós os homens, Senhor, atropelados erramos na encruzilhada de todos  os caminhos.
E assim que defrontamos.
Os espinhos
As árvores de amargos ramos.
Assim, senhor, que nos defrontamos
Nós os homens que erramos na encruzilhada de todos os caminhos.

JLCaldas

sábado, 10 de abril de 2010

POR QUE FRUTILÂNDIA?

A denominação do bairro mais populoso do Assu de Frutilândia. Foi uma homenagem que Ronaldo Soares quando prefeito do Assu em 1985, prestou ao grande poeta potiguar do Assu chamado João Lins Caldas. Sabe por que? Porque era a denominação do sítio do bardo assuense conhecido pelos mais antigos do Assu, como Seu Caldas. Frutilãndia nome criado por ele, Caldas, quer dizer terra de fruta.
Aproveitando a oportunidade vamos conferir para o nosso deleite, o poema que ele produziu numa feliz inspiração em homenagem a sua tão decantada Frutilândia, conforme transcrito adiante:

Como essa manhã me acorda com os passarinhos.
Que matinal de árvores e de pássaros!...
Pinga o orvalho das folhas como pérolas trêmulas, molhadas,
Cardeiros à distância perto a cerca fulfa do cercado...
No terreiro da casa as galinhas ciscando...
Um pio de nambu é remoto à distância...
Ouço e vejo lá fora... há como que em mim um anseio louco de embriagado...
Vontade de correr, rondar, ser como um pequeno cabrito a saltar pelo relvado...

O milho verde, a subir, a cana grossa, o espigar das bonecas...
O louro-roxo do cabelo aqui e ali pelos ventos agitado...
Parado... o ar aqui agora um ar parado...
Nem um grilo a trilar, nem um mover de folhas...

Saio... acendo o cigarro... as mãos trêmulas de gozo...
Isso que aqui plantei, que as minhas mãos cavaram...
Cajueiros aos cem, azeitonas, mangueiras...
Ah! Se eu na vida tivesse como aqui sempre plantado...

E vejo, no crescer, pequena, a laranjeira
Tão verde no buraco fundo que lhe foi cavado...
A minha laranjeira, a minha laranjeira...
Os frutos que dará, encantando o cercado...

Meu rancho ali, os potes na biqueira...
Pobreza assim riqueza só... um dia
Repousarei em mim essa pobre cabeça de cansado...
Lembrarei os meus versos, direi versos para mim e para o céu estrelado...

A noiva que não tive... e recordo  sem mágoa
Aquela que passou, culpa de mim somente...
Vão em cortejo ao olhar do meu pensamento sombras vagas...
*Arina... um filho pela mão... lá atravessa seu filho...

E os filhos que não tive, as almas, culpa de mim, que não vingaram...
Basta... volto-me ao sístio do meu silêncio proclamado...
É a música de tudo em tudo que de mim na sua essência...
O sol... o sol dessa manhã é agora todo o meu cuidado...

Olho o sol... a ânsia talvez de pelo sol perder-me.
E já não ser... ou ser tudo aquele mundo todo nas raízes...
As árvores que quero ver, as pequeninas plantas que quero ver dos seus pequeninos berços elevadas...
E olho-as... as minhas crianças verdes, as minhas pequenas româzeiras enramadas...

O cigarroi se apaga, a fumaça não sobe...
Vamos... entrar o rancho, agitar gravetos, fazer o fogo...
E brinquedo, o meu cão, que aqui por esse andar me tem sempre acompanhado.
Olho os olhos ao cão... não, Brinquedo que nem sempre me tem mesmo acompanhado.

*Arina foi uma das namoradas do poeta no seu tempo de Rio de Janeiro (1912-1933).

SESQUICENTENÁRIO DO ASSU, 1995

Esquerda para direita: deputado Ronaldo Soares, deputado Arnóbio Abreu, governador Garibaldi Alves e´, bem atrás o ex-vereador Fernando Fanfa Caldas. |Assu, 16 de outubro de 1995. Local: Campus Avançado do Assu.

ESTÓRIA DA HISTÓRIA

(Artigo de Agnelo Alves transcrito do jornal Tribuna do Norte, de Natal, 4.42010).

JK LEVOU O PSD-RN A APOIAR A CANDIDATURA DE ALUÍZIO ALVES PARA GOVERNADOR

O Presidente Jk tinha uma admiração, à distância, pelo então deputado, Aluizio Alves, Vice-líder da bancada da ONU na Câmara Federal, redator-chefe da TRIBUNA DA IMPRENSA, amigo pessoal de Carlos Lacerda, com poderes, inclusive, de vetar artigos, mudar manchetes, enfim, como o próprio Lacerda costumava chamar aluízio de "DBS" - Departamento do Bom Senso.
JK sabia como ninguém que Aluízio continha os arroubos mais radicais de Carlos Lacerda, vetando os artigos mais violentos, alguns dos quais reescrevia ou mandava para o recém-eleito deputado, José Sarney, reescrever. Lacerda tomava conhecimento quando a TRIBUNA DA IMPRENSA circulava. Uma prática que vinha desde os tempos do governo Vargas.
Quando Aluízio e Lacerda foram a Londres conversar com Jânio Quadros como emissários da UDN, Aluízio notou que a cada igreja nova que visitava, Carlos Lacerda ajoelhava-se e rezava com um fervor que não passava despercebido pelos circunstantes. Um dia, Aluízio perguntou a Carlos Lacerda porque tanto fervor.
"Sabe Aluízio, rezo pela alma de Getúlio Vargas" - respondeu Carlos Lacerda, acrescentando que não lhe movia nenhum remorso pela oposição que comandara contra o Governo de Vargas. Mas, sentia, interiormente, que o ex-presidente brasileiro, que se suicidara quando tomou conhecimento que os generais estavam chegando para depô-lo, precisava de orações e, portanto, ele fizera um propósito de todas as vezes que conhecesse uma Igreja o primeiro ato que lhe cabia cometer era ajoelhar-se e rezar pela alma dele, Getúlio.
Estávamos na calçada do Hotel Serrador, aguardando Aristófenes Fernandes, quando Aluízio foi chamado para atender uma ligação. Era Zé Aparecido, marcando um encontro na sede da UDN, ali perto. Eu ficararia no Serrador, aguardando Aristófenes e Aluízio foi ao encontro de Aparecido. JK queria que o PSD do Rio Grande do Norte apoiasse a candidatura de Aluízio ao governo do Estado.
Já tinhamos conhecimento que Geraldo Carneiro, assesssor mais próximo de JK, esteve conversando com Aparecido, de quem era primo, com aquele objetivo. Na conversa, estabelecida na sede da UDN, Aparecido queria comunicar a Aluízio que o ministro da justiça, Armando Falcão, foram chamado por JK que o incubiu das providências e conversações com o "major" Teodorico e o PSD do Rio Grande do Norte. Aluízio ligou para a portaria do Hotel Serrador pedindo que eu e Aristófanes fossemos ao encontro dele e de Aparecido na sede da UDN.
Aluízio queria assumir pessoalmente, sozinho, uma posição, em face de sua condição de vice-lider da oposição na Câmara Federal. Nada a ver uma coisa com a outra. Aluyízio já, inclusive, renunciara à vice-liderança para fazer a campanha. E para ganhar mais fácil precisava do apoio do PSD, já com a dissidência enorme disposta a apoiar a sua candidatura. Aristófenes e eu demos apoio imediato.
Dali mesmo Aparecido marcou um encontro com Geraldo Carneiro. Fomos Aluízio, Aparecido, Aristófanes e eu. Desse encontro, resultou uma ligação telefônica para o ministro Armando Falcão que deveria chamar Teodorico, comunicando a decisão do Presidente JK. Teodorico ainda resistiu. Mas, o desejo de JK era respaldado pela dissidência pessedista formada por Aluízio Bezerra, Olavo Montenegro, Seráfico Dantas e, de uma maneira discreta, pelo monsenhor Walfredo Gurgel, Lauro e Juanita Arruda, além de tantos e tantos outros pessedistas do Rio Grande do Norte. A reunião do PSD foi na casa de Rui Paiva, também dissidente para apoiar Aluízio, desde quando Aluízio se declarou candidato.
Aluízio deu uma demonstração clara e pública de prestígio ao PSD, escolhendo para seu candidato a vice-governador o monsenhor Walfredo Gurgel e, numa noite de inverno, saiu de Angicos para a fazenda de Teodorico, em Santa Cruz, acompanhado de Aluízio Bezerra e Olavo Montenegro, para selar o apoio do PSD.

SESQUICENTENÁRIO DO ASSU, 1995

A VIRGINDADE PROFANADA

De Gilberto Freire de Melo, escritor potiguar de Pendencias (RN). Você encontra na Livraria Poty, de Natal. Vale a pena comprar aquele volume.

LOURENÇO,O SERTANEJO

(Terceiro capítulo do livro (título acima) da escritora assuense *Maria Eugênia cujo protagonista é o fazendeiro Epifânio Barbosa encarnado no personagem "Lourenço"). Vejamos adiante:

Certo dia, na estrada do Vale, Lourenço encontrou-se com o Coronel Moisés.
- Bom dia, Lourenço. Observo que o vento norte continua soprando para você. Tudo verde no sítio... progredindo...
- Certo, Coronel. Nem todo mal é mal. O mundo dá mais volta que roda de roleta. Hoje, sou dono da Pedra Branca. Ontem, era o senhor. Eu sei que o Coronel foi à casa de meu pai naquele dia, com seus filhos armados até os dentes. Mas, Coronel, não guardo rancor. Já se vão os anos, já sou pai de família. Querendo aparecer com d. Josefa nós ficaremos contentes. Lunarda é mulher de verdade, Coronel. É a mão que pega o leme da nossa casa. Eu sou o casco do navio velho que balança no mar. Aguento o rojão... O Coronel precisa conhecer Lunarda. Como é bonita! E Juraci, um bichinho que nasceu por lá. Dá gosto de ver, Coronel. É a menina mais bonita do Vale.
O Coronel Moisés ficou engasgado. Bateu no ombro de Lourenço e disse:
- A vida também é madastra. Às vezes, vem como as ondas do mar e leva tudo na maré. O meu gado...
Ah, Coronel! Não me fale em gado! É o meu fraco. Quando vejo um bezerro escaramuçar, tenho vontade danada de pegar no rabo dos bichinhos e de alisar, como aliso os cabelos de minha menina... O meu negócio é comprar e vender bois. O negócio melhor do mundo, Coronel. Conhece aquela história dos franceses quando quiseram tomar o nosso Brasil? Já ouviu falar num tal de Vileganhão?
- Sim - sorriu o Coronel - Eu conheço a história da Invasão Francesa, de Villegagnon, o bravo aventureiro.
- Pois se reuniram na assembléia e discutiram como haveriam de governar o nosso Brasil. Apresentaram os problemas e perguntaram ao Comandante: "Qual o primeiro negócio para o norte do Brasil?" Respondeu: "Gado bem administrado". "Qual  o segundo negócio para o mesmo lugar?" e o Comandante ainda respondeu: "Gado sem administração". "Pois bem, Coronel, é o que faço. Compro, vendo, solto os rebanhos no mato e deixo engordar. E ainda tem mais, Coronel. É um negócio alegre. Todo mundo corre para ver uma boiada, parece festa. Os meninos gritam, os vaqueiros abóiam...
- É isso  mesmo, Lourenço. Dou-lhe os parabéns. Agora vou me apartar. Vou à casa do Compadre Chico Inácio que está adoentado. Até à vista, Lourenço.
- Até outro dia, Coronel.
Coitado do Coronel Moisés! Está ficando velho e cansado. Os filhos no mundo... essa vida! - E Lourenço, ficando a espora no sau alazão, esquipou rumo ao lar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

ESTÓRIAS INESQUECÍVEIS DA POLÍTICA ASSUENSE

1 - Francisco Luciano Marques conhecido popularnente como "Chico Galego" é veterano da política assuense. Foi vereador nos velhos tempos da ARENA - Aliança Renovadora Nacional. Nas eleições municipais de 1991 candidatou-se a vereador. Naquela eleição Lourinaldo Soares era o candidato a prefeito do Assu. Num certo comício realizado na Logoa do Piató (comunidade daquele município) o locutor eufórico anunciou: "Atenção minha gente, vai falar ao povo desta localidade, o seu líder "Chico Galêgo". E Chico ao pegar no microfone sem fio, assustou-se, dizendo: "Chega Lourinaldo, cadê a correia desse danado homem? Desse jeito ele não fala, não!" Para risos dos circunstantes.

2 - Diz o escritor Valério Mesquita que o Assu é campeão em matéria de folclore político. Pois bem, Ortêncio Ferreira de Lima foi vereador do Assu onde também exercia a profissão de enfermeiro. Certa vez, Zé Maria quando prefeito autorizou o seu chefe de gabinete convidar aquele nobre edil (de saudosa memória) para pedi-lo para ele aceitar ser o relator de um certo projeto de interesse do executivo. No que aceitou, conseguiu a aprovação porém, no plenário, votou contra. Um dos seus colegas sem entender o seu voto desfavorável perguntou a ele a razão daquela sua posição: Hortêncio em sua defesa, saiu-se com essa: "Como relator votei a favor para atender ao prefeito, porém como vereador votei contra".

3 - Chico Antão além de mestre de obra, foi também vereador do Assu. Chico em todas as reuniões da Câmara Municipal que comparecia (as sessões daquela casa legislativa sempre foram realizadas á noite como ainda hoje) dormia durante a sessão para gosações dos seus colegas. Por isso, resolveu fazer a seguinte proposta ao presidente da câmara: "Presidente eu já estou com setenta anos e as sessões a noite não dá pra mim, não! Quando dá oito horas me dá um sono danado! A minha filha não dá pra vim no meu lugar, não? As sessões de dia eu venho!" Padre Zé Luiz tinha razão quando dizia repetidas vezes: "Em assu acontece de tudo".

4 - "Chico Dias trabalhou para o deputado Arnóbio Abreu nas eleições de 1998. Logo após o pleito, Chico foi a casa de Zeca Abreu, irmão de Arnóbio para um entendimento político. Ao chegar, foi atendido pelo motorista de Zeca que lhe disse: "Chico, Zeca se encontra no banheiro com uma forte dor de barriga!" E Chico sem nem pestanejar, mandou chumbo grosso: "Eu não vim aqui comer o cedenho dele, não!"

5 - Abraão Ambrósio de Andrade era outra figura folclórica do Assu, analfabeto, desinibido. Trabalhava como servidor público da prefeitura daquele município fazendo obras de calçamento com João Pio. Pois bem, nas eleições de 1968 - Maria Olímpia Neves de Oliveira (Maroquinhas) era a prefeita do Assu -, candidatou-se a vereador. Dia de concentração pública Maroquinhas presente no palanque, o locutor anunciou que ele iria falar. E Abrão ao pegar no microfone abriu o verbo: "Meus amigos é pela primeira vez que eu boto a boca no "aparelho" (WC) de dona Maroquinhas!" E a galera vibrou.

Fernando Fanfa Caldas

POESIA DE JOÃO CELSO FILHO

TEUS OLHOS, MARIA

Teus olhos, Maria,
formosos, lindos
como o dia;
feitos de luz,
de risos, são
de amor,
Neles contém meu coração
Oh! flor.

Teus olhos são belos,
cheios de castos anhelos;
neles se encerram
o céu e a terra.
Teu riso santo,
ai, meu triste canto.

Sim, são teus olhos
faróis acesos,
sempre presos em mim,
oh! querubim.

Ai, que funda mágoa
se os olhos teus, rasos d´água
um dia eu visse.
Escuta, Maria,
o mundo em vez de belo, vão seria,
profundo, sem ermo
porque eles são
meu coração.
E eu sou feliz,
ai, o teu olhar me diz.

(O poema acima está musicado pelo assuense Samuel Fonseca).

  COMO VIVER 13 ANOS A MAIS E SEM DEMÊNCIA Rosangela Haydem Um estudo publicado em agosto de 2026 trouxe um dado que merece a nossa atenção:...