sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

FAMÍLIA WANDERLEY HISTÓRIA E GENEALOGIA


Introdução...

O coronel do regimento de burgueses, Gaspar van Nieuhof van der Ley, ex-capitão de cavalaria, talvez parente de Johan Nieuhof, seu contemporâneo, autor da Memorável Viagem, de variada notícia para o Brasil-Holandês, deve ser o avô ou bisavô da pernambucana dona Josefa Lins de Mendonça, casada com o possível português João de Sousa Pimentel, plantadora da semente no Arraial Nossa Senhora dos Prazeres do Assu, fundado pelo capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, para nós, de saudosa memória. Pelo ramo eminentíssimo dos Lins, vieram os Wanderley, brotando nos filhos, Gonçalo Lins Wanderley, que deve ser o segundo gênito, e João Pio Lins Pimentel, o primogênito que, ao fazer-se maçom na SIGILO NATALENSE em 1838, é maior de 40 anos, casado e proprietário, residente no Assu.

Em pouco mais de um século o Wanderley estende a ramaria prolifera cobrindo o mural provinciano com as graças do engenho, irresistível na conquista social.

É uma presença inevitável em todas as atividades normais. Fazendeiros, deputados provinciais, estaduais, gerais, cinco vezes presidindo a província. Fundam jornais, mantêm tipografias, advogam; são jornalistas natos, prosadores, tribunos ao nascer. Oferecem o primeiro médico, o primeiro romancista, o maior poeta, poetisas excelsas. São debatedores, arrebatados, brilhantes, com a impecável tradição da cortesia, da palavra airosa, do gesto oportuno e lindo.

Atestam, através do tempo, a maior e mais notável contribuição intelectual de que uma família possa orgulhar-se.

Noventa e nove por cento dos Wanderley escrevem versos, discursam e fazem jornal, inesgotáveis de inspiração, inalcançáveis pelos diabos azuis do desânimo, ignorando o que Stevenson denominava a dignidade da inércia.

O moto da família holandesa dos Wanderley anunciava, há mais de quatrocentos anos, essa divina continuidade funcional: "SEY TALTYDT VAN EENDERLEY SIN". Seja sempre um Wanderley, haja, exista, viva sempre, um Wanderley. E eles têm cumprido a profecia heráldica que orna, qual uma flâmula, o brasão fidalgo.

Luís da Câmara Cascudo
 
Nota de parabéns:

 
O editor deste blog toma conhecimento hoje, 30 e parabeniza Sylvio André Medeiros Dias filho do amigo casal Cylene e Francisco Medeiros Dias, ambos de Assu, meus conterrâneos, pela aprovação dele, André, no Curso de Medicina da UFRN. Melhores DIAS virão!

Fernando Caldas




A QUADRA

Por João Lins Caldas (1888-1967)

Escreves bem divinamente errando
As palavras que escreves, que deparo
E que beijo, mil vezes enxugando
O rosto feio e de prazer avaro...

Foi entre meus papéis: num dia claro
Encontrei uma quadra e... soletrando,
Li esses versos teus, neles notando
Os belos erros d'um talento raro...

Se eu assim escrevesse! Se eu dissesse
Em versos tão errados, se eu pudesse
Dizer cismares que me são diversos...

Ah! Eu te invejo essa quadrinha errada:
Nunca vi comoção mais bem lembrada,
Nunca vi dizer mais em quatro versos!


(Mulher escrevendo à mesa, 1905, - Thomas Pollock Anschutz (1851-1912) - http://rokatiakleania.blogspot.com.br)


SECA

Se o sudeste reclama da estiagem
Que diria o meu pobre sertanejo
Que do fogo do sol sente o bafejo
Mas não perde sua fé e a coragem.
Olha a mata sem vida e sem roupagem
Contemplando a vil desolação
Sem conforto, sem roupa e sem feijão
Que ao seu filho lhes possa oferecer
Se não sabe o que é seca, venha ver
Cinco anos sem chuva no sertão
 
 Autor: Hélio Crisanto
 

UM POUCO DE JOÃO LINS CALDAS


Caldas como ele gostava de ser chamado era natural de Goianinha/RN onde nasceu no ano de 1888, porém de família assuense. Na cidade de Assu e em Sacramento atual Ipanguaçu/RN o poeta teria vivido parte da sua infância, toda a sua adolescência, começo da sua juventude e parte da vida adulta. No eixo Rio-São Paulo viveu o poeta entre 1912-33. Há informações que no Rio, Caldas teria morado na Rua Acre (setor portuário da terra carioca) Rua Dos Inválidos (Tradicional bairro da boemia carioca), Rua Do Rezende, em quarto de pensões. O bardo Caldas é considerado por alguns críticos de arte moderna no Brasil como o  "pai do modernismo" brasileiro, pois já em 1917 já escrevia anonimamente versos emancipados de métricas. O dramático poema intitulado A Casa, é um exemplo. Vejamos:

Fechai a casa, vós todos que estais dentro de casa.
A casa nos vai dar o seu segredo, a casa vai nos dizer o que é ela a nossa casa.
Aqui cresceram choros de criança
Os nascidos choraram
Embalaram-se da rede adolescentes
Velhos saíram nos seus caixões, esticados os pés, hirtos e mudos como tijolos levados.

Eu escrevi dos meus versos
Pensei dos meus pensamentos amargurados.
O cabelo comprido,
A barba pontiaguda, mal alinhada,
E das mesas, sobre as toalhas velhas
Os pratos fumegantes,
A incidência da luz sobre os armários.

Vamos, irmãos, tudo é entre sombras.
O medo
O cuidado
As mãos mortas,
O pavio do candeeiro,
Tudo é recordado.

... E ao comprido da rede que se balouça esticada,
Uma cabeça, uma cabeleira preta,
Pés que se estiram,mãos alongadas...
Vamos irmãos, eu que estou reparando, de retrato, esse quadro que se alonga ao longo da parede.

 
Nas décadas de 10, 20 e 30 conviveu com grandes nomes das letras nacionais como, por exemplo, o notável poeta brasileiro chamado Olavo Bilac. A sua poesia é grandiosa, extensa e bela.

Caldas tinha a certeza que se tivesse publica aquela toda sua obra constituída de mais de dez livros que tinham títulos que já valiam poemas, no entender de Celso da Silveira teria conseguido a consagração, estaria catalogado como um dos maiores da poesia universal. Ele tinha a certeza da sua intelectualidade e tem versos parecidos com Fernando Pessoa, senão vejamos o poemeto adiante sob o título O Amigo, que diz assim:


Na noite eu serei o amigo.
Como o vento, na noite,
Como a estrela, na noite,
Na noite eu serei o amigo.
Mas perdoa ao amigo.
Uma noite haverá e daí para talvez mais nunca em nenhuma outra noite
Em que eu já não serei o amigo.

E esse outro poema sem epígrafe que no meu entender é o orgasmo poético do poeta Caldas, não é uma joia de poema? Vejamos abaixo para o nosso deleite:

O teu mundo é novo. A tua carne é nova. Eu sou a velhice, o mundo abalado.
O teu mundo que me convida. O permanente mundo em flor da tua carne.
Beijar-te os olhos, acariciar-te os o0s dedos, ter nas mãos a doçura do teu cabelo, tua nuca, o teu pescoço roliço para acariciados...
Dirás que a vida é bela. A vida é bela!
Mas eu, amor, já agora tão triste e tão cansado.

Ontem que não chegou. Ontem que estava mesmo um dia amarelo...
Perdão, perdão, eu de mim mesmo é que já não sou tão belo.

Vai, e não leves de ti a tua desilusão...
O que me dói, o que ainda me dói...
(... E não ver essas roupas desmanchadas,
O azul desses olhos, a graça e a festa dessas mãos...)
Deixa que eu feche os olhos, e não te veja, e não veja mais nada...

Obrigado, e perdão.

Caldas quando jovem tivera vários relacionamentos amorosos que não deram certos. Morreu só como sempre viveu, numa modesta casa do bairro Macapá, da cidade de Assu, no final de uma manhã de 1967 logo que acabara de ler o livro da poetiza portuguesa Virgínia Victorino intitulado "Apaixonadamente".

 E o poeta "que tinha muito de Deus", escreveu:

Estou calçado para a eternidade.
Vesti-me de roupas de caminhar por toda a eternidade.
Onde houver um rasgão, certo que as minhas roupas estarão rasgadas.

Mas o homem é um clarão
Eu serei um clarão por toda a eternidade.

Fernando Caldas

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Venha conhecer o NOVO! Dia 5/2 palestra do partido NOVO em Natal

Convidamos todos que desejam conhecer de perto uma verdadeira e forte alternativa liberal para a Palestra de apresentação do Partido NOVO em Natal.

O NOVO é um projeto político que nasce a partir da iniciativa de empreendedores e profissionais de diversos setores, sem políticos de carreira, com princípios verdadeiramente éticos e consistentes para o Brasil.

Neste evento, falaremos sobre os desafios mais urgentes do nosso país e quais são as ideias e soluções do NOVO para resolvê-los.


 (Do Partido Novo)


DUAS TROVINHAS AMOROSAS

Por Jader Barbalho

Parece troça,parece,
Mas é verdade patente,
Que a gente nunca se esquece
De quem se esquece da gente

Por Eduardo A. O. Toledo

A saudade se embaraça
E a paixão se intensifica...
- Não pelo instante que passa,
Mas pelo instante que fica!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

REMINISCÊNCIAS:

CARNAVAL DO ASSU
No Carnaval do ano de 1955 havia os blocos carnavalescos “Corsários” (coordenação de Chico Belo) e “Vassourinhas” (coordenação de Djalma Sapateiro, tendo como baliza o pintor Zé Estevão).
Outras agremiações carnavalescas eram: Tribo de Índios “Janduís”, em que João Branco era o Pajé e o bloco de bagunça “Arranca-Toco”. Na época saiu um anúncio: “a tribo dos Janduís lançou seu grito de guerra contra a tristeza, realizando ensaios preparatórios para os festejos mominos”
Fonte: Assu, Gente, Natureza e História. Silveira, 1995: 103.
Foto ilustrativa coletada no www.tvreplay.com.br.
 
Do blog Assu na ponta da língua, de Ivan Pinheiro

REGISTRO:

Morre, aos 85 anos, a atriz, cineasta e cantora VANJA ORICO
Vanja Orico compôs o elenco, como atriz principal, do filme 'Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro' filmado no Assu (em partes) no início dos anos setenta, no qual atuou ao lado de Neri Vitor, Rodolfo Arena, Waldir Onofre e Milton Villar. O longo metragem teve Produção de Willian Cobett, Produtor Associado Jonas Garret, com fotografia de Carlos Tourinho, alicerçado pela equipe de filmagem coordenada pelo Macha - José Regattieri.
Filmagens em frente a Casa Paroquial (foto do Blog de Fernando Caldas)
Na foto observamos, à direita, dois assuenses: Dedé Caldas e Zélia Amorim
Vanja Orico e demais artistas agitaram a pacata "Terra da Poesia". Surgiu nessa época a poesia musicada que tem o famoso refrão: Assu é bom, eu posso afirmar, sem o receio de me enganar..." 
Vanja Orico durante o Festival de Cannes em 1953 (RDA/Getty Images)

A cantora, atriz e cineasta Vanja Orico, nome artístico de Evangelina Orico, morreu nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, aos 85 anos, vítima de complicações decorrentes de câncer no intestino. Ela também sofria de Alzheimer e estava internada no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, desde o dia 11. Ela será enterrada nesta quinta-feira, no cemitério São João Batista, no bairro do Botafogo.

Vanja, filha do escritor Osvaldo Orico (1900-1981), tornou-se famosa em 1953, quando cantou Mulher Rendeira no filme O Cangaceiro, premiado no Festival de Cannes e sucesso mundial. Depois atuou em outros filmes do chamado Ciclo do Cangaço, passando a ser considerada musa do gênero. Participou de Lampião, o Rei do Cangaço (1964), Cangaceiros de Lampião (1967) e Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro (1972).
Vanja atuou ainda em diversos filmes nacionais e estrangeiros, entre os quais Mulheres e Luzes (1950), quando cantou o tema folclórico Meu Limão, Meu Limoeiro. Em Lampião, O Rei do Cangaço, de Carlos Coimbra, trabalhou com o ator Leonardo Vilar. Também atuou em Lucci Del Variata, de Federico Fellini e Alberto Lattuada.

(Com Estadão Conteúdo)
Fonte: Veja.

Do blog Assu na ponta da língua, de Ivan Pinheiro

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Por Ana Lima*

Por uma lei fatal que rege os fados
Desta nossa existência desditosa,
Dos sonhos n alvorada graciosa
Meu doce amor, vivemos separados!

Estes dias cruéis e amargurados
Como noite mais negra e dolorosa,
Eu levo a recordar, triste e saudosa,
Teus olhares tão meigos e adorados.

Cheio de mágoas, sem prazer ou calma,
Vivo guardando desolada em pranto,
Teu nome escrito nos recessos d alma!

E quando ao longe vai morrendo a tarde
Oh! meu saudoso e delicado encanto
O coração me estala de saudade.

__________Em Verbenas, 1901.

*Ana Lima era poetisa asssuense. Ainda na sua adolescência começou a escrever seus afetuosos sonetos clássicos!

MOMENTO HISTÓRICO:


Atendendo edital publicado no Diário Oficial do Município do Assú, ocorreu nesta sexta-feira (23), no auditório do SEBRAE, situada à rua Bernardo Vieira, 104 – Centro – Assú/RN, a assembleia de fundação da Academia Assuense de Letras (AAL), associação civil, de direito privado e sem fins econômicos, tendo por finalidade o cultivo, a preservação e a divulgação do vernáculo, da literatura, da história e da atividade cultural em seus múltiplos aspectos. 
Na ocasião, foi definido o quadro de patronos, inicialmente, composto por 20 cadeiras, que terão como titulares sócios nas categorias de fundadores, efetivos, correspondentes, honorários e beneméritos e, ainda, composta a primeira diretoria da instituição, constituída de sete membros eleitos por aclamação dentre os sócios fundadores tendo como Presidente: Ivan Pinheiro Bezerra; Vice-presidente: Auricéia Antunes de Lima; 1º secretário: Francisco José Costa dos Santos; 2º Secretário:Fernando Antônio Caldas; 1º tesoureiro: Fernando Antônio de Sá Leitão Morais; 2º Tesoureiro: Francisco de Assis Medeiros e Secretário de Comunicação: Antonio Alderi Dantas.

No tocante aos primeiros ocupantes e as respectivas cadeiras da Academia Assuense de Letras o quadro ficou assim definido:

Cadeira nº 1 – Patrono: Palmério Augusto Soares de Amorim Filho.
Titular: Antonio Alderi Dantas; 

Cadeira nº 2 – Patrono: Celso Dantas da Silveira.
Titular: Auricéia Antunes de Lima;

Cadeira nº 3 – Patrono: Francisco Augusto Caldas de Amorim – Chisquito.
Titular: Francisco de Assis Medeiros;

Cadeira nº 4 – Patrono: Francisco Agripino de Alcaniz – Chico Traíra.
Titular: Francisco José Costa dos Santos;

Cadeira nº 5 – Patrono: Renato Caldas.
Titular: Ivan Pinheiro Bezerra;

Cadeira nº 6 – Patrono: João Lins Caldas.
Titular: Fernando Antônio Caldas; 

Cadeira nº 7 – Patrono: Silvia Filgueira de Sá Leitão.
Titular: Fernando Antônio de Sá Leitão Morais.

Os demais nomes escolhidos como patronos para as 20 primeiras cadeiras cujos titulares serão escolhidos entre os futuros sócios foram: Alfredo Vespúcio Simonetti, Eufrosina Fernandes, Ezequiel Epaminondas da Fonseca Filho, Ezequiel Lins Wanderley, Francisco Ângelo da Costa – Chico Daniel, Francisco Elion Caldas Nobre, João Carlos Wanderley, João Natanael Soares de Macêdo, Luiz Carlos Lins Wanderley, Maria Carolina Wanderley Caldas – Sinhazina Wanderley; Maria Eugênia Maceira Montenegro; Pedro Soares de Araújo Amorim; Samuel Sandoval da Fonseca. 

A solenidade magna de posse dos acadêmicos acontecerá provavelmente no próximo mês de junho. Porém, os acadêmicos já definiram um calendário mensal de reuniões com o propósito de caminhar com registro do seu estatuto, definição de regimento e regulamentos internos entre outras questões, sendo que o próximo encontro está marcado para o dia 27 de fevereiro.
Texto transcrito, na íntegra, do Blog de Alderi Dantas. 
Foto: Secom / AAL.

  COMO VIVER 13 ANOS A MAIS E SEM DEMÊNCIA Rosangela Haydem Um estudo publicado em agosto de 2026 trouxe um dado que merece a nossa atenção:...