sábado, 2 de fevereiro de 2008
"VARZEA DO ASSU"
É de notar a ausência das tarefas de carnaúba, corte de folhas, batida, fazimento de cera, seus processos. E quem nos diz que essa omissão não seria intencional? Que haja o autor reservado essa parte para o outro ensaio, em que estude a organização tradicional do trabalho na população do Assu? Quantas curiosidades foram relevadas... E o vocabulário capitoso, entubibaram, fiota, pé de castelo, mulada, rupe, feder a fogo, marombos, trambecar, rebolada, de macambira vasqueira, dando para casa, deu de marcha, o cavalo acendeu as orelhas, desadorador, taipero de pilão, tenha tramém, que ouvimos, empregamos mas não escrevemos, assombrados com a fauna extinta dos gliptodontes gramaticais? E o verbo espírita, obsoleto e desusado em portugal, comum aos clássicos, citado em Ferreira (Comédia de Bristo, c. v. do voato) com a contratação ora em Deus em ti, e, na várzea do Assu, o bicho? É com parcimônia que cito.
Não é menor a divulgação de hábitos que se tornaram como cerimônias, espécie litúrgica de gestos, indispensáveis a esse ou aquele ato. Nos bailes dos Mucaias há o cerimonial popular de oferecer bebida em que o pagador deverá liberar primeiramente. Tome! Não, dizia o companheoro, venha de lá. Não, pode tomá. Só entã o parceiro bebe. Todos nós sabemos desse detalhe. Mas ninguém o escrevera ainda. E como esse, inúmeros. Pertencem, essas informações, ao domínio etnográfico, indispensável para o estudo da psicologia coletiva.
A retirada do gado, a derrubada do barbatão pelo vaqueiro Preto Ruivo, da azenda Alemão, está como um retrato ao vivo: - Ao sair numa capoeira pequena e estreita, Preto Ruivo enrolou novamente. Enrolou e segurou. Abrindo o cavalo para fora num ímpeto de raiva, sentão a mão na saia do barbatão, pegou o cavalo nas esporas e gritou ao bicho, jogando-o por cima de uns troncos de catingueira. É rápido, preciso, numa linguagem que será desconhecida aos que se iniciaram nas lides do sertão pastoril. Sentar, abrindo o cavalo, pegou nas esporas, saia do barbatão, gritou ao bicho, são mistérios para um praiano mas lembranças vivíssimas para quem residiu e ama a terra bravia do sertão de pedra.
É esse Várzea do Assu o primeiro livro do autor. Vale por um balanço de capacidade. Raros começaram por essa forma, amando a vida e narrando-a sem disfarces e mentiras de estilo bolo-de-noiva ou pornografias convencionais de realismo.
M. Rodrigues de Melo não andou escrevendo a várzea do Assu. Andou filmando. E com a mais sensível, delicada e fiel das máquinas: - o coração..."
Luis da Câmara Cascudo
(In O livro das Velhas Figuras)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
SONETOS DE JOÃO LINS CALDAS
Ah! Se eu pudesse, coração ferido,
Vingar as mágoas por que tens passado!
Sentir-te duro te sentindo amado
Por que te fez de coração traído.
Ah! Se eu pudesse para ver vencido
O ser que te fez de coração chagado,
Já que de tanto não te é chegado,
Já que de tanto não te é podido;
Ver-te querida; e apaixonado e, louco;
Ter-te no peito pelo mesmo afeto
Mas, nesse afeto, de coragem firme
Ao ver quem foi aos teus carinhos mouco
Mostrar vingança pelo mesmo afeto
E a estrangular te estrangulando a rir-me.
O BUGARI
De quem passou nas tuas mãos um dia,
Do bugari mimoso que me deste
Se evola um mundo de sua ambrosia
Que a minha musa de ilusões se veste.
Ao verem-me com ele: - "Hoje se veste
O perfume do amor..." tudo anuncia
Julgando alentá-la esse olhar celeste
E não o pranto que dele se escondia...
Ah! Nele o bugari cheiroso e lindo,
Brilha o sonho desse gozo infindo
Que nos transporta ao céu da fantasia.
E, como se novo ele ainda fosse...
Conserva a essência jubilosa e doce
De quem passou nas tuas mãos um dia...
SONETO
Vais... vais partir e, aqui, amargurado
Não cessarei de ti chorar um dia.
Em tudo, cruel, a dor se me anuncia,
E, todos, ressurgem os sonhos do passado.
Longas noites no sofrer gelado
Eu sei que vou passar... a nostalgia
Encherá os peitos dessa letargia
Onde soluça o Amor que foi sonhado...
Tudo que em mim de ti falando vê-se
Segreda-me com ânsia de queixume:
"Sei que, quem parte bem cedo se esquece..."
"Vais... meu amor! Minha doce ilusão!"
E´ loucura de mim teres ciúme
Aqui fica meu corpo e segue o coração...
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
POUCAS E BOAS
2 - Monsehor Júlio Alves Bezerra (essa estória também se atribui a padre Freitas que, parece, dirigiu nos anos cinquenta, a paróquia de Baixa Verde) foi pároco de Assu durante muito tempo. Dia de batizado dominical na igreja Matriz de São João Batista, perguntou o nome da criança: "Frederico, Padre!" Respondeu aquela mulher". Monsenhor num gesto intempestivo e preconceituoso, disse assim: "Deixe de besteira, mulher, nome de negro é Benedito!"
3 - Waldemar Campielo foi vereador do Assu e depois prefeito de Carnaubais (RN). Pois bem, recém empossado na prefeitura daquele município que fora distrito de Assu, resolveu viajar a Natal em busca de recursos para aquela terra de Santa Luzia. Aí Waldemar perguntou a Walter Leitão (contador da prefeitura) o que estava faltando para ele comprar para aquela edilidade: Walter solicitou: "Prefeito, compre uma bandeira do Brasil." Uma segunda pergunta, entretanto, denunciaria um prefeito deslumbrado com a própria vitória: "Walter, e de que cor eu compro?"
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
CHICO TRAIRA
Se o amigo não está
Achando a viagem boa
Você é pássaro, eu sou peixe
Eu mergulho e você voa
Você volta para o ninho
E eu volto à minha lagoa.
De outra feita, cantando com outro afamado poeta violeiro chamado Manoel Calixto, na cidade de Areia Branca, interior do litoral do Rio Grande do Norte, na casa de certo seu admirador fora desafiado com a seguinte estrofe:
Aviso ao dono da casa
Que não vá fazer asneira
Tenha cuidado em Traira
Que ele tem uma coceira
Se não quiser que ele pegue
De manhã queime a cadeira.
Chico prontamente respondeu:
Você é que tem coceira
Dessas que rebenta a calça
Está tomando por dia
dezoito banhos de salsa
Quando a coceira se dana
Num dia acaba uma calça.
Fernando Caldas
sábado, 12 de janeiro de 2008
GLOSADORES DO ASSU
Saudade e recordação.
Vivendo na solidão
Por causa de uma mulher.
Nem sonhando ela me quer...
Po causa disso chorei;
Bebendo raciocinei:
É astúcia do Demônio
E ao meu triste patrimônio
"Novos tormentos juntei".
Renato Caldas
Passeando nesta praça
Não sinto mais alegria,
Achando a vida vazia
Na venda bebi cachaça.
Na vida não acho graça,
Pensando no meu sofrer,
Já de tanto padecer
Eu já vivo amargurado,
Continuo embriagado
Me lembrando de você.
Manoel de Bobagem
Ouvido Sua Eminência
Por imensa multidão
Humilde, beijou o chão
No país da violência
Pregou a paz com clemência
De modo convencedor,
Rogou a Nosso Senhor
Que aos cristãos todos conduz
Como servo de Jesus
O papa, pregou o amor.
Solon Wanderley
Serei uma alma esquecida
Ninguém vai lembrar de mim,
E por isso antes do fim
Sinto saudade da vida
Minha filha, a mais querida,
A quem lhe dei o viver,
Na certa vai esquecer
Do pai que a morte levou
Por isso tristonho estou
Em lembrar que vou morrer.
Boanerges Wanderley
Eu respeito a castidade
Inda mesmo presumida,
Que mantém pra toda vida,
"A mulher de certa idade."
Mas, afirmo, sem maldade,
Que, na vida, errada, incerta,
Muita coisa se concerta
Que parece nova e boa:
- Mulher que vira "coroa"
Não tem nunca idade certa.
Mariano Coelho
Mesmo sem acreditar
Nas sagradas escrituras
Devem ter as criaturas
"Um minuto pra rezar."
Também devem programar
O seu modo de viver,
E dessa forma obter
O perdão da eternidade,
E ter com serenidade
"Um segundo pra morrer."
Francisco Amorim
Já estou desesperado,
Já não tenho paciência,
Se assemelha à penitência
A vida que vou levando.
Meus amigos se acabando.
Aqueles que tanto amei...
Eu, também, já comecei
A morrer por prestação,
E se tentar salvação
Tem caminhos que eu não sei.
Walter de Sá Leitão
A dor, a angústia, o gemido,
São prenúncios de um ocaso,
Mas, às vezes tem um prazo
Pois nem tudo está perdido.
Tudo por Deus é regido
A tempestade, a bonança,
Convém rever na lembrança.
Dia a dia o que acontece,
Veio fazer uma prece
Quando resta uma esperança.
Núcio Pinto
Pedindo paz pra meu povo
Súde e tranquilidade,
Com grande felicidade,
Quero entrar o ano novo.
A Jesus Cristo, sim, louvo
O seu natal tão contente
Peço a Deus Onipotente,
Com fé de não ter engano,
Pra subir o novo ano
Com o pé direito na frente.
João Adolfo Soares
Como tudo é passageiro
No decorrer desta vida,
No jardim, triste, esquecida,
Cai a flor do jasmineiro
Seu orvalho derradeiro,
Por sobre a relva deslisa
O seu perfume ameniza
O travor da soledade
Deixando odor de saudade
Ao leve sopro da brisa.
Oliveira Junior
De madrugada, na rua
Num luar claro de agosto,
Eu vi o seio da lua.
Sem "sutien", quase nua,
Eu pasmei, nervoso, ao vê-la
Custava, mesmo entendê-la,
Qual Diana pura e terna
Tomava a forma materna
Amamentando uma estrela.
Hélio Oliveira
Fico na área cantando
Admirando a beleza
Feita pela natureza
Me sinto bem contemplando
E o perfume aspirando
Pra ser amiga das flores
Em mim não tem dissabores
Contemplando o meu jardim.
Martinha Santiago
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
CARNAUBEIRA, A "ÁRVORE DA VIDA"


A carnaubeira é uma palmeira originária do semi-árido nordestino, muito comum em solos argilosos e de aluvião (beira de rios), bastante resistente às secas e com grande longevidade (ciclo de aproximadamente 200 anos). Há quem diga que a carnaubeira é eterna. Ela é chamada cientificamente de Copernícia Cerífera (Miller), em homenagem ao naturalista alemão Humbadt, quando este visitou o Brasil no século XII e conheceu a carnaubeira e suas numerosas finalidades, passando a chamá-la com o apodo de "árvore da vida." Ela também é conhecida popularmente como "O Boi Vegetal". é como se dizia antigamente: "Do boi tudo se aproveita, da carnaúba não se perde nada." O seu descobrimento é data de 1790. Em 1857, o norte-rio-grandense chamado Manoel Antônio de Macedo foi quem descobriu o processo de extração da cera da planta e por ele provavelmente feito as primeiras experiências de beneficiamento, "muito antes do petróleo e da luz elétrica". Celso da Silveira depõe que "o emprego na confecções de currais de gado teve influência decisiva no desenvolvimento do ciclo da pecuária determinante das primeiras charqueadas no Brasil."No Vale do Açu/RN, a carnaubeira cobria uma área de aproximadamente 17 mil hectares. Até pouco tempo atrás (antes da fruticultura irrigada naquela região, explorada principalmente pelas empresas agrícolas de porte) era a principal economia do Vale do Açu. Praticamente toda produção de cera era exportada para os estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha e França.
A carnaubeira é uma árvore nativa muito comum em solo argiloso e de aluvião (margem de rios) natural da região nordeste do Brasil como Rio Grande do Norte, Ceará e Piaui. Estes dois últimos Estados com maior frequência, informa Celso Martins. "Em outros países da América do sul existe a carnaubeira, mas somente a palmeira. Devido à irregularidade da extração chuvosa não desenvolve o mecanismo defensor do vegetal, não havendo assim o pó cerífero servindo somente para adorno." Existe ainda a carnaubeira no Ceilão, Africa Equatorial.informa Celso Martins.
A carnaubeira além de ser uma planta nativa, também se planta. Se plantada leva aproximadamente 10 anos para chegar ao ponto da colheita. No Brasil os maiores produtores são os Estados nordestinos como Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, com 87 por cento da produção nacional. No Rio Grande do Norte são produtores, os municípios de Assu, Ipanguaçu, Carnaubais, Auto do Rodrigues, Pendências, Upanema, além dos município da região oeste do estado potiguar como Mossoró, Pau dos Ferros, Felipe Guerra, Apodi e Governador Dix-sept Rosado. Ainda se produz o pó cerífero nos município de Campo Grande, Santana de Matos, Ceará Mirim, Macau, Touros, Martins, entre outros municípios com pequena produção.
A extração da palha da carnaubeira - corte de suas palhas, é feito através de grandes varas de aproximadamente dez metros de comprimento, tamanho maior da carnaubeira, podendo excepcionalmente chegar a 15 metros, com tronco (esquife) perfeitamente reto e cilíndrico de 15-25 cm de diâmetro, com uma foice na extremidade, sem causar danos ao meio ambiente. A colheita é feita entre entre os meses de agosto e dezembro e, após a extração da palha bota-se para secar em estaleiros, exposta ao sol para depois proceder ao seu batimento e posteriormente extrair o pó. (Tempos atrás, se procedia o seu batimento na calada da noite, hora em que o vento está brando, depois, veio a ser batida mecanicamente através de uma máquina (chamada "Maquina de Cortar Palha"), salvo engano, inventado no Estado do Piaui, coisa semelhante a uma forrageira de triturar ração animal, acoplada a um caminhão que depois de extraído o pó dar-se-á o seu cozimento em grandes tachos de ferro fundido revestido de tijolo (alvenaria), em alta temperatura, com adicionalmente de um produto de nome Sal Azedo e outros produtos químicos, para dar melhor qualidade ao produto.
O uso das esteiras de palhas de carnaúba pela companhia trará uma economia de ate 3 milhões e 700 mil reais, somente considerando a demanda inicial de cem quilômetros de dutos. Onde a PETROBRAS aplicará o revestimento que dará proteção mecânica a estrutura metálica por onde passa o vapor a 280 graus".
A carnaúba é classificada de quatro tipos: Tipo 1 (cera olho de cor amarela, de melhor qualidade e maior valor comercial, tipo 2 (cera gorda de cor verde), tipo 3 e 4.
A cêra começou a perder espaço em solo nordestino logo apos a explosão do consumo dos anos cinquenta. Por esse tempo, o Brasil produziu 100 mil toneladas. Foi o auge de sua produção. A cêra foi muito usada na confecção de disco de venil pelas gravadores e ainda é muito usada pelas industrias de graxa de sapato.
No Rio Grande do Norte, era o município do Assu, onde se concentravam seus maiores produtores, beneficiadores e comerciantes. Lembrar Zequinha Pinheiro (produtor de cêra que chegou até a ter uma casa bancária no Rio de Janeiro com os recursos da cêra de carnaúba), Francisco Martins Fernandes, Minervino Wanderley, Fernando Tavares (Vem-Vem), Mercantil Martins Irmãos (dirigida por Sandoval Martins), Carvalho & Cia que depois veio a ser Pimentel e Cia, Cooperativa Agro Pecuária do Vale do Açu Ltda (presidida por Francisco Amorim e gerenciada por Edmilson Caldas, chegando aquela cooperativa em virtude da comercialização daquele produto, a ser na década de setenta, o maior cliente do banco do Brasil, de Assu, além de um grande fornecedor a industria Johnson, de Fortaleza-CE), Sebastião Alves, Nilo Gouveia (Seu Nilo), Luiz Tavares, Seu Ananias, entre outros da várzea do Assu.
A Mercantil Martins Irmãos foi quem primeiro inovou para o beneficiamento da Cera de Carnaúba, no Estado potiguar, implantando na década de setenta (onde hoje está assentado o Centro Administrativo da Prefeitura Municipal do Assu), uma usina com tecnologia moderna, deixando de comercializar a cêra em forma de tablete para ser beneficiada tipo escama de peixe, conforme exigência do mercado importador.
Pena que a carnaubeira no Vale do Assu está ainda sendo destruída para dar lugar o cultivo da banana entre outras frutas.
Fernando Caldas
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
JESUINO BRILHANTE, O FILME
Vale a pena relembrar que no início da década de setenta, o povo hospitaleiro e generoso do Assu, de tantos poetas e até mesmo de tradições pioneiras, recebeu um grupo de atores (cabeludos) cinematográficos, para que aquela cidade e região, fosse cenário principal do primeiro filme longa metragem rodado no Rio Grande do Norte, intitulado "Jesuíno Brilhante, O Cangaceiro", produzido pelo cineasta potiguar de Ipanguaçu/RN, então radicado no Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 1991, chamado artisticamente William Coobet (Cosme na tradução, seu sobrenome de registro, família muito conhecida no Assu e em Ipanguaçu).
Esse filme tem fotografia de Carlos Tourinho, música de Mário Pariz e o seu
protagonista é Neri Vitor, produção de Eliana Coobet. É uma produção em Eastmancolor. Suas
filmagens tem duração de 1h40m., 35mm e o seu produtor associado é Jonas
Garret. O enredo é sobre o cangaço e o gênero é de aventura, rodado que foi em
reprise com destaque no 15º Festival de Cinema de Natal, realizado no mês de
julho de 2006. Fez sucesso no Brasil e foi rodado especialmente a convite no
Festival de Moscou, em 1973. Algumas das suas cópias estão espalhadas em
diversos países como a Rússia, Espanha, Romênia, Checoslováquia, Índia e
Polônia.
O filme conta a história de um cangaceiro romântico chamado Jesuíno Alves
Calado (Jesuíno Brilhante), nome que herdara de seu tio, também cangaceiro.
Câmara Cascudo depõe que Jesuíno "é o primeiro cangaceiro na memória do oeste norte-rio-grandense. Deixou funda lembrança de valentia, destemor e fidalguia. Era o aut-low gentlilhomem, imperioso, arrebatado, incapaz de insultos por vaidade ou de uma agressão inútil."
Voltando ao filme, participaram da filmagem, artistas de nome nacional como Neri Victor, Rodolfo Arena (como Soares), Vanja Orico (como Maria de Goes - que ficou hospedada na casa da escritora Maria Eugênia), Waldir Onofre (como Zé), Miltom Vilar (como Francisco Limão), Hilda Melo (como Margarida), Maria Lucia Escócia (Jesuino´s Mother), Wandick Wandré, Rojerio Tapajos (como Silvestre), Eriel José (como Jojeu), Helio Duda (como Juvenal), Mário Paris (como Cobra Verde, Anteór Barreto (natural de Ipanguaçu), além de Regina Accioli, Clementina de Jesus, Jesiel Figueredo (ator potiguar que fez uma cena no Forte dos Reis Magos, como o governador da província), Tony Machado, Rui Marques, Daniel Rosental e Nestor Saboia.
Várias pessoas da sociedade assuense deram a sua colaboração como figurantes. Entre tantos: Pedro Cícero de Oliveira, José Caldas Soares Filgueira Filho (Dedé Caldas), Zélia Amorim, Francisco Evaristo de Oliveira Sales - dr. Sales), que foi médico em Assu durante décadas), José Marcolino de Vasconcelos (Dedé de Aiá), Raimundo Márcio Borges de Sá Leitão (Itinho de Durval), Monte Lacerda e Fernando Montenegro, dentre outros.
Além do município do Assu, a filmagem fora produzida em Ipanguaçu, Mossoró, Tibau, Patu e nos cerrados de Lages e Natal, onde fora concluída a filmagem.
Voltando a vida de Jesuíno, Sinhazinha Wanderley no livro de Walter Wanderley intitulado Família Wanderley, 1965, conta que no Assu existiu um pequeno museu onde se encontrava exposto um pedaço do osso do braço de Jesuíno Brilhante que foi morto pela polícia da paraíba no lugar denominado Palha, distrito do Estado da Paraíba.
Fica, portanto, esse registro, como um fato cultural de muita relevância para o Assu, pois, esse filme é patrimônio cultural que deve ser relembrando e ficar catalogado nas páginas da nossa história e do Rio Grande do Norte.
Fernando Caldas
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
POEMAS INÉDITOS DE JOÃO LINS CALDAS
Os quatro ovos que tinha no ninho do pássaro
Diziam de quatro vidas, um amanhã que devia ser.
Mas não foi isso na vida do pássaro
Tudo na vida do pássaro:
- Só cantar e viver.
II
Deus deu-me tudo. Deus deu-me tudo do que a mim amargurado Deus me devia dar.
Deus deu-me tudo. Si amargurado, porque a mim as razzões de me amargurar.
III
O pobre me deu uma esmola de Deus te favoreça
"Deus te favoreça!" Favoreça-me Deus com essa esmola do pobre.
IV
Deus preenche o infinito
Preenche os vale do amor
E, se a dor solta seu grito
Deus vive também na dor!
V
Culpa-te a ti somente, a ti culpa.
A ti somente, Ó grande desgraçado!
Culpa-te a ti de ser desventurado
Culpa-te a tí de ser já sem desculpa,
Amaste por amor. Amaste crendo.
VI
Um, porém verás em brasa, em chama:
Porque tudo que Deus tem formado
Encheu de fel um coração que ama!
domingo, 16 de dezembro de 2007
LUIZINHO CALDAS, UM GLOSADOR
Só falta usar maçarico
Instrumento de arrombar
E o povo fica a clamar
É pena o Brasil tão rico.
Com esta gente eu não fico
Quero servir de espião
Mas, todo esforço é em vão
Rouba governo e prefeito
Para o Brasil não há geito
Com tanto filho ladrão.
E essa outra transcrita abaixo, é também de sua autoria:
Certa coisa que já fiz
Com uma jovem em segredo
Revelar até faz medo
Eu não digo, ela não diz
É que eu quis e ela quis
Só podia acontecer
Mas, o bom é não dizer
Com quem isto aconteceu
Ela não diz e nem eu
Quem é que pode saber?
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
AS TIRADAS DE RENATO CALDAS
1) Nos idos de sessenta e oito, encontrava-se encalhado no Porto de Natal, o navio da Marinha norte-americana (Projeto Hoop). Naquele navio-hospital, Renato submeteu-se a uma cirurgia na próstata. Em razão do sucesso da operação e da sua rápida recuperação, o médico llhe deu alta, porém com a seguinte recomendação: "Renato cuidado para não comer gordura!" E Renato com aquele seu jeito cômico, jocoso, pilhérico, dirigiu a palavra a sua mulher que pesava aproximadamente seus bons cem quilos, dizendo: "Tá ouvindo, Fausta, e agora!"
2) Renato nos idos de trinta, numa certa viagem de trem que fizera, se não me engano, de Angicos com destino a Natal, fumava inveteradamente. Naquele transporte coletivo, sentado de frente para ele, Renato, uma jovem que se encontrava grávida, em dia de parir. Aquela mulher como se quisesse provocar o poeta, arreganhou as pernas, alisou a sua barriga e advertiu Renato, dizendo assim: "O senhor dá pra apagar o cigarro! Não é por mim não! É por conta desse inocente que está na minha barriga." Renato não se fez de rogado: "A senhora dá pra fechar as pernas! Não é por mim não! É por conta desse inocente!" Respondeu Renato, afagando a sua genitália
3) Renato no dia do seu casamento deixou sua esposa em casa e deu uma escapulida para farrear com amigos, pelos bares da cidade de Assu, retornando a sua nova morada somente noite alta. Sua mulher sentindo-se abandonada, recriminou na hora, ao vê-lo chegar em casa embriagado: "Mas, Renato isso é coisa que você faça no dia do nosso casamento: "Besteira, mulher! Eu só vim buscar o violão!" Rebateu Renato e saiu novamente para continuar a bebedeira.
4) Renato na época da construção da Ponte Felipe Guerra, sobre o Rio Piranhas ou Assu (ele trabalhou na construção daquela ponte construída pelo DNOCS) recebera um convite de um amigo que morava nas proximidades daquele rio, para participar do casamento de sua filha. Durante a festa, os comes e bebes, um dos convivas convidou Renato para fazer a saudação aos noivos. Renato saiu-se com essa: "Minhas senhoras e meus senhores. Queira Deus que o noivo não encontre um solo explorado!" Para risos dos presentes.
Fernando Caldas
sábado, 8 de dezembro de 2007
HOMENAGEM PÓSTUMA
Senhor Prefeito,
Na qualidade de cidadão, cirurgião dentista e filho deste querido município, venho expor a V. Exa. e ao final sugerir o seguinte:
1) Há alguns anos, o município de Assu perdeu a figura de Olavo Lacerda Montenegro, empresário, secretário de estado, agropecuarista e homem público. Representou e defendeu a nossa região ao longo de várias décadas, não apenas da tribuna da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, mas também, em inúmeras reuniões e conclaves, nos quais ergueu a sua voz na defesa do Vale do Assu, do seu povo e do seu desenvolvimento. É chegada a hora da chefia do Executivio Municipal resgatar a sua memória, homenageando a sua dedicação e amor ao Assu, através da lembrança do seu nome no frontispício de uma escola, de uma construção pública ou de uma rua da cidade.
2) Por último, senhor prefeito, refiro-me a outra significativa perda no campo da arte e da música. Desejo me reportar ao recente falecimento da cantora assuense Núbia Lafaite que cantou e encantou inúmeras gerações no Rio Grande do Norte e no Brasil. Núbia se tornou, não apenas, num patrimônio artístico do nosso município mais do país pela beleza de sua voz e de suas magnífica interpretações.
Urge, pois, que esta prefeitura desperte para homenageá-la condignamente, realçando o seu valor e perpetuando no bronze o seu nome como filha dileta do Assu e que jamais será esquecida.
Na expectativa das providências de ambas solicitações, subscrevo-me muito atenciosamente,
Osman Alves Cabral
UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO