quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

MEUS OLHOS

(...) Meus olhos são uns olhos para não se ver
Ninguém para ver meus olhos
Meus olhos são uma tarde, meus olhos são uma tarde para sempre entardecer.

João Lins Caldas

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

POESIA

ORGULHO

És orgulhoso e altivo, também eu...
Nem sei bem qual de nós o será mais...
As nossas forças são rivais:
Se é grande o teu poder, maior é o meu...

Tão alto anda esse orgulho!... Toca o céu.
Nem eu quebro, nem tu. Somos iguais.
Cremo-nos inimigos... Como tais,
Nenhum de nós ainda se rendeu...

Ontem, quando nos vimos, frente a frente,
Fingiste bem esse ar indiferente,
E eu, desdenhosa, ri sem descorar...

Mas, que lágrimas devo àquele riso,
E quanto, quanto esforço foi preciso,
Para, na tua frente, não chorar...

Virgínia Victorina
(Poetisa portuguesa)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

PAPAI NOEL


MONÓLOGO DO NATAL

Por Aldemar Paiva*

Não gosto de você Papai Noel.
Também não gosto desse seu papel
De vender ilusões a burguesia.
Se os garotos humildes da cidade,
Soubessem do seu ódio à humanidade.
Jogavam pedras nessa fantasia!

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa e me tornei rapaz,
Sem esquecer no entanto o que passou.
Fiz-lhe um bilhete pedindo um presente,
A noite inteira eu esperei contente,
Chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai cansado
Trousse um trenzinho velho, empoeirado,
Que me entregou com certa hesitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
"É pra você... Papai Noel mandou..."
E se esquivou contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
Pensei que meu bilhete com atraso
Chegara às suas mãos no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu,
Deu muitas voltas, meu pai sorriu
E me abraçou pela última vez.

O resto só eu pude compreender
Quando cresci e comecei a ver
Todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a medo:
"Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade".

Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar,
E como quem não quer abandonar
Um mimo que lhe deu quem lhe quer bem,
Disse medroso: "Eu só quero ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele
E por favor, não vá trocar meu trem".

Meu pai calou-se e pelo rosto veio
Descendo um pranto que eu ainda creio,
Tão puro e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído,
Mamãe gritou, ele não deu ouvidos,
Saiu correndo e nunca mais voltou.

Você Papai Noel, me transformou
Num homem que a infância arruinou,
Sem pai e sem brinquedos. Afinal,
Dos seus presentes, não há um que sobre
Para a riqueza do menino pobre
Que sonha o ano inteiro com o Natal!

Meu pobre pai doente, mal vestido,
Para não me ver assim desiludido,
Comprou por qualquer preço uma ilusão:
Num gesto nobre, humano e decisivo,
Foi longe pra trazer um lenitivo,
Roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara. No entanto
Depois de grande, minha mãe, em pranto,
Contou-me que fora preso. E como réu,
Ninguém a absolvê-lo se atrevia,
Foi definhando, até que Deus um dia
Entrou na cela e libertou pro céu!

*Aldemar Paiva é jornalista, poeta, escritor, membro da Academia Pernambucana de Letras, animador cultural, radialista, apresentador do programa "Pernambuco Você é Meu", da Rádio Clube de Pernambuco. Paiva gozava da amizade com o poeta assuense Renato Caldas, a quem sempre visitava quando de passagem para. Paiva, sempre declama os poemas do velho poeta assuense, falecido em 1991, através daquela rádio da terra pernambucana.




sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VIRGÍNIA VICTORINO

Virgínia Victorino, poeta sonetista e dramaturga portuguesa de Alcabaça. Nasceu no dia 13 de agosto de 1898 e faleceu em 1967. Por sinal, o amargurado e amoroso poeta potiguar, também sonetista, chamado João Lins Caldas, era um dos seus admiradores de Virginia. No dia em que veio a falecer em 1967, conta-se que estava a ler o livro sobre o título "Apaixonadamente", daquela poeta lusitana autora do livro "Namorados, já em quatorze edições. A primeira é de 1918. De Virgínia conta-se que ela "foi amada e odiada ao extremo". Seus versos são recheados de melancolia. e paixão. Transcrevo adiante o soneto  sob o título "Renúncia", que diz assim:

Fui nova, mais fui triste... Só eu sei
Como passou por mim a mocidade...
Cantar era o dever da minha idade!
Devia ter amado e não cantei...

Fui bela... Fui amada e desprezei
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado e não amei...

Si de mim!... Nem saudade, nem desejos...
Nem cinzas mortas... Nem calor de beijos...
Eu nada soube, eu nada quis perder...

E o que me resta?! Uma amargura infinda...
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda...
E que é tão tarde já, para viver!...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

POESIA

Só faltam usar maçarico
Instrumento de arrombar
E o povo fica a clamar
É pena o Brasil tão rico!
Com essa gente eu não fico,
Quero servir de espião,
Mas, todo esforço é em vão,
Roubam mesmo sem respeito,
Para o Brasil não há jeito
Com tanto filho ladrão.

Luizinho Caldas

AMÉRICO SOARES DE MACEDO

O bardo assuense Américo Soares de Macedo era membro de uma família vocacionada para a poesia. Publicou em 1939, dois livros sob o título "Sombras" (sonetos) e "Motes e Glosas". Daquele último volume, está transcrito a décima (glosa), que diz asim:

Ante o prazer me detive,
Gosei a vida um momento,
Depois veio o desalento,
Assim vive, quem não vive.
De sofrer, não me contive,
Procurei então saber,
Se a gente deve morrer,
Por não achar neste mundo,
Um amor firme e profundo
Com quem deseja viver.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"DIO COME TI AMO"


O filme intitulado Dio come ti amo, na minha observação, foi o filme que mais rodou na telinha do Cine Theatro Pedro Amorim, de Assu (1966,67,68, 69,70). É o meu filme favorito. Relembra a minha adolescência prazenteira e feliz, na minha cidade então provinciana chamada Assu. O filme é dirigido por Miguel Iglesias e a canção Dio come ti amo, é de Domenico Modugno. Gigliola interpreta além daquela canção, No ho lé´tà, dentre outras.. Gigliola (Gigliola di Francesco), a protagonista, é uma jovem inocente e bela, de família pobre que se apaixona por um jovem rico chamado Luis (Mark Damon), noivo de sua melhor amiga. Vejam o vidio do filme que levou multidões às salas dos cinemas.

"O ASSÚ É +"

Da esquerda para a direita: Mara Betúlia de Sá Leitão Boettcher (brasileira, potiguar de Assu), acompanhando a senadora (natural de Chicago) do Estado de Nova Iorque, Hillary Clinton. Hillary já foi primeira-dama dos Estados Unidos na qualidade de esposa do ex-presidente Bill Clinton. É pré-candidata a presidente por aquele país, pelo Partido Democrata. Fica o registro desta ilustre assuense, que atualmente mora em East Lansing, Michigan (EUA). Ela, Mara, é filha do ex-prefeito do Assu/RN, Walter de Sá Leitão que hoje empresta o seu nome a universidade daquela terra assuense. É por isso que eu concordo com o jornalista Alderi Dantas, com a sua campanha que tem como lema: "O Assu é +".
Eu conheci o senador Dinarte Mariz (1903-1984) nos idos de sessenta, numa concentração pública na cidade de Assu, de passagem para Mossoró, candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Me lembro que ele usava paletó de linho Braspérola de cor bege. No Assu, ainda menino, já metido a gente grande, eu pelas saía pelas ruas da cidade, distribuindo fotografias (propagandas) daquele "velho senador do coração do povo", como ele era chamado pelos seus correligionários, pelos Norte-rio-grandenses. Sobre ele, diz o poeta matuto Renato Caldas, num verso: "Dinarte, velha aroeira que sustenta a cumeeira do Rio Grande do Norte". Eu tive o prazer de ter sido convidado, salvo engano, em 1983, para a sua festa de aniversário (naquele tempo eu era vereador do Assu), seus 80 anos de idade, que aconteceu na cidade de Caicó. Foi a maior festa que eu já vi no sertão, com a presença do deputado Paulo Maluf. Dinarte era amigo leal, decidido. Para falar com ele, fosse no palácio do governo ou na sua residência, era a maior facilidade. Conta-se que certa vez, seu compadre e prefeito de Serra Negra do Norte, chamado Euclides, no tempo em que ele, Dinarte, era governador, chegou à sua casa no instante em que ele se encontrava no banheiro, fazendo suas necessidades fisiológicos. Aquele prefeito apressadamente logo se aproximou do WC, bateu na porta e foi direto ao assunto: "Compadre Dinarte, é sobre a nomeação daquele nosso amigo". Dinarte sentado no vaso sanitário logo pediu caneta e papel a sua secretária, e ali mesmo despachou autorizando com um simples bilhetinho, a nomeação do amigo do prefeito que, ao sair daquela residência oficial, saiu-se com essa: "Dinarte é governador até cagando!" Para risos dos circunstantes.

sábado, 13 de dezembro de 2008

COMENTÁRIO SOBRE O RENOMADO ESCRITOR POTIGUAR WASHINGTON ARAÙJO

Fernando,

Fiquei bem emocionado com a leitura do texto do Washington. Ele escreve como ninguém. E passa muita sinceridade, coisas pouco comum com pessoas já renomadas. Tenho acompanhado seus comentários diariamente na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e na Rádio Câmara de Brasília. Seus textos no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, são também primorosos. Não entendo como ele ainda não foi intimado a integrar a Academia de Letras do Rio Grande do Norte, se já é da Academia do Distrito Federal e tem tantos prêmios no currículo. Foi muito bom ver que seu maior impulso partiu da Maria Eugênia Montenegro. Àrvores boas produzem bons frutos. Essa dona Gena pode ter produzido muita coisa boa mas ter influenciado tão fortemente o Washington é um dos seus frutos mais saborosos. Parabens pelo seu site!!! Quando puder me envie o email do W. Araújo e o endereço do blog dele.

cavijunior@bol.com.br

Em tempo: cavijunior, ainda hoje informo o endereço eletrônico de Washington - esse potiguar "cidadão do mundo" -, que tem bagagem literária suficiente para dar vender e emprestar, como se diz aqui no Nordeste. Agora, me faz lembrar uma frase do grande pintor e cronista norte-riograndense chamado Newton Navarro, que diz assim: "É tempo de lembrarmos mais dos nossos escritores, não deixar para depois, para mais tarde". Obrigado pelo elogio ao meu blog e, ao meu conterrâneo do Assu que o Brasil consagrou, chamado Washington Araújo.

Fernando Caldas

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

POESIAS

POEMETO

A lua que me dirão?
Precisa talvez de irmão.

Eu sou tão só sobre a Terra,
Tanta luta, tanta guerra...

A lua, que me dirão?
Se a Lua precisa irmão
Eu já que abandono a Terra.

João Lins Caldas

POEMA

Venham comigo poetas...
Venham com a alegria desta terra...
Não me venham com lágrimas na voz...
Tirem a venda dos olhos
E olhem com os olhos alegres
Todas essas paragens de morros e de sol...
Todo esse verde buliçoso de coqueiros.

Jorge Fernandes
(poeta natalense)

(Continuo com mais poesias mais tarde).

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO