sábado, 15 de janeiro de 2011

Delícias do vale e de memórias afetivas

Longe das capitais, mas não  da memória afetiva – e gastronômica. As pequenas guloseimas, os ingredientes que faziam a boa mesa nos tempos em que a indústria ainda não havia padronizado tudo, estão restritos ao interior. Se fica difícil ir pra lá, o jeito é trazer o que há de bom pra cá. Foi o que fez a Delícias do Assu e do Vale, instalada desde outubro no Potengi Flat, em Petrópolis. A pequena loja reúne gostosuras raras, de apuro artesanal, que não se acham mais por aí.

Todos os produtos da loja são fornecidos por comerciantes, produtores, padeiros e doceiras do Assu e redondezas; ou seja, têm o sabor autêntico da produção regional. O proprietário Francisco Pinheiro, assuense da gema, de tanto ter que viajar para comprar as iguarias que tanto gostava, trouxe  tudo para Natal. “Para minha surpresa, a resposta do público superou as expectativas. Nossa clientela tem natalenses, turistas brasileiros e estrangeiros, não só gente com o pé no interior”, explica. Ele comanda a loja ao lado da filha Luciana Pinheiro. 

Entende-se a empatia que os produtos regionais têm sobre o paladar dos iniciados e iniciantes. Guloseimas como o biscoito ‘Flor de Assu’ são peças raras, uma receita criada em 1920, à base de cravo e erva-doce, para agradar a uma mulher grávida; os alfenins, extintos nas feiras natalenses, feitos sob encomenda pela doceira  Regina Sena; a banana passa de Ipanguaçu, a melhor produzida no estado; o feijão verde de Assu, cujos grãos são maiores que os outros; a castanha de caju do assentamento Novo Pingos; a cachaça assuense Imperial do Vale, entre outros.

A lista de iguarias sertanejas segue com tarecos, biscoitos de batata, salgados de queijo, casadinhos, pão Recife (original), bolachas diversas, rapadura e açúcar mascavo da Serra de Luís Gomes, doces de mamão, leite, goiaba e caju, e queijos de manteiga, coalho, e coalho com orégano. Há ainda as delícias naturais, como os ovos de legítima galinha caipira; filés de tucunaré, tilápia e traíra, além da ova de peixe; aves como galinha caipira, guiné e pato, e a autêntica buchada. Tudo guarda o sabor original do interior.

Artesanato é presença

Além dos produtos comestíveis, a Delícias do Assu também traz artesanato da terrinha, como peças de porcelana pintadas a mão, caixas, baús e cestas feitas de palha de carnaúba, bananeira e milho. “O produto artesanal tem detalhes que a indústria não pode reproduzir, parece que é feito com mais carinho”, define Francisco. Que degusta, concorda.

Serviço:

Delícias do Assu e do Vale. Rua Potengi, 521, Potengi Flat, Petrópolis. Tel.: 3086-2726.

[Texto do jornal Tribuna do Norte]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FOTO OFICIAL DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF


A foto oficial da presidente Dilma Rousseff foi apresentada nesta sexta-feira (14) no Palácio Planalto.
A imagem foi feita pelo fotógrafo oficial da Presidência, Roberto Stuckert Filho, que passou cerca de uma semana estudando a luz e o cenário ideais.
A foto será distribuida para afixação nos demais estados da confederação, essencialmente nas repartições oficiais.

Escrito por aluiziolacerda

PRAIA DO FORTE, NATAL

Foto NatalGuia

Um amor de faz-de-conta

 

Leonardo Sodré*

Acho que tenho assistido muitos filmes antigos ultimamente. Os diretores dos anos 1950 eram pródigos em fazer bons filmes românticos e os finais sempre valorizavam o bem; recheados de felicidade, principalmente nas fitas produzidas nos Estados Unidos. Acho que na infância e adolescência aprendi o que era paixão no cinema. E, mesmo agora, continuo a entender as paixões por essa ótica. Pela visão do bem.
          
Não quero acreditar em relações tumultuadas apesar de já tê-las vivido algumas vezes pelo impulso da paixão. Ah! A danada da paixão que se apossa da lógica e de todos os paradigmas que você cria. Que lhe domina e o deixa a mercê do ridículo, como se você não fosse mais você e que o seu pensamento já não lhe pertencesse mais. Acho que Nelson Rodrigues combatia interiormente esse tipo de coisa quando escrevia sob o heterônimo de Susana Flag o folhetim “Nasci para Pecar”, na década de 1940.

O autor da peça “Vestido de Noiva” minimizava as paixões banalizando as agruras das paixões e das traições pelo relato violento, sempre com um final infeliz. Ia de encontro à felicidade escancarada dos filmes românticos que chegavam ao Brasil vindo da Europa e dos Estados Unidos e mesmo assim fazia um grande sucesso. Nelson Rodrigues terminou por profetizar muitas das relações de hoje em dia, marcadas pelo ciúme, traições que, ao invés de utilizarem o mote da confiança, se baseiam na desconfiança.

Antigamente as pessoas flertavam, namoravam, noivavam e depois casavam. Hoje a coisa mudou. Agora existem as ficadas, as amizades coloridas, as relações abertas e até um tal de “namorido” ou “namorida”, nome ridículo que sugere uma relação de namoro onde os casais sentem-se casados tipo “mais ou menos”. Enfim, chegamos ao ápice: O amor de faz-de-conta.

*Jornalista e escritor
Janeiro de 2011

BRASIL


*Por João Lins caldas

O poeta entra a permanência azul dos aromas suaves e dos brilhos recatados.
A imagem emocional dos lírios lúcidos e dos delírios infatigáveis.
Andam luz nos seus olhos e ardentias nos lábios.
Beijado o sol pelo fruto e sossegadas as árvores,
Ladeados rios e a possível lembrança de naus alvoroçadas,
Um Portugal de caravelas e um Cabral a descobrimento de belas terras cobiçadas.
Eia! que aqui se olha o Cruzeiro do sul
E o poeta é chegado.


*Poeta potiguar do Açu

No Guizado da galinha à cabidela!

Galinha caipira à cabidela – ou  molho pardo – é mais um ingrediente da vasta cozinha regional quase desaparecido das grandes mesas. Por ser um produto diferenciado, ligado a uma criação específica do interior e a receitas seculares, acabou por se recolher a determinados lugares. Os restaurantes que ainda trabalham com a iguaria atestam a raridade da matéria-prima e a clientela diferenciada.

fotos: emanuel amaralGalinha à cabidela, em sua receita original, ganha a mesa de restaurantes como a Âncora CaipiraGalinha à cabidela, em sua receita original, ganha a mesa de restaurantes como a Âncora Caipira
Apesar de ser um prato identificado com a cultura sertaneja do Nordeste, a galinha caipira e seu molho à base de sangue são originários da  culinária francesa. A galinha, para começar, chegou ao Brasil com os portugueses, não existia aqui antes disso. O molho pardo chegou a Portugal no século XVIII e de lá alcançou o Brasil. Segundo o historiador Gilberto Freyre, faz parte dos “quitutes com aparência de brasileiros mas que são franceses e refletem o francesismo que desde o século XVIII invadiu a cozinha portuguesa”. Chique, não?

O restaurante regional Âncora Caipira tem  a galinha do interior desde sempre no cardápio. Os proprietários Augusto e Isabel Azevedo têm fornecedores de São José do Seridó, e fazem questão de ter o galináceo legítimo. “Está cada vez mais difícil ter galinha caipira de verdade. Hoje se usa ração, chocadeira...os criadores querem rapidez, e mudam todo o processo”, explicam. A galinha caipira original tem sabor mais acentuado, carne firme e cor mais intensa. Seu porte é de pequeno a médio, cruzamento livre de várias raças.

A galinha caipira no Âncora pode sair com ou sem o molho pardo, é opcional e não é cobrado à parte. Acompanha feijão verde, arroz e pirão de galinha (feitos na graxa da própria), maxixada e farofa. Serve bem até três pessoas. Preço: R$56,70. Segundo Isabel Azevedo, a maior parte da clientela prefere a galinha torrada, sem a cabidela. “O cliente mais jovem prefere assim. É um sinal de que gostos antigos vão se perdendo com o tempo”, atesta.

O Bar e Restaurante da Totóia é  sinônimo de galinha caipira em Natal. Apesar de o cardápio ter de tudo hoje em dia, é a galinha que  impera nos pedidos. Começou como um barzinho, há mais de 30 anos; para incrementar o cardápio, só de tira-gostos simples, foi colocada uma galinha caipira. O sucesso foi tão grande, que virou carro-chefe da casa até hoje. Ozenir Cabral, a Totóia, conta que sua galinha vem de Santa Cruz, Tangará e São Paulo do Potengi.

A galinha de Totóia vai à mesa com a cabidela junto ou à parte do prato, conforme o gosto do cliente. “Eu particularmente adoro o molho pardo já em todo o prato. Entre  minha clientela estrangeira, os portugueses são os que mais gostam”, diz. O prato acompanha feijão verde, farofa (ou pirão), e três tipos de arroz (de galinha, refogado, ou de leite com queijo coalho). Pode servir até cinco pessoas, ao preço de R$70. Há um ano Totóia climatizou o ambiente do restaurante – que é sua casa – para deixar a clientela mais confortável. Só atende por reservas.

A Casa do Tota, restaurante na estrada para São José do Mipibu, é especializado em costela no bafo, mas tem a galinha caipira como o segundo prato mais pedido. O cliente tem a opção de pedir à cabidela ou só torrado com xerém, farofa de cuscuz, arroz e feijão. Preço: R$46, para até quatro pessoas. O proprietário Marcos Tonelli conta que cria suas próprias galinhas. O restaurante abre só às sextas, sábados e feriados.

Galinha caipira também pode ser um apreciado tira-gosto. O bar Lamparina, em Ponta Negra, serve em forma de petisco, a “meia galinha” com macaxeira, ao preço de R$25. O curioso é que as galinhas são criadas numa mini-granja localizada nos fundos do próprio bar. O proprietário José Alves Neto garante a autenticidade. “Eu sei se ela é ‘pé duro’ só de olhar. Meu cardápio é baseado na cozinha sertaneja, e não pode fugir disso”, afirma.

O bar Maria Bonita, em Petrópolis, também serve a galinha caipira em versão tira-gosto, a R$16, acompanhada de macaxeira ou batata-doce. O proprietário Evifran Rocha, o Vivi, conta que a galinha vem de São José do Seridó. O bar é famoso por seus autênticos petiscos sertanejos.

Serviço:

Âncora Caipira. Tel.: 3202-9364/ Bar e restaurante da Totóia. Tel.: 3223-6642/ Lamparina. Tel.: 9980-2605 Casa do Tota. Tel.: 8825-9062/ Maria Bonita. Tel.: 3202-4489

Receita:

Galinha de cabidela

Ingredientes:

1 galinha caipira

2 colheres de sopa de vinagre

4 limões

Sal, pimenta do reino e cheiro verde a gosto

2 dentes de alho socados

1 cebola ralada

2 colheres de sopa de óleo

½ pimentão cortado em tiras finas

4 tomates picados (sem pele e sem sementes)

2 colheres de sobremesa de extrato de tomate

2 folhas de louro

Preparo:

Junte o sangue da galinha em recipiente com vinagre. Bata com um garfo, para não talhar. Reserve. Corte a galinha em pedaços. Passe limão. Lave e tempere com sal, pimenta e alho. Reserve. Leve ao fogo uma panela grande, com óleo. Doure a galinha. Junte cebola, cheiro verde, extrato de tomate, louro, pimentão, tomate. Refogue tudo em fogo brando. Acrescente água. Deixe no fogo até que a galinha esteja bem macia. Na hora de servir, junte o sangue (mexa antes) aos poucos, na panela. Leve novamente ao fogo e misture bem. Deixe até que tudo esteja bem cozido. Sirva com batata cozida e arroz branco.

Tribuna do Norte

Registros da Freguesia do Açu (I)

João Felipe da Trindade, professor da UFRN e membro do IHGRN (hipotenusa@digi.com.br)

Lá de Açu, nosso amigo Alzair nos questiona: amigo Joao Felippe, nunca mais apareceu gente conhecida em seu blog sobre as famílias do Assu. Quando é que vamos ter?

Entretanto, vasculhando os livros de registros da Freguesia do Açu, encontro sobrenomes como Alustau Navarro, Lopes Galvão, Moraes Navarro, Rocha Bezerra e outros tantos que vem de longe. Vejamos, pois, alguns registros feitos no Açu. Lembramos que alguns livros são transcrições de livros mais antigos, e por isso mesmo, trazem algumas falhas como inversão no sexo do batizado, falta de um dos progenitores ou erro nos nomes dos padrinhos. Comecemos com um Lopes Galvão.

"Cipriano filho legitimo de Cipriano Lopes Galvão natural do Seridó e Rosa Maria da Conceição natural de Assú nasceo aos quatro de Março de mil oitocentos e trinta e dous e foi baptizado aos oito de Abril do dito anno pelo padre Vito Antonio de Freitas de minha licença na Capela de Santa Anna de Campo Grande e lhe conferio os Sagrados Óleos: Forão padrinhos o mesmo Reverendo Vito Antonio todos deste Assu e para constar fis este assento em que me assignei. Joaquim José de Santa Anna, Parocho do Assu."

Esse Cipriano não encontrei entre os tantos Ciprianos lá de Currais Novos, mas deve ser descendente de Cipriano Lopes Pimentel e Tereza da Silva.

"Francisca, branca, filha legitima de João Gomes Carneiro e Anna Joaquina Teixeira nasceu a vinte de abril e foi solenemente baptizada a trinta de Maio de mil oitocentos e quarenta e oito pelo Padre Silvério Bezerra de Menezes com os Santos Óleos de minha licença na Capella de Nossa Senhora da Conceição da Villa de Macau: forão Padrinhos Antonio Teixeira de Sousa e Francisca Joaquina Gonçalves: do que para constar fis lançar este termo em que me assino. Manoel Januário Bezerra Cavalcante, Vigário Collado do Assu."

Essa batizada é Francisca Bella Carneiro de Mello que casou, em 20 de Janeiro de 1864, na Fazenda Conceição, com Cosme Teixeira Xavier de Carvalho, irmão de Francisca de Paula Maria de Carvalho, minha bisavó, e de Maria Ignacia Teixeira do Carmo, mãe do Capitão José da Penha. Desconfio que esse João Gomes Carneiro de Melo era filho de João Gomes Carneiro que casou em 1800 com Maria Teresa de Melo.

Vejamos agora registros de filhos do Barão do Açu, Luiz Gonzaga de Brito Guerra, descendente de Tomás de Araújo Pereira.

"Lino filho legitimo do Doutor Luiz Gonzaga de Brito Guerra e de sua mulher dona Maria Mafalda de Oliveira nasceu aos vinte e três de Setembro de mil oitocentos e quarenta e seis, e foi baptizado a hum de Dezembro do dito anno na Matris de São João Baptista de Apudi pelo Reverendo Vigário Faustino Gomes de Oliveira que lhe impôs os Santos Óleos de minha licença. Forão padrinhos Benvenuto Praxedes Benevides d'Oliveira, solteiro e Dona Quitéria Ferreira de S. Lusia, casada, do que para constar fis este assento em que me assigno, Manoel Januário Bezerra Calvalcante Parocho Collado do Assu."

Esse é Lino Constâncio de Brito Guerra que casou com a tia Maria Idalina de Oliveira. No registro a seguir, que já é uma transcrição, como comentado acima, não colocaram o nome da mãe e trocaram o sexo do batizado. É o batismo de Boaventura Seráfico de Brito Guerra e a mãe dele era a segunda esposa do Barão, Josefina Agustina da Nóbrega. Algumas informações complementares foram retiradas do livro de Raimundo Nonato, "Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra, um memorialista esquecido."

"Boaventura filha legitima de Luis Gonzaga de Brito Guerra e nasceu a quatorze de julho de mil oitocentos e secenta e três, e foi solenemente baptizado por seu próprio pai e tomou os santos óleos na Matris desta a trinta e um de Agosto do mesmos anno, sendo padrinhos Luis da Fonseca Silva: e para constar fis este assento em que me assino. Vigário Jose de Matos Silva"

Outro registro interessante é relativo à família Raposo da Câmara. Manuel pai e Manuel padrinho eram irmãos e casaram com duas irmãs Umbelina Maria da Conceição e Francisca Xavier Professora, irmãs de minha bisavó Francisca Rita.

"Maria filha legitima de Manuel de Borja Raposo da Camara e Umbelina Maria do Espírito Santo nasceu a oito de Setembro de mil oitocentos e secenta e sete, e foi solennemente batizada de minha licença na Capela de Nossa Senhora do Rosário pelo Padre Elias Barbalho Bezerra, a cinco de Dezembro do mesmo anno, sendo Padrinhos Manuel Jerônimo Caminha Raposo da Camara e Francisca Xavier. E para constar mandei fazer este assento em que me assino. Vigário José de Matos Silva."

Por fim o batismo de uma filha do brasileiro Jacinto João da Ora, um das pessoas citadas por Cascudo que saiu da Ilha de Manoel Gonçalves para povoar Macau.

"Anna filha legitima de Jacinto João da Ora natural do Assu e Adriana dos Anjos natural de Extremôz nasceo aos sinco de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e cinco e foi batizada aos nove de Dezembro do dito anno no Oratório de Nossa Senhora da Conceição de Manoel Gonçalves e lhe conferi os Sagrados Óleos. Forão padrinhos Andre de Sousa Miranda e Francisca das Chagas Miranda solteiros, todos deste Assu. E para consta fis este assento em que me assigno. Joaquim José de Santa Anna. Parocho do Assu.

(Do Jornal de Hoje, de Natal)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Hospital Regional de Assu Tem Novo Diretor




Sem tirar mérito nenhum das suas qualidades pessoais ou profissional, o administrador de empresa Flávio Cruz, é na verdade um vencedor, estrela e proteção tem sido uma constante em sua trajetória.

Pipa ascendeu hoje através de nomeação oficial do Secretário Estadual de Saúde Domicio Arruda com chancela da governadora Rosalba Ciarlini, o posto de diretor administrativo do Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos, unidade sediada em Assu.

A nomeação no Diário Oficial atende uma indicação do prefeito Ivan Júnior, seu protetor desde que assumiu o governo da terra dos poetas, cujo perfil de confiança faz com que o gestor esteja sempre com o nome do auxiliar em evidência e lembrado para ocupar com destaque posições no seu governo.

Pipa está substituindo o agropecuarista, militante politico, Hélio Santiago Lopes que vinha exercendo as funções administrativas do Hospital na gestão anterior.

Pra dar um toque de despreendimento a nomeação do amigo Pipa, me faço recordar a brincadeira íntima de Ovidio Montenegro, quando o jornalista João Ururaí, era assistente de comunicação do governador Geraldo Melo, toda vez que avistava o mensageiro do governo, saía sempre com essa sátira gosativa, sem entretanto discriminar o prestigio do renomado Jornalista: Lá vem o secretário dominó!

Certa vez indaguei Ovidio sobre o que queria dizer aquela afirmação; a resposta foi imediata - È o preto com pinta de branco!

Neste quesito Pipa tem honrado bem a cor de sua pele, o blog envia parabéns pela significativa conquista.

Escrito por Aluízio Lacerda












quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PAPANGU VOLTA A CIRCULAR

A revista Papangu que noticia a cultura, os fatos políticos, o cotidiano, editada por Túlio Ratto começou a circular em 2004. Após nove meses fora de circulação volta ás livrarias e Bancas. A edição de número 66 terá lançamento na próxima quinta feira, 13, amanhã às19 horas na Livraria Siciliano, no Miduay, Natal. Na capa, a chahge da governadora Rosalba Ciarline.

Postado por Fernando Caldas
Missa de 7º dia

Acabamos de receber a informação de que uma "Missa de 7º dia" será celebrado neste sábado na Igreja de Pirangi em Natal, ato em que familiares e amigos estarão reunidos na fé cristã em sufrágio da alma de Rivadávia Alves Cabral. O ato religioso está previsto para ás 19.30 horas. Quem nos informou foi o odontólogo Osman Alves, irmão do falecido, adiantando ainda que outras missas estão sendo providenciadas pela familia, pra se realizar nas Igrejas de Carnaubais e Assu.

Do BlogdeAluízioLacerda

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bar doce lar


Leonardo Sodré

Leonardo Sodré*

Alguns bares de Natal ficaram famosos pelo que ofereciam. Outros, talvez a maioria, pelo comportamento e esquisitices dos seus donos. Quem não se lembra de Nazi, da esquina do Beco da Lama com a rua Coronel Cascudo, que preparava uma famosa “meladinha”, que consistia de uma mistura de cachaça com mel de abelha e limão?

Famoso por ser pão-duro, foi surpreendido por uma pedinte que entrou no seu bar intempestivamente gritando:

- Me dê uma esmola ai!

Calmo, ensinou demoradamente como ela deveria se dirigir às pessoas para conseguir esmolas e ressaltou a importância de tentar ser extremamente educada, de falar baixo, etc. Cheia de esperanças, ela refez o caminho de volta e entrando novamente no bar, dizendo baixinho, como havia aprendido:

- Seu Nazi, por favor, faça a gentileza de me dar uma esmolinha.

Aparentemente distraído, concentrado na lavagem de uns copos, ele respondeu:

- Perdoe...

Não sei se o maior cronista das histórias da Confeitaria Atheneu, o engenheiro Augusto Leal sabe desta, mas existe um grupo que não perde um último capítulo de novela das oito naquele bar. Durante todo o decorrer da novela, pedem tudo o que é possível a Odeman, que, novelista convicto, segundo a minha fonte, enfurece-se a cada cerveja ou tira-gosto pedido. Quando termina a novela eles pedem a conta e vão embora. Essa história acontece há anos...

O bar “Beleleu”, do músico Paulo Sarkis e da bela Simone Betoni, começa a colecionar algumas histórias engraçadas e o jeito invocado de Paulo, que no fundo é uma pessoa muito sensível, está começando a formar a “personalidade” do ambiente. Nas quartas e domingos, por exemplo, tem sempre um trio tocando blues. Baixista, ele geralmente compõe o grupo. Mas se alguém se arriscar a pedir uma música, a resposta é sempre um sonoro “não”. Ele termina tocando, mas sempre diz não antes. Na hora que quer fechar o bar, um acordo é quase impossível. E ele sempre anuncia:

- Aqui o cliente nunca tem razão.

Outro dia cheguei por lá e estava tocando o disco teste de uma CD que sua banda, Mad Dogs, irá lançar brevemente. Gostei muito e pedi:

- Paulinho coloque no inicio, pois o CD está muito bom...

Ele respondeu:

- Coloco não! Todo mundo chega aqui pedindo a mesma coisa.

Bruna Simone e Elione Medeiros, que atendem as mesas e o balcão já pegaram o jeito. Os clientes tradicionais, já entendem que o “não” delas quer dizer, na verdade, um sim.

Inventor de sanduíches criou somente para ele, um especial, com pão francês, que tem como ingredientes básicos, mortadela e vinagrete. A iguaria não consta do cardápio, mas um dia, abriu uma concessão para mim. Achei o sanduíche maravilhoso, mas ficou somente neste. Sempre que vou pergunto se não dá para sair “unzinho”. A resposta é sempre não. Perguntado por que não coloca no cardápio, recusa-se a dar muitas explicações e no máximo disse apenas uma vez que “ninguém iria gostar mesmo”. Eu gostei.

Louco por futebol, uma vez estava vendo um jogo sem futuro na televisão, de um campeonato de um país europeu. Alguém pediu para ver o Jornal Nacional. A resposta foi rápida:

- Somente depois do jogo, que ainda vai demorar um bocado. Leia os jornais amanhã...

A cerveja do Beleleu é impecável, os pratos são bons e variados e os banheiros estão sempre limpos. Ele vez por outra sustenta uns “preguinhos”. Talvez por isso ele use a máxima da razão unilateral.

Outro dia um cliente foi pagar uma continha de dezesseis reais. Para não ficar sem nenhum dinheiro na carteira, combinou que iria dar dez e que pagaria o restante no outro dia. Ele não perdeu tempo:

- Eu nunca ouvi falar que se pagasse prego de bar à prestação...

* Jornalista e escritor
Texto publicado no "O Jornal de Hoje" em julho de 2003.

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.