sábado, 5 de fevereiro de 2011

A PONTE

Ponte Ferroviária de Igapó [sobre o rio Potengi], Natal-RN, construída em 1916

A ponte vai transpor o rio para o trem de ferro passar carregando as mercadorias,
Passarão os carros de bois
Os automóveis lotados.
Os mendigos que vão dois a dois, os amplos chapéus de abas longas esburacados.
Mata a uma, mata a outra margem do rio.
Advinho os veados, as jacutingas engurujadas, pesadas de gordas,
E a irara, o lobo, o coelho, a raposa madraça sob as noites enjuriabadas.
O chão está toldado de verde.
A prata das águas carreia nas balsas
Líquens e algas, de par com peixes de escamas frias.

João Lins Caldas, poeta potiguar do Açu

Alguns nomes na obra de Othoniel Menezes III

Notas de Laélio Ferreira

Romain Rolland. Doutor em Arte, escritor, professor, novelista, biógrafo e músico francês (França, 1866-1944). Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1915. Fez importante observação sobre o livro O Futuro de uma Ilusão, de Sigmund Freud. Esta observação foi a premissa usada por Freud para escrever o livro seguinte O Mal-estar na Civilização. Quando o
filósofo político italiano Antônio Gramsci escreveu, na prisão, que o pessimismo da inteligência não deveria abalar o otimismo da vontad, estava citando Roman Rolland.

 Romildo Fernandes Gurgel (Natal/RN, 05.05.1929-Natal/RN, 31.05.1995). Jornalista, advogado, conselheiro, político, professor universitário. Foi secretário de Educação e presidente do Tribunal de Contas do Estado. Dirigiu a República, o Jornal do Comércio e O Democrata  jornal que publicou, em capítulos, este ensaio de OM.

Alan Kardec (Lyon/França, 03.10.1804-Paris/França, 31.03.1869). Pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail. Pedagogo e escritor. Notabilizou-se como o codificador do Espiritismo, também denominado de Doutrina Espírita. OM Menezes era espírita, admirador e estudioso da
obra do grande pensador.

 Emmanuel-Adolphe Langlois Des Essarts (Paris/França, 05.02.1839-Lempdes-Haute-Loire/França, 17.10.1909). Poeta e escritor. Defensor do espiritualismo cristão, liberal republicano, professor e amigo de Hugo, Gautier, Leconte de Lisle, Banville, Sainte-Beuve, Laprade, Quinet. Admirador e também amigo de Walt Whitman.

Manoel do Nascimento Fernandes de Oliveira (Natal/RN, 24.12.1888 - ?). Poeta, crítico literário e jornalista. Funcionário público estadual, irmão de Jorge e Sebastião Fernandes. Publicou, em 1913, um volume de versos: Livro de Matilde.

Francisco Bruno Pereira (Mossoró/RN, 06.10.1896-Natal/RN, 01.04.1979). Jornalista, professor, político, magistrado (Justiça do Trabalho). Fundou jornais em Natal, Recife e no Rio de Janeiro. Panfletário, combateu às oligarquias da província, sofrendo perseguições. Foi deputado estadual.

Oscar Fingal O Flahertie Wills Wilde (Dublin/Irlanda, 16.10.1854- Paris/França, 30.11.1900). Escritor, poeta e teatrólogo irlandês. O Retrato de Dorian Gray (1890) foi o único romance que escreveu. Bissexual, sofreu duramente, à época, condenado à prisão por sodomia. Chamou a homossexualidade de o amor que não ousa dizer o nome.

Herculano Ramos. Arquiteto, engenheiro-civil mineiro (Belo Horizonte/ MG, 26.03.1854-Belo Horizonte/MG, 17.01.1928). Servindo às ordens do governador Alberto Maranhão, reiniciou a construção do Teatro Carlos Gomes, projetou e construiu a Praça Augusto Severo (Jardim Público), o Palacete do Congresso (sede atual da Prefeitura Municipal de Natal), o ajardinamento da Praça André de Albuquerque, a reforma do Cais Tavares de Lira e a construção do Grupo Escolar Augusto Severo. Trabalhou, ainda, no Ceará, na Bahia, em Recife e no Rio de Janeiro.

Tália (significando festividade), preside a comédia e a poesia leve. Seus símbolos são a máscara cômica e um cajado de pastor. Tália também é o nome de uma das Graças (Cáritas).

Estevão José Barbosa de Moura (1810-1891). Vice-presidente da província do Rio Grande do Norte, tendo assumido a presidência interinamente por três vezes, de 6 de julho a 4 de dezembro de 1841, de 31 de março a 31 de maio de 1842 e de 15 de novembro de 1842 a 7 de julho de 1843. Coronel da Guarda Nacional, senhor de terras, muito rico, construiu o Solar do Ferreiro Torto, no engenho do mesmo nome, à margem direita do rio Jundiaí, em Macaíba. Governando a Província um certo Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (1807-1838), vulgarmente conhecido como Parrudo, tido como prepotente e libidinoso, e ofendendo este a honra do coronel Estevão Moura, foi assassinado às ordens deste, por escravos de confiança, em 11 de abril de 1838.

Antônio Elias Álvares de França (Nova Cruz/RN, 23.05.1854-Natal/ RN, 25.08.1915). Músico e poeta bissexto, servidor público, animador cultural, parente próximo da família materna de OM (os Álvares de Menezes). Dele, disseram, na imprensa (A República), troçando: É ótimo marido, excelente pai, avô carinhoso e péssimo poeta.

Tommaso Babini (Faenza/Itália, 10.01.1885-Recife/PE, 1949). Violoncelista, professor da Escola de Música do Teatro Alberto Maranhão e da Escola Doméstica. Viveu mais de trinta anos em Natal.

 Nicolino Milano (Lorena/SP, 25.06.1876-Rio de Janeiro/RJ, 01.10.1962). Instrumentista, professor, compositor. Estudou no Rio de Janeiro. Viveu parte de sua vida na corte portuguesa, onde foi muito prestigiado pelo Rei D. Carlos (penúltimo rei de Portugal, 1863/1908), que o presenteou com um precioso violino e o nomeou instrumentista da Real Câmara. Autor do fado Liró (1908), melodia na qual Eduardo Medeiros confessava se haver inspirado para musicar os versos da Praieira (Serenata do Pescador) de OM.

Luigi Maria Smido (ou Luigi Maria Schmidt und Insbruck). Nascido na Itália, falecido no Rio de Janeiro/RJ, em 13 de agosto de 1943. Maestro e professor, esteve em Natal em várias oportunidades. A primeira em 1903, dirigindo a Orquestra do Teatro, o departamento de música da Escola Doméstica e a banda do Batalhão de Segurança (Polícia Militar). Trabalhou no Ceará e, em 1936, no Rio de Janeiro. Foi professor catedrático de Instrumentação e Composição. Diziam-no pertencer à nobreza européia, descendente de São Luís Gonzaga e amigo de infância do rei Vittorio Emanuelle II, tendo estudado em Leipzig e Viena.

Waldemar de Almeida (Macau/RN, 24.08.1904-São Paulo/SP, 26.05.1975). Pianista, maestro e professor. Estudou na Europa e fundou, na década de 1930, o Instituto de Música do RN.

Luís Francisco Junqueira Ayres de Almeida (Salvador/BA, 1860- Recife/PE, 10.05.1896). Engenheiro, jornalista, orador e deputado federal pela Bahia e pelo RN, apadrinhado político de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão.

Chantecler. Acreditava-se que o canto desse galo era o responsável pelo nascer do sol. Personagem da peça teatral do mesmo nome, de Edmond Rostand (1868-1918), escritor, poeta e dramaturgo francês  autor, também, de Cyrano de Bergerac, obra imortal.

Roderic Crandall. Geólogo californiano (EUA,1885-1967), consultor do governo brasileiro. Escreveu sobre a sua especialidade: Geografia, geologia, suprimento dágua, transportes e açudagem dos Estados Orientais do Norte do Brasil: Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba  4ª. Edição/Ufersa.

Juvenal Antunes de Oliveira (Ceará-Mirim/RN, 29.04.1883- Manaus/AM, 29.04.1941). Bacharel em Direito, promotor público, jornalista. Morou muitos anos no Acre. Esmeraldo Siqueira, homenageando- o, escreveu Juvenal Antunes, o Inolvidável Boêmio (Editora Nordeste,
2000). Famoso pelo poema Elogio da Preguiça, tornou-se personagem da minissérie Amazônia, da Rede Globo de Televisão, escrita por Glória Perez.

Francisco Tavares Pereira Palma (Timbaúba/PE, 01.12.1875-Natal/ RN, 18.05.1952). Poeta, teatrólogo, jornalista e funcionário do Tesouro Estadual. Publicou Santelmos e Luz e Cinza (versos). Um dos fundadores da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

Sebastião Fernandes de Oliveira (Natal/RN, 11.03.1880-Natal/RN, 29.05.1941). Poeta, teatrólogo, magistrado. Foi secretário-geral do Estado e presidiu o Tribunal de Justiça. Irmão do poeta Jorge Fernandes, compôs versos para famosas modinhas.

Severino Silva (PB, 09.08.1887-Rio de Janeiro/RJ, 1962). Poeta, jornalista, pastor protestante e bacharel em Direito, nascido na Paraíba de família potiguar. Estudou no Atheneu, formou-se em Direito em Belém do Pará. Membro da Academia Paraense de Letras. Príncipe dos Poetas Paraenses, migrou para o Rio de Janeiro, onde, por concurso público, foi nomeado comissário de Polícia do então Distrito Federal.

Francisco Ivo Cavalcanti (Natal/RN, 26.08.1885-Natal/RN, 11.03.1969). conhecido como Chico Ivo ou Ivo Filho. Professor, poeta, jornalista e advogado. Seu livro de poesias, Crisântemos, foi publicado em 1906.

Ana Lima Souto dos Santos Lima (Assu/RN, 16.05.1882- Natal/ RN, 18.01.1918). Poeta. Seu livro Verbenas (1901) foi prefaciado pelo jornalista Pedro Avelino. Foi casada com o professor Celestino Pimentel.

Clóris. Deusa das flores, esposa de Zéfiro, também chamada de Flora.

Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti (Recife/PE, 08.06.1876- Natal/RN, 27.10.1952). Magistrado (desembargador), jornalista e poeta. Escrevia sob vários pseudônimos: René de Vincy, Henrique Selva, Ego, Cicinato, Memo. Pai dos poetas Esmeraldo, Carlos e Milton Siqueira, além do desembargador Oscar Siqueira.

 Tobias Barreto de Menezes ((Vila de Campos do Rio Real/SE, 07.06.1839-Recife/PE, 26.06.1889). Filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro; fervoroso integrante da Escola do Recife (movimento filosófico de grande força calcado no monismo e evolucionismo europeu). Fundador do condoreirismo brasileiro e patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Josué Tabira da Silva (Natal/RN, 1889-Maceió/AL, 21.08.1976). Poeta, trovador, jornalista e advogado. Morou em Sergipe e Alagoas. Formou- se em Direito na Terra dos Marechais, na mesma turma de um dos filhos. O autor destas notas, entristecido, viu, em Maceió, depois da morte do poeta, vários dos livros da sua biblioteca vendidos numa calçada. Foi da Academia Sergipana de Letras.

Antônio Glicério das Chagas (Ceará-Mirim/RN, 02.07.1881-Santo Antônio/RN, 05.06.1921). Poeta, gráfico, boêmio. Deixou inédito um livro de versos: Cantilenas

João Estevão Gomes da Silva. Poeta, gráfico, político, líder operário (Natal/RN, 16.12.1883-Natal/RN, 07.05.1969). Fundador de Centro Operário de Natal, deputado estadual  o primeiro eleito, no Estado, pela classe operária. Com Josué (Tabira da) Silva e Emídio Fagundes, colaborou e imprimiu uma pesquisa sobre a maçonaria no RN.

Manoel Segundo Wanderley (Natal/RN, 06.04.1860-Natal-RN, 14.01.1909). Poeta, médico, dramaturgo, jornalista. Rocha Pombo achava que era o primeiro dos poetas potiguares. Já o conterrâneo Antônio Marinho chamou-o de condoreiro démodé.

Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine (Mâcon/França, 21.10.1790-Paris/França, 28.02.1869). Escritor, poeta e político francês. Seus primeiros livros de poemas (Primeiras Meditações Poéticas, 1820 e Novas Meditações Poéticas, 1823) celebrizaram o autor e influenciaram o Romantismo na França e em todo o mundo.

Lorenzo Stecchetti. Pseudônimo com que se celebrizou o poeta italiano Olindo Guerrini (S. Alberto de Ravena/Itália, 14.10.1845-Turim/ Itália 22.10.1916).

George Gordon Byron (Londres/Inglaterra, 22.01.1788- Missolonghi/Grécia, 19.04.1824). 6º barão Byron melhor conhecido como lorde Byron. Poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo. Famoso por obras-primas como Peregrinação de Childe Harold e Don Juan. A fama de Byron não se deve somente aos seus escritos, mas também a sua vida  amplamente considerada extravagante  que inclui numerosas amantes, dívidas, separações e alegações de incesto. Dizem os entendidos ter sido um dos primeiros escritores a descrever os efeitos da maconha. Lady Caroline Lamb  com quem teve um caso, dizia-no louco, mau e perigoso para se conhecer. Curiosamente, sua filha, Ada Lovelace, colaborou com Charles Babbage para o engenho analítico, um passo importante na história dos computadores.

 Luís Delfino dos Santos (Desterro/Florianópolis/SC, 25.08.1834-Rio de Janeiro/RJ, 31.01.1910). Médico, político (foi senador, na República Velha) e poeta brasileiro. Não publicou livros. Parnasiano, enveredou, depois para o simbolismo, a exemplo do seu conterrâneo Cruz e Souza.


Joaquim Eduvirges de Melo Açucena (Natal/RN, 17.10.1827- Natal/RN, 28.03.1907). Dito Lourival Açucena. Poeta, compositor, músico, cantor, dramaturgo e boêmio afamado. É patrono de uma das cadeiras da Academia de Letras do RN.





sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vida moderna

  
 Quando o banheiro vira notícia

Propaganda conquista “apertados”  

Antigamente era inimaginável pensar numa propaganda em um banheiro. O banheiro era um equipamento de terceira categoria e nas regiões mais atrasadas era tão desprezado que era construído nos fundos do quintal, o que representava um sacrifício a mais para quem o usasse, por exemplo, numa noite de chuva.

Os tempos mudaram e aos poucos os banheiros foram ficando cada vez mais sofisticados, higiênicos e confortáveis, não faltando, em muitos casos, uma saleta íntima para descanso.

As empresas de publicidade, inicialmente na Europa, não demoraram a perceber o incrível “outdoor” que havia nos banheiros e começaram a fazer peças publicitárias e a incrementar serviços nos banheiros de grandes restaurantes, estações e aeroportos, enfim, locais de grande concentração de pessoas. Até campanhas de prevenção à saúde foram incorporadas em banheiros por administrações públicas.

Avaliação

É interessante a avaliação do consultor de marketing Davi Lineu sobre o assunto. Ele escreveu no site http://www.publistorm.com fazendo uma avaliação positiva. “Em uma noite de passeio na cidade de Maringá, encontrei no banheiro de um restaurante, uma criativa ação de merchandising. De frente ao mictório, percebi na parede um quadro adesivado com um suporte, onde estavam disponível alguns “flyers”. Lendo o conteúdo, concluí que se tratava de uma ação de prevenção, pois continha informações a respeito de um problema de bexiga conhecido como hiperplasia prostática benigna”. E, continuou: “A ação foi voltada para as pessoas que sentem os sintomas, e o mais interessante é que ao ser veiculada no banheiro, atingia seu público-alvo assimilando o momento da necessidade física ao problema de bexiga. Tanto no quadro quanto nos flyers, o problema estava sendo explicado, e junto, havia um convite para se fazer o exame preventivo”, concluiu.

Neste verão o Bar Seis em Ponto, localizado na praia de Pirangi resolveu aderir a esse tipo de iniciativa, que une a propaganda com uma ação de saúde em prol do cliente e, unindo-se a Clínica Oral Estética, colocou um serviço de higienização bucal nos seus banheiros. A casa mais badalada daquela praia, no veraneio, tem um público estimado em quatro mil pessoas por semana.

“Achei interessante a iniciativa porque mostra a preocupação de nossa clínica com a higiene bucal ao mesmo tempo em que é uma coisa simpática para o cliente do Seis em Ponto, além, é claro, de ser uma forma de divulgar a Oral Estética por meio de uma ação benéfica”, disse o diretor da clínica, Alexandre Dias. “Outro dia fui ao um restaurante que tem o mesmo tipo de ação, mas o recipiente do higienizador estava vazio. Nós temos a preocupação de não deixar faltar isso no Seis em Ponto”, completou o dentista.

O cliente se sente prestigiado

O dono do Seis em Ponto, Pedro Gurgel disse que a ação era mais um serviço do seu estabelecimento. “A clientela fica satisfeita e elogia. Tudo o que pudermos fazer para que as pessoas que vêem aqui se sintam bem, nós vamos continuar fazendo e essa parceria com a Oral Estética foi muito bem vinda”, concluiu. (LS).
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Leonardo Sodré                                 João Maria Medeiros
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Postado por Fernando Caldas 

VIAGE BÊSTA

Os terém tão arrumado.
Já engraxei o carçado
Qui ganhei nas inleição.
E fui comprá no *Polista
Duas camisas de lista
E uma carça de azulão.


Comprei na venda um caixote
Eu mesmo fiz um malote
E botei um cadeiado
Tenho medo do sabido,
Pra eles, tô prevenido
E vivo sempre acordado.


Pra mostrá minha cachola:
Encordoei a viola

E enfeitei o maracá.
Quero mostrá as polista
O tutano do nortista
E cuma nós sabe amá. 

Já fiz a matalotagem,
Já acertei a passage
Em riba do caminhão.
A buléia é muito cara
Tenho que sê "pau de arara"...
O pió é a mangação.

Já vasei minha peixeira,
Se essa cambada instrangeira,
Intendê de me xinga...
Pois dizem que o taliano
In São Paulo dá de cano
E gostam de matratá.

Adeus moçal desta terra,
"Morenas véia de guerra"
Que eu levo no coração!...
Agora digo um relaxo:
Num me dispeço de macho,
Macho num dá produção.

(* Polista que se refere o poeta Renato Caldas no referenciado poema de sua autoria era uma antiga loja de tecidos (Lojas Paulista que depois veio a ser Casas Pernanbucanas, do grupo Ludgreen tecidos, de Pernambuco).

No tempo de "doutor" Vingt Rosado


Hoje faz 16 anos da morte do ex-deputado federal Vingt Rosado. Foi o sucessor do líder familiar e governador Dix-sept Rosado, com a morte trágica deste em 1951.
Vingt é do tempo do radicalismo na política, de arengas homéricas, intrigas longevas. Período em que pelo menos ficava mais fácil saber quem é quem.
Quem não era aliado, era inimigo. Encarnado ou verde. E ponto final.
Fase da política em que a palavra era honrada, transformando-se em compromisso.
Seu bordão "eu estimaria", em tom de pedido, na verdade significava uma ordem. Para bom entendedor, a mensagem era logo compreendida, quando pronunciada por "doutor Vingt", como era solenemente tratado por amigos e próceres políticos.
Em 1960, ele foi candidato derrotado a vice-governador na chapa encabeçada por Djalma Marinho. À época, o vice era votado em separado.
Informado de movimento para ser eleito, sem o companheiro de dobradinha, Vingt rugiu: "Agradeço o voto que me seja dado, desacompanhado do meu companheiro de chapa".
Em 1982, desafiou o próprio regime militar, a quem servia, por não aceitar a candidatura do engenheiro e ex-prefeito do Natal José Agripino Maia a governador. Pregou o que ficou denominado de "voto-camarão", cortando a cabeça de chapa e pôs sua reeleição à Câmara Federal em risco.
Escapou por pouco.
Em praça pública, em Mossoró, o presidente-general João Batista Figueiredo o desdenhou. Afirmou que iria comer camarão "com cabeça e tudo".
Em 1988, com o genro-deputado estadual Laíre Rosado candidato a prefeito, num confronto com a pediatra Rosalba Ciarlini, voltou a dar mostras do seu humor irascível.
Assediado por populares à porta da casa do genro, o deputado federal Vingt Rosado ouve uma ameaça que o enfurece: "Só voto em doutor Laíre se me derem uma camiseta."
Retornando do interior da residência, o deputado lança uma pergunta: "Quem foi que pediu uma camiseta aí?"
Saltitante, alguém levanta o braço e brada:
- Foi eu, foi eu... aqui ó, doutor Vingt!!
Apesar da visão turva, o deputado mirou o vulto e arremessou o presente com o devido desaforo:
- Tome essa merda! Eu não acredito em eleitor que se vende por uma camiseta.
- Taí um cabra macho! – replicou o eufórico perturbador-mor, agarrado ao material de propaganda.
Esse era o "doutor" Vingt.

A ESPERADA

A esperada não veio. A esperada na vida
É o belo sonho para me inflamar.
Que ela não chegue, a bela comovida...
Que teria eu depois para ainda esperar?

João Lins Caldas, poeta potiguar do Açu

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UMA POESIA MATUTA E IRREVERENTE

CHICO E CHICA

Por Renato Caldas, poeta potiguar do Açu

Sinha môça, eu conto um fato
De chico ôio de gato
E chica Passarinheira:
Ele, vendia missanga,
Pó de arroz e burundanga;
Era mascate de feira.
Chiquinha, uma roceira
Disposta e trabaiadeira...
Pegava os pásso e vendia.
Porém, tinha um priquito
Muito mansinho e bonito
Qui ela, vendê num queria.

Chico, toda menhanzinha,
Ia a casa de Chiquinha
Já cum mardósa intenção...
Na cunversa qui travaram,
Os óios, se encontraram:...
Tibungo, no coração.

Chico môço da cidade
Cunversa de verdade,
Dotô em tufularia,
Foi devagá se chegando,
Passando a mão alisando
E o priquitinho cedía
O bicho se arrupiava...
Ela, calada deixava,
Gostava daquele trato.
Nisso o amô pôz a canga!
Pôi-se a brincar cum a missanga
De Chico Oio de Gato.
Um brincando, outro alizando
E a missanga amariando
Nisso, um gritinho se ôviu.
Num é qui o priquito-rico,
Teve fome e abriu o bico...
Bufo - a missanga engoliu.

Chico mudô de caminho!
O verde priquitinho
Bateu asas e avuô...
E Chica Passarinheira,
Tá sôrta na buraqueira...
Inté o nome mudô.

Postado por Fernando Caldas

Prefeitos querem explicações do Dnit e do Dnocs sobre ponte e barragem

O presidente do Consórcio Intergestores Vale Unido e prefeito de Carnaubais, Luizinho Cavalcante, está convocando os prefeitos da região do Vale do Açu e membros da entidade para a primeira reunião do ano nesta  quinta-feira (3), a partir das 10h, na Câmara Municipal de Itajá.
A entidade atendendo solicitação do prefeito Gilberto Lopes (de Itajá), formulou convite aos representantes do DNIT e do DNOCS no estado para debater e tranqüilizar a população no tocante as obras de ampliação e segurança da Ponte Felipe Guerra sob o rio Piranhas/Açu e  a situação atual da barragem e dos açudes do DNOCS na região.
Escrito por Alderi Dantas às 16h58

DE COMO O PALÁCIO POTENGI VIROU SAMBA...



M O T E :

O Palácio foi do Império
hoje é o império da Frescura

G L O S A S :

Deu-se a merda, o revertério,
na cultura do Estado!
Quem brilha, agora, é veado
- o Palácio foi do Império!
À ré deles, sem mistério,
come a canalha, fatura...
Falha o Poder, não segura
a fome desses petralhas
- essa súcia de canalhas,
hoje é o Império da Frescura!

O Estado saiu do sério
com a feijoada de kenga...
Droga muita, muita arenga
- o Palácio foi do Império!
Lá no beco, sem mistério,
façam o SAMBA com fofura,
a produção mais segura...
Mas respeitem a coisa pública
- nesta joça de República,
hoje é o Império da Frescura!

Laélio Ferreira

Tudo pronto para o Carnaval da Saudade dos Amigos do Tirol


Se você também foge do “rebolation”, este é o seu Carnaval

Todos os preparativos já foram feitos para o 1º Carnaval da Saudade dos Amigos do Tirol, que será realizado no dia 25, às 19h, na AABB. Com vários temas saudosistas que serão espalhados pela cidade, entre eles “Fuja do paredão de som: se jogue nos braços da colombina”, o evento irá resgatar a magia dos antigos carnavais.

Serão seis horas de música de qualidade, iniciando com a Banda dos Anos Sessenta, acrescida de vários metais e um repertório que será todo tocado em ritmo de frevo. “Estamos nos preparando para uma festa que ficará na História de Natal”, disse Reinaldo Azevedo, coordenador da banda, que também colocou os arranjos no Hino dos Amigos do Tirol, composto pelo médico Carlos Penha, que será apresentado durante a festa.

Depois da Banda dos Anos Sessenta, entrará a orquestra de frevos do maestro passinho, com cerca de vinte componentes. O coordenador da orquestra, Flávio Tonelli disse que os músicos serão praticamente todos os que tocaram na festa Amigos do Tirol, na última semana de novembro de 2010, acrescida de outros instrumentos e algumas novidades. “Todos os preparativos da orquestra de frevos estão seguindo um cronograma previamente estudado, inclusive com relação a ensaios”, revelou Tonelli. “Vai ser um festão!” Concluiu.

Homenageados

O grupo dos Amigos do Tirol irão homenagear o odontólogo Vicente Lira e o médico Grácio Barbalho (in memória), responsáveis durante décadas pelo "Carnaval da Saudade" do América Futebol Clube. O grupo também irá distribuir para cada comprador de mesas um DVD e um CD da Decafesta Amigos do Tirol, de 2010.

“Há mais de 30 anos que Natal não vê uma festa igual a que estamos preparando. Temos que descobrir, entre os vivos, onde andam antigos foliões, queremos todos eles aqui na AABB no dia da festa”, disse o bancário aposentado José Guedes da Fonseca (Deca), coordenador dos Amigos do Tirol. “Estamos numa tentativa de reinventar, de reconstruir o Carnaval. E reconstruir é sempre mais difícil e complexo. Não é como uma festa de amigos. É isso, e muito mais. O natalense está desacostumado com esse tipo de festa, muitos deles nem a conhecem”, concluiu Guedes.

A festa contará com o patrocínio do Hotel Garbos de Mossoró, Prontoclínica de Olhos, Clinica Cardiológica Dr. Ovídio Fernandes, Ney Móveis e Construtora Monte Neto, mas outros patrocínios estão sendo negociados.

Serviço
Carnaval da Saudade dos Amigos do Tirol
Dia 25 de Fevereiro
19 horas
AABB
Mesa: R$ 100,00
Atrações:
Banda dos Anos Sessenta
Orquestra de Frevos do maestro Passinho
Mais informações e entrevistas: José Guedes da Fonseca Filho (Deca) - 8701-5057
 
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 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.